quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

É CHEGADO O MOMENTO DE OS PORTUGUESES AGIREM! É PRECISO DIZER "BASTA!"


De acordo com a TVI (http://www.tvi24.iol.pt/503/economia---economia/fmi-governo-relatorio-tvi24/1408192-6377.html), o FMI consultou ministros e secretários de Estado para elaborar este relatório que pretende acabar com a sociedade portuguesa.

Relatório Conheça as propostas do FMI que arrasam o Estado Social

A pedido do Governo liderado por Pedro Passos Coelho, o Fundo Monetário Internacional (FMI) levou a cabo um relatório onde traça as principais linhas pelas quais devem passar a tesoura pública por forma a cortar os 4 mil milhões de euros nas funções sociais do Estado. E as recomendações dificilmente poderiam ser mais dolorosas para os bolsos nacionais. É o próprio FMI a reconhecer o radicalismo das medidas que propõe. Conheça o mapa de cortes, avançado esta quarta-feira pelo Jornal de Negócios.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) desenhou, em virtude de uma encomenda do Executivo de Pedro Passos Coelho, a refundação do Estado português. E as recomendações expressas nas 80 páginas do relatório que, embora datado de Dezembro só hoje foi divulgado pelo Jornal de Negócios, são, no mínimo, dolorosas. Até porque, considera o FMI, o Estado “é um empecilho ao crescimento”, além de ser “grande e ineficiente”, “concede privilégios injustificados”, sendo ainda classificado de “iníquo”, sobretudo para os mais jovens. Ora, para quem achava que era impossível apertar mais o cinto, aqui ficam algumas das “reformas inteligentes” que a entidade liderada por Christine Lagarde sugere, as quais apontam para um ‘estrangulamento’ das carteiras portuguesas.

1 - Cortes no subsídio do desemprego, que “continua demasiado longo e elevado”. O Estado pouparia até 600 milhões de euros se quem estivesse desempregado há 10 meses visse o subsídio reduzido para o valor do subsídio social, ou seja, para 419,22 euros;

2 - Dispensa de 50 mil professores, que permitiria poupar até 710 milhões de euros. Aumento do horário de trabalho para 40 horas semanais, aumento da duração das aulas e recurso à mobilidade especial, no âmbito do sistema educativo;

3 - Subida nas taxas moderadoras na saúde e diminuição destes serviços. A taxa paga numa urgência hospitalar polivalente de 20 euros para 33,62 euros, além da criação de um pacote de cuidados essenciais, reduzindo assim o leque de serviços oferecidos;

4 - Cortes nos sistemas de pensões de militares e polícias, considerados “demasiado generosos”. Tendo em conta que a classe goza de “regalias excessivas”, sugere-se a eliminação de créditos-extra previstas, a integração dos subsistemas no Serviço Nacional de Saúde, embora se reconheça que os salários estão estre os mais baixos da Europa;

5 - Aumento das propinas no Ensino Superior, para que seja possível alcançar poupanças significantes e duradouras e reduzir o subfinanciamento;

6 - Despedimento de excendentários da Função Pública ao fim de dois anos, uma vez que o quadro de mobilidade especial deveria ser temporário e os seus procedimentos simplificados;

7 - Mudança “urgente” nas tabelas salarias da Função Pública e dispensa de trabalhadores, entre os 10% e os 20%, o que permitiria uma poupança entre 795 e 2.700 milhões de euros;

8 - Cortes nos salários e nas pensões. Eliminação de todos os regimes de excepção das pensões, que passariam a ter mais escalões em função dos anos de desconto, podendo sofrer cortes até 20%;

9 - Subida da idade da reforma para os 66 anos e proibição expressa de reformas antes dos 65 anos, mesmo para quem cesse o subsídio de desemprego;

10 - Delegação de competências de ensino aos privados, apostando em contratos de associação, alegando que a concorrência de mercado seria benéfica para as escolas públicas.


Leia aqui o relatório:
http://economico.sapo.pt/public/uploads/PRT_FAD.pdf (está em inglês)


In Notícias ao Minuto, 9-01-2013

http://economico.sapo.pt/public/uploads/PRT_FAD.pdf

economico.sapo.pt




quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Cheguei ao fim da linha...

Quando a minha dignidade profissional é posta em causa eu disse  Basta! Cheguei ao fim da linha e pedi a reforma!

sábado, 29 de dezembro de 2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Os Professores...

Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em
livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não
guardava dúvidas acerca da importância de ensinar.
 Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos.
Tiveuma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de
felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de
idade.
A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito.
Ver mais de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo
 se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto,caminho.

 Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso
ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria de mundo em que o
mundo se tem vindo a tornar. Nunca tive exatamente de ensinar ninguém.
Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas
clarividências ao cão que tenho há umas semanas.
Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho.
 Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras
 para que tenhamos umavida melhor, mas não suporto a tristeza dele
quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise.

Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática,
não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado.
 Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos
e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe.
 Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez.
Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores
 que os transformam em melhores versões.

Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a
caminho de casa como se tivesse crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos.
 Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido
 por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer
que alguém os discutisse comigo.

Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano,
em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora,
 uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também,
que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra.
A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo.
Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar
aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais
deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza.

Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou
a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que
ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes.
 Profundamente felizes. Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica
do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença
 me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola.
E o meu coração galopava como se estivesse a cumprir uma sedução antiga,
um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora,
sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora.
Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível.

 Dá -me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que
odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os
professores como má gente é destruir a nossa própria casa.
 Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela
educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam
capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos.
 É como pedir que abdiquem de melhorar os nossos miúdos, que é pior do
que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior
do que comer apenas sopa todos os dias. Estragar os nossos miúdos é o
fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são
fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo.

 Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um
condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal
mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade.
 E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual.
É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por
natureza andam os destituídos de afeto. As escolas não podem ser
transformadas em lugares de guerra.

Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos.
 Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo.
Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento.
 E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta
sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu.
 Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada.
 Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.


Texto de Valter Hugo Mãe


In Jornal de Letras, 19 Set 2012






terça-feira, 4 de dezembro de 2012

quinta-feira, 29 de novembro de 2012