quinta-feira, 23 de julho de 2009

A REALIDADE DA ESCOLA QUE MUITOS DESCONHECEM

A Maria João resolveu dar a sua opinião e enviar um e-mail, com sugestão de publicação do seu texto, que se transcreve depois deste breve intróito.A entrada a que a colega se refere tem o título A REALIDADE DA ESCOLA QUE MUITOS DESCONHECEM e esteve na origem da notícia do Público, onde a esmagadora maioria dos mais de 400 comentários - embora alguns sejam lixo - vai de encontro à opinião aqui manifestada.
Finalmente, há que relembrar, especialmente aos críticos da publicação, que este blogue é público apenas "relativamente", pois ninguém é obrigado a consultá-lo; para a ele aceder é necessário querer e utilizar uma espécie de "chave" própria, que é o endereço http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/.
Sou professora e louvo o MUP por ter mostrado no Blogue esta pauta, que, aliás, é pública.Isto que vemos é o resultado catastrófico das orientações Socráticas juntamente com as da sua acérrima seguidora, Maria de Lurdes Rodrigues, que são as do FACILITISMO.Mas também as de um governo que criou as NOVAS OPORTUNIDADES, programa que distribui milhares de DIPLOMAS A QUEM NÃO POSSUI HABILITAÇÕES (muitos já receberam o do 12º e nem escrever sabem)… O que é que se espera?Para os candidatos a esta balela, é fácil conjecturarem que se 9º foi tão rápido, porque não fazer num instante o 12º também? E ei-los diplomados.Não tenho qualquer dúvida que uma empresa que pretenda um funcionário com habilitações literárias não contratará uma pessoa com um diploma de 12º ano feito nas NOVAS OPORTUNIDADES. É impensável se comparar com outro candidato do ensino regular e com uma área curricular pluridisciplinar feita ao longo de 12 anos e, como é óbvio, possuindo HABILITAÇÕES LITERÁRIAS.Mas ainda há quem viva de ilusões e seja fácil de manipular… E os políticos sabem isso… Talvez pensem ganhar votos fáceis para o P.S. Mas quando estes (diplomados do papel) virem o logro em que caíram e como foram manipulados, se forem inteligentes não lhes darão o voto…O ensino no nosso país resume-se a 4 palavras:FACILITISMO – SEGUIDISMO - OPORTUNISMO – ESTATÍSTICASOra a pauta que Ilídio Trindade aqui publicou não é caso único. E fez muitíssimo bem em publicá-la. É óbvio que este aluno não deveria ter transitado de ano. E não me venham com “coitadinho”… que não vem ao caso. Os problemas pessoais não se resolvem passando o aluno, bem pelo contrário. Quem é mais sensível que os professores aos problemas pessoais dos alunos? Mas não podemos misturar as águas. A solução não pode ser esta, aprovar um aluno com 9 negativas. As leis que o permitem têm de mudar, pois é vergonhoso que isto aconteça.Esta pauta é o reflexo da política de uma ministra da Educação e de dois secretários de Estado que, além de professarem um ódio visceral aos professores, só têm uma preocupação: NÚMEROS E ESTATÍSTICAS DO SUCESSO.Claro que perguntamos: Mas qual sucesso? Com números que escondem a realidade?Aqueles que vêm aqui criticar, se querem culpar alguém por um aluno passar com 9 negativas, culpem-nos a eles. Foi o afã legislativo da Ministra Maria de Lurdes Rodrigues que levou a que situações destas pudessem acontecer.O que lhe interessa é que os alunos passem, querem lá eles saber se eles sabem ou não. Vão à televisão gabar os resultados fantásticos das tais ESTATÍSTICAS e do FALSO SUCESSO e proclamar, muito orgulhosos, com muita emoção na voz e um sorriso de orelha a orelha que o sucesso aumentou… e que este governo é o maior!Blá…blá…blá… Repetem aquilo dezenas de vezes e os crédulos lá vai engolindo tudo…Nem falo da patetice do Magalhães, que dispensa comentários. “ Mais cego que o que não vê é o que não quer ver”.Não venham aqui apontar o dedo aos professores. Eles cumprem leis, não as fazem! Por isso se acham esta pauta um escândalo, pensem que os professores deste Conselho de Turma obedeceram a orientações superiores, nas escolas há uma hierarquia. Ou também desconhecem isto?Para concluir, só quero acrescentar que, a meu ver, as pessoas que vêm aqui acusar Ilídio Trindade por ter publicado esta pauta, só o fazem por duas razões: ou são oportunistas das NOVAS OPORTUNIDADES… ou, então, são seguidores das políticas facilitistas SOCRÁTICAS, afectas ao GOVERNO P.S.E mais não digo… Dentro em pouco estou certa de que qualquer pessoa de bom senso acabará com este pesadelo.Os 120 mil professores deste país, acompanhados das suas famílias, pelo menos, lá estarão.
Publicada por ILÍDIO TRINDADE

terça-feira, 21 de julho de 2009

A maldição da educação chamada, Maria de Lurdes Rodrigues...

A maldição da Educação, chamada Maria de Lurdes Rodrigues, vai manter-se até ao fim: dividir, hostilizar, conflituar, degradar...
Secundária de Odivelas Primeira escola a concluir avaliação vai penalizar docentes que não entregaram objectivos individuais 16.07.2009 - 15h06 Andreia Sanches A Escola Secundária de Odivelas terá sido a primeira escola do país a concluir o processo de avaliação de desempenho dos professores. E a primeira a tomar uma decisão sobre o que fazer com os professores que não entregaram os objectivos individuais: não avaliá-los. (...) Ler a notícia completa no Público online

Até ao dia 27 de Setembro, os professores e os portugueses em geral estão condenados a ter que suportar Maria de Lurdes Rodrigues, de longe a figura política mais antipática e mais aborrecida (no duplo sentido de entediante e taciturna) da democracia portuguesa.
Com ela, devidamente acolitada pela mais funesta dupla de secretários de Estado de que há memória, o ministério da Educação baixou o nível científico e pedagógico do seu discurso (assemelhando-se mais a um cemitério de conceitos frios, secos e mirrados) e degradou, tanto do ponto de vista técnico, como político e moral, a qualidade da sua intervenção. Numa palavra, perdeu o respeito daqueles que deveriam constituir o centro da sua actuação e a quem tinha a obrigação de estimular e envolver nas suas pretensas reformas (que nunca o foram na prática), ou seja, dos professores e dos alunos. Na obsessão das estatísticas favoráveis a todo o transe e do impulso em propagandear medidas (mesmo que disfuncionais ou contraproducentes no terreno) para projectar o ego e a vocação de emplastro do primeiro-ministro, MLR e Sócrates deitaram tudo a perder. Basta ter presente a forma como estes dois personagens fogem a sete pés de tudo que se assemelhe a presença de professores e de alunos. Vivem encurralados nos seus próprios equívocos e na sua incomensurável inépcia política e técnica. Por seu lado, as aparições públicas de MLR na comunicação social (com a televisão pública sempre solícita a dar-lhe o palco que nega a outros) já irritam e enojam os professores, tal o nível de demagogia, de desinformação, de desfasamento com a realidade e de desonestidade que caracteriza o seu discurso.
Esta criatura não tem emenda, não muda nada na rigidez de ideias que se lhe cristalizaram e entumeceram no cérebro, o que, diga-se de passagem, não é sintoma de grande inteligência política, bem ao contrário. Vai continuar assim até ao fim. Os professores saberão despedi-la, em grande, já no próximo mês de Setembro, para NUNCA MAIS quererem ouvir falar do pesadelo MLR. Vem este retrato a propósito da balcanização e da desorientação completas que o ME vai permitir que se instalem nas respostas contraditórias que, em nome de uma autonomia desresponsabilizante, vão ser dadas às situações de quem não entregou os objectivos individuais ou se recusa a participar nesta farsa de avaliação, cuja natureza grotesca e irrisória exporemos num próximo texto.
Uns directores definiram os objectivos individuais a quem não os entregou, enquanto outros não aceitam fazê-lo; uns aceitaram entregas de OI muito para além do prazo estabelecido (em tantas escolas, caricaturalmente, definidos no final do próprio processo, o que denota bem a relevância que o papelucho dos OI tem na orientação da prática docente - nada), outros não aceitaram; uns aceitam a FAA sem a entrega dos OI, outros recusam-na, como se noticia em cima, etc.
Tudo isto gerando diferenças de tratamento, absolutamente, casuísticas e cujo fundamento depende, quantas vezes, de se estar colocado a 1 km de distância. Quando o bom senso aconselharia a suspensão de todo o processo de avaliação, ferido de fraquezas, contradições, arbitrariedades e ilegalidades (como alguns de nós teremos oportunidade de demonstrar em sede própria, se tivermos que chegar a tanto), esta equipa ministerial e os seus tiranetes, que funcionam como paus-mandados no terreno, decidiram continuar a infernizar a vida aos professores e degradar ainda mais a vida nas escolas. Todavia isto só vai acontecer até 26 de Setembro, porque os portugueses vão ser capazes de, no dia 27, optarem pela devolução da serenidade, da racionalidade e do sentido ético e de exigência à escola, afastando do Governo estas personagens sinistras. Do ponto de vista dos professores, é necessário que todos nos empenhamos na concretização do COMPROMISSO EDUCAÇÃO, apertando a tenaz sobre este PS de Sócrates e pressionando os partidos da oposição a assumirem-se, em matéria de Educação, como alternativas credíveis a estas miseráveis políticas e condutas, genuinamente indignas e persecutórias dos professores.
Publicada por Octávio V Gonçalves

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Burocratização do acto educativo e despersonalização dos professores

"A produção em massa não está confinada à fábrica" - Palavras proféticas de John Dewey, ditas em 1927. John Dewey antecipava assim a concepção de escola do capitalismo globalista e neoliberal dos nossos dias.
Fonte: Dewey, John (1991) [1927]. The Public and its Problems. Ohio University Press
"Ficamos divididos em dois, na nossa própria despersonalização e na irreflexão dos nossos alunos, quando nos vemos a nós mesmos como meros detentores de lugares e burocratas de baixo nível, a preencher formulários e a completar procedimentos e grelhas" - Palavras proferidas por William Ayers, em 1993.
Fonte: Ayers, William (1993). To Teach. The Journay of a Teacher. Teachers Collge Press
"Não será isto a educação reduzida à aprendizagem de competências pragmáticas e utilitárias, privada que foi do húmus que só o cânone e as grandes obras lhe podem dar? Não será isto uma profissão reduzida a uma meia-vida daquilo que poderia ser? Uma espécie de não vida de onde o prazer e a excelência foram roubados? E de onde a democracia e a criatividade foram sacrificadas no altar da eficácia, da produtividade e da redução dos custos?"
Publicada por ProfAvaliação

domingo, 19 de julho de 2009

O decreto-lei 75/2009...

Com o decreto-lei 75/2009, aumentou exponencialmente o número de professores que estão afectos a funções de gestão e de avaliação de desempenho e que, por esse motivo, ou não têm turma atribuída (caso de milhares de professores do 1º CEB que são avaliadores ou coordenadores de estabelecimento) ou têm fortes reduções na componente lectiva (caso dos assessores do director).
Para quem chegou ao Governo com a intenção de enviar os professores para as salas de aula, a situação a que se chegou, passados quatro anos e meio de exercício de poder, deixaria qualquer um coberto de vergonha. Qualquer um com vergonha na cara.
Lembram-se de o Governo soprar para os jornais o número de professores destacados nos sindicatos? Por que razão não se incomoda com os milhares de docentes que estão sem turma por efeito da sua afectação a funções de gestão e de avaliação de desempenho? Porque o decreto-lei 75/2008 tem um objectivo fundamental: pôr fim à liberdade de expressão nas escolas. E tem um objectivo secundário também importante: preparar o caminho para a municipalização total das escolas públicas, entregando a gestão e o recrutamento dos professores aos partidos políticos locais.
Mas a questão não é meramente financeira. É sobretudo política e pedagógica. O que o ME quis foi criar uma clientela afecta à burocracia, distante do processo pedagógico, capaz de cumprir a missão que o Governo lhe destinou: ser os olhos e os ouvidos da ministra da educação em todos os gabinetes, corredores e salas de aula das escolas, digo dos centros de educação e formação do país.
Publicada por ProfAvaliação

sábado, 18 de julho de 2009

Fenprof ameaça com luta no início do ano lectivo


A avaliação de que foram alvo os professores ao longo deste ano nas escolas do país não deve ter qualquer consequência para efeitos de progressão de carreira ou concurso. Todos devem ser tratados como se tivessem tido “Bom”. A reivindicação não é nova, mas a três dias de mais uma ronda negocial com a ministra da Educação, os sindicatos voltam a insistir.A Federação Nacional de Professores (Fenprof) ameaça: a luta contra o modelo de avaliação “manter-se-á acesa podendo comprometer a tranquilidade do início do próximo ano lectivo”.Ontem, o Ministério da Educação anunciou que quer manter o modelo simplificado da avaliação do desempenho dos docentes até que o modelo original, que nunca chegou a ser aplicado, seja revisto tendo em conta algumas recomendações dos estudos feitos a pedido da tutela – nomeadamente o realizado por peritos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e outro da autoria do Conselho Científico para a Avaliação de Professores. Ambos apresentavam críticas e recomendações depois da análise do que se tem passado nas escolas.A ministra Maria de Lurdes Rodrigues disse ainda que está disponível para ouvir as sugestões que os sindicatos tenham a apresentar para que a aplicação do modelo “simplex” corra melhor. Mudanças mais profundas, só mais tarde.Mário Nogueira voltou hoje a dizer que não há nada a negociar. Mas admite que poderá comparecer na segunda-feira no Ministério da Educação (a decisão só será tomada, provavelmente, na segunda) para reivindicar que o ciclo de avaliação que agora está a terminar não pode ter consequências.

In Público

O adeus à ministra


Professores querem que avaliações sejam ignoradas


In Público