sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ESPÍRITO DO DIA 15 DE NOVEMBRO

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E-mails de organização:

manif15nov@gmail.com ou mobilizar.e.unir.professores@gmail.com

15 DE NOVEMBRO - ALGUMAS INFORMAÇÕES

Algumas informações de organização:AUTOCARROS:
Depois de deixarem os professores, os autocarros devem dirigir-se para a lateral da 24 de Julho. Após a manifestação, que termina em frente à Assembleia da República, bastará aos passageiros descer a Rua D. Carlos I e tomar os respectivos autocarros.
TRANSPORTE INDIVIDUAL:
Ficará ao critério de cada um a escolha do local onde estacionar, seguindo, depois até ao Marquês de Pombal.
METRO:
A estação de Metro do Marquês de Pombal é servida pelas linhas AZUL e AMARELA.
Uma boa viagem para todos.
E-mails de organização:
manif15nov@gmail.com ou mobilizar.e.unir.professores@gmail.com
posted by Francisco Trindade

QUANTOS SEREMOS?



Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena.
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.

E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.

Miguel Torga

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Os paradoxos da política educativa

A NOVA FORMA DE REPRESSÃO
ou os Paradoxos da Política Educativa

Paradoxo número um
O Estatuto da Carreira Docente (ECD) dicotomizou os professores em duas categorias: titulares e não titulares. Sob esta nomenclatura opera uma falsa hierarquização: serão os não titulares menos preparados, do ponto de vista científico-pedagógico, do que os titulares?
No Decreto-Lei 200/2007, que regulamentou o primeiro concurso de acesso à categoria de professor titular, pode ler-se “a criação da categoria de professor titular tem como objectivo dotar as escolas de um corpo docente altamente qualificado, com mais experiência e formação (…)”.
Como compatibilizar a “experiência” profissional do professor com o facto de, para efeitos do referido concurso, terem sido apenas validados os últimos sete anos de experiência profissional? Por um lado, a idade surge como fonte de experiência e de formação; por outro, a história profissional que antecede o período mencionado foi reduzida a zero.

Paradoxo número dois
O novo modelo de Avaliação de Desempenho Docente (ADD) , não obstante a sua simplificação apressada, é medíocre.
Em primeiro lugar, dado o número excessivo de instrumentos de registo, a saber: grelha de avaliação do desempenho pelo Presidente do Conselho Executivo/Director; grelha de avaliação efectuada pelo Coordenador do Departamento; grelha de avaliação efectuada pelo professor Avaliador.
Do seu cariz excessivamente burocrático, infere-se a sua falta de exequibilidade.
Segundo, porque estes instrumentos de registo denotam falta de rigor, porquanto como é possível que numa turma de 25-30 alunos e durante uma aula de 90 minutos, um professor avaliador classifique o professor avaliado, por exemplo no parâmetro da “promoção de trabalho autónomo” ou no da “concessão de iguais oportunidades de participação” dos alunos?! A partir de que número é considerada a igualdade de oportunidades e a participação aceitável?
O número de alunos por turma é variável e eles possuem traços de personalidade heterógeneos: uns são tímidos, outros mais extrovertidos, etc.
Instrumentos de registo pouco rigorosos poderão avaliar com rigor?
A desmesura burocrática é proporcional à ineficácia.

Paradoxo número três
A Srª Ministra alega que muitas escolas já procederam à implementação do modelo de ADD. Não são muitas, são muito poucas. E nessas, houve falhas na rede de comunicação (vertical) que mobiliza. Caso contrário, como tornar intelígivel que algumas escolas tivessem avançado com a avaliação dos professores e a maioria não? Que no seio da mesma escola uns departamentos avancem e outros não?
Sim, as directrizes do ministério são incumpridas em muitas escolas do País.
Onde estarão colocados os 120 000 professores, presentes na manifestação do passado dia 8 em Lisboa? Em poucas, pouquíssimas escolas?!
Não é admissível o argumento segundo o qual estes professores foram manipulados por organismos sindicais, partidos da oposição, etc.
Sei pensar autonomamente e estive presente na referida manifestação!
Por outro lado, inverter o argumento dizendo que constituímos agentes de manipulação e de chantagem é, como política, não compreender um dos mais importantes pilares da Democracia: o direito à contestação. Neste caso, a uma política educativa lúcida e autêntica.
É curioso constatar que a obsessão pela quantificação sirva os propósitos do Ministério da Educação nalguns casos como, por exemplo, para avaliar a percentagem de aprovação dos alunos, do 9º ano, nos exames nacionais, para discriminar escolas mediante um ranking cujas variáveis são díspares (não têm todas os mesmos exames, os mesmos níveis, o mesmo número de alunos inscritos) e seja irrelevante quando se trata de uma manifestação que envolve 120 000 professores!~

Paradoxo número quatro
Eu e outros colegas fomos obrigados, em Outubro, a elaborar as taxas de sucesso e de abandono para o presente ano lectivo!
Aqui a política dos números é, novamente, valorizada.
Pergunto: Poderei pronunciar-me do ponto de vista psico-cognitivo sobre alunos que desconheço? Sobre quantos abandonarão a escola? Poderei prever e controlar as variáveis inerentes ao processo de ensino-aprendizagem antes deste ocorrer?
Os alunos não são meros produtos, resultados e, como tal, não podem ser coisificados, enformados, deformados, enclausurados em taxas e taxinhas pré-fixadas!
Não me revejo na política do facilitismo, do “laissez faire, laissez passer”. Pugno, como professora-educadora, pela qualidade dos conteúdos, dos materiais e recursos utilizados, pelas pedagogias viabilizadas nas minhas aulas.
Não fiquei indiferente ao facto dos alunos do 9º ano – e sei bem do que falo porque o meu filho frequentou-o no ano transacto –, terem ficado muito mais “inteligentes” no exame nacional da disciplina de matemática. Não poderei esquecer que o elemento decisivo, que se repercutiu nestes resultados, foi o baixo nível de competências exigidas para a resolução dos problemas propostos.
O facilitismo é inversamente proporcional à qualidade do ensino-aprendizagem.

Paradoxo número cinco
E que dizer das quotas para as classificações agregadas a este modelo de ADD?
Sei o que valho como docente, sei o nível de conhecimentos que possuo na minha área. Terei que me submeter a este regime de classificações, também elas pré-anunciadas? Quem manipula quem?
Imaginem que possuo uma turma com dois alunos excelentes e que lhes digo: “x terá a classificação final de 19 valores e y não”. O que sentiriam eles? E os seus encarregados de educação?
Defraudados.
Este sistema de quotas é um mecanismo de distorção da avaliação. E um modelo de ADD que não admite rigor e se furta à autenticidade dos resultados servirá para avaliar? Terá alguma fecundidade?

Paradoxo final
Sou a favor da A.D.D. Estou é contra este modelo. Se pudesse classificar este e o anterior modelo diria, apenas, que o Relatório de reflexão Crítica de Desempenho era uma farsa, sobretudo devido à inoperância dos órgãos a quem competia tornar credível todo esse processo de avalição e este, que se pretende implementar, uma farsa hiperbolizada.
Sou professora/educadora e a minha primacial tarefa é ensinar/educar com qualidade, desenvolvendo nos alunos o gosto pelo Saber, pelo Fazer e pelo Ser. Serem Pessoas dotadas, no futuro, de competências indispensáveis ao exercício de uma cidadania esclarecida, activa e interventiva. O legado de um professor é re-actualizado ao longo de cada minuto das suas existências.
Os meus alunos estão e estarão sempre em primeiro lugar.
Eis uma Política Educativa repleta de paradoxos, implementando o absurdo. Há, todavia, um sentido oculto no des-sentido: o autismo político instituiu-se como forma de repressão e a renúncia ao princípio da discutibilidade a morte da Democracia.
Paradoxo mortal.

Elsa Cerqueira,
Professora de Filosofia

terça-feira, 11 de novembro de 2008

TODOS A LISBOA SÁBADO DIA 15 NOVEMBRO



Nacional

Professores saem outra vez à rua já neste sábado
Movimentos querem denúncia do memorando
00h49m
TIAGO RODRIGUES ALVES

Os movimentos independentes vão manter a manifestação de sábado porque tem "legitimidade acrescida" e pedem, uma vez mais, a denúncia do memorando de entendimento. Já o Governo diz que os sindicatos perderam "credibilidade como parceiros".
[...]
Toda a notícia no
Jornal de Notícias.


Perante as declarações da Sra. Ministra da Educação, Secretários de Estado e do Sr. Primeiro-Ministro, temos de dar um sinal claro da nossa determinação.

É preciso mais um sacrifício... e estar presente. O futuro e a Educação agradecem!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Está na hora de se demitirem...


Pergunto: como é possível que os professores do básico e secundário que integram o CCAP ainda não tenham apresentado a demissão?
1. Depois de verem 120 mil colegas nas ruas de Lisboa, muitos vindos de Trás-os-Montes, Minho e Algarve.
2. Depois de conhecerem as centenas de moções (mais de um milhar, sem dúvida!) aprovadas nas escolas e agrupamentos a pedirem a suspensão do processo de avaliação.
3. Depois de terem assistido, impávidos e em silêncio, à demissão da presidente do CCAP cinco meses após a tomada de posse.
4. Depois de terem visto o colega José Matias Alves a bater com a porta e dizer o que disse da falta de funcionalidade do CCAP.
5. Depois de verem a ministra a ignorar as recomendações do CCAP, nomeadamente a que aconselhava que não fossem tidas em conta as taxas de abandono e de insucesso.
6. Depois de terem lido as declarações, no CM, do novo presidente do CCAP que afirmou serem as manifestações de professores uma mera questão política.
7. Depois de assistirem, sem nada dizerem, à paralisação do CCAP desde 7 de Julho.
8. Depois de ouvirem a ministra dizer, no passado sábado, que os 120 mil professores estavam a exercer chantagem e a intimidar os colegas.
9. Depois de tomarem conhecimento de que os sindicatos abandonaram a comissão paritária porque o CCAP não lhes forneceu qualquer estudo sobre o processo de avaliação de desempenho.
10. Depois de ouvirem a ministra dizer na televisão, no sábado à tarde, que os professores só têm de preencher uma ficha com 2 folhas e que o processo é fácil e rápido.
Depois disto tudo, aquelas almas (penadas?), caridosas não com certeza, continuam, impávidas e serenas, num órgão que é presidido pela ministra sempre que ela quiser estar presente e cujas recomendações a ministra ignora.
Mas, afinal, o que é que estas almas fazem no CCAP? Por que razão não são capazes de um pequeno gesto em favor do grupo profissional a que pertencem? Alguém fará a história deste período e os vossos nomes serão citados como aqueles que não foram capazes de um gesto corajoso e nobre na altura em que os professores mais precisavam.