Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
terça-feira, 9 de setembro de 2008
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
ASSIM VAI A EDUCAÇÃO...
O SISTEMA DE ENSINO É UM MONSTRUOSO ENGANO
"O sistema de ensino em Portugal é hoje um monstruoso engano, em que se enganam as famílias, os jovens e as empresas (...) A Educação é um fracasso enorme deste governo."
"Não interessa ao poder político combater a corrupção."
"O Governo preocupou-se apenas com os interesses de curto prazo dos grandes Grupos empresariais."
"O PS é um partido de clientelas."
HENRIQUE NETO, empresário e ex-dirigente do PS
Notícia integral nas páginas 12, 13 e 14 do Jornal O DIABO de 2 de Setembro de 2008 (não existe edição online na internet).
"Não interessa ao poder político combater a corrupção."
"O Governo preocupou-se apenas com os interesses de curto prazo dos grandes Grupos empresariais."
"O PS é um partido de clientelas."
HENRIQUE NETO, empresário e ex-dirigente do PS
Notícia integral nas páginas 12, 13 e 14 do Jornal O DIABO de 2 de Setembro de 2008 (não existe edição online na internet).
ARGUMENTOS A FAVOR ORDEM DE PROFESSORES
A propósito de um tema que introduzimos na entrada Ruptura! Vamos a isto?, em breve apresentaremos alguns argumentos favoráveis à criação de um partido político de pendor profissional. Hoje apresentamos um texto, que nos foi enviado por e-mail, com alguns argumentos que suportam a necessidade da criação da Ordem de Professores, e que aqui deixamos para reflexão.
No Fórum 96 – Pensar a Educação, realizado em Lisboa, em Setembro de 1996, foi apresentada uma comunicação pelo Professor António de Oliveira Marques (1933-2007), um académico louvado em vida e recordado em morte como um dos mais importantes historiadores do Portugal contemporâneo (a sua História de Portugal, em três volumes, Editorial Presença, Lisboa, vai em 13 edições).
Transcrevo, verbo pro verbo, a notável intervenção, intitulada 'Para uma Ordem dos Professores', cujo texto me foi entregue com autorização de o divulgar publicamente. Como noutra ocasião (no meu livro Do Caos à Ordem dos Professores, 2004. pp. 135-137), faço-o com o maior gosto pela importância de que se reveste numa altura em que a Ordem dos Professores está, cada vez mais, na ordem do dia:
'Há anos num congresso do professorado de História reunido em Santarém sugeri a criação de uma Ordem de Historiadores, onde se incluiriam professores e não professores devotados ao mister. Por razões várias, entre elas os habituais desejos de protagonismo de alguns ou os paralelos desejos de sabotagem do protagonismo de outros, a ideia – que nem sequer era projecto – não vingou.
Vem falar-se agora de um alargamento dessa 'Ordem' a todos os docentes – primários (agora diz-se 'básicos', não sei se com o acordo deles), secundários e universitários ('superiores' não, porque os outros não são inferiores) – o que eu acho muito bem, a que dou o meu total aplauso e com a qual colaborarei quando se fundar – a menos que me exijam cotas proporcionais ao ordenado. Porque, então, nada feito ou com um número proporcional de votos proporcional também…
Mas 'Ordem' porquê? Não há já sindicatos, associações e outros agrupamentos similares?
Há. Mas um sindicato, por definição e história, existe para defender interesses sobretudo materiais e de bem-estar profissional. E, por razões práticas, restringe-se a fracções profissionais e especiais. Uma associação é um conceito vago, onde tudo cabe, sem rigor, sem objectivo específico como tal.
Uma Ordem desta natureza é, para começar, e em termos filosóficos, um grupo conceptualmente próximo da totalidade dos seus elementos. Nela cabem todos os professores, seja qual o ramo de ensino, a qualificação profissional ou o local onde exercem a sua actividade. Mas a ordem não é equivalente de uniformidade ou monotonia. Quanto mais dominarem, numa multiplicidade, o sentido e a unidade, tanto mais desaparece a uniformidade. Tão-pouco se deve equiparar a Ordem ao estático. A Ordem pode realizar-se de modo dinâmico, como a todos interessa.
Depois, e ainda, a Ordem surge como defesa ética e até estética, de toda uma profissão e de toda uma deontologia. Embora lhe possam interessar questões salariais e de promoção profissional – como lhe importa tudo o que diz respeito ao professorado -, a Ordem delega esses assuntos nos sindicatos, respeitando o espaço tradicional que sempre lhe tem cabido e que sempre tem defendido com honra e dignidade. A Ordem vai preferentemente ocupar-se de outros temas: a dignificação geral da profissão docente, nos seus vários níveis, tão vilipendiada, caluniada e desprestigiada nos tempos que correm; a defesa do docente contra as interferências constantes na sua actividade, na sua autoridade e nos seus conhecimentos; por parte do Estado, das autarquias, dos partidos políticos, das igrejas e cleros, das associações de pais, dos grupos ecológicos e tantos outros, colectividades e indivíduos que, dia após dia, lhe querem apontar caminhos, recordar deveres e criticar métodos, arredando-a ou, pelo menos, afastando-a desse diálogo que deve ser único, entre professor e aluno; a especificidade e a seriedade da profissão ensinante, com a recusa ao amadorismo e a rejeição do aprendizado extracurricular; a elaboração de um código de professorado onde se contenham as suas obrigações e os seus compromisso; a representação da classe docente como um todo, dentro e fora do País; a actualização e reciclagem permanente e organizadas de conhecimentos e métodos de ensino aos vários níveis; o estudo das necessidades e carências lectivas do País e a sua correcção tanto quanto lhe for possível; a inventariação e classificação completas e correctas do universo docente; a humanização do ensino, das relações entre docentes, das relações entre discentes e das relações entre uns e outros, a superintendência – sem intuitos de censura – dos manuais escolares nacionais; a paz e a harmonia entre os membros da classe docente com a possível arbitragem entre eventuais conflitos, tanto de carácter profissional quanto pessoal; e o exame e a resolução de todo e qualquer assunto, interior ou exterior à orgânica da Ordem, que, de perto ou de longe, afecte ou interesse à profissão docente, quer em Portugal quer fora dele.
Enumerei questões a esmo, sem preocupação de as arrumar nem hierarquizar convenientemente. Esqueci-me ou não falei de muitas. Mas por elas se poderá ter uma ideia do papel relevante de uma Ordem dos Professores e do seu lugar na sociedade portuguesa'.
sábado, 6 de setembro de 2008
RUPTURA! VAMOS A ISTO?
Minhas caras e meus caros colegas,
É preciso uma ruptura com o sistema.
Muito se tem discutido sobre a forma mais eficaz de luta. Só há três caminhos: a acomodação (alguns dos efeitos já estão à vista), a luta dentro do sistema (a mais cómoda, mas pouco eficaz) e a luta contra o sistema (a única capaz de estancar o esvaziamento para que se caminha).
Sindicatos? Sim, poderia ser a criação de um VERDADEIRO sindicato. Mas, em tamanho alfobre de designações e no descrédito que induziram, não vale a pena!
Associações? Movimentos? Muito importantes. Mas, na diversidade que os distingue, acabam por nunca conseguir acolher unanimidade.
Resta uma solução: a ruptura. E a ruptura, neste momento, só pode ser realizada através de algo novo ou incomum. A luta dos professores só pode passar pela definitiva criação de uma ORDEM ou através da criação de um PARTIDO político de pendor profissional.
Vão amadurecendo a ideia. Mas não demorem muito... que os ardilosos que querem extinguir por completo uma das mais profissão mais nobres - PROFESSOR - há muito a reduziram à insignificância.
Publicada por ILÍDIO TRINDADE
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
A OCDE DESMENTE O MINISTÉRIO
O que o Ministério sabe mas esconde cobardemente, de forma a virar os portugueses menos esclarecidos contra os que trabalham dia a dia para dar um futuro melhor aos filhos dos outros.
"Os PROFESSORES em Portugal não são assim tão maus..."
Consulte a última versão (2006) do Education at a Glance, publicado pela OCDE, em http://www.oecd.org/dataoecd/44/35/37376068.pdf.
"Os PROFESSORES em Portugal não são assim tão maus..."
Consulte a última versão (2006) do Education at a Glance, publicado pela OCDE, em http://www.oecd.org/dataoecd/44/35/37376068.pdf.
Se for à página 58, verá desmontada a convicção generalizada de que os professores portugueses passam pouco tempo na escola e que no estrangeiro não é assim.
É apresentado, no estudo, o tempo de permanência na escola, onde os professores portugueses estão em 14º lugar (em 28 países), com tempos de permanência superiores aos japoneses, húngaros, coreanos, espanhóis, gregos, italianos, finlandeses, austríacos, franceses, dinamarqueses, luxamburgueses, checos, islandeses e noruegueses!
No mesmo documento de 2006 poderá verificar, na página 56, que os professores portugueses estão em 21º lugar (em 31 países) quanto a salários!
Na página 32 poderá verificar que, quanto a investimento na educação em relação ao PIB, estamos num modesto 19º lugar (em 31 países) e que estamos em 23º lugar (em 31 países) quanto ao investimento por aluno.
E isto, o M.E. não manda publicar...
Não tem problema. Já estamos habituados a fazer todos os serviços.
Nós divulgamos aqui e passamos ao maior número de pessoas possível, para que se divulgue e publique a verdade.
A gestão democrática acabou. Vem aí o director
Espigueiro em Brufe, no Gerês, em dia de nevoeiro
1. Até Maio de 2009, o director tem de estar eleito pelo Conselho de Escola.
As etapas do processo que dizem respeito ao regime de autonomia e gestão das escolas devem estar terminadas até ao final de Maio de 2009, incluindo a alteração dos regulamentos internos dos estabelecimentos de ensino e a eleição do primeiro director. Com o novo diploma, os conselhos executivos são substituídos por um director com poderes reforçados e que poderá ser um docente do ensino público ou do particular e cooperativo com, pelo menos, cinco anos de serviço e qualificação para o exercício das funções de gestão escolar. "Entre as qualificações exigíveis para o desempenho do cargo contam-se a formação especializada em administração escolar ou educacional, a realização de um mestrado ou de um doutoramento nestas áreas ou, ainda, a experiência correspondente a um mandato completo com funções directivas na escola", adianta o ME.
2. A assembleia de escola deixa de existir e surge um conselho geral
O Conselho Geral tem a tarefa de eleger e destituir o director, e é constituído por representantes de professores, alunos, pais e autarquias. Neste conselho geral, estipulou-se que a participação dos trabalhadores docentes e não docentes é de 50%.
3. O conselho pedagógico mantém-se, só que é designado pelo director.
Prevê-se ainda que o período de transição e de adaptação ao novo regime seja assegurado por um conselho geral transitório constituído por sete representantes dos docentes, dois dos não docentes e de um aluno quando se trate de um estabelecimento do ensino secundário, cinco representantes dos pais e encarregados de educação, três da autarquia e três da comunidade local. Para o ME, esta legislação "visa reforçar a participação das famílias e das comunidades na direcção estratégica dos estabelecimentos de ensino, favorecer a constituição de lideranças fortes e reforçar a autonomia das escolas". A FNE contestou a mudança. "Como podemos ver os docentes e não docentes estão em minoria, o presidente do conselho geral e do conselho geral transitório não podem sair dos nossos representantes, estamos perante uma democracia de fachada", sublinhou, a propósito.
Fonte: email enviado por A. Gralheiro
Comentário
A gestão democrática já estava moribunda. Faltava apenas passar a certidão de óbito. A esmagadora maioria dos PCEs há muitos anos que deixaram de ser professores. As opiniões e tomadas de posição do Conselho de Escolas e sobretudo do Presidente do Conselho de Escolas constituem um alinhamento com as políticas educativas de MLR. A eleição do director pelo Conselho Geral simboliza a passagem do atestado de óbito a um morto deixado por sepultar: um cadáver em putrefação. A partir de Maio, os professores têm de olhar para o director como representante do patrão/ME e, portanto, como um adversário que tem de ser respeitado mas com quem não é possível fazer amizade. O director passa a ser o representante da entidade patronal na escola e, portanto, alguém em quem não é possível confiar.
Há escolas que têm o processo mais avançado e que irão ter director já em Janeiro. Tem havido muita pressa e muita pressão das DREs para as escolas acelerarem o processo. O ME tem muita vontade de passar a certidão de óbito à gestão democrática moribunda. Com a passagem da certidão de óbito, apaga-se por completo a última réstia de democracia nas organizações do Estado. Com efeito, as escolas públicas eram, até há pouco tempo, as únicas organizações dotadas de gestão democrática no país. Não deixa de ser irónico que tenha sido pela mão de um Partido Dito Socialista que essa morte foi decretada e imposta
Há escolas que têm o processo mais avançado e que irão ter director já em Janeiro. Tem havido muita pressa e muita pressão das DREs para as escolas acelerarem o processo. O ME tem muita vontade de passar a certidão de óbito à gestão democrática moribunda. Com a passagem da certidão de óbito, apaga-se por completo a última réstia de democracia nas organizações do Estado. Com efeito, as escolas públicas eram, até há pouco tempo, as únicas organizações dotadas de gestão democrática no país. Não deixa de ser irónico que tenha sido pela mão de um Partido Dito Socialista que essa morte foi decretada e imposta
terça-feira, 2 de setembro de 2008
As medidas que a FENPROF propõe para melhorar a qualidade do ensino
Ribeira em Vilarinho das Furnas, Parque Nacional da Peneda e Gerês
À semelhança da FNE, também a FENPROF aproveitou o fim das férias e o regresso dos professores às escolas para divulgar um conjunto de medidas que poderão melhorar a qualidade do ensino e a vida nas escolas:
1. Redução do número de alunos por turma;
2. Redução do número de níveis e de turmas atribuídos a cada professor;
3. Apoio às escolas para que desenvolvam os seus próprios projectos de combate ao abandono e insucesso escolares;
4. Apoio efectivo a alunos com necessidades educativas especiais;
5. Adequação do número de lugares de quadro nas escolas às suas efectivas necessidades;
6. Alargamento da rede pública de jardins de infância;
7. Criação das equipas educativas no 1.º Ciclo do Ensino Básico;
2. Redução do número de níveis e de turmas atribuídos a cada professor;
3. Apoio às escolas para que desenvolvam os seus próprios projectos de combate ao abandono e insucesso escolares;
4. Apoio efectivo a alunos com necessidades educativas especiais;
5. Adequação do número de lugares de quadro nas escolas às suas efectivas necessidades;
6. Alargamento da rede pública de jardins de infância;
7. Criação das equipas educativas no 1.º Ciclo do Ensino Básico;
8. Desenvolvimento de um plano nacional de combate ao analfabetismo;
9. Aumento das qualificações académicas e profissionais da população;
10. Fim do encerramento cego de escolas;
11. Redução da idade para a aposentação;
12. Alteração dos horários de trabalho dos professores de forma a combater a sobrecarga a que estão sujeitos.
O diagnóstico está feito e as medidas estão identificadas. Agora é necessário que os professores voltem a acreditar e que os sindicatos regressem à mobilização.
9. Aumento das qualificações académicas e profissionais da população;
10. Fim do encerramento cego de escolas;
11. Redução da idade para a aposentação;
12. Alteração dos horários de trabalho dos professores de forma a combater a sobrecarga a que estão sujeitos.
O diagnóstico está feito e as medidas estão identificadas. Agora é necessário que os professores voltem a acreditar e que os sindicatos regressem à mobilização.
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