domingo, 26 de julho de 2009

Olá a todos!


Este blog vai de férias, voltará em Setembro. A todos os visitantes e amigos umas boas e descansadas férias.


Até Setembro! Um abraço!


Safira

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ministra mentirosa!


Maria de Lurdes Rodrigues deve ter um calendário no seu gabinete onde vai riscando com fervor os dias que faltam para sair do cargo e ser recompensada pelos serviços prestados ao seu adorado engenheiro.
Enquanto não vai e não vê o nome no Guiness da 5 de Outubro, faz os possíveis por deixar rasto na forma de declarações que deturpam completamente os factos como na sua visita – já mais bem dispostinha – à Comissão de Educação do Parlamento:


Avaliação de desempenho docente garante ao país que não há progressões automáticas
(…)Durante uma audição na Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República, Maria de Lurdes Rodrigues defendeu que “o pior que poderia ter acontecido” era a suspensão da avaliação de desempenho, sublinhando que o Governo “deu a garantia ao país de que não há progressões automáticas”.
“Este processo, apesar de difícil, conflituoso e turbulento, chegou a resultados positivos. A avaliação é hoje um facto incontornável nas escolas, a progressão deixou de ser automática e há uma diferenciação dos professores. Nada disto existia”, afirmou a ministra.


Isto é objectivamente mentira.


Não existiam progressões automáticas. Aliás, talvez agora seja mais correcto dizer que existem progressões automáticas, pois basta fazer a fichinha do Ministério, ter dados as aulitas e apresentar acções de formação desde o ano de 1876 e lá se tem o Bom para progredir. Antes pelo menos as acções de formação eram as do período em avaliação e o relatório crítico era bem mais exigente que a fichinha de autoavaliação, da qual em algumas escolas só se preenchem uns oito parâmetros com banalidades.
É que não se vê a hora da senhora se ir embora e calar-se. Ao menos que falasse verdade…

Posted by Paulo Guinote


quinta-feira, 23 de julho de 2009

AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES (1998 - 2009)

Se as intenções de implementar um modelo efectivamente meritocrático do desempenho docentes são duvidosas – continua a ser mais credível que o modelo apenas pretendia legitimar a divisão da carreira com estrangulamento na progressão por razões orçamentais -, então a concretização desse modelo através dos simplex arrasa qualquer pretensão nesse sentido.
Aquilo que se exige a um professor para ter Bom é menos, muito menos, do que aquilo que se pedia a um professor há cinco anos atrás para ter Suficiente. Prová-lo é simples e basta recorrermos à comparação entre os parâmetros que faziam parte do anterior relatório crítico e os que agora fazem da fichinha de auto-avaliação:
Vejamos o que estava em causa na avaliação feita com base no decreto regulamentar 11/98 de 15 de Maio:
Quadro de referência para a elaboração do documento de reflexão críticaActividade do docente
1 – Conteúdo:
1.1 – Serviço distribuído (componente lectiva e componente não lectiva);
1.2 – Cargos desempenhados, considerando:
1.2.1 – Administração e gestão;
1.2.2 – Orientação educativa;
1.2.3 – Supervisão pedagógica;
1.2.4 – Outros.
2 – Desenvolvimento do processo ensino/aprendizagem:
2.1 – Planificação do processo ensino/aprendizagem,considerando:
2.1.1 – Selecção de modelos e métodos pedagógicos,
2.1.2 – Cumprimento dos núcleos essenciais dos conteúdos programáticos;
2.1.3 – Cooperação com os professores da escola/turma/grupo disciplinar;
2.1.4 – Outros aspectos relevantes;
2.2 – Concepção, selecção e utilização de instrumentos pedagógicos auxiliares do processo ensino/aprendizagem, considerando:
2.2.1 – Manuais escolares;
2 2.2 – Outros;
2.3 – Processo de avaliação dos alunos, considerando:
2.3.1 – Critérios de avaliação e definição de conteúdos nucleares da aprendizagem para a progressão dos alunos;
2.3.2 – Aferição dos critérios para uma coerência pedagógica da aprendizagem;
2.3.3 – Práticas inovadoras no processo de avaliação dos alunos;
2.3.4 – Outros aspectos relevantes;
2.4 – Participação, em actividades de apoio pedagógico e de diversificação curricular;2.5 – Participação na organização de actividades de complemento curricular.
3 – Análise crítica do processo de acompanhamento dos alunos, considerando:
3.1 – Informação e orientação dos alunos (vocacional e profissional);
3.2 – Detecção de dificuldades na aprendizagem e desenvolvimento de estratégias para a sua superação;
3.3 – Gestão de conflitos comportamentais e de índole disciplinar na sala de aula e na escola e desenvolvimento de estratégias para a sua superação;
3.4 – Relacionamento com os encarregados de educação;
3.5 – Outros.
4 – Participação em actividades desenvolvidas na escola, considerando:
4.1 – Projecto educativo;
4.2 – Área-escola;
4.3 – Formação;
4.4 – Projectos culturais, artísticos e desportivos, considerando:
4.4.1 – Participação em projectos culturais locais e de defesa do património;
4.4.2 – Organização e participação em visitas de estudo;
4.5 – Outros aspectos relevantes.
5 – Participação na articulação da intervenção da comunidade educativa na vida da escola.
6 – Promoção e participação em actividades intergeracionais.
7 – Participação em actividades no domínio do combate à exclusão.
8 – Participação em actividades no domínio da promoção da interculturalidade.
9 – Participação em actividades de solidariedade social.
10 – Formação:
10.1 – Plano individual de formação, considerando:
10.1.1 – Identificação das necessidades de formação, designadamente nos planos científico-pedagógico e profissional;
10.1.2 – Articulação do plano individual de formação com o plano de formação da escola/associação de escolas;
10.1.3 – Participação em equipas de formação para a inovação e a qualidade;
10.2 – Formação contínua, considerando:
10.2.1 – A articulação das acções de formação realizadas com o plano individual de formação;
10.2.2 – Actividades de aperfeiçoamento profissional e académico, nomeadamente participação em seminários, conferências, colóquios e jornadas pedagógicas;
10.2.3 – Outras actividades relevantes;
10.3 – Formações acrescidas, considerando:
10.3.1 – Graus académicos;
10.3.2 – Outros diplomas.
11 – Assiduidade do docente.
12 – Actividades de substituição.
13 – Outras actividades relevantes no currículo do docente.
14 – Estudos e trabalhos realizados e publicados.
15 – Louvores.
16 – Sanções disciplinares.

Vejamos agora o que é pedido de acordo com o decreto-regulamentar 1-A/2009, quanto ao preenchimento da ficha-de auto-avaliação, seguindo o modelo proposto pelo Ministério:
Como avalia o cumprimento do serviço lectivo e dos seus objectivos individuais estabelecidos neste âmbito?
Como avalia o seu trabalho no âmbito da preparação e organização das actividades lectivas? Identifique sumariamente os recursos e instrumentos utilizados e os respectivos objectivos.
Como avalia a concretização das actividades lectivas e o cumprimento dos objectivos de aprendizagem dos seus alunos? Identifique as principais dificuldades e as estratégias que usou para as superar.
Como avalia a relação pedagógica que estabeleceu com os seus alunos e o conhecimento que tem de cada um deles?
Como avalia o apoio que prestou à aprendizagem dos seus alunos?
Como avalia o trabalho que realizou no âmbito da avaliação das aprendizagens dos alunos? Identifique sumariamente os instrumentos que utilizou para essa avaliação e os respectivos objectivos.
Como avalia o seu contributo para a vida da escola e em particular a sua participação nos projectos e actividades previstos ao nível da escola/agrupamento e da turma (designadamente, no 1.º ciclo, na supervisão das actividades de enriquecimento curricular)?
Identifique as actividades que dinamizou e/ou em que participou.
Como avalia a sua participação nas estruturas de orientação educativa e nos órgãos de gestão e o contributo que deu para o seu funcionamento?
Como avalia o estado de actualização dos seus conhecimentos científicos e pedagógicos e a sua capacidade de utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação?
Refira as acções de formação contínua realizadas e a classificação nelas obtida e avalie o contributo de cada uma delas para o seu desempenho profissional
Identifique sumariamente as suas necessidades de formação e de desenvolvimento profissional
Como avalia a relação que estabeleceu com a comunidade e o cumprimento dos seus objectivos individuais definidos neste âmbito?

Podem acusar o modelo anterior de muitos males e diversas lacunas, mas então para sermos honestos temos de admitir que o simplex2 é ainda menos exigente e muito mais lacunar quanto ao que exige a um docente para obter a classificação indispensável para progredir na carreira.

Posted by Paulo Guinote

A REALIDADE DA ESCOLA QUE MUITOS DESCONHECEM

A Maria João resolveu dar a sua opinião e enviar um e-mail, com sugestão de publicação do seu texto, que se transcreve depois deste breve intróito.A entrada a que a colega se refere tem o título A REALIDADE DA ESCOLA QUE MUITOS DESCONHECEM e esteve na origem da notícia do Público, onde a esmagadora maioria dos mais de 400 comentários - embora alguns sejam lixo - vai de encontro à opinião aqui manifestada.
Finalmente, há que relembrar, especialmente aos críticos da publicação, que este blogue é público apenas "relativamente", pois ninguém é obrigado a consultá-lo; para a ele aceder é necessário querer e utilizar uma espécie de "chave" própria, que é o endereço http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/.
Sou professora e louvo o MUP por ter mostrado no Blogue esta pauta, que, aliás, é pública.Isto que vemos é o resultado catastrófico das orientações Socráticas juntamente com as da sua acérrima seguidora, Maria de Lurdes Rodrigues, que são as do FACILITISMO.Mas também as de um governo que criou as NOVAS OPORTUNIDADES, programa que distribui milhares de DIPLOMAS A QUEM NÃO POSSUI HABILITAÇÕES (muitos já receberam o do 12º e nem escrever sabem)… O que é que se espera?Para os candidatos a esta balela, é fácil conjecturarem que se 9º foi tão rápido, porque não fazer num instante o 12º também? E ei-los diplomados.Não tenho qualquer dúvida que uma empresa que pretenda um funcionário com habilitações literárias não contratará uma pessoa com um diploma de 12º ano feito nas NOVAS OPORTUNIDADES. É impensável se comparar com outro candidato do ensino regular e com uma área curricular pluridisciplinar feita ao longo de 12 anos e, como é óbvio, possuindo HABILITAÇÕES LITERÁRIAS.Mas ainda há quem viva de ilusões e seja fácil de manipular… E os políticos sabem isso… Talvez pensem ganhar votos fáceis para o P.S. Mas quando estes (diplomados do papel) virem o logro em que caíram e como foram manipulados, se forem inteligentes não lhes darão o voto…O ensino no nosso país resume-se a 4 palavras:FACILITISMO – SEGUIDISMO - OPORTUNISMO – ESTATÍSTICASOra a pauta que Ilídio Trindade aqui publicou não é caso único. E fez muitíssimo bem em publicá-la. É óbvio que este aluno não deveria ter transitado de ano. E não me venham com “coitadinho”… que não vem ao caso. Os problemas pessoais não se resolvem passando o aluno, bem pelo contrário. Quem é mais sensível que os professores aos problemas pessoais dos alunos? Mas não podemos misturar as águas. A solução não pode ser esta, aprovar um aluno com 9 negativas. As leis que o permitem têm de mudar, pois é vergonhoso que isto aconteça.Esta pauta é o reflexo da política de uma ministra da Educação e de dois secretários de Estado que, além de professarem um ódio visceral aos professores, só têm uma preocupação: NÚMEROS E ESTATÍSTICAS DO SUCESSO.Claro que perguntamos: Mas qual sucesso? Com números que escondem a realidade?Aqueles que vêm aqui criticar, se querem culpar alguém por um aluno passar com 9 negativas, culpem-nos a eles. Foi o afã legislativo da Ministra Maria de Lurdes Rodrigues que levou a que situações destas pudessem acontecer.O que lhe interessa é que os alunos passem, querem lá eles saber se eles sabem ou não. Vão à televisão gabar os resultados fantásticos das tais ESTATÍSTICAS e do FALSO SUCESSO e proclamar, muito orgulhosos, com muita emoção na voz e um sorriso de orelha a orelha que o sucesso aumentou… e que este governo é o maior!Blá…blá…blá… Repetem aquilo dezenas de vezes e os crédulos lá vai engolindo tudo…Nem falo da patetice do Magalhães, que dispensa comentários. “ Mais cego que o que não vê é o que não quer ver”.Não venham aqui apontar o dedo aos professores. Eles cumprem leis, não as fazem! Por isso se acham esta pauta um escândalo, pensem que os professores deste Conselho de Turma obedeceram a orientações superiores, nas escolas há uma hierarquia. Ou também desconhecem isto?Para concluir, só quero acrescentar que, a meu ver, as pessoas que vêm aqui acusar Ilídio Trindade por ter publicado esta pauta, só o fazem por duas razões: ou são oportunistas das NOVAS OPORTUNIDADES… ou, então, são seguidores das políticas facilitistas SOCRÁTICAS, afectas ao GOVERNO P.S.E mais não digo… Dentro em pouco estou certa de que qualquer pessoa de bom senso acabará com este pesadelo.Os 120 mil professores deste país, acompanhados das suas famílias, pelo menos, lá estarão.
Publicada por ILÍDIO TRINDADE

terça-feira, 21 de julho de 2009

A maldição da educação chamada, Maria de Lurdes Rodrigues...

A maldição da Educação, chamada Maria de Lurdes Rodrigues, vai manter-se até ao fim: dividir, hostilizar, conflituar, degradar...
Secundária de Odivelas Primeira escola a concluir avaliação vai penalizar docentes que não entregaram objectivos individuais 16.07.2009 - 15h06 Andreia Sanches A Escola Secundária de Odivelas terá sido a primeira escola do país a concluir o processo de avaliação de desempenho dos professores. E a primeira a tomar uma decisão sobre o que fazer com os professores que não entregaram os objectivos individuais: não avaliá-los. (...) Ler a notícia completa no Público online

Até ao dia 27 de Setembro, os professores e os portugueses em geral estão condenados a ter que suportar Maria de Lurdes Rodrigues, de longe a figura política mais antipática e mais aborrecida (no duplo sentido de entediante e taciturna) da democracia portuguesa.
Com ela, devidamente acolitada pela mais funesta dupla de secretários de Estado de que há memória, o ministério da Educação baixou o nível científico e pedagógico do seu discurso (assemelhando-se mais a um cemitério de conceitos frios, secos e mirrados) e degradou, tanto do ponto de vista técnico, como político e moral, a qualidade da sua intervenção. Numa palavra, perdeu o respeito daqueles que deveriam constituir o centro da sua actuação e a quem tinha a obrigação de estimular e envolver nas suas pretensas reformas (que nunca o foram na prática), ou seja, dos professores e dos alunos. Na obsessão das estatísticas favoráveis a todo o transe e do impulso em propagandear medidas (mesmo que disfuncionais ou contraproducentes no terreno) para projectar o ego e a vocação de emplastro do primeiro-ministro, MLR e Sócrates deitaram tudo a perder. Basta ter presente a forma como estes dois personagens fogem a sete pés de tudo que se assemelhe a presença de professores e de alunos. Vivem encurralados nos seus próprios equívocos e na sua incomensurável inépcia política e técnica. Por seu lado, as aparições públicas de MLR na comunicação social (com a televisão pública sempre solícita a dar-lhe o palco que nega a outros) já irritam e enojam os professores, tal o nível de demagogia, de desinformação, de desfasamento com a realidade e de desonestidade que caracteriza o seu discurso.
Esta criatura não tem emenda, não muda nada na rigidez de ideias que se lhe cristalizaram e entumeceram no cérebro, o que, diga-se de passagem, não é sintoma de grande inteligência política, bem ao contrário. Vai continuar assim até ao fim. Os professores saberão despedi-la, em grande, já no próximo mês de Setembro, para NUNCA MAIS quererem ouvir falar do pesadelo MLR. Vem este retrato a propósito da balcanização e da desorientação completas que o ME vai permitir que se instalem nas respostas contraditórias que, em nome de uma autonomia desresponsabilizante, vão ser dadas às situações de quem não entregou os objectivos individuais ou se recusa a participar nesta farsa de avaliação, cuja natureza grotesca e irrisória exporemos num próximo texto.
Uns directores definiram os objectivos individuais a quem não os entregou, enquanto outros não aceitam fazê-lo; uns aceitaram entregas de OI muito para além do prazo estabelecido (em tantas escolas, caricaturalmente, definidos no final do próprio processo, o que denota bem a relevância que o papelucho dos OI tem na orientação da prática docente - nada), outros não aceitaram; uns aceitam a FAA sem a entrega dos OI, outros recusam-na, como se noticia em cima, etc.
Tudo isto gerando diferenças de tratamento, absolutamente, casuísticas e cujo fundamento depende, quantas vezes, de se estar colocado a 1 km de distância. Quando o bom senso aconselharia a suspensão de todo o processo de avaliação, ferido de fraquezas, contradições, arbitrariedades e ilegalidades (como alguns de nós teremos oportunidade de demonstrar em sede própria, se tivermos que chegar a tanto), esta equipa ministerial e os seus tiranetes, que funcionam como paus-mandados no terreno, decidiram continuar a infernizar a vida aos professores e degradar ainda mais a vida nas escolas. Todavia isto só vai acontecer até 26 de Setembro, porque os portugueses vão ser capazes de, no dia 27, optarem pela devolução da serenidade, da racionalidade e do sentido ético e de exigência à escola, afastando do Governo estas personagens sinistras. Do ponto de vista dos professores, é necessário que todos nos empenhamos na concretização do COMPROMISSO EDUCAÇÃO, apertando a tenaz sobre este PS de Sócrates e pressionando os partidos da oposição a assumirem-se, em matéria de Educação, como alternativas credíveis a estas miseráveis políticas e condutas, genuinamente indignas e persecutórias dos professores.
Publicada por Octávio V Gonçalves

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Burocratização do acto educativo e despersonalização dos professores

"A produção em massa não está confinada à fábrica" - Palavras proféticas de John Dewey, ditas em 1927. John Dewey antecipava assim a concepção de escola do capitalismo globalista e neoliberal dos nossos dias.
Fonte: Dewey, John (1991) [1927]. The Public and its Problems. Ohio University Press
"Ficamos divididos em dois, na nossa própria despersonalização e na irreflexão dos nossos alunos, quando nos vemos a nós mesmos como meros detentores de lugares e burocratas de baixo nível, a preencher formulários e a completar procedimentos e grelhas" - Palavras proferidas por William Ayers, em 1993.
Fonte: Ayers, William (1993). To Teach. The Journay of a Teacher. Teachers Collge Press
"Não será isto a educação reduzida à aprendizagem de competências pragmáticas e utilitárias, privada que foi do húmus que só o cânone e as grandes obras lhe podem dar? Não será isto uma profissão reduzida a uma meia-vida daquilo que poderia ser? Uma espécie de não vida de onde o prazer e a excelência foram roubados? E de onde a democracia e a criatividade foram sacrificadas no altar da eficácia, da produtividade e da redução dos custos?"
Publicada por ProfAvaliação

domingo, 19 de julho de 2009

O decreto-lei 75/2009...

Com o decreto-lei 75/2009, aumentou exponencialmente o número de professores que estão afectos a funções de gestão e de avaliação de desempenho e que, por esse motivo, ou não têm turma atribuída (caso de milhares de professores do 1º CEB que são avaliadores ou coordenadores de estabelecimento) ou têm fortes reduções na componente lectiva (caso dos assessores do director).
Para quem chegou ao Governo com a intenção de enviar os professores para as salas de aula, a situação a que se chegou, passados quatro anos e meio de exercício de poder, deixaria qualquer um coberto de vergonha. Qualquer um com vergonha na cara.
Lembram-se de o Governo soprar para os jornais o número de professores destacados nos sindicatos? Por que razão não se incomoda com os milhares de docentes que estão sem turma por efeito da sua afectação a funções de gestão e de avaliação de desempenho? Porque o decreto-lei 75/2008 tem um objectivo fundamental: pôr fim à liberdade de expressão nas escolas. E tem um objectivo secundário também importante: preparar o caminho para a municipalização total das escolas públicas, entregando a gestão e o recrutamento dos professores aos partidos políticos locais.
Mas a questão não é meramente financeira. É sobretudo política e pedagógica. O que o ME quis foi criar uma clientela afecta à burocracia, distante do processo pedagógico, capaz de cumprir a missão que o Governo lhe destinou: ser os olhos e os ouvidos da ministra da educação em todos os gabinetes, corredores e salas de aula das escolas, digo dos centros de educação e formação do país.
Publicada por ProfAvaliação