quarta-feira, 16 de julho de 2008

Ingrid, a renascida

Ingrid Betancourt foi, finalmente, libertada. A mulher para quem ainda há poucos dias a “morte era uma opção doce” é agora a heroína de uma saga em que o bem triunfa sobre o mal.O seu olhar vivo, o discurso firme, as ideias inspiradoras são a maior derrota das FARC, que não a conseguiram fazer vergar em seis anos de duro cativeiro.Como Nelson Mandela, também Ingrid triunfou sobre os seus carcereiros e da lama das montanhas à glória não foi apenas um pequeno passo, foi sobretudo um avanço extraordinário na luta pelos direitos humanos.O presidente Álvaro Uribe é um dos vencedores deste “milagre”, só a sua intransigência face à chantagem e ao terror permitiram este desfecho, e até Fidel Castro veio juntar a sua voz ao coro dos que reclamam o fim dos sequestros.

Publicada por José Manuel Silva

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Sócrates cumpre o que promete.


Este foi o discurso pré eleitoral. Na verdade devíamos ter "ouvido" o discurso na forma inversa:


O nosso partido cumpre o que promete.
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais.
para alcançar nossos ideais.
Mostraremos que é grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo de nossa acção.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
as nossas crianças morram de fome.,
Cumpriremos nossos propósitos mesmo que
os recursos económicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que somos a nova política.

Lindo, não? Agora experimente lê-lo de baixo para cima.


Parabéns ao autor pela criatividade linguística.

domingo, 6 de julho de 2008

Daniel Sampaio sobre indisciplina e violência escolar


Coimbra à noite
Porque sim PERIGOSAS SIMPLIFICAÇÕES

Decorreu em Lisboa a 4ª Conferência Mundial sobre "Violência na escola e políticas públicas", uma iniciativa da Faculdade de Motricidade Humana em parceria com o Instituto de Apoio à Criança.
Foi uma importante reunião, em que tive a honra de participar numa das sessões plenárias e onde foi possível ouvir representantes de mais de cinquenta países, num ambiente de grande partilha científica.
Ressaltou dos trabalhos a necessidade de uma acção concertada, dada a complexidade do problema, mas ficaram bem claras outras conclusões, a merecer a atenção dos nossos responsáveis: por exemplo, para tornarmos eficazes os programas contra a violência, teremos de nos entender à partida na definição do conceito.
Para mim e para a maioria dos colegas presentes não faz grande sentido a demarcação rígida entre indisciplina e violência, como é habitual ouvir-se aos nossos governantes do Ministério da Educação (ME). Percebe-se a intenção: se reduzirmos a estatística da violência aos casos participados de agressões a membros da comunidade educativa, poderemos dizer que cinco por cento das escolas são responsáveis por 90 por cento dos actos violentos, como ouvimos o ME declarar na sessão de abertura. A questão parece assim residual e pode deste modo ser separada da indisciplina na sala de aula, a requerer medidas de carácter pedagógico "bem distintas" das necessárias para o combate à violência escolar.
Trata-se de uma perigosa simplificação, por duas razões: a indisciplina não é uma questão menor, como a abordagem ministerial parece querer mostrar - requer estratégias continuadas, e deve basear-se numa profunda modificação da formação dos professores; depois, o mais importante - uma sala de aula indisciplinada produz o contexto favorável ao aparecimento de comportamentos violentos por parte dos alunos (mas também a partir dos professores).
Deste modo, as definições internacionais consideram os distúrbios na sala de aula como uma forma de violência escolar, ao lado da vitimização de membros da escola, da exploração física e psicológica, da ciberviolência (em crescimento), do "bullying" (intimidação/provocação) e de outros comportamentos violadores da intimidade ocorridos no território escolar. É assim que se toma como violento todo o comportamento que possa afectar de forma negativa o clima de aceitação e respeito mútuo que deve existir em todos os estabelecimentos de ensino, o que deve estar bem expresso no seu regulamento interno. Escola sem regras definidas caminhará para a violência!
Outra simplificação não desejável decorrente desta separação forçada entre o comportamento considerado minor (a indisciplina) e o major (a violência) é a de que deverão ser seguidos programas separados, com as acções mais severas (por exemplo, com recurso a entidades exteriores à escola) destinadas ao combate à violência; e acções pedagógicas para os problemas de indisciplina. A verdade é que este congresso demonstrou como é crucial, para a prevenção da violência, detectar precocemente os estudantes com dificuldades em obter sucesso académico, monitorizar o progresso obtido e combater o preconceito de que estudantes com baixo nível económico não terão sucesso, o que leva com frequência à sua marginalização. Deste modo, pode afirmar-se que manter os estudantes a trabalhar, num clima exigente mas de respeito mútuo entre professores e alunos, conduz EM CONJUNTO a uma escola com maior sucesso e, em consequência, com menos violência: e assim vemos como a indisciplina e a violência não são assim tão separadas...
Em Portugal continua a ser difícil trabalhar numa perspectiva integrada: julga-se que uma acção isolada obtém logo resultados, ou que o problema é dramatizado pela comunicação social. Esquecemos os professores e funcionários, tantas vezes vítimas de várias formas de violência, sem que tenham os apoios necessários; mas também não lembramos os alunos, nalguns casos também vítimas de insultos e humilhações por adultos que povoam a casa e a escola.
Falta entre nós um programa articulado de combate à violência escolar. No Canadá, por exemplo e como se viu no congresso, envolveu um plano para três anos, a englobar uma fase de pesquisa e documentação; um período de formação e concertação; um tempo para a intervenção; e um período de avaliação.
Poderemos fazer tão bem ou melhor, mas precisamos de fugir a perigosas simplificações.

Daniel Sampaio
In Público, 7 de Junho de 2008

Exame de Matemática para Idiotas

Matemática para Idiotas

Com um livro destes não há aluno que não tire 20 valores. Palavra de Ministra.
Wehavekaosinthegarden

sábado, 5 de julho de 2008

Aplicação para pedido de licença sabática

Está disponível até ao dia 9 de Julho a aplicação para o pedido de licença sabática.
CONTAGEM DE TEMPO DE SERVIÇO Nota informativa: contagem de tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira - pessoal docente e não docente - 22/01/2007EQUIPARAÇÃO A BOLSEIRO Concessão de Equiparação a Bolseiro para o ano escolar de 2008-2009 - Ofício-Circular nº B08036074G, de 30.06.08 - 01/07/2008LICENÇA SABÁTICA Portaria N.º 350/2008, de 5 de Maio - Fixa as condições de atribuição de licença sabática - 02/07/2008Concessão da Licença Sabática para o ano escolar de 2008/2009 – Circular nº B08037074V - 02/07/2008Manual de utilização da aplicação da Licença Sabática para o ano escolar de 2008/2009 - 02/07/2008Aplicação da Licença Sabática para o ano escolar de 2008/2009 - Disponível até dia 9 de Julho - 02/07/2008MOBILIDADE Esclarecimento sobre a mobilidade para o ano escolar de 2008/2009 (alteração de calendarização) - 12/06/2008Manual de utlização das aplicações da mobilidade(actualizado em 17/06/2008) - 02/06/2008Despacho n.º 14939/2008, de 15 de Maio, publicado no DR, IIª Série – N.º 103, de 29 de Maio de 2008 - 29/05/2008Despacho do Secretário de Estado da Educação, de 28 de Maio de 2008 - 06/06/2008Nota Informativa/calendarização – Mobilidade de docentes – Ano escolar 2008/2009 (actualizado em 02/07/2008)- 29/05/2008Aplicação de requisição e destacamento do pessoal docente 2008/2009 - Disponível para os docentes até dia 17 de Junho. - 02/06/2008Teste recomendado - Verificação da palavra-chave e do nº de candidatoInscrição obrigatória (para os docentes)

Publicada por Ramiro

sexta-feira, 4 de julho de 2008

OS AÇORES SÃO OUTRO PAÍS

Lembram-se daquela saída da Sra Ministra que disse que os Açores não faziam parte de Portugal?Houve (não "houveram", como diz a Sra Ministra) quem dissesse ter-se tratado de uma "gaffe", outros foram mais longe e utilizaram palavras para clarificar que mais não era do que ignorância; outros, ainda, mais loquazes, preferiram chamar-lhe "dislate". Poderíamos, até, ficar-nos pelo seu "lapso", provalvelmente devido ao nervosismo de quem sabe muito bem como irá tramar os professores e destruir a Educação.Ninguém quis acreditar que, talvez, a Sra Ministra soubesse muito bem o que estava a dizer. Pelos vistos...
Outra dúvida tem que ver com o papel, a força e a capacidade dos nossos sindicatos.
Já em 5 de Maio, sob o título VALE A PENA LUTAR, fizemos uma chamada de atenção para o facto subjacente ao comunicado que, de seguida, se disponibiliza:
ALRA APROVA RECUPERAÇÃO DO TEMPO DE SERVIÇO CONGELADO
Comunicado em formato pdf
Nas Assembleias Legislativas Regionais dos Açores e da Madeira, foram, ontem, dia 18/06/08, votadas as Propostas de Decreto Legislativo que consagravam a recuperação do tempo de serviço congelado, de 30 de Agosto de 2005 a 31 de Dezembro de 2007.O Sindicato dos Professores da Região Açores congratula-se com mais esta importante conquista para os Professores e Educadores que trabalham nos Açores, por ter sido a primeira Região do país a conseguir a recuperação integral do tempo de serviço congelado, para efeitos de progressão, tal como foi negociada com o SPRA, apesar de ser em duas fases.O SPRA bem diligenciou para que a recuperação fosse feita com base na estrutura da carreira antiga e de uma só vez, só que foi logo confrontado pelo Governo com a questão de que se queria beneficiar do lado mais positivo do diploma concedido a outros funcionários, também, por razões de justiça e equidade, tinha que aceitar o lado negativo das quotas a que estão sujeitos.Como negociar também implica concessões de ambas as partes, porque quem não consegue negociar é que pode pensar que é possível impor a vontade de apenas um dos lados, e como não aceitámos a introdução das quotas no processo de avaliação, por ter sido uma das grandes conquistas dos docentes na Região, a par da salvaguarda da carreira única, não foi possível impedir a repartição do tempo a recuperar, por alegadas razões orçamentais, ou seja, 14 meses à data da publicação do diploma e os outros 14 meses em 1 de Setembro de 2009. É verdade que esta conquista era um direito nosso, mas também é verdade que só com a persistência do SPRA foi possível recuperá-lo tão cedo, sendo motivo de admiração e orgulho dos nossos colegas em todo o país.Dizer que aquilo que se consegue é pouco não é virtude, virtude é conseguir aquilo que os outros ainda não conseguiram.O Sindicato dos Professores da Região Açores não se rege pelo princípio do " p profissional.

Ponta Delgada, 19 de Junho de 2008
A Direcção do SPRA

Publicada por ILÍDIO TRINDADE

terça-feira, 1 de julho de 2008

Estudo sobre a reorganização da carreira docente: a origem de todos os males

Foi com ele que tudo começou. É um "case study" de como a engenharia social é a arma de todos os modernaços, dos estalinistas aos socialistas travesti. Como arma de combate político e de destruição dos inimigos internos externos, foi usada ate à exaustão por Lenine e Staline. Que tenha regressado a Portugal pela mão de dois ex-anarquistas e libertários é apenas uma questão de pormenor e que confirma a velha tese de que "os extremos se tocam". Agora, a engenharia social é usada pelos socialistas travesti com o objectivo de destruir uma profissão perigosa para o status quo. O professor como intelectual livre, com liberdade pedagógica, com tempo para o estudo e com liberdade de expressão e autonomia pedagógica é incompatível com o novo paradigma da escola dual: uma escola para as elites, exigente, disciplinada, tranquila e com um currículo assente no que de melhor construiu a nossa herança científica, tecnológica e artística e uma escola para as massas, os produtores, os executores, a geração dos 500 euros, que, em tempo de vacas magras, tem de ser utilitária, instrumental, eficaz e sem desperdícios. Fazer aceitar o segundo paradigma de escola, exige o silêncio e a extinção da liberdade e autonomia pedagógicas dos professores. Então, a ministra, ela própria especialista em engenharia social, lembrou-se de pedir auxílio ao seu mestre e mentor, João Freire, aquele que orientou a sua tese de doutoramento sobre a "engenharia social aplicada ao estudo da profissão de engenheiro". O mentor, já reformado do ISCTE, mandou às urtigas o seu passado de sempre, anarquista e libertário, e aceitou o desafio. Em seis meses produziu o estudo sobre a reorganziação da profissão docente e a ministra pôs equipas e grupos de trabalho a plasmarem em leis, descretos-leis, portarias e despachos as conclusões e recomendações do estudo de João Freire. O estudo foi entregue em Dezembro de 2006 e um ano depois a profissão de professor, como a conhecíamos, estava destruída. A destruição foi tão rápida, intensa e profunda que a tornou irreconhecível. Foi um dano irreparável. O que se vai seguir já é presente: professores jovens a abandonarem a profissão, professores mais antigos a pedirem reformas antecipadas, professores revoltados e desanimados e jovens com vocação que vão escolher outras profissões porque sabem que "assim não se pode ser professor".

Publicada por ProfAvaliação