sábado, 18 de outubro de 2008
A manifestação...
A explicação já me chegara por outras vias, que pediram recato para o tema e confidencialidade para as fontes. Mas como agora está estampado em letra de forma, mesmo se virtual, sou um pouco obrigado a desmontar esta argumentação falhada.
Mesmo que estivesse a fazer contas para deixar amainar a poeira da duas manifs. Vejamos o que se escreve no site do SPNL e que é a justificação oficial da Plataforma Sindical para a escolha do dia 8 de Novembro para a sua.
A escolha do dia 8 de Novembro para a manifestação vem na sequência do calendário negocial que o ME apresentou. A última reunião de negociação dos concursos ocorre no dia 31 de Outubro e a negociação suplementar no dia 7 de Novembro. Outras reuniões possíveis e suplementares decorrerão na semana de 10 a 14 de Novembro.
Qualquer data posterior ao dia 8 seria, por isso, extemporânea.
Ora bem, segundo a Plataforma, a manifestação é dia 8 que é para ficar entre o fim das negociações regulares sobre os concursos e as reuniões decorrentes do pedido previsto de negociação suplementar que está previsto, as quais deverão ocorrer entre 10 e 14 de Novembro.
Vejamos então:
- Para começar, assume-se desde já que as negociações regulares vão correr mal, apesar da Fenprof ter saído da reunião desta semana com uns pequenos sinais de resolução de situações particulares.
- Em seguida, a negociação é sobre concursos e o protesto é principalmente sobre outros assuntos (avaliação, estatuto, divisão da carreira, etc), pelo que se estranha a relação causal linear.
- Mas mesmo que se aceite essa relação, não se percebe porque a manifestação deve ocorrer entre a fase regular de negociações e a fase suplementar porque, afinal, o ME pode sempre argumentar - como repetidamente e por regra fez no passado mais ou menos recente- que não cede à pressão da rua e não negoceia sob chantagem. A manifestação de dia 8 é uma forma de dar argumentos ao ME para fechar as negociações e não ceder em nada, para além de já ter sido declarado que o tema da avaliação está amarrado ao Entendimento e à sua calendarização.
- Em contrapartida, o dia 15, para o qual está convocada uma manifestação por quem não está amarrado ao Entendimento, surge exactamente depois de todas as fases negociais e poderia, de forma mais lógica, funcionar como o momento certo para a manifestação natural de desagrado pelo falhanço das negociações. Fica depois o ónus do falhanço para o ME., sem a desculpa da pressão de manifestações de rua.
Por isso, meus caros colegas professores e sindicalistas da Plataforma, o dia 15 seria o ideal para a grande manifestação. A Apede tinha a sua manifestação marcada, a Plataforma marcava a sua que por acaso não se importaria de ir dar ao mesmo local pelo mesmo caminho ou por outro, mais cedo ou mais tarde uma hora, juntando-se todos no final e ficávamos todos a ganhar.
Assim, como as coisas estão, ficará muita gente contente com o seu umbigo - e depois eu é que sou umbiguista - mas terá falhado na táctica, podendo colocar em risco toda a estratégia.
Há interesses gerais que não se compadecem com orgulhos organizacionais, políticos ou pessoais, já o disse e repito.Posted by Paulo Guinot
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
CARTA ABERTA DO MUP
CARTA ABERTA DO MUP
Logo após a marcação da manifestação dos sindicatos para dia 8, em detrimento da manifestação já antes convocada de forma espontânea pelos professores para dia 15 de Novembro, os e-mails começaram a inundar a nossa caixa de correio, revelando que os professores estão atentos e preocupados.
Dos milhares de mensagens recebidas, podemos categorizá-las, grosso modo, da seguinte maneira:
1 . em número mais elevado, as que nos garantem que estarão na manifestação do dia 15, em Lisboa;
2. em grande número, as que solicitam a união de movimentos e sindicatos para acordarem um data comum para uma só manifestação, muitos afirmando que estarão em ambas as manifestações;
3. em número muito reduzido, os que afirmam, pura e simplesmente, que os movimentos devem apoiar os sindicatos.
Naturalmente, isto não é uma sondagem, mas deixa-nos perceber o que vai na alma dos professores.
Aos primeiros direi que, tal como eles, lá estarei, pois essa data emergiu da vontade dos professores, antes que alguém resolvesse associar-se ou demarcar-se.
Aos segundos, uma constatação e um pedido.
Constatação: foram os sindicatos que se demarcaram e são os sindicatos que continuam a querer ser os únicos detentores da "carta branca" para agir, mesmo contra a vontade dos professores ou já não representando muito deles.
Pedido: enviem um e-mail ou uma carta para os sindicatos fazendo sentir a vossa opinião e tentem obter a resposta. Da nossa parte não nos demarcaremos (e isso é querer união).
Aos terceiros, lembrarei que os movimentos surgiram porque, infelizmente, os sindicatos - em virtude da sua inépcia ou dos jogos de poder - deixaram de representar grande parte de professores.
Apoiámos, apoiamos e apoiaremos os sindicatos sempre que as suas acções forem consentâneas com os reais interesses dos professores. E esta é uma grande diferença!
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Todos a Lisboa - 15 de Novembro
Local de concentração: Marquês de Pombal, Lisboa.Dia e Hora: 15 de Novembro, às 14 horas.Segue-se desfile pela Rua Braancamp, Largo do Rato, Rua de S. Bento, terminando a manifestação em frente da Assembleia da República.
Por cada escola, um autocarro! Organizem-se com ou sem sindicatos!”
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Crepúsculo. Um poema de Luís Costa
Mais doze mestres se vão!
Resta a tísica carcaça
De um triste corpo sem raça,
Prostrado no sujo chão!
Vão-se os nobres cavaleiros,
A alma do batalhão,
Ficam os novos braceiros,
Mais pacatos, mais ordeiros,
Mais dados a sujeição.
As sentinelas rendidas
Desertam do quarteirão:
Nada fazem, estão vendidas
E assistem às partidas
De lenço branco na mão!
Vai-se o senado embora,
Sem honra nem gratidão!
Neste Portugal de agora,
Há um futuro que chora
No silêncio da Nação!
Luís Costa



