terça-feira, 21 de outubro de 2008
Minha gente. Um poema de Luís Costa
Gente sofrida e maltratada,
Gente sentida e humilhada:
Gente empobrecida!
É a minha gente
Perdida, ausente
No fim da estrada
Da vida!
Gente decidida e honrada,
Gente atrevida e denodada,
Gente agradecida e dada:
Gente enobrecida!
É a minha gente
Achada, à frente
De cada lida
Pesada!
É de Chaves a minha gente
Sem chaves no seu coração!
São aves de um mundo diferente,
Sem entraves no céu da mente,
Azulando sobre o Marão!
Luís Costa
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Devagar Srª. Ministra da Educação...
TENTANDO CALAR OS CRÍTICOS
Professores: Segunda demissão no conselho de avaliação
Ministra acusada de calar críticos
A Federação Nacional dos sindicatos da Educação (FNE) acusou ontem o Ministério da Educação (ME) de procurar "silenciar" o Conselho Científico de Avaliação de Professores (CCAP). Este órgão, cujos membros são nomeados pelo ME, com a missão de acompanhar e monitorizar o novo modelo de avaliação dos docentes, sofreu a segunda baixa com a demissão do professor José Matias Alves, como noticiou ontem o CM. A primeira demissão, da presidente Conceição Castro Ramos, aconteceu recentemente, mas oficialmente deveu-se a aposentação.
"A Drª Conceição fez recomendações que vinham pôr em causa matérias do actual modelo e que causaram incómodo à ministra [Maria de Lurdes Rodrigues] e pouco depois saiu. Se agora saiu o professor Matias Alves é porque algo não está a correr bem", disse ao CM José Ricardo, vice-secretário-geral da FNE, acrescentando: "O que o Ministério pretende é criar uma pressão de tal ordem para silenciar o Conselho. Isto é gravíssimo."
O dirigente deixou ainda um alerta sobre a forma como os dois membros do CCAP que saíram serão substituídos: "Se é para colocar pessoas que estão numa posição de submarinos do Ministério da Educação, está a inquinar-se a verdadeira função deste órgão, que era suposto ter autonomia."
Também José Manuel Costa, do secretariado-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), se mostrou apreensivo com a segunda demissão no CCAP. "O futuro deste órgão não nos parece muito risonho, e isto preocupa-nos porque tinha a função de supervisionar o funcionamento do modelo de avaliação e as críticas que pudessem vir daí seriam muito significativas."
O CM tentou, sem sucesso, obter uma reacção do Ministério da Educação.
domingo, 19 de outubro de 2008
O poema da mente
O poema da mente
Há um primeiro-ministro que mente
Mente de corpo e alma, completa/mente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele mente sincera/mente,
Mas que mente, sobretudo, impune/mente...
Indecente/mente.
E mente tão nacional/mente,
Que acha que mentindo história afora,
Nos vai enganar eterna/mente.
Anónimo
sábado, 18 de outubro de 2008
Resistência nas escolas contra avaliação...
Resistência interna contra a avaliação burocrática alastra por todo o país
A manifestação...
A explicação já me chegara por outras vias, que pediram recato para o tema e confidencialidade para as fontes. Mas como agora está estampado em letra de forma, mesmo se virtual, sou um pouco obrigado a desmontar esta argumentação falhada.
Mesmo que estivesse a fazer contas para deixar amainar a poeira da duas manifs. Vejamos o que se escreve no site do SPNL e que é a justificação oficial da Plataforma Sindical para a escolha do dia 8 de Novembro para a sua.
A escolha do dia 8 de Novembro para a manifestação vem na sequência do calendário negocial que o ME apresentou. A última reunião de negociação dos concursos ocorre no dia 31 de Outubro e a negociação suplementar no dia 7 de Novembro. Outras reuniões possíveis e suplementares decorrerão na semana de 10 a 14 de Novembro.
Qualquer data posterior ao dia 8 seria, por isso, extemporânea.
Ora bem, segundo a Plataforma, a manifestação é dia 8 que é para ficar entre o fim das negociações regulares sobre os concursos e as reuniões decorrentes do pedido previsto de negociação suplementar que está previsto, as quais deverão ocorrer entre 10 e 14 de Novembro.
Vejamos então:
- Para começar, assume-se desde já que as negociações regulares vão correr mal, apesar da Fenprof ter saído da reunião desta semana com uns pequenos sinais de resolução de situações particulares.
- Em seguida, a negociação é sobre concursos e o protesto é principalmente sobre outros assuntos (avaliação, estatuto, divisão da carreira, etc), pelo que se estranha a relação causal linear.
- Mas mesmo que se aceite essa relação, não se percebe porque a manifestação deve ocorrer entre a fase regular de negociações e a fase suplementar porque, afinal, o ME pode sempre argumentar - como repetidamente e por regra fez no passado mais ou menos recente- que não cede à pressão da rua e não negoceia sob chantagem. A manifestação de dia 8 é uma forma de dar argumentos ao ME para fechar as negociações e não ceder em nada, para além de já ter sido declarado que o tema da avaliação está amarrado ao Entendimento e à sua calendarização.
- Em contrapartida, o dia 15, para o qual está convocada uma manifestação por quem não está amarrado ao Entendimento, surge exactamente depois de todas as fases negociais e poderia, de forma mais lógica, funcionar como o momento certo para a manifestação natural de desagrado pelo falhanço das negociações. Fica depois o ónus do falhanço para o ME., sem a desculpa da pressão de manifestações de rua.
Por isso, meus caros colegas professores e sindicalistas da Plataforma, o dia 15 seria o ideal para a grande manifestação. A Apede tinha a sua manifestação marcada, a Plataforma marcava a sua que por acaso não se importaria de ir dar ao mesmo local pelo mesmo caminho ou por outro, mais cedo ou mais tarde uma hora, juntando-se todos no final e ficávamos todos a ganhar.
Assim, como as coisas estão, ficará muita gente contente com o seu umbigo - e depois eu é que sou umbiguista - mas terá falhado na táctica, podendo colocar em risco toda a estratégia.
Há interesses gerais que não se compadecem com orgulhos organizacionais, políticos ou pessoais, já o disse e repito.Posted by Paulo Guinot
