quarta-feira, 30 de abril de 2008

Lágrimas ocultas...

Um poema de Florbela Espanca


Lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras

Em que ri e cantei, em que era querida,

Parece-me que foi noutras esferas,

Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,

Que dantes tinha o rir das primaveras,

Esbate as linhas graves e severas

E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...

Toma a brandura plácida dum lago

O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,

Ninguém as vê brotar dentro da alma!

Ninguém as vê cair dentro de mim!


Florbela Espanca

terça-feira, 29 de abril de 2008

Duas centenas de professores, ontem na 5 Outubro...

Professores desmobilizam mas o SPGL apela à continuação da luta


Duas centenas de professores manifestaram-se, ontem à noite, em frente ao edificio do ME, na 5 de Outubro. Mário Nogueira declarou que os professores não farão greve até ao final do ano lectivo e apelou a que não avancem com os procedimentos para a eleição do Conselho Geral provisório antes de Setembro. Leia mais.


Comentário

A desmobilização é geral. Depois do clímax da mega marcha e do entendimento com o ME, os professores começaram a duvidar da possibilidade de vitória face a um governo com maioria absoluta, um PR colaborante e uma comunicação social simpatizante das políticas educativas do governo. Apesar da desmobilização, continuo a pensar que a Plataforma Sindical não teve alternativa senão assinar os termos do entendimento. A conjuntura não podia ser mais difícil: o Governo tem maioria absoluta e goza da simpatia da comunicação social. O PR mostra compreensão e dá apoio à ministra da educação. Os professores estão exaustos

domingo, 27 de abril de 2008

Educação especial...

Mais de 50 websites sobre educação especial


Belver, ontem à tarde
Para os professores de educação especial, esta informação é imprescindível. Estes 50 websites são visitas obrigatórias para selecção e pesquisa de material de apoio. Para os outros professores, também são úteis. Todos os dias somos confrontados, quer como profissionais quer como cidadãos, com as questões da educação especial. Veja aqui os websites mais úteis e informativos sobre educação especial.
Veja, também, aqui as 15 perguntas e respostas mais frequentes sobre educação especial. E faça o download de uma ficha muito completa e bem elaborada para a avaliação do professor de educação especial. Veja, também, o Decreto Lei 3/2008, que define e estabelece as orientações, objectivos e meios para a educação especial

Estatuto da Carreira Docente...

Mais um powerpoint sobre o Estatuto da Carreira Docente

Alvega, ontem à tarde
Desta vez, um powerpoint da autoria do ME. Com base no decreto lei 15/2007, o powerpoint apresenta os aspectos mais signficativos do ECD, as duas categorias de professor, as funções, deveres, direitos e atribuições.

sábado, 26 de abril de 2008

Sábado, 26 de Abril de 2008

O processo de menorização das áreas curriculares essenciais


Alvega, hoje à tarde. Para ver mais fotos de Belver e de Alvega, clique aqui.
O processo de menorização das áreas curriculares essenciais (Matemática, Línguas, Ciências Físicas e Naturais, História e Geografia, Artes e Educação Física)e da hipertrofia das chamadas Áreas Curriculares Não Disciplinares começou em 1998. O Decreto Lei 6/2001 criou a nova e insane estrutura curricular e, de seguida, foram surgindo documentos que pressionaram os professores no sentido de aplicarem as novas orientações curriculares. Um dos documentos que desempenhou um papel mais activo nesse processo foi o texto Ensino Básico: Competências Essenciais. Um documento cheio de boas intenções mas incapaz de endireitar o que nasceu torto. Não é possível ensinar eficazmente História, Geografia, Matemática, Ciências da Natireza, Física e Química e Línguas com tão pouco tempo de aulas. Os blocos horários de 90 minutos, uma invenção portuguesa, que muitos países europeus não seguem, tornam difícil que os alunos de 12, 13 e 14 anos de idade se mantenham activos e com atenção durante um período de tempo tão longo.
Perante este cenário, qual é a solução? Sugiro um processo de simplificação curricular, pondo fim aos tempos destinados ao Estudo Acompanhado, Àrea de Projecto e Formação Cívica. As horas semanais atribuídas à ACND seriam distribuídas pela História, Geografia e Línguas (as disciplinas do 3º CEB mais sacrificadas com a reestruturação curricular de 2001). A formação cívica deve ser feita transversalmente, no âmbito de todas as disciplinas e, tambem, no âmbito da Educação Moral e Religiosa (Católica e de Outras Confissões)

O problema é da organização curricular, senhor Presidente da República!


Vista de Tancos a partir do Arripiado, ontem à tarde
Retomo aqui o discurso do PR, ontem, na AR. "Os mais novos, sobretudo, quando interrogados sobre o que sucedeu em 25 de Abril de 1974 produzem afirmações que surpreendem pela ignorância de quem foram os principais protagonistas, pelo total alheamento relativamente ao que era viver num regime autoritário", declarou o Chefe de Estado perante o hemiciclo.
Há razões objectivas que explicam a a ignorância dos jovens face a temas de História e Geografia. A principal razão reside na estrutura curricular do 3º ciclo do EB. Essa estrutura curricular foi criada por um Governo PS e manteve-se, incólume, até agora. É um estrutura curricular que aumenta a carga horária semanal dos alunos mas reduz o número de horas lectivas no Inglês, na História e na Geografia, em benefício das tretas curriculares, chamadas Áreas Curriculares Não Disciplinares (ACND): Estudo Acompanhado; Área de Projecto; Formação Cívica. Quando esta insanidade curricular foi aprovada por um Governo PS, uma parte significativa dos teóricos do currículo aplaudiu. Eu publiquei uma forte cítica. Leia aqui o meu artigo publicado em 2000. Fiquei a esbracejar sozinho.

A insanidade curricular que tomou conta do país é tão grande que ninguém se preocupa com o facto de os alunos do 3º ciclo do EB terem o mesmo número de horas de ACND que de História e Geografia. Ninguém se espanta com o facto de esses alunos terem menos horas semanais de Língua Portuguesa do que de ACND. Ninguém se surpreende que os alunos do 3º ciclo do EB tenham menos horas semanas de Matemática do que de ACND. Ninguém se choca pelo facto de os alunos do 3º Ciclo do EB terem menos horas semanais de Ciências Físicas e Naturais do que de ACND. Não acredita? Veja aqui a estrutura curricular do 3º CEB. Enquanto as tretas curriculares de ACND se mantiverem e enquanto o conceito de escola a tempo inteiro/escola guarda de crianças e adolescentes e prestação de cuidados sociais prevalecer, vamos continuar a formar gerações de jovens ignorantes. Continua a achar que eu estou a exagerar? Convido-o a ler o Decreto Lei 6/2001, sobretudo o artigo 5º, sobre Organziação Curicular. Foi aí que a insanidade curricular começou. Pela mão de um Governo PS. Veja, também, o meu post no Blog RamiroMarques, onde dou conta da génese da insanidade curricular

quinta-feira, 24 de abril de 2008

PROTESTO - SEGUNDA FEIRA 28 Abril Lisboa

Todos à rua!
PROTESTO - SEGUNDA-FEIRA28 de Abril Lisboa – 21H00 Frente ao ME – Av. 5 de Outubro Assim, os professores e educadores concentrar-se-ão dia 28 de Abril: • PELA RENEGOCIAÇÃO DO ECD, os professores reafirmam a sua oposição determinada ao modelo de avaliação de desempenho, à fractura da carreira, à degradação e sobrecarga dos seus horários de trabalho e à inaceitável instabilidade que se vive na profissão, à 'prova de ingresso' na profissão! • PELA RENEGOCIAÇÃO DO REGIME DE DIRECÇÃO E GESTÃO ESCOLAR, os professores exigem a avaliação do actual modelo e afirmam a sua disponibilidade em contrariar as pretensões do ME. • PELA RENEGOCIAÇÃO DAS ALTERAÇÕES À EDUCAÇÃO ESPECIAL, os professores reafirmam a defesa dos princípios da Escola Inclusiva. • PELA VALORIZAÇÃO E INVESTIMENTO NO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO, os professores exigem respeito pela liberdade académica e pela condição profissional. • POR MEDIDAS QUE PROMOVAM A QUALIDADE DA EDUCAÇÃO E DO ENSINO E PELA REDUÇÃO DO DESEMPREGO E DA PRECARIEDADE. • PELA GARANTIA DE QUE NENHUM DOCENTE SERÁ REMETIDO PARA A 'MOBILIDADE ESPECIAL'. • PELA SUBSTITUIÇÃO DO MODELO DE AVALIAÇÃO IMPOSTO PELO ME por um outro construído pelos professores e educadores. • PELO RESPEITO PELA LIBERDADE E PELOS DIREITOS SINDICAIS

terça-feira, 22 de abril de 2008

MovimentoProfessoresRevoltados@gmail.com: Uma entrevista lamentável

MovimentoProfessoresRevoltados@gmail.com: Uma entrevista lamentável

Trova do vento que passa...

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novos
e notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

A maior aula do mundo...

A maior aula do mundo assinalada, amanhã, em Portugal

Cerca de 80 países vão dar amanhã a ‘maior aula do mundo’, o objectivo é apelar a uma educação para todos. Em Portugal, 100 estabelecimentos escolares aderiram à iniciativa com o lema «Mais Educação, menos Exclusão». Entre os países em vias de desenvolvimento, 88% das crianças já iam à escola em 2005, mas considerando só a África subsariana o valor não passa dos 70%, segundo o relatório da ONU de 2007, sobre o Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, que ainda mostra serem as raparigas que menos vão à escola (20%). E se entre classe alta apenas 12% não vão à escola, entre as classes mais baixas o valor sobe para 37%. Leia mais.

Luta é para continuar...

Mário Nogueira, ontem, em Coimbra, sossega os professores: luta é para continuar
FENPROF garante que professores vão lutar até o Governo deixar de 'destruir a escola pública'.O coordenador da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) garantiu hoje que a luta dos professores «não vai acabar enquanto este Governo continuar a destruir a escola pública», apesar do memorando de entendimento assinado com o Ministério da Educação. Saiba mais. Comentário meuHá mais de dois anos que o ME não negociava com os sindicatos. Tinha-os substituído por um órgão dócil: o Conselho de Escolas. E queria fazer o mesmo com a criação do CCAP. A marcha dos 100000 professores impediu que tal acontecesse. A criação da comissão paritária para acompanhamento da avaliação de desempenho foi uma vitória dos professores e uma clamorosa derrota para os dois orgãos que a ministra tinha criado: o Conselho de Escolas e o CCAP. Em democracia, o Governo negoceia com as associações sindicais. São estas que, melhor ou pior, representam os trabalhadores. Não são os órgãos criados pela tutela e na dependência hierárquica da tutela. Convém não esquecer que a ministra da educação preside às reuniões do CCAP sempre que quiser! A partir de agora, exige-se uma mensagem clara dos sindicatos: a par a negociação, pressão nas ruas e nas escolas contra o Governo. Os professores só poderão vencer esta luta se contribuirem para a justa e merecida derrota do PS nas próximas eleições. Para que sejam derrotados, basta que percam a maioria absoluta. Ficarão a saber que a perderam por causa das malfeirorias feitas aos professores. Não se trata desta forma um grupo profissional com a importância cultural e simbólica que os professores têm!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Os bodes expiatórios...

Os professores são os bodes expiatórios das asneiras que os políticos têm feito
Quando a ministra diz que Portugal tem a maior taxa de chumbos da Europa, esquece-se de falar dos factores sociais e económicos que, quer queiramos quer não, nos puxam mesmo para a cauda da Europa. Basta ler os estudos de Bruto da Costa e verificar quantas famílias se encontram abaixo do limiar da pobreza; uma em cada quatro crianças encontra-se em risco e os níveis de iliteracia das famílias são mínimos. Dá-se à Escola meios para combater esta situação? Existem equipas pluridisciplinares, no terreno, efectivamente ligadas à instituição? O que conheço são projectos, experiências, técnicos em estágio, cujo trabalho meritório, não tem condições para continuar.Haverá por acaso, na Finlândia, escolas com inúmeras etnias e mais de vinte nacionalidades, como nós temos? Por favor, não digam mais asneiras e não falem do que não sabem. Vamos ao terreno. Vamos ver as condições em que a maioria das nossas crianças vive, as horas que passam sem os pais, sujeitos a horários intermináveis(nós, professores, somos uns deles), vejam a falta de qualidade dos nossos prolongamentos do 1º ciclo; o número de associações a trabalhar nos bairros e a ginástica que fazem para sobreviver. Vejam quantos pedopsiquiatras existem. No meu distrito, o maior do país, temos uma para toda a população infanto-juvenil. Vejam e depois falem-me de insucesso e abandono como resultado do mau trabalho, de todos aqueles, que na sua escola, na sua comunidade, fazem milagres. O último que conheci, foi uma colega ser obrigada a dar apoio a um aluno surdo-mudo, sem ter a docente uma única noção da Língua Gestual.Há professores irresponsáveis? Há sim senhor. Como em todas as profissões. Mas nenhuma profissão aguentou um barco tão mal governado, como os professores aguentaram. E porquê? Porque o Poder sabe que a grande maioria dos professores aceita muitas malfeitorias, sempre em prol dos seus alunos, em prol de um sonho. E até isso eles nos querem tirar. Chega!Helena

FINLÂNDIA...

O país dos professores
Decidem o que ensinam, como ensinam, a quem e a que ritmo. Têm tanta liberdade como preparação. São os professores da Finlândia, venerados por toda a sociedade e uma peça chave para que o seu país lidere, desde finais dos anos noventa, a lista educativa da OCDE, mais conhecida como Relatório Pisa. "Fazemos a escola que queremos. Dependemos de nós mesmos. É maravilhoso." Conta Eine Liinanki, professora da escola primária no Arábia, uma das 200 escolas de Helsínquia.São nove da manhã e na sala de professores do Arábia toma-se café, lê-se a imprensa e conversa-se sobre os planos do dia. Os colegas de Liinanki não ficam atrás em elogios a um sistema educacional dominado pelas escolas públicas - mais de 90% - e que não se caracteriza por ter muitos alunos brilhantes, mas por ter um número muito baixo de fracassos escolares. Segundo dados de 2001, a Finlândia dedicou à educação 6,25% do PIB.O Conselho Nacional de Educação da Finlândia, um organismo dependente do ministério, é encarregado de elaborar os conteúdos mínimos que depois os professores, todos com formação universitária e a maioria com um master no seu currículo, desenvolverão segundo os seus critérios."Damos-lhes muita liberdade e isso é fundamental para a motivação do professorado. É verdade que os professores não estão muito bem pagos, mas gozam de um grande reconhecimento social", explica Reijo Laukkanen, do Conselho Nacional. Um professor da escola primária na Finlândia recebe cerca de 25% menos que um colega seu espanhol, segundo os dados da OCDE. Mas os professores estão conscientes do seu papel como motor fundamental da sociedade finlandesa. Por isso, há disputas para entrar na escola de Pedagogia e para obter um lugar como professor.Mas, que faz com que num país a educação se transforme no eixo sobre o qual gira a sociedade? Que leva um país a venerar os seus professores? "É uma questão de cultura, de reconhecimento histórico", indica Jari Jokinen, que representa o seu país na UE, "a Finlândia foi o segundo país do mundo, e o primeiro da Europa, a permitir o voto das mulheres. As mulheres sempre tiveram muito claro que os seus filhos teriam uma vida melhor se estudassem e elas próprias incentivaram a participação na vida pública para que o nível educativo seja alto na Finlândia". Outro dos argumentos que se ouve nos círculos educativos aponta o nacionalismo do século XX. Helsínquia, desejosa de desfazer-se do domínio sueco e russo, apostou na educação e na aprendizagem do finlandês como ferramenta para a emancipação cultural. Foi então que se criaram as escolas públicas.Toca a campainha no Arábia e os professores vão para as salas. Os alunos - todos descalços - perguntam sem complexos quem é aquela visita que ali está. A relação com os crescidos é muito fluente e os alunos fazem gala de uma saudável segurança em si mesmos. Um grupo de 15 e 16 alunos tem na primeira hora da manhã aula de sueco, língua oficial que é falada por 6% da população. Na aula, Justus Mollberg, vestido ao mais puro estilo da moda londrina, aborrece-se. Levanta-se no meio da lição e fala em inglês fluído. "Não gosto do sueco, porque é obrigatório". "Está muito bem e aprecio a tua sinceridade", responde-lhe a professora. A aula de Mollberg tem 16 alunos, o número máximo permitido.Quando termina o ano, Mollberg e os seus colegas sentam-se com os pais e professores, avaliando os objectivos que os próprios alunos fixaram no início do ano e irão decidir a sua nota. Pouco importa, porque na verdade o que conta é a avaliação contínua, isto é, a aprendizagem e a atitude do jovem durante todos os dias do ano. Para Matti Meri, um dos professores da Faculdade de Pedagogia de Helsínquia, é a única maneira sensata de funcionar. "O ser humano tem que ser capaz de fixar os seus próprios objectivos e, depois, ser capaz de avaliar-se. É preciso torná-los responsáveis pela sua própria vida desde o princípio, que aprendam a não delegar na sociedade a responsabilidade dos seus actos". Meri acha além disso que é fundamental estabelecer uma relação de igualdade entre professores e alunos. "O professor não tem que saber muito. Tem que saber escutar. Às vezes, é mais importante escutar o aluno e partilhar os seus conhecimentos. Na Finlândia, os professores e os alunos respeitam-se muito, mas não por uma questão de hierarquia, mas de igualdade". E essa palavra, igualdade, aparece uma e outra vez nos folhetos do Ministério da Educação finlandês. Ensino público para todos, comida grátis na escola, livros escolares fornecidos pelo Estado...Hoje todos os professores do Arábia, nome do bairro da classe média dos arredores de Helsínquia onde está situado, levam vestido uma peça vermelha de roupa. Os alunos decidiram que esta será a semana das cores e os professores acatam a vontade dos mais pequenos. Hoje é o vermelho. O recreio também tem uma ar avermelhado: colares, cachecóis e saias misturam-se com as cabeças loiras dos alunos. A classe que mais peças vermelhas reunir ganhará o concurso, uma iniciativa que também partiu dos alunos.No começo do ano, cada classe escolhe dois representantes entre os alunos, que se reúnem periodicamente com os pais e professores para lhes expor os seus problemas e projectos. Uma vez por ano, os delegados de todas as escolas de Helsínquia reúnem-se com o Presidente da Câmara para lhe apresentar uma petição comum. Os brilhantes sofás de um dos corredores do Arábia, nos quais se esticam os alunos durante os intervalos, foram a petição do ano passado.São 10 e 45, hora de almoçar. Kaisu Kärkäinen, a directora do Arábia almoça na sala de jantar com os professores e os alunos. "Nesta escola os professores mandam. Decidem onde devemos gastar o dinheiro, elaboram o seu próprio programa, fazem visitas de estudo quando querem e escolhem alguns dos livros escolares", explica. Uns pescam no gelo durante a aula de Ciências Naturais, outros vão ao museu na de História ou fazem uso da Internet na de Geografia. A falta de directrizes procedentes do ministério ou da escola obriga-os a ser criativos.Ninguém fica para trásNa Finlândia, os alunos com dificuldades de aprendizagem - chama-nos multiespeciais - e os que necessitam de subir nota, estudam um programa à medida. O objectivo é que nenhum deles fique para atrás. O professor Jorma Kuittinen explica o método: "Estudam as mesmas matérias, mas com um programa individualizado". Como o resto dos alunos, eles provam o sabor do mercado de trabalho durante duas semanas por ano, nas quais trabalham como merceeiros, mecânicos, padeiros. Kuittinen diz que os rapazes da multiespecial são muito bons em trabalhos manuais e normalmente optam por prolongar o tempo de trabalho no mundo exterior. Só 10% dos alunos abandonam a escola após terminar a educação primária, face à média europeia que ronda os 18%.Como integrar os alunos procedentes de outras culturas é, no entanto, algo que os professores finlandeses pouco têm trabalhado.Nas escolas há muito poucas crianças filhos de emigrantes, algum somalis, iraquianos... Mas cada vez são mais os que chegam para ficar a este país de cinco milhões de habitantes. "Saber integrar estes novos alunos será o desafio seguinte", assim acredita a embaixada da Finlândia em Bruxelas.
Tradução JURISLigação para o artigo original

Não votes PS!

A DERROTA DAS MAIORIASO governo governa com a maioria e não com as manifestações da Rua, diz o Sr. Primeiro Ministro. É verdade, se o PS não tivesse a maioria, o Governo nunca teria tido a coragem de insultar os professores, nem de aprovar o novo estatuto da carreira docente, que é um insulto a quem presta tão nobre serviço à Nação. Já foi votada no Parlamente por três vezes a suspensão do novo estatuto da carreira docente e das três o PS votou contra suspensão.As maiorias só favorecem os poderosos, as classes trabalhadoras que produzem riqueza saiem sempre a perder. Assustaram o Zé Povinho com o deficit, para que fossem os mais desfavorecidos a pagá-lo. Vimos os vencimentos dos funcionários públicos congelados vários anos, o que fez com que perdessem 10% do poder de compra, mas nunca vimos apelar para que deixassem, durante algum tempo, de fazer férias nas Caraíbas, no Brasil... É fácil para quem tem vencimentos chorudos vir à Televisão pedir para que apertemos o cinto.Colegas, chegou o momento de ajustar contas com o PS. Se este partido tivesse menos de 1% do votos expressos nas últimas eleições, não teria a maioria e nunca teria tido a coragem de promover esta enorme afronta aos professores. Somos 150.000 o equivalente a 3% dos votos nacionais expressos. Se nas próximas eleições, que são dentro de um ano, todos os professores votarem em massa em todos os partidos excepto no PS, este partido nunca mais volta a ter a maioria e será a oportunidade soberana de devolver ao Sr. Sócrates as amêndoas amargas que ofereceu aos professores.Colegas, quem foi capaz de ir do Minho, Trás-os-Montes, Algarve, Madeira e Açores a Lisboa, também consegue nas próximas legislativas dirigir-se à sua assembleia de voto, e votar a derrota do PS.Em Portugal há partidos para todos os gostos quer à direita quer à esquerda do PS, é só escolher, maiorias nunca mais.Os professores para além de terem a capacidade de retirarem a maioria ao PS têm a capacidade de o derrotar, basta para isso que os professores convençam metade dos maridos ou mulheres, metade dos seus filhos maiores, metade dos seus pais e um vizinho a não votar PS, e já são mais de 500.000, foram os votos que o PS teve a mais que a oposição.Os professores estão pela primeira vez unidos, esta união é para continuar, e têm uma ferramenta poderosa ao seu alcance, a Internet, que nos põe em contacto permanente uns com os outros.Senão vejamos, esta mensagem vai ser enviada a cinco colegas. Se cada um dos colegas enviar a mais cinco dá 25. Se estes enviarem a mais cinco dá 125. Se estes enviarem a mais cinco dá 625. Se estes enviarem a mais cinco dá 3.125. Se estes enviarem a mais cinco dá 15.625. Se estes enviarem a mais cinco dá 78.125. se este enviarem a mais cinco dá 390.625, isto é, o dobro dos professores que há em Portugal. À sétima vez que esta mensagem for reenviada todos os colegas ficarão a saber a informação que ela contém.Começou oficialmente a campanha eleitoral dos professores contra o PS, com o slogan:'VOTA À DIREITA OU À ESQUERDA! NÃO VOTES PS!'

A peça-chave do novo decreto regulamentar é artgº 8º

Novo Decreto Regulamentar ratifica avaliação simplificada
A Plataforma deve afirmar, hoje, a sua concordância com o teor do projecto de Decreto Regulamentar que ratifica a avaliação simplificada. A reunião vai ocorrer hoje e marca o início do processo negocial. A peça-chave do novo decreto regulametar é o artigo 8ª: "são ratificados todos os actos dos órgãos de agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas que procedam ao desenvolvimento de processos de avaliação simplificada".Teria sido uma vitória dos professores se o modelo de avaliação simplificada tivesse sido adoptado em definitivo. Assim, aplicado apenas a este ano lectivo, não foi vitória nenhuma. Está mais do que visto que a batalha definitiva entre os 100000 professores, que estiveram na Marcha, em 8 de Março, e o Governo vai travar-se no dia das eleições. A guerra que o ME declarou aos professores vai continuar. A entrevista da ministra da educação ao CM de ontem é bem a prova disso. A guerra defensiva que os professores vão ter de travar vai passar, sobretudo, pela luta contra o PS. É por isso que, a partir de hoje, este blog se assume combativamente anti-ps. Sugiro a todos os colegas que editam blogs que façam o mesmo que eu: coloquem, em local bem visível, a seguinte frase: "O Governo desfigurou a profissão docente. Sou professor: não voto PS!"

domingo, 20 de abril de 2008

Apelos

Olá!

Na minha escola estamos a juntar um pequeno ("secreto" e de confiança) grupo para analisar tudo o que for produzido a nível de ME e de escola no que concerne a avaliação e tentarmos ter uma acção mais ou menos concertada nos vários departamentos. O objectivo é demonstrar na prática a inexequibilidade de todo este processo, que continua cheio de ilegalidades. Uma das coisas a fazer é exigir sempre que tudo o que nos for pedido seja posto por escrito e devidamente justificado de acordo com a legislação em vigor. Verdadeiramente importante é mostrar à opinião pública como todo este processo nos continua a afastar da nossa maior responsabilidade na escola, trabalhar com e para os nossos alunos. E lembrar que esta escola, da forma como o ME a entende, serve apenas os "contorcionistas" profissionais e promove a mediocridade, tanto dos professores que passam a ser burocratas e mangas de alpaca, mas também, e ainda pior, a dos alunos, a quem cada vez é exigido menos trabalho e esforço. Como professora e como mãe, quero uma escola que promova o conhecimento, trabalho, o esforço,a dignidade, a noção de que vale a pena o esforço. Esforço-me por não ser pessimista, mas vejo isso cada vez mais longe... Se cada um de nós mantiver a lucidez e a capacidade de lutar, talvez se salve alguma da dignidade que nos tiraram e consigamos abrir espaço para voltar a mexer no ECD e derrotarmos essa verdadeira aberração e perigo que é o diploma da Gestão. Vai dar muito trabalho, mas a esperança é a última a morrer... (Caso entendam publicar e por razões que acho óbvias, agradeço, ao contrário do que é costume meu,que omitam a minha identidade.)

sábado, 19 de abril de 2008

Quantos seremos?

A farsa presente desta saga educativa e deste vergonhoso acordo, é retratada aqui neste lindíssimo poema, que nem de propósito, de Miguel Torga.



QUANTOS SEREMOS?

Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena.
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.

E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.

Miguel Torga

sexta-feira, 18 de abril de 2008

"MEMORANDO DE ENTENDIMENTO" do nosso descontentamento...

CONTENDO O "MEMORANDO DE ENTENDIMENTO"
- Um conjunto de apreciações que será da exclusiva responsabilidade dos Sindicatos e referirá as suas posições sobre o modelo de avaliação e, de forma mais geral, sobre o ECD, a gestão e a necessidade de os professores continuarem a lutar contra a actual política educativa;
- Um conjunto de apreciações que será da responsabilidade do ME;
- Por fim (ou no início, ainda não se decidiu), o Memorando de Entendimento.
A esmagadora maioria dos professores, a comunicação social, todos os partidos políticos da oposição… convergem na apreciação de que se tratou de uma derrota do Governo e de uma importante vitória dos professores, não só pelo que foi alcançado, mas, também, por se tratar de uma derrota política de uma maioria que nunca vergou, nunca cedeu, não recebia os Sindicatos, criou um conselho das escolas para os substituir e, de repente, viu-se que afinal as coisas não são bem assim, podem não ser mesmo assim. Basta que se lute. É um bom exemplo para os professores e para o futuro da sua luta, é, igualmente, um bom exemplo para outros trabalhadores. Alguns movimentos de professores têm referido que não deverá ser assinado o entendimento e participarão no Dia D, para defenderem essa posição nas reuniões, o que é perfeitamente legítimo que façam, sendo muito importante que participem.
Vejamos, então, as vantagens e desvantagens de assinar ou não assinar uma declaração conjunta que inclua o entendimento.
Este entendimento, é verdade, não prevê a revisão do ECD que dividiu os horários de trabalho…; também não revoga o diploma da gestão que o PR promulgou na semana passada; não altera a legislação sobre Educação Especial, não reabre as escolas que foram encerradas… por essa razão, não se chama Acordo; por essa razão, os Sindicatos não deixaram de acusar o ME de estar a atacar a Escola Pública e os Professores; por essa razão, não passaram a ter uma opinião positiva sobre a actual equipa ministerial e o Governo. Mas, se é verdade que a assinatura do entendimento não resolve os problemas de fundo do sistema educativo, das escolas e dos professores,
a sua não assinatura também não. E se, da assinatura do entendimento, poderá não resultar tudo o que os professores pretendem, da sua não assinatura não resultaria absolutamente nada.
Agora, o que a assinatura do entendimento permite e a não assinatura não permitiria é que:
SOBRE A AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES

- Os contratados que já estavam a ser avaliados e da forma mais diversa, um pouco por todo o lado, alguns com observações de aulas e muitos com a aplicação de inúmeros parâmetros, ficarão pelos que foram alvo de entendimento (e recordo que a autoavaliação não é classificável e que a formação contínua não é obrigatória para os contratados);
- Mesmo as escolas que tinham decidido parar, após a inqualificável pressão e as ameaças feitas pelo ME já estavam a avançar e muitas delas a aprovar procedimentos que iam muito para além dos que ficaram previstos no texto do "entendimento";
- Ainda que esses procedimentos simplificados, aprovados pelas escolas, fossem estes, teriam de ser validados, ou seja, autorizados pelo ME (DGRHE) e agora já não, pois foram uniformizados;
- Sob pressão e ameaça, muitos órgãos de gestão avançavam para evitar processos disciplinares e, desta forma, já os não terão;
- O modelo de avaliação consagrado em lei aplicar-se-ia e os professores, incluindo os 140.000 a classificar no próximo ano, não teriam qualquer protecção de eventuais classificações penalizadoras que resultassem dos disparates que este modelo contém e, assim, fica salvaguardada a anulaçãodos efeitos negativos;
- Os Sindicatos estavam excluídos do acompanhamento da aplicação do modelo, que estava reservada ao conselho das escolas, à Inspecção e ao ME, mas agora já não, tendo sido criada uma comissão paritária que terá acesso a todos os documentos das escolas e outros das entidades que acompanharão a implementação. Assim, terão ainda mais informação sobre os aspectos negativos do modelo de avaliação para o combaterem. Esta é uma solução ainda mais favorável do que a integração do conselho científico;
- Esta comissão paritária destina-se a preparar negociações para alteração do modelo, o que não se previa no ECD ou na regulamentação da avaliação. Agora até já tem data previsto e tudo.
Os Sindicatos poderiam prescindir de tudo o que foi conseguido (com enorme dificuldade, dada a recusa do ME em ceder em pontos que considerou capitais), que protege os professores e garante a alteração do modelo, mas não estariam a cumprir o seu papel de defesa dos professores e das escolas.
Se não assinarem o entendimento, estarão a deixar que se instale, de novo, a balbúrdia e a confusão e daí resultem prejuízos para os professores, que poderão ser muito graves.
SOBRE AS RESTANTES MATÉRIAS CONTIDAS NO TEXTO
Mas, também, quanto à gestão, a questão é tão simples como esta: as escolas teriam de criar, já agora, os conselhos gerais provisórios. Apenas terão de o fazer no próximo ano escolar: isto abre ou fecha espaço para agir contra a implementação do modelo?
Quanto ao novo escalão de topo sem aumento de tempo de serviço: deveriam os Sindicatos deixar que se perdesse a paridade com a carreira técnica superior conseguida em 1986, ou seja, há 22 anos, precisamente pelos Sindicatos de Professores e depois de muita luta dos docentes? Se daqui não resultará aumento da duração da carreira, isto será ou não passível de beneficiar todos os professores de escalões abaixo? Não levará isto a uma alteração positiva dos tempos intermédios de progressão?
E aos contratados com menos de 4 meses, era de deixar que perdessem o tempo de serviço que prestaram? E as negociações que constam do ponto 6, seria de deixar que apenas decorressem com o conselho das escolas, como o ME já acordara com esse conselho? E as horas mínimas que os professores não poderão ter assinaladas no seu horário: seria preferível deixar que se mantivesse a situação actual, ou ganharemos com centenas de escolas a terem de corrigir o que fazem, beneficiando, com isso, os professores? E a formação contínua: seria melhor que os professores tivessem de a fazer em regime pós-laboral ou que as horas de formação sejam descontadas na componente não lectiva de estabelecimento e, assim, passem a ser deduzidas nas horas de permanência na escola?
Os Sindicatos poderiam não subscrever o entendimento e deixar cair tudo isso, mas que ganhariam os professores com essa decisão?! Este entendimento defende os professores, estabelecerá importantes processos negociais e abre perspectivas futuras de luta!
A Plataforma Sindical dos Professore

Meu comentário:
Sentindo-me traída, rasguei o meu cartão do sindicato. Para mim acabaram os sindicatos, as lutas, etc. estou profundamente decepcionada e desmotivada. No entanto, voltarei à luta se me derem boas razões para isso, porque neste momento o que vejo é medo... Um medo infinito desta ministra, deste governo, os sindicatos fugiram às reivindicações, qual ratos amedrontados! E ainda falam em vitória? Vitória sim, da ministra, que teimosamente levou em frente esta avaliação vergonhosa. Enfim! Os professores estão de novo sós.... e desacreditados! Nem a marcha da grande indignação lhes valeu. Portanto se 100 mil professores desafiaram a ministra e não foram ouvidos, que vontade têm de se mobilizarem? Para serem ridicularizados e traídos de novo? Eu digo NÃOOOOOO!!!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Avaliação dos professores...

Santana-Maia Leonardo 2008-03-18

A avaliação dos professores tem de ser externa e tem de ter em conta, essencialmente, o trabalho na sala de aula e a avaliação e o sucesso dos alunos.
A actual ministra da Educação, à semelhança de Cristóvão Colombo, também quer chegar à Índia navegando para Ocidente. Que falta cá fazia D. João II para lhe explicar que, propondo-se ela navegar nessa direcção, nunca vai conseguir lá chegar.Infelizmente, temos de nos contentar com um Presidente da República que avalia o trabalho dos ministros apenas sob o prisma da despesa e um primeiro-ministro que se julga o D. Sebastião, por ter saído do nevoeiro guterrista.Sou a favor, obviamente, de uma avaliação rigorosa do desempenho dos professores. Mas, por isso mesmo, sou totalmente contra este modelo de avaliação. A avaliação dos professores, em primeiro lugar, tem de ser externa e, em segundo lugar, tem de ter em conta, essencialmente, o trabalho na sala de aula e a avaliação e o sucesso dos alunos (atenção: não confundir sucesso com as notas dadas pelos professores). Com efeito, devia caber ao inspector assistir a aulas, analisar as planificações, os testes e os resultados dos testes e aferir da adequação das aulas, das estratégias e da avaliação levada a cabo pelo professor relativamente às turmas e aos alunos em concreto.E a avaliação tem de ser externa por duas razões: por um lado, para dar credibilidade à própria avaliação, impedindo que rivalidades, inimizades e desconfianças, inerentes a toda a relação de vizinhança, interfiram no processo, até porque, como sói dizer-se, «ninguém é herói para o seu criado»; por outro lado, para que os professores não se dispersem ainda mais em burocracias, afastando-os da sua verdadeira função que é ensinar.Imagine-se o que seria se o Ministro da Justiça (ou melhor, o Conselho Superior da Magistratura) decidisse copiar o modelo, passando a avaliação dos juízes a ser feitas pelos seus colegas do tribunal. Ou seja, o juiz do 1.º Juízo ia avaliar o juiz do 2.º Juízo e assim sucessivamente. Havia de ser bonito! A função dos juízes, colocados nos tribunais, é julgar, dar sentenças e despachos não é avaliar os colegas. Isso é e deve ser feito por inspectores, destacados para o efeito e com reconhecida competência.Só que aquilo que o Governo e a ministra querem, como se vê claramente por este modelo de avaliação, é apenas poupar dinheiro e domesticar os professores. O resto é conversa para enganar os tolos que, infelizmente, são muitos e com direito a voto.Santana-Maia LeonardoEx-professor do Ensino Secundário
Santana-Maia Leonardo 2008-03-18
A avaliação dos professores tem de ser externa e tem de ter em conta, essencialmente, o trabalho na sala de aula e a avaliação e o sucesso dos alunos.
A actual ministra da Educação, à semelhança de Cristóvão Colombo, também quer chegar à Índia navegando para Ocidente. Que falta cá fazia D. João II para lhe explicar que, propondo-se ela navegar nessa direcção, nunca vai conseguir lá chegar.Infelizmente, temos de nos contentar com um Presidente da República que avalia o trabalho dos ministros apenas sob o prisma da despesa e um primeiro-ministro que se julga o D. Sebastião, por ter saído do nevoeiro guterrista.Sou a favor, obviamente, de uma avaliação rigorosa do desempenho dos professores. Mas, por isso mesmo, sou totalmente contra este modelo de avaliação. A avaliação dos professores, em primeiro lugar, tem de ser externa e, em segundo lugar, tem de ter em conta, essencialmente, o trabalho na sala de aula e a avaliação e o sucesso dos alunos (atenção: não confundir sucesso com as notas dadas pelos professores). Com efeito, devia caber ao inspector assistir a aulas, analisar as planificações, os testes e os resultados dos testes e aferir da adequação das aulas, das estratégias e da avaliação levada a cabo pelo professor relativamente às turmas e aos alunos em concreto.E a avaliação tem de ser externa por duas razões: por um lado, para dar credibilidade à própria avaliação, impedindo que rivalidades, inimizades e desconfianças, inerentes a toda a relação de vizinhança, interfiram no processo, até porque, como sói dizer-se, «ninguém é herói para o seu criado»; por outro lado, para que os professores não se dispersem ainda mais em burocracias, afastando-os da sua verdadeira função que é ensinar.Imagine-se o que seria se o Ministro da Justiça (ou melhor, o Conselho Superior da Magistratura) decidisse copiar o modelo, passando a avaliação dos juízes a ser feitas pelos seus colegas do tribunal. Ou seja, o juiz do 1.º Juízo ia avaliar o juiz do 2.º Juízo e assim sucessivamente. Havia de ser bonito! A função dos juízes, colocados nos tribunais, é julgar, dar sentenças e despachos não é avaliar os colegas. Isso é e deve ser feito por inspectores, destacados para o efeito e com reconhecida competência.Só que aquilo que o Governo e a ministra querem, como se vê claramente por este modelo de avaliação, é apenas poupar dinheiro e domesticar os professores. O resto é conversa para enganar os tolos que, infelizmente, são muitos e com direito a voto.

Santana-Maia Leonardo
Ex-professor do Ensino Secundário

A Montanha pariu um Rato...

NÃO VER ISTO... É SER MUITO INGÉNUO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ...
Porque quem acusou de chantagem acabou a negociar com o chantagista. ...

É verdade que os sindicatos ganharam uns trocos. Mas o lance era para devolução integral: da dignidade perdidaComecemos por uma questão semântica: entendimento e acordo são vocábulos sem diferenças, do ponto de vista da significação, que justifiquem o esforço da Plataforma Sindical para os distinguir. Vão a um bom dicionário. No contexto que "aproximou" sindicatos e ministério, são sinónimos. Mas se essa fosse a questão, então capitular dirimia o conflito. E não estou a ser irónico. Voltem a um bom dicionário.Posto isto, passemos ao que importa. ministério e sindicatos acertaram, concertaram sob determinadas condições. No fim, os sindicatos cantaram vitória. Permitam-me que invoque alguns argumentos para desejar que os sindicatos não voltem a ter outra vitória como esta.A actuação política deste Governo e desta ministra produziu diplomas (estatuto de carreira, avaliação do desempenho, gestão das escolas e estatuto do aluno) que envergonham aquisições civilizacionais mínimas da nossa sociedade. A rede propagandística que montaram procurou denegrir os professores por forma antes inimaginável. Cortar, vergar, fechar foram desígnios que os obcecaram. Reduziram salários e escravizaram com trabalho inútil. Burocratizaram criminosamente. Secaram o interior, fechando escolas aos milhares. Manipularam estatísticas. Abandalharam o ensino com a ânsia de diminuir o insucesso. Chamaram profissional a uma espécie de ensino cuja missão é reter na escola, a qualquer preço, os jovens que a abandonavam precocemente. Contrataram crianças para promover produtos inúteis. Aliciaram pais com a mistificação da escola a tempo inteiro ( que sociedade é esta em que os pais não têm tempo para estar com os filhos? Em que crianças passam 39 horas por semana encerradas numa escola e se aponta como progresso reproduzir o esquema no secundário, mas elevando a fasquia para as 50 horas?). Foram desumanos com professores nas vascas da morte e usaram e deitaram fora milhares de professores doentes (depois de garantir no Parlamento que não o fariam). Promoveram a maior iniquidade de que guardo recordação com o deplorável concurso de titulares. Enganaram miseravelmente os jovens candidatos a professores e avacalharam as instituições de ensino superior com a prova de acesso à profissão. Perseguiram. Chamaram a polícia. Incitaram e premiaram a bufaria. Desrespeitaram impunemente a lei que eles próprios produziram. Driblaram as leis fundamentais do país. Com grande despudor político, passaram sem mossa por sucessivas condenações em tribunais. Fizeram da imposição norma e desrespeitaram continuadamente a negociação sindical. Reduziram a metade os gastos com a Educação, por referência ao PIB. No que era essencial, no que aumentaria a qualidade do ensino, não tocaram, a não ser, uma vez mais, para cortar e diminuir a exigência e castrar o que faz pensar e questionar. A questão que se põe é esta: por que razão esta gente, que tanto mal tem feito ao país e à Escola, que odeia os professores, que espezinhou qualquer discussão ou concertação séria, que sempre permaneceu irredutível na sua arrogância de quero, posso e mando, de repente, decidiu "aproximar-se" dos sindicatos? A resposta é evidente: porque os 100.000 professores na rua, a 8 de Março, provocaram danos. Porque a campanha eleitoral começou a reparar os estragos para garantir mais quatro anos. O tempo e a oportunidade política da plataforma sindical aconselhava uma firmeza que claudicou. Porque quem estava em posição de impor contemporizou. Porque de um dia para o outro se esqueceram as exigências da véspera. Porque quem demandou a lei em tribunal pactuou com uma farsa legal. Porque quem acusou de chantagem acabou a negociar com o chantagista. Porque quem teve nos braços uma unidade de professores nunca vista pensou pouco sobre os riscos de a pôr em causa.É verdade que os sindicatos ganharam uns trocos. Mas o lance não era para trocos. Era para devolução integral: da dignidade perdida.Aqui chegados, permitam-me a achega: pior que isto é não serem capazes de superar isto. E lembrem-se de Pirro, quando agradeceu a felicitação pela vitória: " Mais uma vitória como esta e estou perdido".

16.04.2008, Santana Castilho

Professor do ensino superior

terça-feira, 15 de abril de 2008

Avaliação à moda antiga...

Para que a mentira não pegue de estaca! Os Parâmetros Da Avaliação À Moda Antiga (Aquela Que Dizem Que Não Existia)...
Com a devida vénia de A Educação do Meu Umbigo, aqui vai esta lembrança, para que a mentira não pegue de estaca!
Para que nenhuma Ministra, Secretário de Estado ou Primeiro Ministro escapem sempre ilesos quando afirmam que a progressão era automática e sem critérios. Porque é mentira. Não é uma inverdade. É mesmo uma mentira. Política ou outra, não sei distinguir. E repetida com a aparência de convicção (ou da pura ignorância) pode enganar os transeuntes e os ingénuos. Aqui fica o que constava do anexo 1 do decreto regulamentar 11/98 de 15 de Maio. Estes elementos deveriam ser confirmados pelos dados existentes nos serviços administrativos e validados e avaliados pela Comissão de Avaliação do Conselho Pedagógico.
QUADRO DE REFERÊNCIA PARA A ELABORAÇÃO DO DOCUMENTO DE REFLEXÃO CRÍTICA
Actividade do docente:
1. Conteúdo:
1.1. Serviço distribuído (componente lectiva e componente não lectiva);
1.2. Cargos desempenhados, considerando:
1.2.1. Administração e gestão;
1.2.2. Orientação educativa;
1.2.3. Supervisão pedagógica;
1.2.4. Outros.
2. Desenvolvimento do processo ensino / aprendizagem:
2.1. Planificação do processo ensino / aprendizagem, considerando:
2.1.1. Selecção de modelos e métodos pedagógicos;
2.1.2. Cumprimento dos núcleos essenciais dos conteúdos programáticos;
2.1.3. Cooperação com os professores da escola / turma / grupo disciplinar;
2.1.4. Outros aspectos relevantes.
2.2. Concepção, selecção e utilização de instrumentos pedagógicos auxiliares do processo ensino / aprendizagem, considerando:
2.2.1. Manuais escolares;
2.2.2. Outros.
2.3. Processo de avaliação dos alunos, considerando:
2.3.1. Critérios de avaliação e definição de conteúdos nucleares da aprendizagem para a progressão dos alunos;
2.3.2. Aferição dos critérios para uma coerência pedagógica da aprendizagem;
2.3.3. Práticas inovadoras no processo de avaliação dos alunos;
2.3.4. Outros aspectos relevantes.
2.4. Participação em actividades de apoio pedagógico e de diversificação curricular.
2.5. Participação na organização de actividades de complemento curricular.
3. Análise crítica do processo de acompanhamento dos alunos, considerando:
3.1. Informação e orientação dos alunos (vocacional e profissional);
3.2. Detecção de dificuldades na aprendizagem e desenvolvimento de estratégias para a sua superação;
3.3. Gestão de conflitos comportamentais e de índole disciplinar na sala de aula e na escola e desenvolvimento de estratégias para a sua superação;
3.4. Relacionamento com os encarregados de educação;
3.5. Outros.
4. Participação em actividades desenvolvidas na Escola, considerando:
4.1. Projecto educativo;
4.2. Área-Escola;
4.3. Formação.
4.4. Projectos culturais, artísticos e desportivos, considerando:
4.4.1. Participação em projectos culturais locais e de defesa do património;
4.4.2. Organização e participação em visitas de estudo.
4.5. Outros aspectos relevantes.
5. Participação na articulação da intervenção da comunidade educativa na vida da escola.
6. Promoção e participação em actividades inter-geracionais.
7. Participação em actividades no domínio do combate à exclusão.
8. Participação em actividades no domínio da promoção da interculturalidade.
9. Participação em actividades de solidariedade social.
10. Formação
10.1. Plano Individual de Formação, considerando:
10.1.1. Identificação das necessidades de formação, designadamente nos planos científico-pedagógico e profissional;
10.1.2. Articulação do Plano individual de Formação com o Plano de formação da Escola / Associação de Escolas;
10.1.3. Participação em equipas de formação para a inovação e a qualidade.
10.2. Formação contínua, considerando:
10.2.1. A articulação das acções de formação realizadas com o Plano Individual de Formação;
10.2.2. Actividades de aperfeiçoamento profissional e académico, nomeadamente participação em seminários, conferências, colóquios e jornadas pedagógicas;
10.2.3. Outras actividades relevantes.
10.3. Formações acrescidas, considerando:
10.3.1. Graus académicos;
10.3.2. Outros diplomas.
11. Assiduidade do docente.
12. Actividades de substituição.
13. Outras actividades relevantes no currículo do docente.
14. Estudos e trabalhos realizados e publicados.
15. Louvores.
16. Sanções disciplinares

Podíamos pedir o Céu mas...

Podíamos pedir o Céu mas, no imediato, o que queríamos era não ir para o Inferno (Mário Nogueira)
Mário Nogueira refere que o documento a ser assinado quinta-feira com a tutela vai integrar uma declaração da Plataforma Sindical, na qual os docentes reiteram profundo desacordo em relação a matérias como o Estatuto da Carreira Docente, a divisão da carreira em duas categorias, o diploma da gestão escolar e do ensino especial, entre outras matérias."Os sindicatos não alteram uma vírgula na sua posição sobre essas matérias. Continuam a ser contra e bater-se-ão para alterar profundamente esta legislação", afirmou Mário Nogueira.O sindicalista garante que "os professores continuam unidos" e desvaloriza as posições dos movimentos cívicos de docentes: "Não nos temos limitado a ouvir os representantes dos movimentos. Estamos em crer que não é essa a posição dos professores, mas veremos" hoje."Podíamos pedir o céu, mas no imediato o que queríamos era não ir para o inferno. Agora compete aos professores continuarem a lutar, a exigir, com propostas alternativas àquelas que são as medidas que o Governo tem vindo a implementar", apelou Mário Nogueira.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Que VERGONHA !Os deputados do PS estão contra nós, mas querem ser titulares sem porem os pés na escola.

Os deputados do PS estão contra nós, mas querem ser titulares sem porem os pés na escola.

Que VERGONHA !

Retirado da Ordem Trabalhos hoje ME / Plataforma:


Ponto 8.
Acesso à categoria de Professor Titular para os Professores
em exercício de funções ou actividades de interesse público,
designadamente, enquanto Deputados à Assembleia da República e ao
Parlamento Europeu, Autarcas, Dirigentes da Administração Pública,
Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais.


Agora é que não percebo nada!Mas agora já se pode "atingir o topo"…
mesmo estando "fora" da escola?
Todas as mudanças que o ME quis fazer não foi para acabar com "isso"?
Não ia ser titular apenas quem provasse, "no terreno", a sua excelência?
Dizem uma coisa, fazem outra… a toda a hora!


Depois de se terem "esquecido"dos que antes estiveram nessas funções,
no primeiro concurso….:
mais um concurso extraordinário?
ou só conta daqui para a frente, e os «tristes» que ficaram para trás?
Tem que ser o tribunal a dar-lhes razão?


O novo 4º escalão será, provavelmente, para os
"Professores-titulares-avaliadores".
Deste modo, cria um "estatuto" diferente para quem é avaliador e foge
às incompatibilidades de avaliador e avaliado concorrerem às mesmas
cotas.


Quantos chegaram a titular por haver uma vaga na escola e não ter mais
ninguém a concorrer, no entanto escolas houve em que colegas com quase
o dobro dos pontos não acederam a PT porque não havia vaga, e com isto
só quero dizer e afirmar da injustiça desta peça, monstruosamente
montada e maquiavelicamente posta em prática que é a dos professores
titulares.


Esta proposta do PM é inaceitável.


Espero que professores e sindicatos estejam bem conscientes desta
proposta que é verdadeiramente ofensiva, para não dizer outra coisa!


Tenhamos dignidade e não nos deixemos vender.


Esta é das respostas mais repugnantes jamais feitas por um governo.


Oferecem tachos a sindicalistas, boys e girls das direcções gerais dos
vários ministérios, há uma tentativa de oferecer aos professores
avaliadores um "acesso" ao 4º escalão de titular.


Chegamos ao limite da indecência e a resposta só pode ser uma:

revisão do ECD, anulação da divisão da carreira e combate total a esta avaliação.


DEVEMOS OBRIGAR OS SINDICATOS A REJEITAR LIMINARMENTE ESTAS PROPOSTAS!

--
Maria João Oliveira

domingo, 13 de abril de 2008

PM Mente ou está mal informado!

Com enorme indignação, mas sem ser já surpresa, o Sr Primeiro Ministro voltou ontem, 12/4/2008, a afirmar nos meios de comunicação social que "os professores vão avaliados pela primeira vez em 30 anos", ora tal e uma absoluta falsidade, assim o Sr P. M. ou mentiu ou estará mal informado! Senão vejamos: 1) Em 15 de maio de 1998 José Sócrates era Ministro-Adjunto do Primeiro Ministro (António Guterres) ver link: http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC13/Composicao/ 2) Em 15 de Maio de 1998 foi publicado o Decreto Regulamentar nº 11 de 1998, que regulamenta (regulamentava) o processo de AVALIAÇÃO DO PESSOAL DOCENTE da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário ver link: http://esmira.no-ip.info/moodle/file.php/139/Decreto-Lei-11-98_Avaliacao_do_Desempenho_.pdf 3) O decreto regulamentar nº 11/ 98 veio, por sua vez revogar o Decreto Regulamentar nº 14/ 1992, de 4 de Julho que já indicava "os princípios orientadores da avaliação de desempenho ..." conforme se pode ler a negrito no texto em baixo. PELO MENOS DESDE 4 de Julho de 1992 QUE OS DOCENTES SÃO AVALIADOS!! DECRETO REGULAMENTAR 11/98, de 15/05 O Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 139-A/90, de 28 de Abril, definiu, de acordo com o disposto no artigo 36.º da Lei n.º 46/86, de 14 de Outubro - Lei de Bases do Sistema Educativo -, os princípios orientadores da avaliação do desempenho, tendo o respectivo processo sido objecto do Decreto Regulamentar n.º 14/92, de 4 de Julho.A recente revisão do Estatuto da Carreira Docente, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 1/98, de 2 de Janeiro, deu particular relevância à consagração de mecanismos de incentivo ao mérito e ao reforço da profissionalidade docente, designadamente no âmbito do processo de avaliação do desempenho dos educadores e dos professores. ... 4) Assim o actual modelo de Avaliação de Desempenho dos Docentes veio revogar o Decreto Regulamentar 11/ 98 - Avaliação de Desempenho dos Docentes - O Decreto Regulamentar nº11/ 98 foi criado quando o actual Sr P.M. era Ministro-Adjunto do então P. M. António Guterres, se essa legislação de Avaliação de Desempenho dos Docentes não era boa então o actual P. M., que era governante na altura, é culpado por ser co-autor desta e não a ter feito melhor !!!E assim se faz política...

Muitos professores rejeitam o entendimento Plataforma/ME

Dia 15, o já famoso dia D, será, segundo os sindicatos, o dia em que vão explicar o acordo aos professores. Não sei que tipo de explicação poderá haver nem a quantos ou quais professores isso será feito. Era importante que todos procurassem falar com os sindicatos e os informassem se desejam ou não que o acordo com a Sinistra Ministra seja assinado no dia 17. É importante que haja uma enorme mobilização dos professores para recusarem este acordo que mais não é que a aceitação deste modelo de avaliação, para o sistema de carreiras, para o processo de gestão e para tudo o mais que querem impor aos professores. Digam NÃO à assinatura deste acordo.(não sei quem é o autor do email; trata-se de email que anda a correr na Net)

sábado, 12 de abril de 2008

MovimentoProfessoresRevoltados@gmail.com: Pelo Professor da Ministra

MovimentoProfessoresRevoltados@gmail.com: Pelo Professor da Ministra

Um acordo ou uma negociata de mútua conveniência?

TOMEI A LIBERDADE DE POSTAR AQUI ESTA ANÁLISE QUE É FEITA NO BLOG DO PROF. RAMIRO:
“ME e Sindicatos: Um acordo ou uma negociata de mútua conveniência?

Perdoe-se-me o cepticismo e este quase involuntário remar contra a maré. O facto é que não consigo descortinar no acordo agora estabelecido entre a plataforma sindical e o Ministério da Educação nem uma vitória dos professores nem um recuo nas reais intenções políticas deste último. Na verdade, o adágio cumpre-se: “É preciso que algo mude para que tudo fique na mesma”. Mais: é preciso que minoritariamente alguém fale e ceda em nome da maioria e, por minoria de razão, vitoriosamente a derrote.
Não gosto da expressão “Traição”. Porém, sem vislumbrar outra melhor alternativa, utilizo-a: os professores foram traídos. De facto Abel, mesmo em democracia, continua a matar Caím.
Os professores (os tais 100.000 que forneceram argumentos mais do que suficientes para que os sindicatos ousassem ser porta-vozes do seu descontentamento e fundamentada indignação), exigiram a suspensão deste modelo de avaliação de desempenho.
Reivindicaram também os professores um modelo de avaliação adequado, moderno e consentâneo com as características das particularidades sociais, económicas e culturais de Portugal e da sua consequente especificidade educativa, recusando quer a visão competitiva e economicista neoliberal quer a irresponsável modelação terceiro-mundista do exercício da sua profissionalidade, uma e outra prenunciadoras do fim da Escola pública.
Ou seja, nunca os professores exigiram não ser avaliados. Propuseram, inclusive, a adopção de modelos de avaliação mais exigentes, compagináveis com aqueles que vigoram (formal ou informalmente) na maioria dos países da União Europeia. Quiseram os professores, em nome da qualidade educativa e na salvaguarda da Escola pública, a suspensão do atabalhoado modelo de avaliação que o ME desde sempre (tecnicamente) mas tardiamente (do ponto de vista político) soube ser inviável e impraticável em Portugal. Porém, amarrado à besta que criou, não quis o ME por si só dar mostras públicas de um penalizador recuo político nesta matéria. Para consumar este recuo político, havia que estrategicamente encontrar outros cúmplices responsáveis. Mas quem? A resposta esta à vista: os sindicatos dos professores aceitaram salvar politicamente as grossas asneiras do governo.
Eis, por isso, os sindicatos a regozijarem-se hoje com o óbvio. Ambos, sindicatos e ME, saiem vencedores. Será que há perdedores? Claro que os há. Perderam não só os professores, mas também os alunos, as famílias e a Escola pública.
Olhe-se para o acordo firmado e pergunte-se descomprometidamente: “A suspensão deste modelo de avaliação está contemplada na negociata?”
Se no grupo dos professores (dos tais 100.000) também se fazem incluir obviamente os contratados, questiono-me: será que algo de significativo mudou em relação à reiterada e confirmada condição de cobaias deste modelo avaliativo durante os próximos tempos?
Não perceberão aqueles crónicos sindicalistas que ao aceitar que os professores sejam avaliados, ainda que com o rebuçado dos designados critérios mínimos, estão implicitamente a sufragar este ou outro ainda mais perverso modelo de avaliação do desempenho?
Não terão ‘aqueles’ sindicalistas profissionais percebido que daqui a cinco (cinco!) meses aquele ou outro modelo avaliativo estará, com o seu aval e conluio, integralmente em vigor?
Não perceberão os sindicalistas que a matéria fundamental de contestação e consequente rejeição dos professores advém de um normativo estruturante, o Estatuto da Carreira Docente, que eles (sindicalistas de carreira) consentidamente se limitaram a “contestar com paninhos quentes”?
Afinal, o que faz correr estes sindicalistas? O que busca esta corporação de velhos dirigentes sindicais?
Será que estes sindicalistas representam os interesses dos professores? Não será que, pelo contrário, cada vez mais eles se auto-representam?
Embora difícil de acreditar, é fácil perceber por que razão os crónicos sindicalistas desta plataforma de interesses corporativos chegaram a acordo com o ME:
Embora possa não parecer, os sindicalistas constituem hoje uma espécie dinossáurica que a troco de algumas enganadoras migalhas aceita a sua própria (auto)extinção. A explicação é fácil:
1º Muitos destes “sindicalistas de topo” desde há décadas que ocupam lugares de direcção nas estruturas sindicais, auto-excluindo-se do quotidiano e da vivência escolares;
2º A esmagadora maioria deles (talvez a totalidade) encontram-se em final de carreira sindical equiparada a carreira docente, motivo pelo qual apenas podem ambicionar obter futuramente uma de três alternativas para eles mais vantajosa:
a) Acreditam e empenham-se para um dia virem a ser secretários ou sub-secretários de Estado de um qualquer governo da nação;
b) Chegados ao topo da carreira fica-lhes bem pedir e exigir mais um escalão na carreira docente ao qual possam ainda ascender e assim aposentarem-se em condições (invejáveis) negadas à quase generalidade dos professores que alegadamente eles representam;
c) Mas - ainda assim não vá o diabo tecê-las - exigem e estabelecem acordo na seguinte «vital matéria»: “Aos dirigentes sindicais é contabilizado, na íntegra, o tempo prestado no exercício de outras funções que não as docentes para efeitos de progressão na carreira”.
Volto a perguntar-me:
1º A criação de um novo escalão no topo da carreira docente era (é) uma prioridade para os 100.000 professores que crítica mas responsavelmente manifestaram o seu descontentamento e priorizaram as razões da sua contestação?
2º Quantos dos 100.000 professores mandataram os sindicatos para que elencasse como sua reivindicação inadiável para esta fase de negociação com o ME, a contagem e o consequente reconhecimento do tempo de serviço prestado em funções de direcção sindical para ascender ao topo do neo-escalão da carreira docente?
3º Porque razão os sindicatos omitiram do seu último comunicado o ponto 10 da matéria anteriormente acordada com o ME, no qual expressamente constava (consta): “Estabelecimento de regras semelhantes àquelas de que neste momento beneficiam os dirigentes da administração pública, para acesso à categoria de professor titular de professores em exercício de outras funções, cargos ou actividades de interesse público, designadamente titulares de cargos políticos, autarcas e dirigentes de associações sindicais.” (Vd. http://www.min-edu.pt/np3/1895.html );
4º…
(Texto a continuar após a próxima ronda negocial dos sindicalistas com o ME. As cenas já vistas dos próximos capítulos confirmarão o desenlace da traição.)

A.A.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Depoimento de um dirigente sindical sobre a última proposta do ME

Depoimento de um dirigente sindical sobre a última proposta do ME
Casa lacustre. à beira do TejoDepois da chantagem, o suborno? O ME, prosseguindo na sua estratégia de "dividir para reinar", propôs aos Sindicatos, na reunião de 8 de Abril, dois pontos de negociação que, não fosse o historial de comportamento político a que já nos habituou o trio ministerial, pensaríamos que tinham sido afectados por algum vírus da generosidade. Ora atente-se a algumas das suas propostas: ponto 7) criação de mais um escalão remuneratório para a categoria de Professor Titular; ponto 8) estabelecimento de regras especiais de acesso à categoria de Professor Titular para… (entre outros, imagine-se a quem), Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais (em maiúsculas que fica bem!).
Já tinham isolado os Contratados (em maiúscula que também merecem) com a chantagem que todos conhecem; agora querem subornar (!?) os Titulares e os Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais.Nada obsta a que os Sindicatos negoceiem e que nessa negociação, necessariamente, façam algumas cedências. Por isso, é admissível e até compreensível, alguma cedência na avaliação dos Contratados. Mas, os Professores exigem que o essencial da Resolução aprovada, no dia 8 de Março, por dois terços dos Docentes, seja respeitado. Nunca é demais recordar esse facto.
Alguns pontos essenciais dessa Resolução:

1. a) Renegociação dos horários dos Professores Avaliadores;

c) Exigência de pagamento das horas extraordinárias, relativas às aulasde substituição;

2. a) Renegociação do ECD, particularmente, a estrutura da Carreira Docente e a sua divisão em categorias, bem como a prova de ingresso na profissão;

b) Renegociação do Regime de direcção e gestão escolar;

c) Renegociação da legislação aprovada sobre a educação especial;

f) A garantia de que nenhum Docente será remetido para a mobilidade especial.

Relativamente à avaliação dos Professores é absolutamente imprescindível umaposição de força em relação a alguns aspectos que atentam contra a dignidade profissional, nomeadamente:

- Fim da Divisão da Carreira em duas;

- Recusa liminar de fazer depender a progressão na Carreira dos resultados dos alunos e do abandono escolar;

- Renegociação da componente assiduidade na avaliação, recusando que as faltas não imputáveis aos Docentes entrem nesse item de avaliação;

- Renegociação do modelo de avaliação de desempenho

José Rui Rebelo, Professor na Esc. Sec. de Barcelos e Dirigente Sindical

quinta-feira, 10 de abril de 2008

As oito propostas do Ministério da Educação aos sindicatos

1. Qualquer professor que na sua primeira classificação de desempenho receba uma nota de Regular ou Insuficiente não é automaticamente penalizado em termos de perda de tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira, tal como está estipulado no novo Estatuto da Carreira Docente. Essas e outras penalizações previstas na lei só terão efeito se as referidas notas forem confirmadas numa segunda avaliação, a realizar-se no ano seguinte. O objectivo é reforçar a protecção dos avaliados face a eventuais consequências negativas deste primeiro ciclo de avaliação

2. Estabelecer normas que permitam que os professores contratados por menos de quatro meses possam ser avaliados e, consequentemente, vejam contabilizado o tempo de serviço para efeitos de integração e progressão na carreira docente. Actualmente, a avaliação só está prevista para quem tenha contratos de duração superior a quatro meses

3. Criar condições para a participação dos sindicatos no acompanhamento e monitorização do sistema de avaliação de desempenho docente. Até aqui apenas se previa a intervenção do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores, Inspecção-Geral da Educação, Direcção-geral dos Recursos Humanos da Educação e Conselho de Escolas

4. Negociar, com efeitos no próximo ano lectivo, um crédito de horas destinado à concretização da avaliação de desempenho de professores

5. Definir, também para o próximo ano lectivo, de um número de horas da componente não lectiva para o trabalho individual dos professores. Ou seja, estipular um mínimo que garanta que os docentes tenham tempo no seu horário de trabalho para preparar aulas, elaborar e corrigir testes, realizar estudos e outras actividades

6. Negociar os critérios de inclusão de tempo de formação contínua no horário de trabalho dos professores

7. Criar mais um escalão remuneratório dentro da categoria de professor titular e no topo da carreira, de forma a criar mais uma oportunidade de progressão

8. Estabelecer regras especiais de acesso à categoria de professor titular para os docentes que estão a exercer funções ou actividades de interesse público, designadamente deputados, autarcas, dirigentes da Administração Pública e dirigentes sindicais. Pretende-se garantir que professores não sejam prejudicados nos concursos pelo facto de não estarem a dar aulas ou a exercer cargos nas escolas

Ex-professor da ministra faz a crítica da personagem

Hoje.Já posso confirmar. A ministra da educação foi professora primária, tirou a licenciatura em Sociologia, no ISCTE, como estudante trabalhadora, aos 28 anos de idade. No curriculum vitae oficial, incluído no portal do Governo, esse facto é omitido. Foi aluna de Raul Iturra. Fez tese de doutoramento com João Freire, o sociólogo a quem encomendou o estudo que esteve na base do novo ECD. O ex-professor de Maria Lurdes Rodrigues, no ISCTE, o prof. Raul Iturra, escreveu um texto muito crítico e irónico em relação à forma de agir da ministra para com os professores. Vale a pena ler e verificar como é que a mente humana é uma "coisa" complexa. Maria de Lurdes Rodrigues foi, na década de 80, uma estudante radical, fortemente influenciada pelo marxismo. Vinte anos depois mostra uma face completamente diferente: intolerante, autoritária e inflexível. Como é que se pode passar, em vinte anos, da extrema-esquerda para a defesa do liberalismo selvagem? Como é que é possível uma antiga professora primária mostrar tanto desamor e desconfiança pelos professores? Como é que uma antiga professora primária pode manifestar tanto desconhecimento sobre a complexidade do trabalho do professor? Leia aqui o texto de Raul Iturra.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

O despacho da simplificação que não chegou a sair

O secretário de estado Jorge Pedreira anunciou, na semana passada, numa das muitas reuniões que teve com os PCEs, que iria assinar um despacho com a versão simplificada da avaliação de desempenho. O despacho ainda não saiu e, estou em crer, não vai sair. E porquê? Porque esse despacho sairia ferido de ilegalidade. Um despacho não pode alterar um Decreto. Ora, tanto o ECD como o Dec Regul 2/2008 têm mais força jurídica do que um qualquer despacho de simplificação. Se esse despacho for publicado, qualquer professor que seja avaliado na versão simplificada poderá interpor uma queixa no tribunal administrativo, contestando a sua avaliação, e, como é óbvio, ganhará. Sem a publicação do despacho da simplificação, serão os PCEs e os presidentes dos CP a responderem pelas infracções. Já alguém meditou nisto? Ou bem que a avaliação vai ser a fingir e, nesse caso, todos os professores terão a classificação de Bom, ou bem que a avaliação vai ser suspensa. A ministra da educação sabe disso. E é essa a razão que explica o seu recuo. É por isso que a Plataforma Sindical vai, amanhã, em clara vantagem, para a reunião. A ministra sabe que a sua teimosia e insensatez pode conduzir à criação de longos processos judiciais contra os PCEs e os presidentes dos CP, movidos por professores descontentes com a classificação que lhes for atribuída. E, se a avaliação simplificada for para a frente, os tribunais administrativos vão dar razão aos contestários e uma grande embrulhada jurídica irá acompanhar o primeiro ciclo de avaliação de professores, manchando este modelo para sempre.

Jorge Pedreira desvenda mistério da aval. prof.

Jorge Pedreira admitiu hoje o óbvio: a Avaliação do Desempenho não tem por objectivo cimeiro aumentar a qualidade da oferta educativa das escolas e, muito menos, promover o desenvolvimento profissional dos docentes. Nas palavras do Secretário de Estado (que é Jorge mas que de educação nada percebe) apenas visa contribuir para a redução do défice público. Eureka! O enigma da má-fé ministerial fica finalmente revelado.No fórum da 'TSF' da manhã de hoje, Pedreira, justificou os motivos pelos quais o ME discorda da proposta de António Vitorino em adiar a avaliação e testar-se o modelo preconizado pelo M.E. em escolas piloto durante um ou dois anos.Pedreira (o Jorge, que até é secretário da ministra Lurdes), confessou o politicamente inconfessável: 'Terá de haver avaliação para que os professores possam progredir na carreira e assim possam vir beneficiar de acréscimos salariais' (sic).Ou seja, aquilo que hoje se discute no mundo ocidental (democrático e desenvolvido, como rotula mas desconhece a 'primeira ministra'), gira em torno da dicotomia de se saber se a avaliação do desempenho docente serve propósitos de requalificação educativa (se para isso directamente contribui) ou se visa simplesmente constituir-se em mais um instrumento de redução do défice público.Nesta matéria, Pedreira (o tal que é Jorge e ao mesmo tempo teima em ser secretário da ministra que também parece oriunda de uma pedreira), foi claro: Importa conter a despesa do Estado com a massa salarial dos docentes; o resto (a qualidade das escolas e do desempenho dos professores) é tanga(!!!).Percebe-se, assim, porque motivo este modelo de avaliação plagia aquele que singra na Roménia, no Chile ou na Colômbia. Países aos quais a OCDE, o FMI, o New Public Management americano, impôs: a desqualificação da escola pública em nome da contenção da despesa pública; Percebe-se, assim, porque razão a ministra Maria de Lurdes (que tem um secretário que, como ela, também é pedreira) invoque a Finlândia para revelar dados estatísticos de sucesso escolar e a ignore em matéria de avaliação do desempenho docente. Percebo a ministra pedreira: não se pode referenciar aquilo que não existe. A Finlândia, com efeito, não tem em vigor qualquer sistema ou modelo formal e oficial de avaliação do desempenho dos professores!Agradeço à pedreira intelectual que grassa no governo de Sócrates (que por acaso não é pedreiro até é engenheiro), finalmente nos ter brindado com tão eloquente esclarecimento. Cito-os:A avaliação dos Docentes é mais um adicional instrumento legislativo para combater o défice público(!).
Obrigado, Srs. Pedreiras, pela clarificação do óbvio.

P. S. Passem palavra e não queremos acordos!!!

JORNAIS DE HOJE DESTACAM MAIS RECUOS DA MINISTRA

Recuos parecem insuficientes
Os recuos da ministra começaram, mas é bom que os sindicatos exijam documento escrito e assinado. Agora, a ministra afirma-se disposta a conceder uma segunda oportunidade aos professores que tiverem uma avaliação regular ou insuficiente. Quem tiver uma classificação "regular" ou "insuficiente" na primeira avaliação de professores, livra-se das consequências negativas previstas para estas notas, que só terão efeitos se vierem a ser confirmadas posteriormente. Esta é a nova proposta do Ministério da Educação, apresentada, ontem, numa reunião com os sindicatos que contou com a quase inédita presença de Maria de Lurdes Rodrigues. Os sindicatos insistem na suspensão do processo e consideram não existirem ainda razões para desistirem das acções de luta programadas. Mas vão reunir esta tarde para elaborar uma contra-proposta, que será discutida amanhã com a ministra.Leia aqui a história toda.O JN de hoje insiste também no recuo da ministra. A tutela apresentou aos sindicatos uma proposta com oito itens, ou oito formas de "melhorar as condições de concretização" do regime. Além da "segunda oportunidade" também estão em cima da mesa a possibilidade de os sindicatos acompanharem o processo nas escolas, a definição de horas mínimas da componente não lectiva, a criação de um escalão adicional da categoria de professor titular, assim como regras especiais de acesso ao topo de carreira. Propostas que Mário Nogueira classificou de "generalistas" e "insuficientes" para "se levantar ou aliviar as formas de luta". A reunião demorou pouco mais de duas horas. A ministra apresentou as suas propostas. O secretário-geral da Fenprof, contrapôs. Após um curto intervalo para cafézinho e ponderação marcaram nova reunião para amanhã à tarde e a Plataforma envia hoje ao ministério uma contraproposta por escrito. Ontem, à saída da reunião, Mário Nogueira insistia que os sindicatos iriam incluir nesse texto o pedido de suspensão do processo de avaliação até final do ano lectivo assim como dos procedimentos referentes ao novo modelo de gestão das escolas. Não faz sentido nenhum insistir-se no processo a pouco mais de mês e meio do final do ano lectivo, insistia aos jornalistas.Leia aqui.Por sua vez, o Público de hoje destaca que os sindicatos consideraram insuficientes e generalistas as propostas do ME e que se mantêm as razões para continuar a luta. José Manuel Fernandes, director do Público, assina um editorial com o título: "A avaliação já acabou, vamos todos fingir que não!" Vale a pena ler. Julgo, contudo, que o jornalista está a anunciar uma morte que ainda não aconteceu. Se a luta afrouxar, receio mesmo que não aconteça.Leia aqui o resto da história.Leia aqui, também, o que o Correio da Manhã de hoje diz sobre a reunião da ministra com a Plataforma Sindical.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Dia 15 de Abril, todas as escolas vão parar



Dia 15 de Abril, todos as escolas vão parar

Não é ainda uma greve. É um plenário nacional descentralizado, a realizar em todas as sedes de agrupamento com o objectivo e discutir novas formas de luta. Os plenários de professores realizam-se ao abrigo da lei sindical. Participa! Nesse dia, a tua prioridade é a participação no plenário!O requerimento informa que as Direcções das Organizações Sindicais vêm informar o Presidente do Conselho Executivo, da realização de uma reunião sindical para todos os docentes do Agrupamento de Escolas/Escola, no próximo dia 15 de Abril de 2008, no âmbito do dia do DEBATE NACIONAL SOBRE A ESCOLA PÚBLICA, promovido pelas referidas organizações e ao abrigo do que se encontra disposto no Decreto – Lei 84/99.Os docentes usarão naquele dia o número de horas que entendam necessárias à participação na reunião. A discussão de reivindicações urgentes justifica que a reunião se realiza em tempo lectivo. Na reunião participarão dirigentes dos sindicatos subscritores. Lei o resto aqui.

Como deseducar uma criança...

10 conselhos para criar um delinquente
É um powerpoint muito interessante, subordinado ao tema: Como Não Educar o Seu Filho! No fundo, são dez conselhos para criar um delinquente. Ou estou muito enganado ou a maior parte dos pais dos nossos alunos anda a seguir à risca estes 10 conselhos. Veja aqui. E depois queixam-se!

Avaliação dos professores pelos pais e EE

Avaliação dos professores por parte dos pais e EE
Cacheiro, concelho de Nisa, ontemUma das inovações mais divertidas deste modelo de avaliação é a possibilidade de o professor ser avaliado pelos encarregados de educação dos seus alunos. Muito já se falou sobre esse assunto. Tenho para mim que o único objectivo dessa medida é promover a humilhação pública dos professores e criar uma ambiente ainda mais propício ao facilitismo, deixando os professores completamente condicionados pelos pais no processo de avaliação dos alunos. A ministra dirá, do alto da sua esperteza, que os professores não se deixam pressionar. Mas o que está a acontecer por todo o lado é que os pais entenderam esta e outras medidas do género como uma desautorização dos professores e uma licença para pressionar. E estão a fazê-lo como nunca dantes o fizeram. Que o digam os professores de Matemática do ensino secundário.Lei aqui a carta que uma mãe escreveu ao PCE a propósito da avaliação que faz do professor do filho. E ria!

sábado, 5 de abril de 2008

Isabel Fevereiro (Prós e Contras)

Esta Senhora, foi uma lufada de ar fresco no de...(more)
Added: April 03, 2008
Esta Senhora, foi uma lufada de ar fresco no debate políticamente correcto a que o filósofo GIL, por cada intervenção nos fazia sentir... como se uma lamela de lorenins tivessemos tomado. Apesar de por vezes bater contínuamente com uma resma de folhas na sua própria cabeça, qual judeu a bater numa parede santa, tal não era suficiente para nos tirar do torpor opiáceo, sempre que dizia qualquer coisa de transcendental, acerca da educação.Mas a Joana Amaral Dias com o seu curriculum de mulher polifacetada e desdobrável nas suas facetas de política, professora e mãe dos povos, acendeu em Isabel Fevereiro uma resposta inteligente e oportuna, que ripostou brilhantemente contra o pedantismo da JAM, e que também impediu muitos professores de encomendarem RÉGUAS de carvalho Finlandês para depois as furar 5 ou 6 vezes.Isabel Fevereiro tem direito por isso a um SHOW, completamente seu, uma pequena homenagem do AVP, a esta grande Senhora, detentora dum imenso Sex-Appeal, em oposição à JAM, que é capaz de arrefecer qualquer Macho Latino, ao ponto de o fazer ponderar em entregar-se à vida minástica. (less)

Demita-se Sra. Ministra!

Abaixo-assinado: por favor, demita-se!
Por favor, senhora ministra, não deixe que a escola pública seja destruída. A sua demissão ajudaria muito.Está a circular na web um abaixo-assinado a pedir à ministra da educação que se demita. A demissão da ministra é um imperativo para que as escolas voltem a ter alguma tranquilidade e para que possa ser reconstruído o capital de confiança perdido entre o ME e os professores. Leia aqui o abaixo-assinado e subscreva-o. Divulgue-o. Obrigado. Leia, também, um texto brilhante do colega Manuel Soares sobre a Suiça do Atlântico: um retrato futurista daquilo que Portugal podia ser se abandonasse a UE.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Ministra volta a ameaçar escolas...

Ministra volta a ameaçar escolas e professores contratados
A ministra da educação volta a responsabilizar as escolas para os efeitos da suspensão do processo de avaliação de desempenho: os contratados não terão os seus contratos renovados e os professores do quadro não poderão progredir na carreira. Veja aqui a história toda no Expresso online de hoje. Por sua vez, o Sol online, de hoje, noticia que 18% dos professores que ligaram para a Linha SOS Professor fizeram participações à polícia. Leia aqui a notícia toda. E Valter Lemos afirmou, na TSF, hoje à noite que está em marcha uma campanha para denegrir a escola pública. Leia a história toda aqui. Se quiser saber mais sobre os casos mais recentes de violência sobre professores, leia mais esta história.Comentário meuA Página Web da DGRHE noticia a abertura do concurso para contratados. Da leitura que eu fiz, nada me leva a crer que a avaliação de desempenho seja uma condição para os contratados poderem recorrer. A intervenção do PGR teve o mérito de desocultar a realidade da violência nas escolas. Valter Lemos estará a lançar uma acusação contra a ministra?

NOVA MEGA MARCHA EM MAIO!

Nova mega marcha em Maio?
Despois da capitulação dos PCEs de Coimbra, da Guarda e de Portimão, que optaram por dar continuidade ao processo de avaliação, aderindo ao modelo simplificado proposto pelo ME, que consta do preenchimento, pelos contratados, de uma ficha de auto-avaliação e do preenchimento da ficha de avaliação a cargo do PCE, continua a haver inúmeros departamentos, conselhos pedagógicos e professores isolados que mantêm a chama acesa e que exigem a suspensão do processo. Leia aqui a posição de grupos de professores de varias escolas da Margem Sul. Começa a ser consensaul a ideia de que a Plataforma Sindical tem de preparar a convocação de nova Marcha, para Lisboa, em Maio. A única arma que faz tremer o Governo é a mega marcha. As ondas de choque que uma nova marcha de 100000 professores provocará, terão efeitos incalculáveis na imagem do Governo, contribuindo para a sua queda de popularidade. Não está apenas em causa a suspensão da avaliação de desempenho. A revisão do ECD e a recusa de horários de trabalho semanais que excedem, em muito, as 35 horas, são duas bandeiras que continuarão a ser erguidas.

GRANDE BOMBA!

A grande bomba! Tribunal Constitucional declara inconstitucional artigo do novo ECD
Lei a aqui o acórdão do Tribunal Constitucional. Ainda não sei quais as implicações deste acórdão. Os serviços jurídicos dos sindicatos têm de o estudar e de o explicar aos professores. Mas é bem possível que este acórdão seja o princípio do fim deste modelo de avaliação de desempenho e obrigue o ME a repetir o concurso para professores titulares. Seja como for, isto tem de ter consequências: "declarar a inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, da norma contida no artigo, 15.º n.º 5, alínea c) do referido Decreto-Lei n.º 15/2007, por violação do nº 2 do artigo 47.º da Constituição."

Se és capaz... agora é o momento certo para mostrares

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa,
De crer em ti quando todos estão duvidando
E para estes, no entanto, encontrar uma desculpa;

Se és capaz de esperar sem que te desesperes
Ou enganado não mentir ao mentiroso,
Ou sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares
E não parecer bom demais nem pretensioso;

Se és capaz de pensar, sem que a isso só te atires;
De sonhar, sem fazer dos sonhos teus senhores,
E se encontrando a desgraça e o triunfo, conseguires
Tratar da mesma forma esses dois impostores;

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas, as verdades que disseste,
E as coisas por que deste a vida, estraçalhadas
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar, em uma única parada,
Tudo o que ganhaste em toda a tua vida,
E perder, e ao perder, sem nunca dizer nada
Resignado, retornar ao ponto da partida;

De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que ainda neles existe
,E a persistir, assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti, que ainda ordena: “Persiste!”;

Se és capaz de entre a plebe não te corromperes,
E, entre reis não perderes a naturalidade,
E de amigos, quer bons quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade;

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo que existe no mundo,
E, o que é muito mais: -”Serás um HOMEM , meu filho!”

Rudyard Kipling

O ME faz bluff com os PCEs.

O ME faz bluff? Podem os contratados ser reconduzidos na escola sem serem submetidos à avaliação de desempenho?
GerêsDe acordo com e-mail enviado ontem pela DGRH e respectiva nota em anexo, os professores contratados poderão ver os seus contratos renovados, "desde que o candidato seja detentor de habilitação profissional à data do último dia da candidatura, se mantenha a existência do horário lectivo completo e anual, e exista concordância expressa da escola (n.º 8 do Capítulo III do Despacho n.º 8774/2008, de 26 de Março)."Também no aviso de abertura a ser publicado em Diário da República (apenas fiz uma leitura na diagonal) não verifiquei qualquer menção à obrigatoriedade de os contratados serem avaliados este ano para poderem ser opositores ao concurso de 2008/2009.Face ao exposto é totalmente claro que o ME mais não tem feito do que assumir um discurso de bluff e opressão junto dos CE, utilizando os contratados como isco, e assim conseguir resultados a apresentar junto da opinião pública, ainda este ano, de que a avaliação foi implementada e que correu na normalidade.A implementação de qualquer modelo de avaliação (simplificado, administrativo, outro) deve ser rejeitado pois o contrário é validarmos o modelo proposto pelo ME e a sua aplicação na íntegra, já no próximo ano lectivo, e encerrar por completo quaisquer negociações sobre a Avaliação de Desempenho, alteração do ECD, etc.Sou professora contratada numa escola interior norte – entre o Marão e Amarante – e, para já, ainda não se avançou com qualquer "modalidade" de avaliação de desempenho. Houve CP esta semana e fala-se em reunião só com os professores contratados (ainda somos alguns…) para aplicação do "Simplex"!Helena SerdouraComentário meuHá muitos contratados corajosos e a Helena é uma delas. Na mensagem anterior, faço alusão à abertura do concurso. Aparentemente, para concorrer não é necessário fazer prova da avaliação de desempenho. Ao contrário do que o ME diz, os contratados podem ter os contratos renovados e podem concorrer sem serem avaliados. A não ser que eu esteja a fazer uma leitura errada ou que me falte alguma informação relevante. O que acham?