quarta-feira, 4 de junho de 2008
terça-feira, 3 de junho de 2008
UMA PÉTALA DE EMOÇÃO
Pudesse eu dizer o intangível
Dar-te a face do além
Onde os meus olhos são
Pudesse eu dar-te o indizível
Que o amanhã tem
Velado na escuridão
E então seria possível…
Pudesses tu, ao menos,
Saber ler o meu olhar
Pudesses tu, ao menos,
Acreditar no meu acreditar
E então seria possível…
E eu poria na tua mão
Numa pétala de emoção
A força das ondas do Mar
Luís Costa
Dar-te a face do além
Onde os meus olhos são
Pudesse eu dar-te o indizível
Que o amanhã tem
Velado na escuridão
E então seria possível…
Pudesses tu, ao menos,
Saber ler o meu olhar
Pudesses tu, ao menos,
Acreditar no meu acreditar
E então seria possível…
E eu poria na tua mão
Numa pétala de emoção
A força das ondas do Mar
Luís Costa
Petição contra o Decreto-Lei nº 75/2008 - novo modelo da gestão escolar
A FENPROF lança (3/06/2008), nas escolas e on-line, uma Petição dirigida à Assembleia da República pela qual os signatários propõem que se proceda à alteração do modelo de gestão aprovado pelo Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de Abril, avaliando a sua conformidade legal e constitucional, assim como a adequação das soluções que impõe face à investigação realizada em Portugal nesta área, incluindo as conclusões dos principais estudos solicitados e editados pelo próprio Ministério da Educação.
Assine a petição aqui.
O folclore da avaliação
Não sei se sabem, o ME pediu aos Centros de Formação que indicassem representantes para participarem nuns seminários realizados em regime residencial durante três dias em unidades hoteleiras de grande nível para "aprenderem" a ser formadores de avaliação do desempenho docente.
Nos grupos havia de tudo, desde docentes quase sem experiência significativa até professores universitários, numa verdadeira afirmação de que tudo o que vem à rede é peixe.
A partir de agora, são esses docentes que vão desmultiplicar pelo país a metodologia da avaliação. É a segunda edição, revista e aumentada, da bagunça absurda do concurso para titulares. Que legitimidade têm estes colegas para irem "vender" a avaliação aos outros? Terem estado num seminário onde foram ungidos com os óleos sagrados do poder e recebido as "tábuas dos mandamentos avaliativos" dos seus ideólogos?
Quem disse que o ME não era capaz de formar os avaliadores? A resposta aí está, pode até dar-se o caso de um colega nunca ter tido contacto com metodologias de avaliação do desempenho, mas depois deste seminário ficou especialista e habilitado a fazer formação para outros. Era assim que se fazia na tropa quando eu por lá andei e era necessário preparar carne para canhão, que a guerra era exigente em matéria de números. Pelos vistos continuamos em guerra.
E os sindicatos, o que dizem disto? E as associações de professores? E as Universidades e Escolas Superiores de Educação? E todos os outros especialistas? E os professores que vão aprender a avaliar e a ser avaliados?
Este país ensandeceu ou a avaliação do desempenho docente transformou-se numa actividade próxima da produção de salsichas?
José Manuel Silva
Nos grupos havia de tudo, desde docentes quase sem experiência significativa até professores universitários, numa verdadeira afirmação de que tudo o que vem à rede é peixe.
A partir de agora, são esses docentes que vão desmultiplicar pelo país a metodologia da avaliação. É a segunda edição, revista e aumentada, da bagunça absurda do concurso para titulares. Que legitimidade têm estes colegas para irem "vender" a avaliação aos outros? Terem estado num seminário onde foram ungidos com os óleos sagrados do poder e recebido as "tábuas dos mandamentos avaliativos" dos seus ideólogos?
Quem disse que o ME não era capaz de formar os avaliadores? A resposta aí está, pode até dar-se o caso de um colega nunca ter tido contacto com metodologias de avaliação do desempenho, mas depois deste seminário ficou especialista e habilitado a fazer formação para outros. Era assim que se fazia na tropa quando eu por lá andei e era necessário preparar carne para canhão, que a guerra era exigente em matéria de números. Pelos vistos continuamos em guerra.
E os sindicatos, o que dizem disto? E as associações de professores? E as Universidades e Escolas Superiores de Educação? E todos os outros especialistas? E os professores que vão aprender a avaliar e a ser avaliados?
Este país ensandeceu ou a avaliação do desempenho docente transformou-se numa actividade próxima da produção de salsichas?
José Manuel Silva
NÃO às listas para Conselho Geral...
Hoje, o menino pintor foi à minha escola. Em vez da tela, levou pequenos autocolantes com o cravo de Maio, o lacinho preto e um NÃO. Explicou aos professores o seu sonho e todos aceitaram colocar a flor ao peito, conscientes do seu significado: não integrar nenhuma lista para o Conselho Geral, nem votar em nenhuma candidatura que, eventualmente, possa surgir. Em abono da verdade, devo dizer que não foram bem todos: um colega, pertencente ao Conselho Executivo, teve a amabilidade de declinar a oferta. Compreende-se, não é verdade? Dos restantes, o menino já nem sequer se abeirou. Mas, ao fim da manhã, a minha escola parecia um campo florido, em pleno mês de Abril. Que espectáculo tão belo!O sonho desse menino é tão lindo, a sua crença é tão grande, que eu penso ser capaz de contagiar este pequeno país, de lés a lés. Por isso, mandei fazer pins com o mesmo símbolo, para que todos os meus colegas possam ostentá-lo com orgulho, transmitindo assim, constantemente, mensagens de solidariedade e reforço do espírito colectivo. Esse cravo ao peito será, diariamente, um sinal de esperança, a convicção reforçada numa vitória merecida. Esse cravo lembrará a cada professor que não está só, que pode contar com todos os seus colegas, pois todos o trarão ao peito, enquanto a causa durar.Gostaria que todos os professores do meu país, aqueles que têm esta mesma dor e esta mesma paixão que me tritura, se unissem num amplexo nacional capaz de suplantar todas as manifestações, todas as organizações sindicais: o NÃO de cada um. Cada um de nós diz NÃO e não há força capaz de nos deter. O NÃO de cada um — acreditem — é mais forte do que o grito de cem mil. Tenham a ousadia de experimentar. Podem, se não tiverem melhor, retirar esta imagem do meu blogue (desculpem, mas eu escrevo “blogue” com as cores do meu país). Depois… ponham o milagre a funcionar. Vão ver que não dói nada!
Luís Costa - http://www.dardomeu.blogspot.com/
P.S. – Façam-me o favor de entregar esta mensagem a Mercúrio, o mensageiro dos deuses, para que ele a leve, num instante, a todos os cantinhos deste país cheio de defeitos, mas que tanto amamos.
Luís Costa - http://www.dardomeu.blogspot.com/
P.S. – Façam-me o favor de entregar esta mensagem a Mercúrio, o mensageiro dos deuses, para que ele a leve, num instante, a todos os cantinhos deste país cheio de defeitos, mas que tanto amamos.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Poema de Pablo Neruda
No queda sino un beso de la sal

SI de tus dones y de tus destrucciones, Océano
a mis manos
pudiera destinar una medida, una fruta, un fermento,
escogería tu reposo distante, las líneas de tu acero,
tu extensión vigilada por el aire y la noche,
y la energía de tu idioma blanco
que destroza y derriba sus columnas
en su propia pureza demolida.
No es la última ola con su salado peso
la que tritura costas y produce
la paz de arena que rodea el mundo:
es el central volumen de la fuerza,
la potencia extendida de las aguas,
la inmóvil soledad llena de vidas.
Tiempo, tal vez, o copa acumulada
de todo movimiento, unidad pura
que no selló la muerte, verde víscera
de la totalidad abrasadora.
Del brazo sumergido que levanta una gota
no queda sino un beso de la sal. De los
cuerpos
del hombre en tus orillas una húmeda
fragancia
de flor mojada permanece. Tu energía
parece resbalar sin ser gastada,
parece regresar a su reposo.
La ola que desprendes,
arco de identidad, pluma estrellada,
cuando se despeñó fue sólo espuma,
y regresó a nacer sin consumirse.
Toda tu fuerza vuelve a ser origen.
Sólo entregas despojos triturados,
cáscaras que apartó tu cargamento,
lo que expulsó la acción de tu abundancia,
todo lo que dejó de ser racimo.
Tu estatua está extendida más allá de las olas.
Viviente y ordenada como el pecho y el manto
de un solo ser y sus respiraciones,
en la materia de la luz izadas,
llanuras levantadas por las olas,
forman la piel desnuda del planeta.
Llenas tu propio ser con tu substancia.
Colmas la curvatura del silencio.
Con tu sal y tu miel tiembla la copa,
la cavidad universal del agua,
y nada falta en ti como en el cráter
desollado, en el vaso cerril:
cumbres vacías, cicatrices, señales
que vigilan el aire mutilado.
Tus pétalos palpitan contra el mundo,
tiemblan tus cereales submarinos,
las suaves ovas cuelgan su amenaza,
navegan y pululan las escuelas,
y sólo sube al hilo de las redes
el relámpago muerto de la escama,
un milímetro herido en la distancia
de tus totalidades cristalinas.
Pablo Neruda
Mais uma Escola que resiste...
Declaração do Departamento de Matemática da E S de Tomás Cabreira, Faro
---------------------------------------------- DECLARAÇÃO ----------------------------------------------------------------- Relativamente às recentes declarações da Senhora Ministra da Educação, em que se mostrou preocupada com o insucesso escolar, afirmando que "os chumbos é que são facilitismo", os professores do Departamento de Matemática da Escola Secundária de Tomás Cabreira, reunidos em 30 de Abril de 2008, declaram o seguinte: --------------------------------------- Denunciamos a distorção do conceito correspondente ao termo "facilitismo", tendo em conta a realidade e a vivência concreta na maioria das escolas portuguesas, onde os professores são constantemente pressionados para passarem alunos que não atingem os objectivos mínimos das respectivas disciplinas. ----------------------------------------------------------- Sublinhamos a explicitação, por parte da tutela, das verdadeiras razões que sustentam a preocupação com o insucesso, razões, quer de ordem economicista – chegando a argumentar com o preço de 3000 euros a que fica cada "chumbo" –, quer de ordem estatística – pretendendo comparar níveis de sucesso de países com realidades sociais que não são comparáveis; ---------------------------------------------------------------------------------------------------- Não obstante não enjeitarmos a responsabilidade que nos cabe na parte em que a Senhora Ministra afirma que não é com "chumbos", mas com mais trabalho dos professores que se atinge o sucesso, não deixamos de lamentar que a tutela continue a enviar a falsa mensagem aos alunos e respectivas famílias de que os professores trabalham pouco, em vez do apelo, que vem tardando, de estudo, rigor, trabalho e disciplina nas aulas para a maioria dos alunos e maior acompanhamento e exigência, por parte de muitas famílias, no sentido de cumprirem plenamente o papel que lhes cabe na educação dos filhos; ----------------------------------------------- Atendendo ao momento em que foram proferidas – perto do final de ano lectivo –, classificamos de irresponsáveis as declarações da Senhora Ministra da Educação, pela pretensão de condicionamento dos professores no processo de avaliações que se avizinha. --------- Mais declaramos que a mensagem de desresponsabilização dos alunos e respectivas famílias, essa sim, hipoteca o futuro dos nossos jovens e do País num mundo global cada vez mais exigente. --------------------------------------------------------------------------------------------------- Depois de discutida, a declaração foi aprovada, por unanimidade, pelos professores do Departamento.
---------------------------------------------- DECLARAÇÃO ----------------------------------------------------------------- Relativamente às recentes declarações da Senhora Ministra da Educação, em que se mostrou preocupada com o insucesso escolar, afirmando que "os chumbos é que são facilitismo", os professores do Departamento de Matemática da Escola Secundária de Tomás Cabreira, reunidos em 30 de Abril de 2008, declaram o seguinte: --------------------------------------- Denunciamos a distorção do conceito correspondente ao termo "facilitismo", tendo em conta a realidade e a vivência concreta na maioria das escolas portuguesas, onde os professores são constantemente pressionados para passarem alunos que não atingem os objectivos mínimos das respectivas disciplinas. ----------------------------------------------------------- Sublinhamos a explicitação, por parte da tutela, das verdadeiras razões que sustentam a preocupação com o insucesso, razões, quer de ordem economicista – chegando a argumentar com o preço de 3000 euros a que fica cada "chumbo" –, quer de ordem estatística – pretendendo comparar níveis de sucesso de países com realidades sociais que não são comparáveis; ---------------------------------------------------------------------------------------------------- Não obstante não enjeitarmos a responsabilidade que nos cabe na parte em que a Senhora Ministra afirma que não é com "chumbos", mas com mais trabalho dos professores que se atinge o sucesso, não deixamos de lamentar que a tutela continue a enviar a falsa mensagem aos alunos e respectivas famílias de que os professores trabalham pouco, em vez do apelo, que vem tardando, de estudo, rigor, trabalho e disciplina nas aulas para a maioria dos alunos e maior acompanhamento e exigência, por parte de muitas famílias, no sentido de cumprirem plenamente o papel que lhes cabe na educação dos filhos; ----------------------------------------------- Atendendo ao momento em que foram proferidas – perto do final de ano lectivo –, classificamos de irresponsáveis as declarações da Senhora Ministra da Educação, pela pretensão de condicionamento dos professores no processo de avaliações que se avizinha. --------- Mais declaramos que a mensagem de desresponsabilização dos alunos e respectivas famílias, essa sim, hipoteca o futuro dos nossos jovens e do País num mundo global cada vez mais exigente. --------------------------------------------------------------------------------------------------- Depois de discutida, a declaração foi aprovada, por unanimidade, pelos professores do Departamento.
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