"A produção em massa não está confinada à fábrica" - Palavras proféticas de John Dewey, ditas em 1927. John Dewey antecipava assim a concepção de escola do capitalismo globalista e neoliberal dos nossos dias.
Fonte: Dewey, John (1991) [1927]. The Public and its Problems. Ohio University Press
"Ficamos divididos em dois, na nossa própria despersonalização e na irreflexão dos nossos alunos, quando nos vemos a nós mesmos como meros detentores de lugares e burocratas de baixo nível, a preencher formulários e a completar procedimentos e grelhas" - Palavras proferidas por William Ayers, em 1993.
Fonte: Ayers, William (1993). To Teach. The Journay of a Teacher. Teachers Collge Press
"Não será isto a educação reduzida à aprendizagem de competências pragmáticas e utilitárias, privada que foi do húmus que só o cânone e as grandes obras lhe podem dar? Não será isto uma profissão reduzida a uma meia-vida daquilo que poderia ser? Uma espécie de não vida de onde o prazer e a excelência foram roubados? E de onde a democracia e a criatividade foram sacrificadas no altar da eficácia, da produtividade e da redução dos custos?"
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
O decreto-lei 75/2009...
Com o decreto-lei 75/2009, aumentou exponencialmente o número de professores que estão afectos a funções de gestão e de avaliação de desempenho e que, por esse motivo, ou não têm turma atribuída (caso de milhares de professores do 1º CEB que são avaliadores ou coordenadores de estabelecimento) ou têm fortes reduções na componente lectiva (caso dos assessores do director).
Para quem chegou ao Governo com a intenção de enviar os professores para as salas de aula, a situação a que se chegou, passados quatro anos e meio de exercício de poder, deixaria qualquer um coberto de vergonha. Qualquer um com vergonha na cara.
Lembram-se de o Governo soprar para os jornais o número de professores destacados nos sindicatos? Por que razão não se incomoda com os milhares de docentes que estão sem turma por efeito da sua afectação a funções de gestão e de avaliação de desempenho? Porque o decreto-lei 75/2008 tem um objectivo fundamental: pôr fim à liberdade de expressão nas escolas. E tem um objectivo secundário também importante: preparar o caminho para a municipalização total das escolas públicas, entregando a gestão e o recrutamento dos professores aos partidos políticos locais.
Mas a questão não é meramente financeira. É sobretudo política e pedagógica. O que o ME quis foi criar uma clientela afecta à burocracia, distante do processo pedagógico, capaz de cumprir a missão que o Governo lhe destinou: ser os olhos e os ouvidos da ministra da educação em todos os gabinetes, corredores e salas de aula das escolas, digo dos centros de educação e formação do país.
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Para quem chegou ao Governo com a intenção de enviar os professores para as salas de aula, a situação a que se chegou, passados quatro anos e meio de exercício de poder, deixaria qualquer um coberto de vergonha. Qualquer um com vergonha na cara.
Lembram-se de o Governo soprar para os jornais o número de professores destacados nos sindicatos? Por que razão não se incomoda com os milhares de docentes que estão sem turma por efeito da sua afectação a funções de gestão e de avaliação de desempenho? Porque o decreto-lei 75/2008 tem um objectivo fundamental: pôr fim à liberdade de expressão nas escolas. E tem um objectivo secundário também importante: preparar o caminho para a municipalização total das escolas públicas, entregando a gestão e o recrutamento dos professores aos partidos políticos locais.
Mas a questão não é meramente financeira. É sobretudo política e pedagógica. O que o ME quis foi criar uma clientela afecta à burocracia, distante do processo pedagógico, capaz de cumprir a missão que o Governo lhe destinou: ser os olhos e os ouvidos da ministra da educação em todos os gabinetes, corredores e salas de aula das escolas, digo dos centros de educação e formação do país.
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sábado, 18 de julho de 2009
Fenprof ameaça com luta no início do ano lectivo

A avaliação de que foram alvo os professores ao longo deste ano nas escolas do país não deve ter qualquer consequência para efeitos de progressão de carreira ou concurso. Todos devem ser tratados como se tivessem tido “Bom”. A reivindicação não é nova, mas a três dias de mais uma ronda negocial com a ministra da Educação, os sindicatos voltam a insistir.A Federação Nacional de Professores (Fenprof) ameaça: a luta contra o modelo de avaliação “manter-se-á acesa podendo comprometer a tranquilidade do início do próximo ano lectivo”.Ontem, o Ministério da Educação anunciou que quer manter o modelo simplificado da avaliação do desempenho dos docentes até que o modelo original, que nunca chegou a ser aplicado, seja revisto tendo em conta algumas recomendações dos estudos feitos a pedido da tutela – nomeadamente o realizado por peritos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e outro da autoria do Conselho Científico para a Avaliação de Professores. Ambos apresentavam críticas e recomendações depois da análise do que se tem passado nas escolas.A ministra Maria de Lurdes Rodrigues disse ainda que está disponível para ouvir as sugestões que os sindicatos tenham a apresentar para que a aplicação do modelo “simplex” corra melhor. Mudanças mais profundas, só mais tarde.Mário Nogueira voltou hoje a dizer que não há nada a negociar. Mas admite que poderá comparecer na segunda-feira no Ministério da Educação (a decisão só será tomada, provavelmente, na segunda) para reivindicar que o ciclo de avaliação que agora está a terminar não pode ter consequências.
In Público
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Continuar o regime simplificado de avaliação "é confissão de desastre da política educativa"
O deputado do PSD, Pedro Duarte, reagiu desta forma ao anúncio da prorrogação do modelo simplificado de avaliação de desempenho: "É uma confissão do desastre da política educativa". E acrescentou: "em vez de reformas, o que o Governo teve foi conflitualidade e arrogância".
Sem deixar de concordar com a apreciação de Pedro Duarte, tenho de lhe dizer que não chega criticar. Começa a ser a altura de divulgar medidas concretas. O que os professores querem saber é o seguinte: se o PSD for Governo vai revogar os decretos regulamentares 2/2008 e 1-A/2009? E se for, o que vai fazer em relação aos 50 mil professores que não foram avaliados por não terem entregue os objectivos individuais? Vai encontrar uma solução administrativa para eles? E o que vai fazer com os directores regionais de educação que deram orientações para os directores não avaliarem os docentes que não entregaram OI? E o que vai fazer com os directores regionais de educação e os directores que abusaram do poder? Vai exonerá-los?
E o que vai fazer com o decreto-lei 15/2007? Vai pôr fim à divisão da carreira em duas categorias?
Há milhares de professores que estão à espera destas respostas para decidirem o sentido do seu voto. Há muitos meses que os professores decidiram castigar o PS. Mas há ainda muitos docentes que não sabem a que partido político da oposição vão dar o seu voto. E se o PCP e o BE já mostraram, com clareza, que querem contribuir para revogarem aqueles diplomas, o PSD e o CDS ainda não o fizeram.
Publicada por ProfAvaliação
Sem deixar de concordar com a apreciação de Pedro Duarte, tenho de lhe dizer que não chega criticar. Começa a ser a altura de divulgar medidas concretas. O que os professores querem saber é o seguinte: se o PSD for Governo vai revogar os decretos regulamentares 2/2008 e 1-A/2009? E se for, o que vai fazer em relação aos 50 mil professores que não foram avaliados por não terem entregue os objectivos individuais? Vai encontrar uma solução administrativa para eles? E o que vai fazer com os directores regionais de educação que deram orientações para os directores não avaliarem os docentes que não entregaram OI? E o que vai fazer com os directores regionais de educação e os directores que abusaram do poder? Vai exonerá-los?
E o que vai fazer com o decreto-lei 15/2007? Vai pôr fim à divisão da carreira em duas categorias?
Há milhares de professores que estão à espera destas respostas para decidirem o sentido do seu voto. Há muitos meses que os professores decidiram castigar o PS. Mas há ainda muitos docentes que não sabem a que partido político da oposição vão dar o seu voto. E se o PCP e o BE já mostraram, com clareza, que querem contribuir para revogarem aqueles diplomas, o PSD e o CDS ainda não o fizeram.
Publicada por ProfAvaliação
Grito pela liberdade no ensino!
Esta preocupação de tudo regulamentar e dirigir, a partir do centro do poder, a actividade dos professores, controlando passo a passo todos os seus movimentos, atitudes e acções, com leis, decretos-lei, decretos regulamentares, despachos, ofícios, circulares, regulamentos e orientações, está a destruir a liberdade, a criatividade e até a própria produtividade na educação (Esperemos pelos resultados do Pisa). Pior, a educação está a tornar-se numa tirania asfixiante e limitadora da actividade docente.
Pretende-se fazer dos professores autómatos acéfalos, meros executantes de medidas impostas por decreto ou despacho como se fossem obedientes robôs comandados por um qualquer controlo remoto, a partir de um centro nevrálgico. Ao decretar-se, minuciosamente e ponto por ponto, como o professor deve fazer a sua aula, que recursos deve usar, como deve avaliar os seus alunos, como deve, ou não, dar o apoio individualizado, como deve vigiar um exame ou como deve fazer uma reunião, etc., etc., retira-se ao professor a iniciativa, a criatividade e a liberdade, roçando os tiques da hiper-regulamentação típicos do fascismo e do nazismo. Tudo isto acontece, ironicamente, em nome da “democracia”, do “poder democraticamente eleito”, da “legitimidade democrática”, etc., etc.
Começo a ficar preocupado quando observo que os “velhos” paladinos das “liberdades democráticas” e das “liberdades individuais” se mantêm calados, quando assistimos, há já demasiado tempo, a uma teimosia ditatorial técnico-burocrática e a um quase neo-fascismo nas políticas educativas.
Para avaliar o desempenho dos professores não é preciso confundir o acto de avaliar com o de formar, como sucede com o actual modelo, ferido de morte. Para formar os professores, o Ministério pode e deve recorrer a cursos de formação nas Universidades, a cursos de formação por especialistas nas várias matérias desde o uso das novas tecnologias até ao domínio científico e actualizado das matérias dos programas. Para avaliar os professores, bastaria medir, através de provas de exame equilibradas e credíveis, a progressão dos alunos desde o ano em que o professor os recebe até ao ano em que os deixa, podendo, obviamente, o professor retirar uma ou outra turma que, por razões alheias à sua vontade, não manifesta qualquer motivação para os estudos. Outros factores como a assiduidade, a participação nas actividades culturais da escola, a sua formação e publicação científica e pedagógica também devem fazer parte dessa mesma avaliação. Mas deixem – aqueles que nunca deram aulas, que não conhecem os alunos e suas famílias, nem fazem a mínima ideia do que se passa nas escolas – deixem, dizia eu, os professores trabalhar em total liberdade técnica e pedagógica para preparar os seus alunos não só para as provas de exame (os alunos não têm exame em Filosofia, mas os professores são avaliados!) mas também para a sua formação enquanto cidadãos livres e responsáveis, com-scientes e criativos, capazes de responder critica e solidariamente aos desafios do presente e do futuro.
Deixem, por favor, os professores em paz. Viva a liberdade de ensino e no ensino!
Zeferino Lopes, Prof. de Filosofia na Escola Sec. de Penafiel, em 3 de Junho de 2009.
Publicada por Paulo Guinote
Pretende-se fazer dos professores autómatos acéfalos, meros executantes de medidas impostas por decreto ou despacho como se fossem obedientes robôs comandados por um qualquer controlo remoto, a partir de um centro nevrálgico. Ao decretar-se, minuciosamente e ponto por ponto, como o professor deve fazer a sua aula, que recursos deve usar, como deve avaliar os seus alunos, como deve, ou não, dar o apoio individualizado, como deve vigiar um exame ou como deve fazer uma reunião, etc., etc., retira-se ao professor a iniciativa, a criatividade e a liberdade, roçando os tiques da hiper-regulamentação típicos do fascismo e do nazismo. Tudo isto acontece, ironicamente, em nome da “democracia”, do “poder democraticamente eleito”, da “legitimidade democrática”, etc., etc.
Começo a ficar preocupado quando observo que os “velhos” paladinos das “liberdades democráticas” e das “liberdades individuais” se mantêm calados, quando assistimos, há já demasiado tempo, a uma teimosia ditatorial técnico-burocrática e a um quase neo-fascismo nas políticas educativas.
Para avaliar o desempenho dos professores não é preciso confundir o acto de avaliar com o de formar, como sucede com o actual modelo, ferido de morte. Para formar os professores, o Ministério pode e deve recorrer a cursos de formação nas Universidades, a cursos de formação por especialistas nas várias matérias desde o uso das novas tecnologias até ao domínio científico e actualizado das matérias dos programas. Para avaliar os professores, bastaria medir, através de provas de exame equilibradas e credíveis, a progressão dos alunos desde o ano em que o professor os recebe até ao ano em que os deixa, podendo, obviamente, o professor retirar uma ou outra turma que, por razões alheias à sua vontade, não manifesta qualquer motivação para os estudos. Outros factores como a assiduidade, a participação nas actividades culturais da escola, a sua formação e publicação científica e pedagógica também devem fazer parte dessa mesma avaliação. Mas deixem – aqueles que nunca deram aulas, que não conhecem os alunos e suas famílias, nem fazem a mínima ideia do que se passa nas escolas – deixem, dizia eu, os professores trabalhar em total liberdade técnica e pedagógica para preparar os seus alunos não só para as provas de exame (os alunos não têm exame em Filosofia, mas os professores são avaliados!) mas também para a sua formação enquanto cidadãos livres e responsáveis, com-scientes e criativos, capazes de responder critica e solidariamente aos desafios do presente e do futuro.
Deixem, por favor, os professores em paz. Viva a liberdade de ensino e no ensino!
Zeferino Lopes, Prof. de Filosofia na Escola Sec. de Penafiel, em 3 de Junho de 2009.
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