Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, (Olá! camaradas Sócrates...Olá! Armando Vara...), que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido. Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, em governação socialista, distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos. Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora continua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande "cavallia" (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades. Gente assim mal formada vai aceitar tudo, e o país será o pátio de recreio dos mafiosos. A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca. Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada. Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado. Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve. Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituamo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura. E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade. Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos? Vale e Azevedo pagou por todos? Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático? Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico? Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana? Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal? Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma. No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância. E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou? E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu? Alguns até arranjaram cargos em organismos da UE. Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu. E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê? E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.. E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina? E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca. Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade. Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra. Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.
Este é o maior fracasso da democracia portuguesa.
Clara Ferreira Alves - "Expresso"
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Santana Castilho dirige carta aberta a Ministro da Educação
Senhor ministro:
Como sabe, uma carta
aberta é um recurso retórico. Uso-o, agora que se cumpre um ano sobre a
sua tomada de posse, para lhe manifestar indignação pelas opções erradas
que vem tomando e fazem de si um simples predador do futuro da escola
pública. Se se sentir injustiçado com a argumentação que se segue, tenha
a coragem de marcar o contraditório, a que não me furto. Por uma vez,
saia do conforto dos seus indefectíveis, porque é pena que nenhuma
televisão o tenha confrontado, ainda, com alguém que lhe dissesse, na
cara, o que a verdade reclama.
Comecemos pelo programa
de Governo a que pertence. Sob a epígrafe “Confiança, Responsabilidade,
Abertura”, garantia-nos que “… nada se fará sem que se firme um pacto de
confiança entre o Governo e os portugueses … “ e asseverava, logo de
seguida, que desenvolveria connosco uma “relação adulta” (página 3). E
que outra relação, senão adulta, seria admissível? O que se seguiu foi
violento, mas esclarecedor. O homem que havia interrogado o país sobre a
continuidade de um primeiro-ministro que mentia, referindo-se a
Sócrates, rápido se revelou mais mentiroso que o antecessor. E o senhor
foi igualmente célere em esquecer tudo o que tinha afirmado enquanto
crítico do sistema. Não me refiro ao que escreveu e disse quando era
membro da Comissão Permanente do Conselho Nacional da UDP. Falo daquilo
que defendia no “Plano Inclinado”, pouco tempo antes de ser ministro.
Ambos, Passos Coelho e o senhor, rapidamente me reconduziram a Torga,
que parafraseio: não há entendimento possível entre nós; separa-nos um
fosso da largura da verdade; ouvir-vos é ouvir papagaios insinceros.
Para o Governo a que o
senhor pertence, a Educação é uma inevitabilidade, que não uma
necessidade. Ao mesmo tempo que a OCDE nos arruma na cauda dos países
com maiores desigualdades sociais, lembrando-nos que só o investimento
precoce nas pessoas promove o desenvolvimento das sociedades, Passos
Coelho encarregou-o, e o senhor aceitou, de recuperar o horizonte de
Salazar e de a reduzir a uma lógica melhorada do aprender a ler,
escrever e contar. Sob a visão estreita de ambos, estamos hoje, em
relação a ela, com a mais baixa taxa de esforço do país em 38 anos de
democracia.
O conflito insanável
entre Crato crítico e Crato ministro foi eloquentemente explicado no
último domingo de Julho de 2011, no programa do seu amigo, professor
Marcelo. Sujeito a perguntas indigentes, o senhor só falou, sem nada
dizer, com uma excepção: estabeleceu bem a diferença entre estar no
Governo e estar de fora. Quando se está no Governo, afirmou, “tem de se
saber fazer as coisas”; quando se está de fora, esclareceu,
apresentam-se “críticas e sugestões, independentemente da oportunidade”.
Fiquei esclarecido e acedi ao seu pedido, implícito, para arquivarmos o
crítico. Mas é tempo de recordar algumas coisas que tem sabido fazer e
que relações adultas estabeleceu connosco.
A sua pérola maior é o
prolixo documento com que vai provocar a desorganização do próximo ano
lectivo, marcado pela obsessão de despedir professores.
Autocraticamente, o senhor aumentou o horário de trabalho dos
professores, redefinindo o que se entende por tempos lectivos; reduziu
brutalmente as horas disponíveis para gerir as escolas, efeito que será
ampliado pela loucura dos giga-agrupamentos; cortou o tempo, que já era
exíguo, para os professores exercerem as direcções das turmas; amputou
um tempo ao desporto escolar; e determinou que os docentes passem a
poder leccionar qualquer disciplina, de ciclos ou níveis diferentes,
independentemente do grupo de recrutamento, desde que exista
“certificação de idoneidade”, forma prosaica de dizer que vale tudo logo
que os directores alinhem. Consegue dormir tranquilo, desalmado que se
apresenta, perante um cenário de despedimento de milhares de
professores?
O despacho em apreço
bolsa autonomia de cada artigo. Mas é uma autonomia cínica, como todas
as suas políticas. Uma autonomia decretada, envenenada por normas,
disposições, critérios e limites. Uma autonomia centralizadora,
reguladora, castradora, afinal tão ao jeito do marxismo-leninismo em que
o senhor debutou politicamente. Poupe-nos ao disfarce de transferir
para o director (que não é a escola), competências blindadas por uma
burocracia refinada, que dizia querer implodir e que chega ao supino da
cretinice com a fórmula com que passará à imortalidade kafkiana: CT=K x
CAP + EFI + T, em que K é um factor inerente às características da
escola, CAP um indicador da capacidade de gestão de recursos humanos,
EFI um indicador de eficácia educativa (pergunte-se ao diabo ou ao
Tiririca o que isso é) e T um parâmetro resultante do número de turmas
da escola ou agrupamento. Por menos, mentes sãs foram exiladas em
manicómios.
Senhor ministro, vai
adiantada esta carta, mas a sua “reorganização curricular” não passará
por entre as minhas linhas como tem passado de fininho pela bonomia da
comunicação social. O rigor que apregoa mas não pratica, teria imposto o
único processo sério que todos conhecem: primeiro ter-se-iam definido
as metas de chegada para os diferentes ciclos do sistema de ensino;
depois, ter-se-ia desenhado a matriz das disciplinas adequadas e os
programas respectivos; e só no fim nos ocuparíamos das cargas horárias
que os cumprissem. O senhor inverteu levianamente o processo e actuou
como um sapateiro a quem obrigassem a decidir sobre currículo: fixou as
horas lectivas e anunciou que ia pensar nas metas, sem tocar nos
programas. Lamento a crueza mas o senhor, que sobranceiramente chamou
ocultas às ciências da educação, perdeu a face e virou bruxo no momento
de actuar: simplesmente achou. O que a propósito disse foi vago e
inaceitavelmente simplista. O que são “disciplinas estruturantes” e por
que são as que o senhor decretou e não outras? Quais são os
“conhecimentos fundamentais”? O que são o “ensino moderno e exigente” ou
a “redução do controlo central do sistema educativo”, senão versões
novas do “eduquês”, agora em dialecto “cratês”? Mas o seu fito não
escapa, naturalmente, aos que estão atentos: despedir e subtrair à
Educação para adicionar à banca.
Duas palavras, senhor
ministro, sobre o Estatuto do Aluno. É preciso topete para lhe
acrescentar a Ética Escolar. Lembra-se da sua primeira medida, visando
alunos? Eu recordo-lha: foi abolir o prémio para os melhores, instituído
pelo Governo anterior. Quando o senhor revogou, já os factos que
obrigavam ao cumprimento do prometido se tinham verificado. O senhor
podia revogar para futuro. Mas não podia deixar de cumprir o que estava
vencido. Que aconteceu à ética quando retirou, na véspera de serem
recebidos, os prémios prometidos aos alunos? Que ética lhe permitiu que a
solidariedade fosse imposta por decreto e assente na espoliação? Que
imagem da justiça e do rigor terão retirado os alunos, os melhores e os
seus colegas, do comportamento de que os primeiros foram vítimas? Terão
ou não sobeja razão para não acreditarem nos que governam e para
lamentarem a confiança que dispensaram aos professores que, durante 12
anos, lhes ensinaram que a primeira obrigação das pessoas sérias é
honrar os compromissos assumidos? Não é isso o que os senhores hoje
invocam quando reverenciam Sua Santidade a Troika? Da sua ética voltámos
a dar nota quando obrigou jovens com necessidades educativas especiais a
sujeitarem-se a exames nacionais, em circunstâncias que não respeitam o
seu perfil de funcionalidade, com o cinismo cauteloso de os retirar
depois do tratamento estatístico dos resultados. Ou quando, dias antes
das inscrições nos exames do 12º ano, mudou as respectivas regras,
ferindo de morte a confiança que qualquer estudante devia ter no Estado.
Ou, ainda, quando, por mais acertada que fosse a mudança, ela ocorreu a
mais de meio do ano-lectivo (condições de acesso ao ensino superior por
parte de alunos do ensino recorrente). Compreenderá que sorria
ironicamente quando acrescenta a Ética Escolar a um Estatuto do Aluno
assente no castigo, forma populista de banir os sintomas sem a mínima
preocupação de identificar as causas. Reconheço, todavia, a sua
coerência neste campo: retirar os livros escolares a quem falta em
excesso ou multar quem não quer ir à escola e não tem dinheiro para
pagar a multa, fará tanto pela qualidade da Educação como dar mais meios
às escolas que tiverem melhores resultados e retirá-los às que exibam
dificuldades. Perdoar-me-á a franqueza, mas vejo-o como um relapso
preguiçoso político, que não sabe o que é uma escola nem procurou
aprender algo útil neste ano de funções.
* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)
sábado, 12 de maio de 2012
Professores de Educação Tecnológica pedem "humildade" e suspensão de revisão curricular
Lisboa, 12 mai (Lusa) - A associação dos professores de Educação Tecnológica exigiu hoje a "suspensão imediata" da revisão curricular que elimina a disciplina do 3º ciclo do ensino básico, considerando que o governo devia dar um sinal de "humildade democrática".
Em declarações à Agência Lusa no fim de um encontro nacional da Associação Nacional de Professores de Educação Técnica (Anapet), o seu presidente, Adérito Sá Gomes, afirmou que "académicos, sindicatos, associações, partidos - exceto uma senhora deputada do PSD - e a Confederação Nacional de Associações de Pais" convergiram nessa conclusão.
"Porque [a disciplina de Educação Tecnológica] é estruturante, faz falta ao currículo e promove o sucesso escolar, esta revisão curricular deve ser suspensa imediatamente e dar lugar a uma discussão mais profunda com todos os parceiros", salientou Adérito Gomes.
Adérito Sá Gomes indicou que "há um grande prejuízo para os alunos" em não ter Educação Tecnológica no 3º ciclo e afirmou que a associação espera "por um sinal de humildade democrática".
Em declarações à Agência Lusa no fim de um encontro nacional da Associação Nacional de Professores de Educação Técnica (Anapet), o seu presidente, Adérito Sá Gomes, afirmou que "académicos, sindicatos, associações, partidos - exceto uma senhora deputada do PSD - e a Confederação Nacional de Associações de Pais" convergiram nessa conclusão.
"Porque [a disciplina de Educação Tecnológica] é estruturante, faz falta ao currículo e promove o sucesso escolar, esta revisão curricular deve ser suspensa imediatamente e dar lugar a uma discussão mais profunda com todos os parceiros", salientou Adérito Gomes.
Adérito Sá Gomes indicou que "há um grande prejuízo para os alunos" em não ter Educação Tecnológica no 3º ciclo e afirmou que a associação espera "por um sinal de humildade democrática".
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