sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Avaliação dos professores é um embuste

De regresso.

Neste mês de Agosto resolvi não ver nem saber nada de educação. Férias são férias!
Passando pelo blog do PG, deparei-me com este excelente texto e achei que valia a pena publicar. Ora leiam!

Bom ano lectivo a todos!

AVALIAÇÃO DE PROFESSORES, O EMBUSTE
Contrariamente ao que o anterior Governo se ocupou em afirmar até à exaustão, num processo em que foi secundado pelos sindicatos do sector, os professores do Ensino Público, na sua vivência profissional, sempre estiveram sujeitos a contínuos processos mais ou menos formais de avaliação funcional (e formativa) de desempenho.

Basta reflectir um pouco para constatar que não existe actividade mais escrutinada do que a actividade docente e que essa amplíssima exposição constitui mesmo uma especificidade intrínseca ao exercício da profissão.

O trabalho de um professor desenvolve-se necessariamente perante os seus alunos e respectivos encarregados de educação – 20-30 alunos, 40-60 encarregados de educação por turma, multiplicáveis até à dezena de turmas por professor…! – e em articulação estreita com os outros professores e auxiliares educativos, num dia-a-dia que, necessariamente, suscita partilha de informação e experiência e envolve trabalho formal de apreciação e comparação de situações dos alunos no âmbito da mera vivência colectiva escolar, num quadro sincrónico de várias disciplinas ou numa apreciação diacrónica de cada disciplina em anos subsequentes.

Se professores, alunos e encarregados de educação facilmente reconhecem essa particular condição de contínua exposição e consequente avaliação de desempenho dos docentes, como pode um Governo e alguns Sindicatos agir como se a desconhecessem? – e como pode a generalidade dos media reproduzir tal discurso ignorando o seu óbvio desenquadramento da realidade?

Não me atrevo a especular sobre as razões que terão estado por detrás de um tão bizarro procedimento, mas devo constatar que, para o fazerem, Governo (PS) e Sindicatos nos andaram a confundir com duas espécies de avaliação distintas: avaliação funcional, a tal avaliação permanente que é intrínseca ao desempenho da actividade docente; avaliação administrativa, uma aferição de exercício assente em critérios formalmente relevantes e que se destina a informar processos de progressão profissional.

Para patentear a muita má-fé de que enfermou todo esse processo, acresce que os governantes (PS), em reiteradas, injustas e até ofensivas intervenções, vieram acusar os (indolentes? levianos?) professores do Ensino Público de pretenderem fugir a uma «normal» avaliação (administrativa) de desempenho, depois de lhes terem «politicamente» suspendido esses mesmos processos de aferição profissional para, por contenção orçamental, lhes vedar o normal acesso à progressão na carreira.

Nos últimos anos, pois, têm os professores andado enredados nas malhas das burocracias que entretanto se geraram, levando à degradação do ambiente de trabalho nas escolas, à aposentação antecipada dos mestres mais experientes e a distorções na classificação dos alunos…

Da recente alteração de Governo, esperar-se-ia que o Ministro da Educação, Nuno Crato, um matemático, viesse introduzir critérios de razoabilidade na discussão com os Sindicatos de um novo processo de avaliação administrativa; questão que, num quadro de congelamento da progressão nas carreiras, deveria ser de interesse secundário, tal como sustentou esse mesmo governante, em Castelo de Vide (Universidade de Verão do PSD), ao afirmar que “o problema fundamental da educação em Portugal não é a avaliação dos professores”!

Contudo, tal não acontece… e alguns sindicatos, descurando problemas efectivamente prementes das condições de trabalho no Ensino Público – instabilidade laboral, escassíssima mobilidade horizontal e vertical (inexistência de concursos, carreiras congeladas), insuficiência de recursos, acesso gratuito à formação contínua, trabalho extraordinário não reconhecido, enfraquecimento de regimes da protecção (desemprego, doença) –, teimam em
dar prioridade à luta por um «modelo aceitável» de avaliação dos professores – questão que deveria ter sido liminarmente arredada da agenda, assim: “sem perspectivas de progressão na carreira nenhuma avaliação (administrativa, claro) faz sentido!”.

Acresce que, com o provável intuito oportunista de captar a adesão de docentes mais novos, o principal sindicato de professores tem vindo a investir numa (fácil) posição de princípio igualitário, afirmando rejeitar “a ‘leitura simples’ de se considerar que por estarem em topo de carreira, os professores não têm de ser avaliados da mesma maneira que os outros”; sem se aperceber de que, ao fazê-lo, está a dar um «tiro no pé», pois quanto mais vasto for o universo dos docentes sujeitos a notação mais se amplia a concorrência, a conflitualidade e a burocracia (o ruído) no seio do sistema de avaliação.

Essa situação até já terá feito sorrir maliciosamente Nuno Crato, habituado que está a fazer contas de somar e dividir para encontrar médias e determinar quotas sobre mapas de distribuição de resultados «gaussianamente» significantes e credíveis…!

Luis M. Mateus
(arquitecto, ex-professor na Universidade do Minho

Posted by Paulo Guinote

domingo, 31 de julho de 2011

Boas Férias!

Enquanto vamos de férias, deixo-vos uma pintura minha. Boas férias!

domingo, 24 de julho de 2011

António Teodoro contra a retirada da Área de Projecto do Ensino Básico.


António Teodoro deu recentemente uma entrevista ao website da Fenprof.

Nuno Crato é representante do designado pensamento neoconservador americano, que parte da ilusão de que há disciplinas-nucleares, mais importantes do que as outras. Eu não partilho dessa opinião. Actualmente, é tão importante a língua como o exercício da cidadania e a capacidade de desenvolver um espírito crítico e criativo.

A retirada [da área de projeto] no Básico é um empobrecimento inequívoco e reforça o que o sistema tem de pior: a divisão do conhecimento em prateleiras, sem espaço para cruzar saberes. No Secundário, dominado pela pressão do acesso à Universidade, era considerado uma distracção.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Suspender o acordo ortográfico



Já toda a gente sabia que a preparação dos alunos do básico e do secundário nas disciplinas de Português e Matemática é absolutamente calamitosa. Ao longo dos anos, as advertências e os alertas a esse respeito têm vindo de todos os lados. Com mais ou menos impressionismo ou maior ou menor rigor estatístico, todas as observações, análises e estudos, nacionais ou internacionais, convergem na mesma conclusão.

A estupidez dos programas adoptados, a permissividade, a indiferença das famílias, a incompetência dos políticos, são alguns dos vários factores que se vieram acumulando por mal dos pecados deste país, falido em tudo, a começar pelo sistema de ensino. A falta de preparação de muitos docentes também se explica pelo facto de serem produtos desse mesmo sistema.

Desde há décadas que as idiotias pedagógicas se articularam a uma concepção do aluno como "bom selvagem" e ancoraram na consagração da lei do menor esforço como regra de conduta escolar e condição de aproveitamento. Muita gente (entre outros, Maria Filomena Mónica, Maria de Fátima Bonifácio, Helena Matos ou Nuno Crato) se tem pronunciado sobre estes aspectos.

A língua portuguesa foi assassinada na escola. Parece que, no coração do Ministério da Educação, certas estruturas superiores ou intermédias têm tido mais poder do que o próprio titular da pasta e conseguem impor as suas concepções, a sua vontade programática ou a sua tremenda propensão para a inércia e para a inépcia.

No que toca ao português, os alunos desabituaram-se de tirar significados, não sabem consultar capazmente um dicionário, não se habituaram a ler autores significativos e muito menos a gostar deles. Não conseguem interpretar em condições um qualquer texto literário e exprimem-se cada vez com mais problemas e deficiências no tocante à extensão e propriedade do léxico, à articulação sintáctica, ao respeito de regras gramaticais elementares, à correcção da ortografia e até da pronúncia de muitos vocábulos. Tanto quanto sei, na área das matemáticas e da simples aritmética, passam-se coisas que, mutatis mutandis, acabam por ser de sinal muito semelhante.

Sobre essas falhas básicas, o actual ministro tem tido o desassombro de dizer verdades como punhos. É portanto de esperar que ponha em prática uma série de medidas para contrariar o presente estado de coisas.

Esse estado de coisas só poderá agravar-se com a aplicação nas escolas de uma barbaridade chamada Acordo Ortográfico. Se o ministro da Educação tem dúvidas a este respeito, basta-lhe convocar alguns especialistas, ou pedir para ver o parecer da Comissão Nacional da Língua Portuguesa, ou o dos seus próprios serviços (ao tempo da assinatura do AO, a Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário). Pode mandar analisar por gente competente não apenas as burricadas que o documento consagra, mas as consequências que ele vai ter ao nível da escola: facultatividades que redundarão na desortografia, confusões e equívocos, incertezas e flutuações permanentes na aprendizagem e na maneira de escrever, pronúncias desfiguradas, lesões na própria utilização escorreita da língua, custos astronómicos directos e indirectos na criação e aplicação do sistema.

O Programa de Governo é, a este respeito, de uma insensibilidade chocante, para não dizer de uma obtusidade clamorosa. Pode-se apostar dobrado contra singelo que nenhum dos seus autores leu jamais o texto do Acordo Ortográfico. Nenhum dos seus autores sabe do que fala ou escreve quando inclui nesse programa o propósito de "implementar" a aplicação da coisa. Nenhum dos seus autores ponderou, nem de perto nem de longe, as consequências dessa aplicação.

De boas intenções estão sempre os programas cheios. Mas este é um dos pontos em que o voluntarismo de natureza política deve ceder perante as objecções científicas e técnicas que foram suscitadas e a que nunca foi dada resposta convincente. É tempo de reexaminar essas objecções sem preconceitos nem chavões estéreis.

Suspender o Acordo Ortográfico (que, de resto, não pode considerar-se em vigor) e promover a sua revisão não é apenas uma questão de bom senso. É um imperativo nacional no tocante à defesa da língua e da cultura do nosso país. E essa hoje é uma das grandes responsabilidades de Nuno Crato.

Por Vasco Graça Moura

segunda-feira, 18 de julho de 2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Um teorema difícil de resolver!


Um teorema difícil de resolver!
A Maria partiu tudo…partiu a loiça toda!
Os cozinheiros vieram para a rua, com os tachos e as panelas. Juntaram-se às centenas, mas não conseguiram nada! Pelo contrário!
As receitas foram mudadas, ficaram mais horas a “cozinhar”, a mexer os caldos, a rapar os tachos, amuados na despensa… Depois, tinham que se espiar uns aos outros, sobretudo quando faziam “grelhados”. Sim, porque as “grelhas” aumentaram. Surgiu uma nova dieta, com menos calorias, não fossem os cozinheiros engordar! Além disso, a Maria passava a vida a chamar-lhes “malandros”! Tinham que estar a tempo inteiro na cozinha! Se não era para cozinhar, então inventassem receitas, menus, com criatividade, porque o objectivo era pôr tudo em pratos limpos! Da cozinha tinha que sair de tudo, mesmo que a qualidade não fosse grande coisa. Tinha que se dar uma nova oportunidade aos nabos, tinha que se certificar a sua qualidade!
Claro que a despesa aumentou! A Maria não parava, encomendava pareceres, pedia consultorias e até deu novas tecnologias a todos. Aos cozinheiros e aos clientes, vejam só! Até mandou renovar os estabelecimentos! Tinha que ser perfeito, porque a sua reputação internacional estava em causa!
Apesar de tudo, as coisas não estavam bem. E, antes que o caldo entornasse, o “chef” substituiu a governanta pela Isabelinha.
A Isabelinha chegou de avental branco, de luvas, com um sorriso enorme estampado no rosto. Ela sabia que era uma aventura difícil, talvez a maior aventura de toda a sua vida! E ria-se, ria-se muito!… Os cozinheiros protestavam, mas ela ria-se muito. E, com paninhos quentes, lá foi puxando a brasa à sua sardinha, insistindo nos grelhados, com ligeiras variações, à sua moda… Mas as sopas começaram a azedar. Os clientes andavam zangados, as facturas aumentavam e o dinheiro escasseava. O caldo entornou-se mesmo! E mudou-se a governanta! Desta vez seria um homem!
O homem chegou e, espantado certamente, pôs-se a olhar para os tachos! Tantos tachos, numa cozinha tão pequena! Tanta gente a comer da mesma panela! Tantas máquinas, tantos aparelhos! Tanto desperdício, tanto lixo! E tantos pobres, à porta, com fome!
O homem pôs-se a fazer contas, que nisso é ele bom, e ainda não falou… A equação é difícil de resolver!

Autora Conceição Couceiro

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Lixo? Qual Lixo!?



Postado por Antero