segunda-feira, 23 de junho de 2008

Daniel Sampaio sobre a violência escolar



Óbidos
O psiquiatra Daniel Sampaio alertou hoje para a necessidade da indisciplina escolar ser olhada como uma forma de violência que deve ser trabalhada e combatida.

"Há uma diferença entre indisciplina e violência mas quando se diz que indisciplina nada tem a ver com violência não estamos no bom caminho", disse o psiquiatra português numa intervenção no âmbito da 4ª Conferencia Internacional sobre Violência Escolar e Políticas Públicas, a decorrer em Lisboa até quarta-feira. Leia mais no Público Online.

Comentário

Faz bem Daniel Sampaio alertar para a necessidade de a indisciplina ser olhada como uma forma de violência. Podemos dizer que a indisciplina é o primeiro patamar da violência. Ela começa pela indisciplina. Quando os professores fazem vista grossa face à indisciplina, estão a abrir o caminho para a emergência da violência escolar.

Sobre o bullying e as cifras negras



Óbidos
Há várias formas sob que se reveste a violência na escola. Uma grande parte dela é apenas psicológica, muitas vezes mais grave do que a física. Na minha escola, este ano, houve pelo menos dois casos de alunos que, por serem diferentes, eram mal tratados pelos colegas, machistas, que lhes chamavam maricas (no recreio), e ninguém conseguia provar que o eram, nem isso era importante. Um deles era meu aluno e nem sequer me parecia que o fosse. O aluno, logo no princípio do ano quis mudar de escola. Todos os professores da turma deram uma valente reprimenda aos prevaricadores, conseguindo reduzir as agressões psicológicas, mas nunca eliminá-las. O aluno ficou marcado, é um aluno triste.
Estes dois casos não entraram nas estatísticas da Sra Ministra... e quem diz este diz muitos outros por todo o país.
Outro tipo de violência psicológica tem a ver com as roupas que se veste, os ténis que se calçam ou não se calçam, etc..
Os que quiserem ser diferentes, são frequentemente gozados..
Estes casos também não entram nas estatísticas.

Os professores evitam os longos processos burocráticos associados às participações que frequentemente não conduzem a nada, ou a pouco.

JMatias

domingo, 22 de junho de 2008

Retirar poder de decisão aos professores impede a emergência de práticas excelentes



Flores nas dunas das praias de Peniche
A profissão docente tem de ser encarada como uma profissão de ajuda, orientação e apoio à aprendizagem e, nesse sentido, é profundamente ética, antes de ser deontológica. As práticas excelentes incluem actividades com objectivos internos, ou seja, actividades que se bastam a si próprias, e exigem um certo nível de autonomia por parte do agente. Ao contrário das práticas eficazes, que visam a produção, de acordo com normas e regras definidas pela hierarquia institucional, as práticas excelentes visam actividades boas em si e que são geradoras de prazer. Nesta último caso, o agente não perde o poder de decisão, nem o controlo sobre todo o processo de realização das actividades. Para que a escola garanta o exercício de práticas excelentes, é necessário que os professores sejam dotados de autonomia e os alunos desenvolvam actividades que suscitem prazer. Retirar autonomia às escolas e poder de decisão aos professores é impedir a emergência de práticas excelentes e constitui o caminho mais curto para a criação de instituições corruptas. Sendo o ensino a principal função do professor, tudo o que seja regulamentação em excesso do acto de ensinar, centralização do currículo, controlo abusivo da prática pedagógica e aumento do clima de competição nas escolas contribui para a corrupção das instituições educativas e para o empobrecimento das práticas.

sábado, 21 de junho de 2008

calendário escolar

A ofensiva centralista continua

Já foi publicado o calendário escolar para 2008/09. Para além de ser estranho que o ME continue a impor um calendário todos os anos, em vez de se limitar a dizer quantas são as semanas de aula, é preocupante a fixação de um dia para a entrega do Diploma, marcado precisamente para o dia 12 de Setembro. Chamo a atenção de MLR que o despacho tem de ser rectificado por um novo despacho a marcar a hora.É igualmente preocupante a fixação do último dia de actividades do 1º período, para 19 de Dezembro. Quando é que as escolas vão fazer as reuniões de avaliação? Provavelmente, a ideia é que haja conselhos de turma até à véspera de Natal.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

E ASSIM SE COMBATE O INSUCESSO

Algumas questões podiam ser resolvidas por alunos do 2º cicloProfessores de Matemática consideram prova do 9.º ano a mais fácil de sempre 20.06.2008 - 18h07 LusaA Associação de Professores de Matemática (APM) considerou hoje que o exame nacional de 9.º ano da disciplina foi o "mais fácil" desde que a prova se realiza, sublinhando que algumas questões poderiam ser respondidas por alunos do 2º ciclo. Também a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) criticou o reduzido grau de dificuldade do exame, sublinhando que "a nivelação por baixo" poderá ter custos futuros "muito graves"."Na generalidade, a prova é mais acessível e mais fácil do que nos anos anteriores. Algumas questões poderiam ser resolvidas por alunos do 2º ciclo", defendeu Sónia Figueirinhas, vice-presidente da APM.Perto de 100 mil alunos realizaram hoje o exame nacional de Matemática, que se realiza desde 2005. O ano passado, 72,8 por cento dos estudantes tiveram nota negativa, quando em 2006 a percentagem de chumbos no teste situava-se nos 63 por cento."Em algumas questões ficou aquém das competências e conhecimentos que os alunos no final do 9.º ano deveriam ter. Se em exames anteriores as questões eram mais elaboradas e difíceis, não há razão para que este ano também não fossem", acrescentou.Sublinhando que o exame "não tem erros" e que os 90 minutos, mais 30 de tolerância, estão adequados para a realização da prova, a responsável salientou que em relação à geometria, por exemplo, o exame aponta "mais para nomes do que para competências"."Há questões que outros ciclos de ensino saberiam resolver de certeza, mas a prova é sobre os conteúdos leccionados no 7.º, 8.º e 9.º ano", lamentou.Assim, a Associação de Professores de Matemática espera que haja "uma grande melhoria" nos resultados em relação a 2007, mas sublinha que as provas "não são comparáveis".Já na quarta-feira, a APM lamentou que o exame nacional de 9.º ano da disciplina, realizado nesse dia, incluísse matéria do 2º ciclo (5.º e 6.º ano), considerando que esta opção pode ser "excessivamente fácil para os alunos".SPM diz que prova foi das mais elementares dos últimos anosÀ semelhança da APM, também a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) considerou que o exame nacional do 9.º ano da disciplina foi um dos mais fáceis. "No seu conjunto, o nível desta prova é certamente dos mais elementares - se não o mais elementar - produzidos nos últimos anos nas provas nacionais de Matemática. Se é verdade que muitos alunos e alguns pais podem ficar satisfeitos com o facto, e se é verdade que seja positivo que os jovens vejam as questões matemáticas como alcançáveis, os custos futuros podem ser muito graves", defende a sociedade em comunicado.Sublinhando que a prova não tem "erros científicos nem formulações duvidosas", a SPM critica, porém, que aos alunos do final do terceiro ciclo deveria "exigir-se" outro tipo de dificuldade, exemplificando com a questão 1, "que se resolve contando pelos dedos", a 3, que "pode ser facilmente resolvida por alunos do 1º ciclo", ou a 6, que "envolve percentagens tão simples que qualquer aluno do 2º ciclo deveria ser capaz de resolver"."Os conhecimentos testados não estão ao nível do que se deveria esperar de um aluno no final do Ensino Básico. Não são avaliados importantes tópicos que devem ser dominados no 9º ano, como sistemas de equações, proporcionalidade inversa, polígonos e áreas de polígonos", entre outros.Segundo a sociedade, não há em geral nenhum problema em introduzir num teste problemas de matérias de anos anteriores. No entanto, acrescenta, isso não deve ser feito sistematicamente e quando feito deve recorrer-se a conceitos, técnicas e algoritmos correspondentes ao nível mais avançado. "Alguns jovens vão terminar aqui os seus estudos. Outros vão prossegui-los no ensino secundário. Nem uns nem outros podem concluir estar bem preparados para os anos que os esperam pelo facto de conseguirem resolver satisfatoriamente este enunciado", acrescenta.
In Público

Publicada por ILÍDIO TRINDADE

terça-feira, 17 de junho de 2008

A Ministra é perita em quê??

Eu própria não sou capaz de me pronunciar sobre a complexidade de um exame


Às críticas de que as provas estão cada vez mais fáceis, Maria de Lurdes Rodrigues respondeu sublinhando que os enunciados são elaborados por peritos. "Eu própria não sou capaz de me pronunciar com ligeireza sobre o grau de complexidade de um exame, porque isso requer competências próprias. Portanto, devemos ser prudentes nessa avaliação", defendeu. Leia o resto no DN Online.


Comentário

Por que razão será?

A cultura do despacho ou como se esmagam as escolas e se destrói a energia dos professores


Foi publicado o Despacho Normativo n.º 29/2008, de 5 de Junho sobre reorientação do percurso formativo dos alunos do ensino secundário, que introduz alterações ao Despacho Normativo n.º 36/2007 de 8 de Outubro



Lê-se na Página Web da DGIDC e não se acredita. Depois dos despachos internos temos também os despachos normativos e as portarias e os decretos regulamentares e os decretos regulamentares que alteram os decretos regulamentares e por aí adiante numa incontinência normativa que esmaga as escolas e destrói a energia e a motivação dos professores. Reparem nesta loucura: o ME publica em 5 de Junho de 2008 um despacho normativo que altera um despacho normativo aprovado em Outubro de 2007. Oito meses antes!