terça-feira, 21 de outubro de 2008
O movimento de resistência interna alastrapelo país fora...
O movimento de resistência interna à avaliação burocrática de desempenho não pára de alastrar. Sem querer ser exaustivo, deixo aqui uma lista de escolas e agrupamentos que, nos últimos dias, aprovaram moções ou fizeram circular um abaixo-assinado a exigirem a suspensão do processo.
1. Agrupamento de escolas de Vouzela
2. Agrupamento de escolas de Ourique
3. Agrupamento de escolas Clara de Resende, no Porto
4. Agrupamento de escolas de Ovar
5. Agrupamento de escolas de Vila Nova de Poiares
6. Escola Secundária D. João II, em Setúbal
7. Agrupamento de escolas de Armação de Pêra
8. Escola Eugénio de Castro, em Coimbra
9. Escola Secundária Dr. Júlio Martins, em Chaves
10. Escola de Montemor-o-Novo
11. Agrupamento de Aradas, em Aveiro
12. Escola Secundária da Amadora
13. Escola de Arraiolos
Apelo aos colegas para enviarem para o meu email as moções aprovadas nas escolas e agrupamentos. O direito à reunião e à aprovação de moções é um direito protegido pela Constituição. Nada há a temer. Os pedidos de suspensão do processo de avaliação estão a alastrar por todo o lado. Nada há a recear. Não pode haver processos disciplinares em consequência da simples aprovação de moções a exigirem a suspensão do processo.
Esta é a razão para a ministra da educação ter reunido com as equipas de apoio às escolas, na passada sexta-feira, estando presente na reunião durante várias horas. Mas a resistência é tanta que não há 112 que valha.
Minha gente. Um poema de Luís Costa
Gente sofrida e maltratada,
Gente sentida e humilhada:
Gente empobrecida!
É a minha gente
Perdida, ausente
No fim da estrada
Da vida!
Gente decidida e honrada,
Gente atrevida e denodada,
Gente agradecida e dada:
Gente enobrecida!
É a minha gente
Achada, à frente
De cada lida
Pesada!
É de Chaves a minha gente
Sem chaves no seu coração!
São aves de um mundo diferente,
Sem entraves no céu da mente,
Azulando sobre o Marão!
Luís Costa
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Devagar Srª. Ministra da Educação...
TENTANDO CALAR OS CRÍTICOS
Professores: Segunda demissão no conselho de avaliação
Ministra acusada de calar críticos
A Federação Nacional dos sindicatos da Educação (FNE) acusou ontem o Ministério da Educação (ME) de procurar "silenciar" o Conselho Científico de Avaliação de Professores (CCAP). Este órgão, cujos membros são nomeados pelo ME, com a missão de acompanhar e monitorizar o novo modelo de avaliação dos docentes, sofreu a segunda baixa com a demissão do professor José Matias Alves, como noticiou ontem o CM. A primeira demissão, da presidente Conceição Castro Ramos, aconteceu recentemente, mas oficialmente deveu-se a aposentação.
"A Drª Conceição fez recomendações que vinham pôr em causa matérias do actual modelo e que causaram incómodo à ministra [Maria de Lurdes Rodrigues] e pouco depois saiu. Se agora saiu o professor Matias Alves é porque algo não está a correr bem", disse ao CM José Ricardo, vice-secretário-geral da FNE, acrescentando: "O que o Ministério pretende é criar uma pressão de tal ordem para silenciar o Conselho. Isto é gravíssimo."
O dirigente deixou ainda um alerta sobre a forma como os dois membros do CCAP que saíram serão substituídos: "Se é para colocar pessoas que estão numa posição de submarinos do Ministério da Educação, está a inquinar-se a verdadeira função deste órgão, que era suposto ter autonomia."
Também José Manuel Costa, do secretariado-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), se mostrou apreensivo com a segunda demissão no CCAP. "O futuro deste órgão não nos parece muito risonho, e isto preocupa-nos porque tinha a função de supervisionar o funcionamento do modelo de avaliação e as críticas que pudessem vir daí seriam muito significativas."
O CM tentou, sem sucesso, obter uma reacção do Ministério da Educação.
domingo, 19 de outubro de 2008
O poema da mente
O poema da mente
Há um primeiro-ministro que mente
Mente de corpo e alma, completa/mente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele mente sincera/mente,
Mas que mente, sobretudo, impune/mente...
Indecente/mente.
E mente tão nacional/mente,
Que acha que mentindo história afora,
Nos vai enganar eterna/mente.
Anónimo
sábado, 18 de outubro de 2008
Resistência nas escolas contra avaliação...
Resistência interna contra a avaliação burocrática alastra por todo o país
A manifestação...
A explicação já me chegara por outras vias, que pediram recato para o tema e confidencialidade para as fontes. Mas como agora está estampado em letra de forma, mesmo se virtual, sou um pouco obrigado a desmontar esta argumentação falhada.
Mesmo que estivesse a fazer contas para deixar amainar a poeira da duas manifs. Vejamos o que se escreve no site do SPNL e que é a justificação oficial da Plataforma Sindical para a escolha do dia 8 de Novembro para a sua.
A escolha do dia 8 de Novembro para a manifestação vem na sequência do calendário negocial que o ME apresentou. A última reunião de negociação dos concursos ocorre no dia 31 de Outubro e a negociação suplementar no dia 7 de Novembro. Outras reuniões possíveis e suplementares decorrerão na semana de 10 a 14 de Novembro.
Qualquer data posterior ao dia 8 seria, por isso, extemporânea.
Ora bem, segundo a Plataforma, a manifestação é dia 8 que é para ficar entre o fim das negociações regulares sobre os concursos e as reuniões decorrentes do pedido previsto de negociação suplementar que está previsto, as quais deverão ocorrer entre 10 e 14 de Novembro.
Vejamos então:
- Para começar, assume-se desde já que as negociações regulares vão correr mal, apesar da Fenprof ter saído da reunião desta semana com uns pequenos sinais de resolução de situações particulares.
- Em seguida, a negociação é sobre concursos e o protesto é principalmente sobre outros assuntos (avaliação, estatuto, divisão da carreira, etc), pelo que se estranha a relação causal linear.
- Mas mesmo que se aceite essa relação, não se percebe porque a manifestação deve ocorrer entre a fase regular de negociações e a fase suplementar porque, afinal, o ME pode sempre argumentar - como repetidamente e por regra fez no passado mais ou menos recente- que não cede à pressão da rua e não negoceia sob chantagem. A manifestação de dia 8 é uma forma de dar argumentos ao ME para fechar as negociações e não ceder em nada, para além de já ter sido declarado que o tema da avaliação está amarrado ao Entendimento e à sua calendarização.
- Em contrapartida, o dia 15, para o qual está convocada uma manifestação por quem não está amarrado ao Entendimento, surge exactamente depois de todas as fases negociais e poderia, de forma mais lógica, funcionar como o momento certo para a manifestação natural de desagrado pelo falhanço das negociações. Fica depois o ónus do falhanço para o ME., sem a desculpa da pressão de manifestações de rua.
Por isso, meus caros colegas professores e sindicalistas da Plataforma, o dia 15 seria o ideal para a grande manifestação. A Apede tinha a sua manifestação marcada, a Plataforma marcava a sua que por acaso não se importaria de ir dar ao mesmo local pelo mesmo caminho ou por outro, mais cedo ou mais tarde uma hora, juntando-se todos no final e ficávamos todos a ganhar.
Assim, como as coisas estão, ficará muita gente contente com o seu umbigo - e depois eu é que sou umbiguista - mas terá falhado na táctica, podendo colocar em risco toda a estratégia.
Há interesses gerais que não se compadecem com orgulhos organizacionais, políticos ou pessoais, já o disse e repito.Posted by Paulo Guinot
