segunda-feira, 16 de junho de 2008

EDUCAÇÃO NA FINLÂNDIA

Não se pode aproveitar nada?


Na Finlândia, os professores têm uma tarde livre para trabalharem em conjunto: planificam, trocam materiais e elaboram recursos didácticos de forma cooperativa. A ênfase está na atitude colaborativa e no apoio aos alunos que estão a ficar para trás. Não há exames nacionais, os resultados das avaliações externas das escolas não são tornados públicos, não há rankings de escolas e um em cada três alunos recebe aulas de apoio. Na Finlândia, os professores são muto bem pagos, a profissão é socialmente muito valorizada, não existe um sistema formal de avaliação de desempenho dos professores, não existe um Ministério da Educação com poderes curriculares e pedagógicos sobre as escolas, o currículo nacional é mínimo, a autonomia das escolas é grande, os planos de estudos incluem menos disciplinas do que em Portugal, o número de aulas por semana é menor e as aulas têm 45 minutos. Como se vê, é tudo ao contrário de Portugal.

Quem é que Portugal tem copiado? Na avaliação dos professores, Portugal copiou o Chile, Na centralização curricular e pedagógica, inspirou-se na França. Na avaliação externa das escolas, foi buscar o modelo britânico. Ou seja, Portugal tem vindo a copiar os países com piores resultados escolares.

Publicado por Ramiro Marques

COLABORANDO... SEM PRECONCEITOS

CONVITE


Audição sobre Política Educativa: Desafios da Escola Pública

Lisboa – Sexta-feira, 27 de Junho – 16.30h

(Sala do Senado da Assembleia da República)



O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda convida-o(a) a participar na Audição Pública a realizar dia 27 de Junho, na Sala do Senado da Assembleia da República, em que se pretende promover uma discussão alargada sobre a Escola Pública e os desafios que se colocam à sua organização.

Neste âmbito, serão apresentados os resultados do Inquérito recentemente lançado pelo Bloco de Esquerda sobre as Condições do exercício da Actividade Docente, bem como dois Projectos de Lei, que visam respectivamente o Estabelecimento de princípios de organização da escola pública e a Criação de Equipas de combate ao abandono e insucesso escolar.

O debate inicial contará com a participação de:

Ana Drago (Deputada do Bloco de Esquerda)

Pedro Abrantes (CIES – Centro de Investigação e Estudos de Sociologia)

João Paulo Silva (Sindicato de Professores da Região Norte)

Esperando poder contar consigo, agradecemos a confirmação (se possível) da sua presença, bem como a divulgação deste evento.

Com os melhores cumprimentos,

Ana Drago

domingo, 15 de junho de 2008

O DIREITO À EDUCAÇÃO

Um dos traços dominantes da cultura ocidental contemporânea é, seguramente, a exaltação da confiança nas potencialidades individuais, facto que tem levado os sistemas sociais a um aperfeiçoamento cada vez maior das suas estruturas educativas. Procura-se, desta forma, que a cada um sejam dados conhecimentos e instrumentos de análise suficientes para que o seu nível cultural esteja à altura do seu estatuto de pessoa livre, responsável e socialmente participativa. Contudo, se a formação de personalidades individuais constitui uma preocupação dominante em qualquer sistema educativo da actualidade, aperceberno-nos igualmente da necessidade de organizar o tecido social em tomo de alguns pilares que formem uma referência colectiva e duradoura de tradições e de valores para as novas gerações. É necessário precaver a emergência de um individualismo prematuro, lembrando a crianças, adolescentes e jovens que não somos um grupo reunido pelo acaso nem poderemos jamais funcionar como um aglomerado que entre si estabelece relações tão somente funcionais. Em simultâneo com urna educação para a formação da personalidade, é necessária uma educação para a vida pública, urna escola de cidadãos “uma preocupação por vezes excessiva em “preparar os jovens para a vida adulta”, (Martins, 1991). Definir e justificar socialmente a educação e a própria instituição escolar tem levado a concepção que traduz, é cedo, um avanço em relação a urna escola de costas voltadas para a vida em geral mas que pode sobrevalorizar o saber e o saber fazer, subestimando a dimensão do ser Patrício. 1990). Ocupando a escola urna dimensão espacio-ternporal assinalável na vida dos que a frequentam, não se apresenta como tarefa simples a definição das grandes funções da educação e da escola contemporânea.

A luta pelo direito à educação, como direito subjectivo e fundamental do ser humano, é luta – política, pedagógica e psicológica – por uma educação conforme à Ética do direito à educação, para que seja uma arma de defesa e de ataque: de defesa da dignidade e dos direitos pessoais, e de ataque às causas de todas as violações dos direitos de todos.

De acordo com o autor (Monteiro, 1998), a educabilidade é um poder-ser humano, realizado pela educação como um poder sobre o ser humano, que determina o dever-ser humano.

A educação é o maior dos poderes, por três razões principais:

- porque é a forma de poder do homem sobre o homem mais acessível, generalizada e difusa, por ser a mais natural: basta ‘ter filhos’ para exercer um poder sobre alguém;

- porque é um poder de impressão interior dos valores, significações e sentimentos que estruturam um ser humano;

- porque o ideal do exercício do poder político não é a dominação pela violência bruta, mas antes a forma pura da sua interiorização, através da educação.

Como dizia Paulo Freire, citado pelo autor (Monteiro, 1998), por consequência, a educação é a maior responsabilidade do mundo, mas continua a ser a maior irresponsabilidade do mundo. Tem sido pensada e praticada como um direito do homem sobre o homem, isto é, um instrumento de submissão e de instrumentalização cultural, política e económica. Mas o direito à educação é um 'direito do homem' ao seu poder-ser, é "o direito de 'ser mais' inscrito na natureza dos seres humanos".

Concluindo, é no corpo, no coração e no espírito das crianças, dos adolescentes e dos jovens que os pais, os povos e a Humanidade devem semear e cultivar as alegrias do seu futuro.

Safira

Fecho de escolas desertifica o interior


Arganil
Ficaram boquiabertas quando souberam que a escola ia fechar, já a partir do próximo ano lectivo. Juntaram-se e foram pedir ontem explicações à autarquia.
As mães de Almargem, freguesia de Calde, Viseu, não concordam com o encerramento da escola, tanto mais que é frequentada por 10 alunos, número superior ao de dois outros estabelecimentos de ensino localizados na mesma freguesia (Paraduça e Várzea), que não receberam ordens de fecho do Ministério da Educação nem da autarquia. "É verdadeiramente incompreensível que tenha sido mandada encerrar e as outras não", protesta Rosa Maria Ferreira, a representante dos pais das crianças de Almargem. "E o fecho acaba também por ser caricato, já que a nossa escola é a mais central de todas, porque fica entre várias aldeias e tem todas as condições para continuar em funcionamento: é vedada, tem recreio e cantina", acrescenta a mãe, indignada ainda por saber que as crianças de Almargem vão ficar separadas, divididas pelos estabelecimentos de ensino da freguesia que continuarão abertos: Calde, Paraduça e Várzea. "É outra injustiça. Com esta mudança, há crianças que em apenas dois anos são transferidas três vezes de escola. Andar de um lado para o outro é um passo para o insucesso escolar", alerta Rosa Maria, que promete, tal como as outras mães, apresentar-se com a filha na escola de Almargem, no princípio do próximo ano lectivo. Leia o resto.

Comentário
Neste caso, trata-se de uma escola com apenas 10 alunos. Talvez haja justificações pedagógicas para o fecho da escola. Mas o ME está a proceder ao fecho de centenas de escolas com mais de vinte alunos. Há escolas do 1º CEB com quatro turmas que têm vindo a ser encerradas. Aqui perto, em Alvega, no concelho de Abrantes, a DRELVT, com a apoio da autarquia socialista, já informou que a escola EB2,3, com mais de 150 alunos, vai encerrar em 2010. Os alunos serão transferidos para as escolas da cidade de Abrantes, que fica a vinte quilómetros de Alvega.

EXAMES NACIONAIS - ESTRATÉGIA

Quase todo o triste Portugal ficou abismado com a luta dos camionistas! Uma população quase inteira se interrogou como trezentos homens - muitos deles com pouca formação escolar, mas com inteligência acima da média - conseguiram fazer entrar o país em colapso e conseguiram a satisfação das suas reivindicações.

Claro que se discutiu sobre a "ilegalidade" de alguns dos seus actos! Mas os militares, em 25 de Abril de 1974, não estavam a cometer um acto ilegal? Os nossos governantes não cometem ilegalidades todos os dias?

Sou favorável à manutenção da ordem e da legalidade. Esta só poderá ser "violada" quando estiver em causa a "sobrevivência" das pessoas, pois é preferível assistir a desordens e ilegalidades superficiais do que permitir que "pessoas que não têm nada a perder na vida" se unam e, fruto do seu desespero, cometam actos mais graves.

Serve este preâmbulo para partilhar com os colegas a minha perplexidade perante a modorra em que caíram os professores. Depois de uma jornada memorável em 8 de Março, vêem - será que vêem? - o caos a aproximar-se e praticamente nada fazem para se fazer ouvir.

Fala-se em grandes manifestações para o início de Setembro...
Fala-se de um início de ano lectivo cheio de sobressaltos...
Fala-se da guerra que se vai instalar nas escolas...

Mas já pensaram que, agora que se iniciam os exames nacionais do ensino secundário, há uma forma de luta que não custa um cêntimo? Imaginem o que seria todos os professores-correctores dos exames nacionais exigirem escolta policial enquanto tivessem os exames à sua guarda!!!

Por mim, já estou a ver o título das notícias:

"PROFESSORES-CORRECTORES DOS EXAMES EXIGEM ESCOLTA POLICIAL"!

EXAMES NACIONAIS - INSEGURANÇA

Como é hábito há muitos anos - e este ano não é excepção -, os exames nacionais do ensino secundário ganham uma aura de segurança bizarra: são rodeados de segurança férrea (vide notícia) até serem entregues aos professores-correctores, momento em que ficam completamente a descoberto de qualquer protecção.
O professor-corrector, munidos de 50 a 100 exames, fica completamente subjugado à sua sorte: um qualquer acidente, um qualquer assalto, uma qualquer ameaça... Ainda por cima, se tivermos em conta as voltas que tem de dar com os exames na mão (não sei se o dinheiro começa a chegar para comprar uma pasta em condições), desde o agrupamento onde lhe são distribuídos até aí os voltar a entregar uns dias depois...
Há uns anos, resolvi lutar contra esta situação. Vou contá-la com todas as letras. Muitos colegas conhecerão esta minha história, que se passou no agrupamento de exames Olivais-Norte, há uns anos atrás.
Fui convocado para uma reunião preparatória da correcção de exames onde os mesmos haveriam de ser distribuídos. Quase ia chegando atrasado, porque me foi muito difícil encontrar um lugar para estacionar o carro, naquela zona dos Olivais (Lisboa). O parque de estacionamento da escola estava vazio, mas não me deixaram entrar, apesar de me identificar e me conhecerem de há vários anos nesta missão.
Fiquei furibundo com a bizarrice e afirmei, na sede de agrupamento, que não entregaria os exames se, no dia marcado para tal, não me fosse permitido entrar com o carro no parque de estacionamento. Sentia-me inseguro na procura de um local de estacionamento e receava vir com os exames a descoberto, num percurso mais ou menos longo e desconhecido.
Chegado o dia e a hora marcada para a entrega, o bizarro voltou a acontecer: um parque de estacionamento vazio e um porteiro que voltou a não me permitir a entrada, apesar dos rogos e identificação. Ainda ali fiquei, longos minutos, bloqueando a entrada à espera de que fosse aberto o portão. Por fim, lá decidir facultar a entrada a uma colega dessa escola e procurar, bem longe, um lugar para estacionar.
No entanto, eu não estava ali para brincar, pois com coisas sérias não se brinca.
Liguei à PSP, contei a situação, afirmei o meu receio numa rua desconhecida, solicitei a sua presença e a sua escolta até ao local da entrega dos exames. Prontamente chegaram, num carro-patrulha, de onde saíram dois agentes, a quem denunciei os meus receios e que amavelmente acederam ao meu pedido.
Num instante, o cenário tornou-se realidade: rua fora, um professor com um envelope cheio de exames corrigidos e dois agentes da PSP escoltando-o até à mesa onde os exames foram entregues.
E assim me consciencializei da bizarra segurança dos exames nacionais e dos direitos que tem um professor-corrector de exames.

Publicada por Ilídio Trindade

sábado, 14 de junho de 2008

Texto de Garcia Pereira escrito em 12-06-2008

(Posteriormente seleccionado e realçado)

O provocatório e mumificado sorriso com que José Sócrates procurou responder à imensa vaia que o foi receber em Viana do Castelo já não foi bastante para disfarçar o (cada vez mais) indisfarçável isolamento e mesmo revolta que o Povo Português lhe está, justamente, a votar.

A arrogância com que, depois da manifestação de mais de 200 mil trabalhadores em Lisboa no passado dia 5 de Junho, afirmou desdenhosamente 'não se impressionar' com tamanho protesto combina bem com o 'país do faz-de-conta' com que persiste em nos atirar, qual areia, para os olhos de todos nós.

Na verdade, e à boa maneira de todos os ditadores ao serviço de grandes interesses económico-financeiros, não há dia que passe em que Sócrates não tome mais uma medida contra os mais fracos e os mais pobres e em favor dos mais ricos e mais poderosos.

Como não há dia que passe em que - aconselhado por uma multidão de assessores de imagem, protegido por um núcleo crescente de seguranças, amparado por figurantes contratados e pagos ao dia ou por quadros do Partido Socialista 'requisitados' para essa 'nobre' missão de bater palmas ao chefe, e publicitado por uma imprensa de onde já há muito foi convenientemente varrido o jornalismo sério e independente e onde, portanto, não há lugar a perguntas incómodas ou a investigação digna desse nome - não venha pregar que vivemos melhor do que nunca, que os portugueses estão felizes, e que os nossos índices de qualidade de vida não cessam de subir.

A um ano das próximas eleições começa mesmo a valer mesmo tudo, inclusive com o Governo em peso, numa altura em que de novo exige ainda mais sacrifícios aos portugueses, a ir viajar, à custa do erário público, para todos os círculos da emigração, na esperança de, mediante mais embuste e manipulação, aí conseguir os votos que já sabe que em Portugal lhe fugirão inevitavelmente.

Do mesmo passo que depois das tiradas demagógicas pró-consumidor nada foi feito por exemplo quanto à Banca (que continua a engordar com lucros fabulosos e que, em nome da 'importância estratégica do sector', continua a contar com a completa complacência das entidades de supervisão), mantendo-se todas as práticas abusivas desta, desde as taxas, comissões e cláusulas leoninas até ao abuso da sua posição dominante sobretudo sobre os clientes mais pequenos e mais frágeis.

O Governo PS, do mesmo modo que - unicamente para assim 'poupar dinheiro' , põe a Segurança Social a negar a reforma a trabalhadores a cair de mortos ou altera a lei para restringir, como efectivamente restringiu, o acesso ao subsídio de desemprego, permite que a dívida dos patrões à Segurança Social só no último ano tivesse aumentado cerca de 900 milhões de euros.

Mas Sócrates não se impressiona...

E entretanto, pela Lei 53-A/06, de 29 de Dezembro desse ano, o PS alterou à surrelfa e em defesa dos patrões o dito regime legal, passando agora este a estabelecer que empregador que embolsa em proveito próprio o dinheiro descontado a título de Taxa Social Única no vencimento dos seus trabalhadores só praticará o crime de abuso de confiança se já tiverem passado mais de 90 dias sobre a data do pagamento, se a Segurança Social tiver instaurado execução, se esta tiver notificado o mesmo patrão para pagar no prazo de 30 dias e se este não o tiver feito dentro desse prazo! Tudo razões por que se o patrão prevaricador tiver 'bons amigos' na dita Segurança Social que nunca instaurem tais execuções, bem pode meter ao bolso dinheiro que não é dele que nunca será julgado por nenhum crime!?

Isto, enquanto o mesmo Governo de Sócrates, para pagar menos aos mais necessitados, criou uma base de cálculo (o chamado IAS - 'Indexante de Apoios Sociais') de valor bem menor (407,01 euros) do que o já miserável salário mínimo nacional (que, como se sabe, é de 426,00 euros para o mesmo ano de 2008).

Mas Sócrates não se impressiona...

Tendo alterado, também no final de 2006, as regras de acesso ao subsídio de desemprego e ao subsídio social de desemprego, Sócrates fez com que um número cada vez menor de trabalhadores tenha hoje acesso a essas prestações sociais (de Julho de 2007 para Maio de 2008 esse número desceu de 263.278,00 euros para 254,135,00, cobrindo agora apenas 59,52% dos desempregados oficiais (427 mil) e 44,36% da totalidade dos desempregados (ou seja, incluindo os 70 400 de 'inactivos disponíveis' e os 75 500 de 'subemprego invisível', num total de 572 900).

E, mais do que isso, fazendo com que cada vez um maior número de trabalhadores desempregados - porque muitos e muitos deles precários e com contratos de curta duração - não consiga ter o tempo mínimo de contribuições para aceder ao subsídio de desemprego (450 dias nos dois últimos anos) e deste modo tenha apenas acesso ao Subsídio Social, de valor mais baixo.
Com o Governo de Sócrates - o tal que todos os dias nos entra pela casa dentro a repetir à exaustão que 'estamos no bom caminho'... - o número dos contratos a termo aumentou drasticamente (entre o 1.º trimestre de 2005 e o 1.º trimestre de 2008 em cerca de 155 mil), enquanto o número dos contratos de natureza permanente, no mesmo período, baixou de 22,6%!

Mas Sócrates não se deixa impressionar...

Desde 2000 até agora, e de forma muito particular entre 2005 e 2008, o peso dos salários no PIB Português baixou sempre, sendo que agora é de apenas 49,3% do total. E o último Relatório da Comissão Europeia refere mesmo que em Portugal 9% da população (sobre)vive com menos de 10 euros por dia (enquanto a média europeia é de apenas 5%)!
Entretanto, todas as instituições de solidariedade social - aquelas contra as quais o dito Governo Sócrates envia a ASAE para obrigar a deitar fora a comida oferecida pelos cidadãos da zona, das frutas às compotas - se mostram justamente preocupadas com o assustador crescendo de todos os indicadores da miséria social.

O último relatório da AMI di-lo com toda a crueza e clareza: tendo por base os anos de 2003 a 2007, na Grande Lisboa o número de atendimentos aumentou de 2712 para 3729 pessoas. Nesse período 13 926 pessoas recorreram pela primeira vez aos apoios sociais da AMI. O Banco Alimentar contra a Fome apoia regularmente mais de 230 mil pessoas! E a chamada 'Sopa dos Pobres', na Av. Almirante Reis, só no 1.º trimestre deste ano distribuiu 51 646 refeições gratuitas a pessoas necessitadas.

A miséria social e a pobreza - que atingem mais de 2 milhões e 200 mil cidadãos - alcançou já e de forma crescente mesmo as pessoas com empregos e correspondentes salários, só que tão baixos que mesmo esses não dão para satisfazer as necessidades mais básicas.

Mas Sócrates continua a não se impressionar...

Os combustíveis são aumentados todos os dias, mas ninguém - a começar pela chamada 'Imprensa Económica' - fala do preço dos combustíveis à saída das refinarias e da gigantesca margem de lucro obtida a esse nível pelas grandes empresas petrolíferas.
Enquanto isto, pela primeira vez 4 nomes portugueses de donos de fortunas (representando um total de 8 milhões de euros, ou seja, 4,9% de todo o PIB Português!) passaram a figurar na lista de bimilionários do Mundo da revista americana 'Forbes' - são estes, pois, os 'homens de sucesso' de Sócrates...

Mas Sócrates, ainda e sempre, não se deixa impressionar...

E os jovens - que são, ou deveriam ser, o futuro de qualquer Sociedade! - são afinal as principais vítimas de toda esta política de encher uma rica e toda-poderosa pequena oligarquia em detrimento da esmagadora maioria que vive do seu trabalho.
Portugal - que tem cerca de duas vezes e meia menos portadores de licenciatura ou habilitação superior do que a média europeia!? - tem afinal o maior desemprego juvenil licenciado da Europa. Temos actualmente 50 mil jovens licenciados na emigração. E temos também um abandono escolar (medido a nível europeu pelo Eurostat com base no indicador das pessoas com menos de 22 anos, que se encontram já a trabalhar e não têm o 12.º ano) 5 vezes superior à média europeia (50% em Portugal, 10% na UE)!

Um terço dos jovens com menos de 34 anos têm contrato precários; os jovens de idade até aos 29 anos ganham apenas 67% do salário base, para o mesmo posto de trabalho, de um trabalhador com 30 ou mais anos.

E, de acordo com as estatísticas do INE relativas à população residente em 2007, pela primeira vez na história recente, Portugal apresenta um salto natural negativo, ou seja, o número de nascimentos foi inferior ao número de óbitos, situação só similar à ocorrida com a catástrofe da gripe pneumónica em 1918! E a população total só não diminuiu em virtude de nesse mesmo ano (ainda) ter havido um saldo migratório positivo de 19 500 pessoas, embora a tendência, com a saída crescente de portugueses, sobretudo jovens, para o estrangeiro em busca de um ganha-pão - seja para a diminuição ou até desaparecimento de tal saldo.

A situação económica e social é de tal modo madrasta - e a 'lógica' daí decorrente, de que trabalhadores com responsabilidades familiares e sociais não têm lugar no mercado de trabalho da era da globalização é tão forte - que a taxa de fecundidade (n.º de filhos por mulher fértil, e a qual se considera que, para conseguir assegurar a substituição de gerações, deverá ser da ordem dos 2,1) é em Portugal de apenas...1,3, sendo - pasme-se! - os 28,1 anos a idade média da mãe aquando do nascimento do primeiro filho!

E todavia Sócrates continua a não se impressionar...

Mas deste modo e pela mão do mesmo Sócrates e do seu Governo, Portugal é hoje um país de miséria social crescente, de perspectivas de futuro absolutamente entaipadas para os jovens, de condenação à morte lenta para a grande maioria dos idosos, sem Saúde, e sem Educação, sem Justiça, sem transportes, sem alimentação e sem vestuário e calçado minimamente dignos e aceitáveis para a grande maioria dos cidadãos.

É por conseguinte inteiramente justa a revolta de quantos, tendo acreditado nas promessas eleitorais de Sócrates e julgado que com a sua eleição as suas condições de vida e as dos seus filhos melhorariam, se vêem confrontados não apenas com o oposto do que na altura lhes foi vendido para lhes sacar os votos, como também com a arrogância provocatória de quem invoca os mesmos votos assim fraudulentamente obtidos para continuar a atingir os mais necessitados e a abafar e silenciar os críticos e os adversários.
Como é também absolutamente natural o desespero de quem, querendo trabalhar e dar um futuro melhor à geração seguinte, se vê não apenas lançado no desemprego, na miséria e na fome, como autenticamente escarrado pela propaganda oficial que todos os dias lhe entra casa adentro, pintando um país cor-de-rosa que nada tem que ver com a negra realidade do seu dia-a-dia e afirmando 'não se impressionar' com os mais do que justos protestos.

Mas é também importante que se vão tirando outras ilações:
A primeira é a de que, hoje tal como ontem, nada cai do céu e que, para defenderem as suas justas aspirações, os cidadãos só têm uma arma ao seu alcance - unirem-se, organizarem-se, criarem comissões de representação e de luta, elegerem representantes que respondam directamente perante eles, e que possam a todo o tempo ser livremente eleitos e livremente destituídos. E lutar, lutar sempre, sem desfalecimentos e sem oportunismos, por aquilo que é justo e correcto!

A segunda é a de que pouco ou nada valerá lutar e alcançar o derrubamento de Sócrates e do seu Governo reaccionário, se tal for apenas para lá pôr outro igual ou pior - é nessa cantilena do 'mal menor' ou do 'voto útil' apenas nos dois Partidos do Bloco Central (PS e PSD) que desde há mais de 20 anos os portugueses vêm caindo, e cada vez mais o circo se repete - um ganha as eleições criticando o outro e prometendo ir defender os interesses do Povo, e mal se apanha no Poder passa a fazer exactamente o contrário do que prometera, agindo ainda pior do que o Governo que viera substituir, e assim sucessivamente.

É, pois, tempo de mudar e a mudança tem de ser buscada - digam os 'analistas', 'especialistas, 'cronistas' e outros ideólogos do sistema pagos à linha o que disserem - fora desse arco do Poder. E afinal é isso mesmo que as pessoas instintivamente sabem que deve ser feito quando dizem - como hoje se ouve cada vez mais pelas ruas – que 'o que é preciso é outro 25 de Abril, mas desta vez... a sério !'.

Por fim, sobretudo agora quando os oportunistas do costume começam a tentar apostar numa espécie de 'união nacional dos socialistas descontentes', importará também recordar que se o País está a viver o desastre em que se encontra tal se deve, também e em larga medida, à circunstância de, quando Sócrates ganhou as eleições, tais oportunistas terem proclamado aos sete ventos que essa fora a vitória da 'esquerda'. E agora essa pseudo-esquerda que tanto glorificaram, apoiaram e até ajudaram a manter no Poder mostra a sua verdadeira face...

Quem tinha, pois, razão era a opinião, mais do que minoritária - e por conseguinte sem direito a ser ouvida nesta democracia de opereta - que na altura e contra ventos e marés logo então afirmou claramente que a vitória de Sócrates era antes a vitória da Direita, era a vitória do grande Capital Financeiro que com as promessas do PS conseguiu levar para o seu campo a pequena e a média burguesia, os sectores intermédios da sociedade e até um certo sector dos operários.

Agora que a nau mete água por todos os lados e que é cada vez mais natural que - perante o isolamento e desmascaramento crescentes de Sócrates e dos seus sequazes - a Alta Finança comece à procura de uma outra força política que lhe sirva de 'comité de negócios', valerá a pena não esquecer onde conduziu então esse oportunismo de ocasião, a sua proclamada desvalorização das ideologias e a lógica de, em vez de mobilizar o Povo para um Programa Estratégico de salvação do País, procurar apenas cavalgar o descontentamento popular e capitalizar mais alguns votos e obter mais alguns lugares no Parlamento.

É tempo, pois, de o Povo Português não mais se deixar impressionar por Sócrates e pelo séquito de assessores, informadores e aduladores e fazer História, fazer a História que se faz aos ditadores - derrubando-os!

(Movimento dos Professores Revoltados)