Camões
Nem tenho versos, cedro desmedido
Da pequena floresta portuguesa!
Nem tenho versos, de tão comovido
Que fico a olhar de longe tal grandeza.
Quem te pode cantar, depois do Canto
Que deste à pátria, que to não merece?
O sol da inspiração que acendo e que levanto
Chega aos teus pés e como que arrefece.
Chamar-te génio é justo, mas é pouco.
Chamar-te herói, é dar-te um só poder.
Poeta dum império que era louco,
Foste louco a cantar e louco a combater.
Sirva, pois, de poema este respeito
Que te devo e professo,
Única nau de sonho insatisfeito
Que não teve regresso!
Miguel Torga in Poemas Ibéricos, 1965
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Torga e Camões II
Coimbra, 11 de Janeiro de 1980
Lápide
Luís Vaz de Camões.
Poeta infortunado e tutelar.
Fez o milagre de ressuscitar
A Pátria em que nasceu.
Quando, vidente, a viu
A caminho da negra sepultura,
Num poema de amor e de aventura
Deu-lhe a vida
Perdida.
E agora,
Nesta segunda hora
De vil tristeza,
Imortal,
É ele ainda a única certeza
De Portugal.
Miguel Torga in Diário XIII
Lápide
Luís Vaz de Camões.
Poeta infortunado e tutelar.
Fez o milagre de ressuscitar
A Pátria em que nasceu.
Quando, vidente, a viu
A caminho da negra sepultura,
Num poema de amor e de aventura
Deu-lhe a vida
Perdida.
E agora,
Nesta segunda hora
De vil tristeza,
Imortal,
É ele ainda a única certeza
De Portugal.
Miguel Torga in Diário XIII
Torga e Camões III
terça-feira, 10 de junho de 2008
PORTUGAL
Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
in Mensagem, Fernando Pessoa
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Temos um acordo "Burro Gráfico...."
Imagem daqui
«O número de alunos a aprender Latim diminuiu 80 por cento nos últimos dois anos lectivos. Perante os números, professores e investigadores temem o desaparecimento de uma disciplina que desenvolve o raciocínio e facilita a aprendizagem de todas as línguas."»
Professores temem desaparecimento da disciplina
No poupar é que está o ganho...
Como não conseguiu que os professores fossem avaliados pelos resultados dos alunos este ano, a Ministra da Educação tem dado várias entrevistas, defendendo que os professores não devem chumbar os alunos, com os argumentos de que estes não aprendem mais se repetirem o mesmo ano e de que as retenções ficam muito caras ao Estado.
Acredito que aqueles alunos que não querem aprender, dificilmente aprendam alguma coisa, mesmo que repitam, mas também tenho a certeza de que dizer que os professores não devem reprovar os alunos levará a que mais alunos não queiram aprender(...). Também acredito que a curto prazo é muito mais económico passar os alunos. É uma boa teoria: a Ministra da Saúde de igual modo dirá que se devem fechar os hospitais e que não se devem curar os doentes, pois fica muito dispendioso, e o Ministro da Justiça também pode soltar os detidos, porque é muito caro mantê-los na prisão. Se o Parlamento fechasse e os deputados fossem para casa, então ainda se pouparia mais! As eleições também custam dinheiro, se acabássemos com elas, pouparíamos uma fortuna! (...). A partir do próximo ano, quando os professores forem crucificados se os seus alunos não obtiverem sucesso, já não haverá necessidade de andar a apregoar que aluno matriculado é aluno passado, mesmo que falte, pois os docentes fecharão os olhos e obedecerão às pressões, afogando a sua consciência em anti-depressivos.
A longo prazo, não saberemos quem pagará a factura, pois a culpa morrerá sempre solteira…
Acredito que aqueles alunos que não querem aprender, dificilmente aprendam alguma coisa, mesmo que repitam, mas também tenho a certeza de que dizer que os professores não devem reprovar os alunos levará a que mais alunos não queiram aprender(...). Também acredito que a curto prazo é muito mais económico passar os alunos. É uma boa teoria: a Ministra da Saúde de igual modo dirá que se devem fechar os hospitais e que não se devem curar os doentes, pois fica muito dispendioso, e o Ministro da Justiça também pode soltar os detidos, porque é muito caro mantê-los na prisão. Se o Parlamento fechasse e os deputados fossem para casa, então ainda se pouparia mais! As eleições também custam dinheiro, se acabássemos com elas, pouparíamos uma fortuna! (...). A partir do próximo ano, quando os professores forem crucificados se os seus alunos não obtiverem sucesso, já não haverá necessidade de andar a apregoar que aluno matriculado é aluno passado, mesmo que falte, pois os docentes fecharão os olhos e obedecerão às pressões, afogando a sua consciência em anti-depressivos.
A longo prazo, não saberemos quem pagará a factura, pois a culpa morrerá sempre solteira…
L.Osorio
domingo, 8 de junho de 2008
Um ano passa depressa...
"A grande manifestação de Lisboa atingiu uma dimensão supreendente, mas o Governo despreza manifestações e números."
António Barreto, no Público
Sócrates está de partida. Já só falta um ano para o país se ver livre do homem que prometeu 150 mil empregos e, passados três anos, consegue atingir a marca dos 8% de desempregados. Do homem que, numa atitude inédita para primeiro-ministro, processou jornalistas e blogers. Do homem que foi brando para com os poderosos e duro para com os fortes. Do homem que dirigiu o Governo que desfigurou a profissão docente, empobreceu os professores e tornou a profissão uma tarefa impossível. O Povo irá festejar a sua partida. Os professores terão razões a dobrar para participarem nos festejos. Daqui a um ano
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