Domingo, 12 de Julho de 2009

Um barco à deriva


Neste momento, o Partido Socialista tem parecenças com um barco à deriva, cuja tripulação está prestes a amotinar-se.No fim-de-semana, surgiu o ressuscitado Manuel Alegre a reclamar uma nova política e novas caras para o PS; surgiu António Costa, número dois do partido, a reclamar contra alguns maus ministros do Governo; surgiu o líder concelhio dos socialistas do Porto a exigir que Elisa Ferreira optasse pela Câmara ou pelo Parlamento Europeu; surgiu a dupla candidata a dizer que não, que não opta nada, e acrescentou que tem o apoio do Sócrates, que, por sua vez, dois dias antes tinha proibido a duplas candidaturas, mas que já veio explicar que esse critério não se aplicava a todos; e surgiu o próprio secretário-geral do PS a passar um ralhete ao presidente da concelhia portuense. Se optarmos por recuar uns dias, tropeçamos nas cenas tristes de um ministro no Parlamento, nas cenas tristes do primeiro-ministro no diz que sabe e no diz que não sabe do negócio da PT, e em outras trapalhadas que se seguiram a trapalhadas outras.É curioso verificar isto. É curioso verificar como os resultados de umas eleições viram de pernas para o ar a realidade, ou o que aparentava ser a realidade. Até há pouco tempo, Sócrates era incontestado e incontestável, era reconhecido como o líder invencível, era o timoneiro determinado que sabia qual era o rumo certo para o partido e para o país. Era lisonjeado, era bajulado, era adorado por todos os que usufruíam das benesses do poder. Mas hoje é claro que tudo não passava de aparência, de encenação, porque ao primeiro sinal de possibilidade de perda desse poder, a rebelião instala-se, o líder desorienta-se, o rumo esfuma-se. O que era verdade ontem, hoje é mentira e amanhã não sabemos o que será. Ora isto torna claro como é espantosamente fácil contruir uma artificialidade mascarada de realidade, como se da realidade se tratasse.E é curioso verificar como o futuro de um país pode estar dependente de acontecimentos tão aleatórios e tão inusitados e, desse modo, ficar sujeito a ser governado por um amontoado de impreparados: Sócrates viu cair-lhe o poder no colo sem ter feito nada para o merecer e sem ter qualquer preparação para o cargo. Beneficiando de um conjunto aleatório de circunstâncias - fuga de Durão Barroso e manifesta incompetência de Santana Lopes e de Paulo Portas - obteve uma maioria absoluta por via de uma conjuntural «coligação» negativa dos eleitores, que entre dois males, escolheram o que pensavam ser o menor.Com o grande prémio no bolso, com uma oposição esfrangalhada e seguro pelo confortável apoio parlamentar, o impreparado Sócrates, munido de um pensamento primário e de uma ilimitada arrogância começou a governar com a presunção, própria dos medíocres, de que era o salvador da pátria, de que era o finalmente regressado D. Sebastião. Armado dos verbos «mudar» e «reformar», que repetiu a despropósito de tudo, e auto-proclamando-se «justiceiro» da República, com a coragem característica de quem tem as costas devidamente resguardadas, começou a mudar tudo e a tudo reformar. Não interessava se as mudanças eram para melhor ou se eram para pior; cego e surdo, teimoso e prepotente o que o preocupava era poder dizer que estava a reformar o país como nenhum outro fizera. Com tiques e pensamentos de tiranete, pensou, como qualquer medíocre pensa, que o mundo estava todo errado e só ele estava no estreitíssimo caminho da verdade. Pensou, como qualquer medíocre pensa, que podia introduzir alterações na vida das pessoas com o mesmo à-vontade de quem altera os detergentes da casa. Pensou que podia brincar com a dignidade profissional, pensou que podia maltratar, pontapear quem lhe apetecesse, desde que montasse uma enorme rede de interesses, como contrapartida de garantia de longevidade política.Todavia, um pormenor aborrecido acabou por perturbar o que parecia ser um imenso mar tranquilo de cumplicidades: a democracia, a malfadada democracia que, por vezes, tem a capacidade de dizer que o rei vai nu.Sem princípios, que são alterados consoante o lado de que o vento sopra, e alarmados pela iminência da perda de milhares de empregos políticos, os actuais dirigentes socialistas mostram que o transatlântico em que julgavam navegar não passa, afinal, de um navio de casco esburacado comandado por um homem de cabeça perdida.
Publicado por Mário Carneiro

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Divisão da carreira é "veneno" para educação



A divisão da carreira de professor é vista como "um veneno para o sistema educativo". São críticas lançadas no Fórum "Educação", promovido pelo Diário Económico e que reuniu diversos especialistas. O sociólogo da educação, Licínio Lima, da Universidade do Minho e com trabalhos na área das organizações educativas, identificou erros no sistema de escolha dos titulares. A jornalista Andreia Brito escutou estas visões do sistema educativo. Ouve aqui


Publicada por Movimento Escola Pública

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Santana Castilho "ACaixa Negra do PS e a Educação"


Terça-feira, 7 de Julho de 2009

NOVO LOGOTIPO DO PS



Se há coisa em que os portugueses são exímios - todos o sabemos - é em humor. Aqui está a mais recente imagem chegada à nossa caixa de correio, com o assunto:
PS muda logotipo para as eleições!


Publicada por ILÍDIO TRINDADE

CONCURSO DE 2009...


CONCURSOS E QUEDA DE MÁSCARAS
Posição do Promova, que o MUP subscreve, relativamente ao Concurso de 2009.
Concursos de docentes 2009: caem as máscaras das políticas educativas de Sócrates e de Maria de Lurdes Rodrigues
A análise das colocações resultantes dos Concursos de Docentes 2009 permite, desde já, desmascarar, tanto a intencionalidade que está subjacente às políticas educativas deste Governo, como aquilo que têm sido as suas práticas de manipulação estatística de dados, procurando dissimular a gravidade das situações.
Atentemos, pois, no seguinte:
1) Estes concursos mostram à evidência que o Governo e o Ministério da Educação se orientam, exclusivamente, por critérios economicistas, visando poupar na área do desenvolvimento do país em que se deveria verdadeiramente investir, ou seja, na Educação (talvez para o Estado poder dispor de recursos financeiros para salvar a banca especulativa). É absolutamente incompreensível que ao mesmo tempo que se investe em planos para isto e para aquilo, que se integram crianças deficientes e com necessidades educativas especiais no sistema público de ensino, que se aposta nos cursos profissionais e no prolongamento da escolaridade, este seja um dos concursos mais excludentes de sempre, deixando de fora das vagas de quadro cerca de 99% dos novos candidatos. A esta exclusão acrescem os milhares de professores dos quadros de zona pedagógica que se viram impossibilitados de aceder às vagas de quadro de escola/agrupamento, ao arrepio de expectativas e de declarações em sentido contrário dos responsáveis ministeriais. Deste ponto de vista, estes concursos dão bem a ideia do logro das políticas educativas deste Governo, pois não se pode aumentar a qualidade e o número das omeletas pela via da eliminação generalizada dos ovos. Trata-se de uma aposta na precariedade e nas soluções transitórias;
2) Estes concursos deixam cair a máscara da estabilidade, pois 60% dos docentes não obtiveram colocação na sua primeira prioridade, o que se traduz em perspectivas de afastamento das suas áreas de residência, com a agravante de se verem agora condenados a um afastamento de 4 anos;
3) Estes concursos deixam cair a máscara da transparência de procedimentos, sonegando as vagas libertadas pelos concursos TEIP, as quais poderiam e deveriam ter sido disponibilizadas nestes concursos ou, então, ser dada a possibilidade de os professores agora colocados se poderem vir a candidatar às mesmas;
É necessário estar atento a eventuais erros nestas colocações, bem como à gestão de vagas para o que ainda falta em termos de colocações ou a jogadas de colocações por transferências decididas localmente para vagas “misteriosas”. Pois, de tudo isto aconteceu no último concurso de docentes.
Os sindicatos e os movimentos de professores vão estar atentos às manobras de afectação/requisição particular de professores e vão exigir ao próximo Governo a abertura de um concurso, no próximo ano lectivo, para prover às necessidades reais das escolas e para permitir a mobilidade de milhares de professores colocados fora das suas áreas de residência e que não merecem ter sido condenados a quatro anos de instabilidade e martírio.
Publicada por ILÍDIO TRINDADE

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Os professores não deixarão de lutar...


QZP E CONTRATADOS, O ELO MAIS FRACO!
Noventa e nove por cento dos docentes que concorreram para ingressar em quadro não o conseguiram e quarenta e um por cento do total de docentes dos QZP não obtiveram colocação no novo quadro criado (Quadro de Agrupamento).Tendo em conta a forma como o esquema numérico foi apresentado pelo Ministério da Educação, vem, assim, provar-se que os responsáveis políticos por esta pasta continuam na sua senda de confronto e afronta dos professores, especialmente QZP e contratados.Muitos destes professores sentiram, já no ano transacto, a pressão de uma avaliação desnorteada a troco de uma oportunidade de vinculação com o Estado. No entanto, acabaram de novo tratados como o elo mais fraco de uma cadeia em ruínas, como meros funcionários descartáveis e tapa-buracos. A paciência tem limites!O MUP já tinha alertado para a situação que agora se verifica e continua a exigir que ela seja revista, de forma a corrigir as injustiças criadas, a instabilidade que provoca e a degradação a que leva.Os professores não desistirão de lutar pela sua dignidade pessoal, profissional e cívica.


Publicada por ILÍDIO TRINDADE

Domingo, 5 de Julho de 2009

O Bloco Esquerda apresentou hoje o seu programa eleitoral e compromete-se na defesa da Educação...


"O Bloco de Esquerda apresentou hoje o seu programa eleitoral. Das muitas páginas consagradas à Educação, deixo aqui três ou quatro tópicos que referem especificamente aquilo que diz respeito ao trabalho dos professores:" do blogue Pérola da Cultura


PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO:

MOTIVAR E VALORIZAR PARA RESPONSABILIZAR

O Bloco de Esquerda compromete-se na defesa:


• da estabilidade profissional e contra a precarização;

• do fim da fractura entre professores de primeira e de segunda, sublinhada como um dos ataques mais lesivos da escola pública e que não foi fundada nem em critérios de qualidade nem em conteúdos funcionais diferenciáveis;

• por uma avaliação credível, que se inicia pelas escolas em contexto, alia vertentes internas e externas, e assuma a responsabilidade colectiva do trabalho docente;

• por um horário de trabalho que reconheça o aumento do tempo de qualidade para todo o trabalho docente vergonhosamente silenciado, e para dar resposta às exigências de mudança na escola pública;

• pela componente colectiva do trabalho docente como uma das vertentes mais positivas da sua actividade e como um dos aspectos que mais conteúdo dão à relação com os alunos/as.


PROGRAMA PARA UM GOVERNO QUE RESPONDA À URGÊNCIA DA CRISE SOCIAL, capítulo 3 - pp. 43/44. Pode ler o programa integralmente em Portal do Bloco de Esquerda