terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pais e E.E. das escolas de Chaves estão com os professores na luta contra o modelo burocrático de avaliação


As associações de pais das escolas de Chaves vão reunir, no dia 18/12/08, para aprovar a seguinte moção:
"As Associações de Pais/Encarregados de Educação do Agrupamento Vertical da Escola EB2/3 Dr. Francisco Gonçalves Carneiro, da Escola Secundária com 3.º Ciclo Fernão de Magalhães, da Escola Secundária com 3.º Ciclo Dr. António Granjo, da Escola Secundária com 3.º Ciclo Dr. Júlio Martins, do Agrupamento Vertical da Escola EB2/3 Nadir Afonso e do Agrupamento Vertical da Escola EB2/3 de Vidago, reunidas em 18 de Dezembro de 2008 para analisar os efeitos do novo modelo de avaliação de desempenho da actividade docente no quotidiano das escolas vêm por este meio comunicar o seguinte:

· Perante a cega teimosia do Governo em querer manter um modelo de avaliação de desempenho da actividade docente já completamente desacreditado e que trará consequências muito negativas às Escolas Públicas do nosso país e, por isso, aos nossos filhos/educandos, as Associações de Pais/Encarregados de Educação das Escolas e Agrupamentos de Escolas acima referidas decidiram por unanimidade declarar todo o seu apoio aos professores na contestação deste modelo de avaliação, estando dispostas a participar nas manifestações de rua e noutras iniciativas com a adopção de medidas ainda mais drásticas até que o Governo consiga ouvir a voz do bom senso e suspenda o referido modelo de avaliação de desempenho. Neste momento, a luta dos Pais/Encarregados de Educação é ao lado dos Professores, na defesa de uma Escola Pública de qualidade, tranquila, onde ensinar e colaborar na formação integral das novas gerações seja prioridade assumida, onde a colaboração e a solidariedade sejam exemplificadas pela actuação dos Professores, onde o aluno seja, efectivamente, o centro das preocupações das Escolas e dos Professores. Estamos, também, de luto e em luta, contra a prepotência e arrogância que este Governo tem mostrado nesta matéria. A maioria absoluta não pode servir de pretexto para desrespeitar a vontade dos cidadãos deste país. Esta vontade já foi suficientemente expressa e terá de ser aceite para o bem de Portugal e das novas gerações de Portugueses."

Um dos melhores textos escritos sobre professores

http://4.bp.blogspot.com/_OMtWm-MERDM/SShZbm9zGvI/AAAAAAAAA9E/Vl7AtAUr3jk/s1600-h/sao_jose_almeida.bmp

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Quase 500 escolas com o processo de avaliação parado



Cara(o)s Colegas,
Como resposta ao agendamento de entrega dos objectivos individuais comunicado, hoje, pelo Conselho Executivo em forma de ordem de serviço, um grupo de professores da Escola Secundária Alcaides de Faria, desencadeou, de imediato, um processo de recolha de assinaturas para a convocação de uma Reunião Geral de Professores a realizar na próxima quinta-feira pelas 18.30h
Os professores não podem parar a sua luta. Tudo o que já alcançamos não pode ser travado por esta pressão ditatorial de individualizar as posições. Não podemos ceder pelos objectivos individuais sabendo nós que o nosso objectivo colectivo é suspender este "monstruoso" modelo de avaliação.
Organizem-se nas escolas. Precisamos de saber reagir com método e racionalidade. Esta luta é desgastante e ninguém pode desistir. Todos contamos e só a força colectiva dá razão à luta.
(professor que se identificou mas que eu, por prudência, omiti o nome)

Nota: como era de esperar e eu alertei (num post publicado esta manhã), a reunião desta tarde entre a Plataforma e a ministra da educação deu em nada. Leia também o post publicado esta manhã com o título "Entendimento Impossível"

DEVAGAR... OS PAIS VÃO FICANDO DO NOSSO LADO


Moção apresentada em Assembleia-Geral de Pais da EB2/3 Carlos Paredes, sede do Agrupamento de Escolas da Póvoa de Sto. Adrião - dia 12 de Dezembro de 2008 - e aprovada por unanimidade.

MOÇÃO

Considerando que:

. a nossa escola está implantada num território muito difícil, com uma população maioritariamente de condição socioeconómica muito baixa.

. as nossas salas de aula são “cinzentas”, onde até os quadros deixaram de ser negros há muito…

a nossa escola não tem adultos (auxiliares) em número suficiente, capaz de dissuadir comportamentos transgressores;

. a nossa escola não tem ginásio;

. a nossa escola tem um refeitório, subdimensionado para o nº de alunos que serve, em que algumas crianças - frequentemente - não têm tempo para comer;

. faltam os apoios educativos adequados e em número suficiente, numa perspectiva de “escola para todos” - nomeadamente psico-pedagógico e psico-social - para as crianças com necessidades educativas especiais;

. os nossos filhos estão em turmas de 28 alunos. 28, com a heterogeneidade “do costume” mais os “iguais”, fruto do prodigioso dec. lei 3/2008. Aliás, todos iguais, todos iguais, parece ser a nova “alma” dada por este governo à escola inclusiva;

. a teia burocrática em que as escolas estão enredadas e a “fúria” legislativa a que estão sujeitas (afinal que autonomia se pretende?), retiram aos professores o espaço, o tempo e a energia para algo, absolutamente, fundamental - conhecer, compreender e interagir com os seus alunos!

. E finalmente, porque o Ministério da Educação parece apostado em resumir/reduzir os problemas das escolas deste país ao problema da avaliação dos professores ou à falta dela;

Nós os Pais/EE dos alunos desta escola, dizemos BASTA! e também nós exigimos uma avaliação, imediata e consequente, às condições com que os nossos professores, auxiliares e, principalmente, os nossos filhos são obrigados a lidar diariamente!

Quantas vezes e de quantas maneiras temos nós, pais/cidadãos deste país, de pagar crise?

domingo, 14 de dezembro de 2008

Opiniões - Teodoro Manuel

Chegou a hora da verdade. Vamos acabar a gritaria?
A divisão da carreira é uma aberração injustificada por critérios válidos, que consentimos colectivamente, que sancionámos ao concorrer, massiva e, em muitos casos, acriticamente, abrindo caminho a este modelo de avaliação e às quotas. Nunca percebi porque razão os sindicatos a aconselharam. Mas isso agora não interessa, reconhecida a burrada ingénua, há que combatê-la. Pode tornar-se um pesadelo do passado.
Até 11/12/2008, eu não descortinava como forçar e apressar o retrocesso. O ME deu-nos o pretexto para acabar com isto de vez. Com a birra esticada aos limites do surreal (cada vez que olho para MLR, vejo o ministro da informação do Saddam), iluminaram-nos. Agora, haja coerência com a gritaria. Quanto a mim, antes de garantir o fundamental já não é mais preciso sair à rua, as greves tornaram-se desnecessárias, podemos fazer isto mais barato. Já está tudo dito, o coro pode emudecer. Talvez falte ainda, acabar com a conversa de que os alunos saem prejudicados pelos professores. O que nos prescrevem está sendo inteiramente cumprido.
A participação na rua ou nas marés empolgantes não revelam fibra. A incógnita está aqui. É um dado da equação mas a acção agora depende apenas da consciência individual de cada um. Se pusermos de lado o próprio umbigo e deixarmos de nos acocorar a catar migalhas de poder e de arregalar os olhos ao aceno de uns tostões, tomaremos as atitudes que se impõem. Se, finalmente em maior número, orientarmos as nossas vidas por outros princípios que não exclusivamente salvar a pele, passar entre os pingos da chuva sem ficar húmido, logo logo isto passa.
Tentámos falar com calhaus, com caracóis, com sapos, fizeram o favor de nos dizer estrondosamente que é impossível. Então não vamos engolir mais, nem desperdiçar energia. Vamos deixá-los a coaxar e tratar de vez de defender a nossa vida colectiva, em silêncio, sem incomodar ninguém. Haja coerência, solidariedade e um pouquinho de coragem. Confio que a maior parte de nós vai comportar-se com dignidade. Afinal, até os ratos lutam pela sobrevivência, não sejamos “zecos”. Pela parte que me toca, já sei o que vou fazer e isso deixa-me sereno.
Vivemos uma pós-democracia com falta de chá no berço (não sei como chamar a isto, democracia mínima em que o único direito é o voto e o voto é um cheque em branco, democracia regressiva, ditadura democrática, cilindraria financeira, sei lá), temos de acreditar, escolher o caminho e exigi-lo. Não requer estoicismo, apenas alguma abnegação, mas depois de tantos outros sacrifícios, de tanta calúnia, injúria, menosprezo, etc, já não dói. Se estivermos unidos não há imolação, não custa nada. Digo eu, que estou vacinado, antevi este filme a tempo e não entrei em cena desde o primeiro take.
Não reivindico a humilhação de quem quer que seja, mas levar bofetada enerva-me, e parece-me inadmissível que os professores sejam auto estrada para o deserto intelectual da plebe. Sem cobardia ardilosa, enunciem claramente o que pretendem e os portugueses que se pronunciem, não pretendam consegui-lo à custa de desconsideração, desprezo e servilismo, ainda por cima com a nossa conivência acéfala e amorfa ou subjugada. Já deviam ter percebido que assim não vingam. ¿Por qué no te callas, oh grande timoneiro, cego da própria radiosa presunção? Chega! Assim, a educação, a da plebe claro, fica embargada.
Se queremos um país cordial, civil, com igualdade de oportunidades, temos aqui e agora o ensejo de o demonstrar. Expurguemos as nuvens mais negras deste céu pesado que nos desabou em cima, sem sinais de desanuviar. Podemos contribuir para escampar esta saraivada. Sejamos solidários, dignos e coerentes e podemos reaver a luz possível na conjuntura actual, o esgarrão que vai ensurdecendo os tímpanos mais sensíveis é exilado no Largo do Rato. No fim, todos, não só os professores, sairemos a ganhar, e não apenas eu, eu, eu, eu e meia dúzia de adesivos.
Teodoro Manuel (Esc. Secundária da Moita)

Posted by Paulo Guinote

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sábado, 13 de dezembro de 2008

O plano de Luís Costa para acabar de vez com avaliação burocrática.

Muito tenho lido e ouvido sobre as estratégias mais eficazes para acabar, de vez, com a teimosia iníqua de Maria de Lurdes Rodrigues. A proliferação de ideias e a consequente dispersão de energias são a tónica dominante. Paralelamente — e paradoxalmente —, parece que as manifestações grandiosas e as greves históricas, em vez de encherem de coragem e de ânimo o peito dos professores e dos sindicalistas, provocam um absurdo medo de que a próxima acção não iguale a grandeza da anterior: é o “medo do sucesso” e uma perfeita estupidez! Sim, pois se as manifestações e a greve do dia 3 tivessem sido apenas razoáveis, ou fracas, muitos encontrariam aí motivos para não continuar a luta! Então estavam à espera de quê? Que a ministra viesse a terreiro dizer que estava muito comovida, arrependida e que, por isso, se ia embora, pedindo desculpas a todos? Talvez pudesse ter acontecido algo parecido, se não estivéssemos a viver um marco realmente histórico da escola pública em Portugal! Talvez pudesse ter acontecido algo parecido, se não estivéssemos num virar de página do nosso estatuto social, profissional e económico! Talvez pudesse ter acontecido algo parecido, se o governo não quisesse transformar a escola num “juvenário” com “investimento mínimo garantido”, só para pobres! Sim, o governo quer “pôr este filho na roda”! E é por tudo isto que Sócrates e Lurdes Rodrigues aguentam esta frente até ao ridículo! E é por isto também que nós, que estamos no terreno, que percebemos o que está em jogo, temos de lutar com toda a nossa determinação: não apenas pelo nosso umbigo, mas pelo futuro do ensino, pelo futuro, da escola pública! É a nós que compete explicar aos encarregados de educação o que, realmente, se está a preparar nas catacumbas da 5 de Outubro.

O meu plano é simples, arrojado — como tem de ser — e terrivelmente eficaz (penso eu, que sou apenas um simples professor e o poeta de serviço). Qualquer que seja a vossa reacção a estas ideias, não me demoverei do meu posto e continuarei a incendiar o campo de batalha com os meus dardos incandescentes.

1ª ACÇÃO -
GREVE DE UMA SEMANA (19 a 23 de JANEIRO).

2ª ACÇÃO – EM CADA ESCOLA UMA
REUNIÃO COM A ASSOCIAÇÃO DE PAIS, PARA EXPLICAR, COM DETALHE, OS VERDADEIROS MOTIVOS DA GREVE E O QUE ESTÁ EM JOGO PARA O FUTURO, INCENTIVANDO-A A COLOCAR-SE DO NOSSO LADO, ATRAVÉS DA REDACÇÃO DE CARTA A ENVIAR AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO.

3ªACÇÃO – OS BLOGUES DA EDUCAÇÃO E DOS SINDICATOS, AO LONGO DESSA SEMANA, VÃO ACTUALIZANDO — NA NET E NA COMUNICAÇÃO SOCIAL –
A LISTA DE ASSOCIAÇÕES QUE SE VÃO JUNTANDO A NÓS.

Termino, apelando a todos os professores deste país — novamente mergulhado no obscurantismo — para que não temam essa greve, não façam contas ao “rombo” que tal acção vai provocar no seu vencimento, porque há momentos na vida em que é preciso perder o amor aos anéis para preservar os dedos. Se perdermos esta luta, os nossos prejuízos serão infinitamente maiores.

Este é, de facto, um momento histórico, em que é preciso pôr todo o nosso empenho, toda a nossa dignidade e toda a nossa determinação no combate ao crepúsculo da escola pública. As futuras gerações de alunos e de professores não nos perdoarão, se perdermos esta causa a troco de algumas dezenas de euros. As asneiras desta ministra já nos roubaram muito mais, muito mais, muito mais!

Amo o ensino!
NÃO ME DETEREI!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Proposta que a Plataforma apresentou ao ME no dia 11/12

Proposta da Plataforma Sindical dos Professores sobre SOLUÇÃO TRANSITÓRIA DE AVALIAÇÃO PARA 2008/2009 E ABERTURA DE PROCESSO NEGOCIAL DE REVISÃO DO E.C.D.1. SOLUÇÃO TRANSITÓRIA DE AVALIAÇÃO PARA 2008/2009A Plataforma Sindical dos Professores reafirma a sua profunda discordância com o regime de avaliação imposto pelo ME, inclusive a proposta de simplificação apresentada pela tutela em finais de Novembro passado, pelo que considera importante a existência, no presente ano lectivo, de uma solução transitória de avaliação, que seja exequível e não se centre em procedimentos administrativos.A Plataforma Sindical dos Professores considera que o modelo transitório de avaliação do desempenho dos docentes, até à negociação de outro que substitua o que se encontra em vigor, deverá ter em conta a realidade do funcionamento das escolas e a especificidade do exercício de funções docentes, assentando em critérios essencialmente pedagógicos.Assim, para que seja possível operacionalizar a avaliação do desempenho no corrente ano lectivo, a Plataforma Sindical dos Professores propõe que a mesma assente nos seguintes aspectos:a) Procedimento de avaliação centrado na auto-avaliação, preferencialmente através de documento de reflexão, acompanhado de um dossier organizado com a planificação de aulas, testes, estratégias de intervenção, entre outros materiais do quotidiano lectivo do docente. Admite-se, mas apenas se for essa a opção do Conselho Pedagógico da escola / do agrupamento, em alternativa ao relatório crítico de avaliação, o recurso a grelha de avaliação;b) Procedimento de avaliação centrado na hetero-avaliação, com o indispensável envolvimento do Conselho Pedagógico, através de comissão específica, e, tornando-se necessário, das estruturas intermédias de gestão escolar;c) Assiduidade, considerada nos termos previstos no artigo 46.º, números 5 e 8 do Estatuto da Carreira Docente;d) Homologação, pelo Conselho Executivo, da menção qualitativa a atribuir ao docente, após verificação, pela comissão criada no âmbito do Conselho Pedagógico, das condições acima referidas, ficando garantido o acesso às instâncias de reclamação e de recurso previstas na lei.Relativamente à atribuição das menções qualitativas:1.Tendo em conta a existência de quotas e as claras injustiças surgidas no ano transacto em virtude da ausência de critérios claros e objectivos que pudessem ser aplicados, não deverão ser atribuídas menções qualitativas que não sejam as de "Insuficiente", "Regular" ou "Bom", até porque esta é matéria para negociação futura;2. Em qualquer dos casos, transitoriamente, a atribuição das menções de insuficiente e de Regular não produz efeitos. e) Para a Plataforma Sindical dos Professores, a frequência, com aproveitamento, de acções de formação contínua deveria também ser considerada. Todavia, pelo facto de, desde 1 de Setembro de 2007, não ter existido oferta de formação nos termos legalmente consagrados, sendo os professores alheios a esse facto, estes não podem, por essa via, ser penalizados.2. PROCESSO NEGOCIAL DE REVISÃO DO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE (ECD)As organizações que compõem a Plataforma Sindical dos Professores propõem a abertura de um processo negocial de revisão do ECD, com início em Janeiro de 2009, de que resultem, entre outros aspectos e medidas que contribuam para a melhoria das condições de exercício da profissão docente, designadamente para a fixação de horários pedagogicamente adequados e para a estabilidade dos professores e educadores, a substituição do actual modelo de avaliação de desempenho dos professores e a alteração da estrutura da carreira, no sentido de eliminar a sua divisão em categorias hierarquizadas.Lisboa, 11 de Dezembro de 2008
A Plataforma Sindical dos Professores
Precisamos de reacções urgentes por parte dos professores