Esta ideia, de um professor anónimo, pode ser a última réstia de esperança para alterar o rumo que as coisas tomaram na nossa classe profissional e no Ensino em geral. Segue abaixo o texto por ele elaborado. Vamos passá-lo a todos os colegas via e-mail (pode fazer uma selecção deste texto, incluindo o título, copiá-lo, colá-lo e enviá-lo); vamos imprimi-lo e distribuí-lo; vamos afixá-lo nas salas de professores; vamos debatê-lo com os nossos colegas; vamos encorajar todos a pôr a ideia em prática. Mais uma vez, de forma coerente e ousada, temos de nos unir!
O texto apela a um desafio difícil de tomar isoladamente, mas fácil de concretizar em grande escala.Colegas, alunos, encarregados de educação, governantes e população em geral,Os professores não podem aceitar mais ofensas, humilhação e sofrimento, e exigem respeito pela sua classe profissional e pelos alunos.Dia 17 de Outubro, 6ª-feira, estaremos nas escolas mas não daremos aulas. Na 5ª-feira da semana seguinte faremos o mesmo, depois na 4ª-feira e assim por diante. Vamos parar um dia por semana até que algo mude a sério.Vamos enfrentar a falta injustificada e o processo disciplinar com a convicção de que as crianças e jovens do nosso país merecem esse sacrifício e merecem o melhor que temos para lhes dar: conhecimentos e felicidade.No sumário vamos escrever:"Exijo um Estatuto da Carreira Docente que respeite os professores e os alunos."Unidos pela mesma causa, não podemos ser apenas meia dúzia. Temos de voltar a ser mais de 100 mil
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Manifestação dia 15 de Novembro
Caros Colegas Professores
Todos à manifestação nacional no dia 15 de Novembro contra o modelo de avaliação atomista, complicado e burocrático, imposto pelo Ministério aos professores. Por uma avaliação simples, holista e produtiva, que não confunda o acto de avaliar com o de formar! Este modelo de avaliação, imposto pelo Ministério, é perverso e contraprodutivo. O legislador, desconhecendo a realidade e a prática do ensino, assim como o contexto em que se desenrola, decretou medidas que aparentemente são muito justas e racionais mas que, por efeito de composição, levadas a cabo por um conjunto enorme de pessoas, produzem efeitos contrários ao esperado e, por isso, se revelam absurdas quando postas em prática. Jean-Pierre Dupuy, o maior filósofo francês vivo, inspirado nos trabalhos de Ivan Illich, demonstrou que a contraprodutividade do trabalho resulta, na maior parte das vezes, desta mentalidade tecnocrática, utilitarista e consequencialista, que procura sempre e sempre mais meios para atingir os fins. De tanta preocupação com os meios, o trabalho perde-se nas “técnicas” e nos “instrumentos”, nos “recursos”, na “preparação” e nas “estratégias” e, quanto ao fim propriamente dito, esse fica esquecido ou não é atingido por causa do desperdício de tempo nos meios. Vou dar um exemplo simples dos transportes. Imaginem que toda a população de um determinado território se convence, por efeito mimético, que o automóvel é o meio mais racional, muito mais rápido e confortável para fazer as suas deslocações do que os transportes públicos. Todos, fazendo o mesmo e às mesmas horas, entopem as ruas e estradas e ninguém anda: demora-se muito mais tempo do que andar de bicicleta ou até mesmo a pé. Conclusão: uma decisão aparentemente racional, inteligente e correcta revelou-se absurda e contraprodutiva, perversa. O mesmo se passará e já se passa com este modelo de avaliação: ele insiste tanto nos “meios” para o ensino, nas “estratégias”, nas “preparações” e “planificações”, nos “recursos” e nas “técnicas” que o fim (o ensino e a aprendizagem) ficará num lugar muito secundário o que, como tem sucedido, se irá provar nas provas internacionais dos nossos estudantes. Os professores vão gastar muito mais tempo do horário normal de trabalho por semana (35 horas) a dizer e a explicar o que vão fazer e, depois, a explicar o que fizeram e como o fizeram do que a ensinar e a ajudar os alunos a prender. Daí resultará uma enorme contraprodutividade que os resultados dos exames não conseguirá disfarçar. E porque sucede assim? Porque o modelo é extremamente complicado: confunde o acto de avaliar com o acto de formar. Embora toda a avaliação deva ter implicações na formação contínua do professor, avaliar e formar devem ser actos distintos, o que não se verifica. Com este modelo, será legítimo perguntar se o trabalho dos orientadores de estágio foi em vão já que tudo o que se fez antes está posto em causa! Mais, os próprios orientadores serão avaliados/formados pelos seus avaliadores, pondo em causa o trabalho com os seus formandos!!! Há aqui qualquer coisa de muito perverso e absurdo, para já não falar no facto de um licenciado poder avaliar/formar um doutorado! A avaliação do professor deve incidir apenas sobre 4 factores gerais: a progressão dos seus alunos que se mede pela comparação dos resultados médios entre uma avaliação diagnóstica exaustiva e completa à partida e uma avaliação sumativa aferida à chegada, podendo professor retirar uma ou outra turma cuja motivação para os estudos é abaixo de zero, pela pontualidade/assiduidade como funcionário do Estado, pela sua formação e estudos/publicações no domínio científico e pedagógico, pela participação na vida cultural da escola. O resto é pura perda de tempo e demagogia. Os professores sabem como dar aulas, o que sucede é que muitas vezes não têm os meios humanos (alunos e pais), organizacionais (complicação burocrática e gestão centralizada) e condições materiais para o poder fazer com qualidade. Quantas salas estão equipadas com projecção multimédia?! Temos que dar um empurrão definitivo a este monstro absurdo mascarado de pedagogia científica!
Zeferino Lopes, Prof. e Dout. em Filosofia na Escola Secundária de Penafiel em 29 de Setembro de 2008
Todos à manifestação nacional no dia 15 de Novembro contra o modelo de avaliação atomista, complicado e burocrático, imposto pelo Ministério aos professores. Por uma avaliação simples, holista e produtiva, que não confunda o acto de avaliar com o de formar! Este modelo de avaliação, imposto pelo Ministério, é perverso e contraprodutivo. O legislador, desconhecendo a realidade e a prática do ensino, assim como o contexto em que se desenrola, decretou medidas que aparentemente são muito justas e racionais mas que, por efeito de composição, levadas a cabo por um conjunto enorme de pessoas, produzem efeitos contrários ao esperado e, por isso, se revelam absurdas quando postas em prática. Jean-Pierre Dupuy, o maior filósofo francês vivo, inspirado nos trabalhos de Ivan Illich, demonstrou que a contraprodutividade do trabalho resulta, na maior parte das vezes, desta mentalidade tecnocrática, utilitarista e consequencialista, que procura sempre e sempre mais meios para atingir os fins. De tanta preocupação com os meios, o trabalho perde-se nas “técnicas” e nos “instrumentos”, nos “recursos”, na “preparação” e nas “estratégias” e, quanto ao fim propriamente dito, esse fica esquecido ou não é atingido por causa do desperdício de tempo nos meios. Vou dar um exemplo simples dos transportes. Imaginem que toda a população de um determinado território se convence, por efeito mimético, que o automóvel é o meio mais racional, muito mais rápido e confortável para fazer as suas deslocações do que os transportes públicos. Todos, fazendo o mesmo e às mesmas horas, entopem as ruas e estradas e ninguém anda: demora-se muito mais tempo do que andar de bicicleta ou até mesmo a pé. Conclusão: uma decisão aparentemente racional, inteligente e correcta revelou-se absurda e contraprodutiva, perversa. O mesmo se passará e já se passa com este modelo de avaliação: ele insiste tanto nos “meios” para o ensino, nas “estratégias”, nas “preparações” e “planificações”, nos “recursos” e nas “técnicas” que o fim (o ensino e a aprendizagem) ficará num lugar muito secundário o que, como tem sucedido, se irá provar nas provas internacionais dos nossos estudantes. Os professores vão gastar muito mais tempo do horário normal de trabalho por semana (35 horas) a dizer e a explicar o que vão fazer e, depois, a explicar o que fizeram e como o fizeram do que a ensinar e a ajudar os alunos a prender. Daí resultará uma enorme contraprodutividade que os resultados dos exames não conseguirá disfarçar. E porque sucede assim? Porque o modelo é extremamente complicado: confunde o acto de avaliar com o acto de formar. Embora toda a avaliação deva ter implicações na formação contínua do professor, avaliar e formar devem ser actos distintos, o que não se verifica. Com este modelo, será legítimo perguntar se o trabalho dos orientadores de estágio foi em vão já que tudo o que se fez antes está posto em causa! Mais, os próprios orientadores serão avaliados/formados pelos seus avaliadores, pondo em causa o trabalho com os seus formandos!!! Há aqui qualquer coisa de muito perverso e absurdo, para já não falar no facto de um licenciado poder avaliar/formar um doutorado! A avaliação do professor deve incidir apenas sobre 4 factores gerais: a progressão dos seus alunos que se mede pela comparação dos resultados médios entre uma avaliação diagnóstica exaustiva e completa à partida e uma avaliação sumativa aferida à chegada, podendo professor retirar uma ou outra turma cuja motivação para os estudos é abaixo de zero, pela pontualidade/assiduidade como funcionário do Estado, pela sua formação e estudos/publicações no domínio científico e pedagógico, pela participação na vida cultural da escola. O resto é pura perda de tempo e demagogia. Os professores sabem como dar aulas, o que sucede é que muitas vezes não têm os meios humanos (alunos e pais), organizacionais (complicação burocrática e gestão centralizada) e condições materiais para o poder fazer com qualidade. Quantas salas estão equipadas com projecção multimédia?! Temos que dar um empurrão definitivo a este monstro absurdo mascarado de pedagogia científica!
Zeferino Lopes, Prof. e Dout. em Filosofia na Escola Secundária de Penafiel em 29 de Setembro de 2008
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Professores de Ourique...
Professores do Agrupamento de Ourique deixam-se de lamúrias e passam à acção: exigem a suspensão da avaliação de desempenho

MOÇÃO

domingo, 28 de setembro de 2008
Quero voltar ao Terreiro do Paço...
Terreiro do Paço - Um poema de Luís Costa
Quero voltar ao Terreiro do Paço,
Onde a chave do sonho se perdeu!
Quero voltar àquele mesmo espaço,
Repetir a força daquele abraço,
Tocar, de novo, címbalos no céu!
Quero muito voltar àquela praça,
Onde a voz da liberdade se ergueu!
Quero ver o peito daquela massa
Humana, sem refreio nem mordaça,
Tocar, de novo, címbalos no céu!
Quero voltar ao rossio claustral,
Resgatar o sonho que se perdeu,
Respirar, de novo, aquele ideal,
Que já foi a alma de Portugal,
Tocar, de novo, címbalos no céu!
Luís Costa
terça-feira, 23 de setembro de 2008
PROTESTO DIA 30 DE NOVEMBRO
Subject: Fwd: PROTESTO MARCADO DIA 30/9 3ª FEIRA ÀS 15 HORAS EM FRENTE AO ME- DIVULGA!! REENCAMINHA!!
Colegas
O protesto está marcado para dia 30/9 (terça-feira) às 15 horas. Fomos ao governo civil hoje e entregámos a comunicação! Isto é o tudo por tudo COLEGAS! Temos que dar o máximo! A comunicação social vai ser convocada! Se estiverem poucas pessoas a nossa luta é prejudicada! Consciencializemo-nos disso!
A presença de cada um de nós é fundamental! Contamos com a solidariedade de todos os colegas também!
Passem a palavra!
Choque pedagógico...
Choque pedagógico - Venha o desfibrilador! - Parte Um. Mais um texto de Luís Costa
Vou tentar ser breve — sintético e sincrético — como faço quando escrevo poesia. Já tenho a fita métrica na mão, para não me exceder. É uma fita métrica de metal, porque as das costureiras não são de fiar: são de plástico e, por isso mesmo, dilatam com o calor e muito mais com o nervosismo. E estou nervoso que eu sei lá! Vamos então aos “finalmentes”, ao diagnóstico da situação, uma vez que, nos dias que correm, esta é a palavra que mais se ouve nas escolas: até as fotocopiadoras andam enjoadas!
Ministra e seus acólitos
Trio maravilha, que está a colocar na roda, para adopção, a Escola Pública criada pelo saudosíssimo Marquês de Pombal. “Resultados escolares mais agradáveis à vista, com menos dinheiro”, parece ser o lema. E vamos bem, muito bem encaminhados para atingir este objectivo: às tantas até já o atingimos e eu nem conta dei! A fórmula não é complicada: desqualificação profissional do professor, tornando-o “pau-para-toda-a-colher” — a quantidade de horas que o docente tem de passar na escola são a prova evidente do desinvestimento na sua acção individual, na concepção e planificação das aulas, na investigação necessária a um trabalho de qualidade (os manuais são enlatados curriculares adequados a quem não tem tempo, ou não sabe cozinhar); diarreia legislativa indutora de desorientação, de incerteza — passadeira vermelha para a arbitrariedade, para o apriorismo, para o abuso no exercício do poder nas escolas; instauração de um clima de medo, de divisão da classe, que tem empurrado muitos professores para a subserviência acrítica, para uma subalternidade encolhida.
Todos estes factores acabam por tornar “natural” o depauperado estatuto social do professor e o seu miserável poder de compra. Quem não estiver contente, tem sempre a possibilidade de ir-se embora, como disse Lurdes Rodrigues, denotando conhecimento profundo do socialismo mais moderno. O que temo, e muito, é o perfil de cidadão que se pretende criar com professores intimidados, amedrontados, conformados, desqualificados, desrespeitados, desautorizados e humilhados: será tudo, menos livres-pensadores!
Luís Costa
Luís Costa
SUCESSO ESCOLA 100% NO PRÓXIMO ANO
MLR avisa: condições estão quase reunidas para os 100% de sucesso escolar

O jornal Sol Online de ontem noticia: a ministra da educação afirmou, em Lousada, que Portugal começa a reunir as condições para atingir os 100% de sucesso no 9º ano. «Não é uma utopia. Se outros países da Europa com os quais nos comparamos o fazem, Portugal também o pode fazer», disse a ministra.
Maria de Lurdes Rodrigues, que falava aos jornalistas à margem da cerimónia de inauguração do novo centro escolar de Nevogilde, Lousada, distrito do Porto, explicou que Portugal começa a reunir todas as condições para alcançar a meta dos 100 por cento de aprovações no final do ensino básico.
«Os nossos alunos não são menos inteligentes, os nossos professores não são menos preparados, as nossas escolas eram piores, mas estão a ficar melhores. Portanto, com todas as condições, não é uma utopia, é mesmo uma meta para cumprir», explicou.
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comentário:
Alguém duvida que vai chegar aos 100 por cento o (in)sucesso escolar? Eu não! Todas as condições foram criadas para isso. E a Ministra nem precisava de tanta papelada para esse fim. Apenas fazia um Dec. Lei (?) + um Despacho tal (?) + um Ofício (x), configurado nos objectivos tais, e pronto! estava tudo cozinhado para emanar uma Lei com o seguinte discurso: " TODOS OS ALUNOS TÊM OBRIGATÓRIAMENTE QUE PASSAR. PORQUE SE NOS OUTROS PAÍSES PASSAM, OS NOSSOS ALUNOS NÃO SÃO MAIS BURROS E ATÉ OS NOSSOS PROFESSORES NÃO SÃO NADA MAUS... ESTÃO REUNIDAS AS CONDIÇÕES PARA O SUCESSO A CEM POR CENTO..." E nós professores, felizes e contentes lá passavamos os meninos. Escala de 3 a 5 para o básico e 10 a 20 para o secundário. Que acham da ideia?