sexta-feira, 23 de maio de 2008

Carta de um Cidadão ao Sr. Presidente da República...

A INDIGNAÇÃO PROLIFERA MAS RESVALA NA CARAPAÇA DA INDIFERENÇA DOS POLÍTICOS, PR INCLUÍDO

23 05 2008

O conhecido advogado José Maria Martins escreveu esta carta ao Presidente da República. Acreditem que o que mais me impressiona é que cidadãos que vivem bem acima da média dos portugueses (tal como advogados e outros profissionais bem pagos) já sentem e escrevem coisas destas!

Exmº Senhor
Prof. Cavaco Silva
Presidente da República Portuguesa

Excelência

José Maria de Jesus Martins, cidadão português, advogado, com
domicilio profissional na Av. Defensores de Chaves, 15 , 3º A,
1000-109 Lisboa, toma a liberdade de junto de V. Exª manifestar o
seguinte:

1 - O jornal “Diário Económico” ,edição de hoje dia 29 de Abril de
2008, noticia , na primeira página, o seguinte:

” Estónia e Eslováquiva vão ser mais ricos que Portugal”. “A economia
portuguesa vai crescer menos em 2008 e 2009. Mesmo assim estará melhor
que a média da Zona Euro mas perde na União Europeia a vinte e sete.
“.

Como V. Exª sabe, até porque tem obrigação de saber, Portugal definha.
Hoje Portugal na União Europeia vai sendo ultrapassado por todos os
Estados Membros.

Em Portugal já há fome. As políticas de emprego são ineficazes. os
portugueses vivem cada vez mais nas margens dos melhores padrões de
vida da UE.

O Governo Português está a levar Portugal para a miséria, para a
vergonha de sermos piores que todos os outros.

Antes, nas décadas de 1960, 1970 e até 1985 os motivos indicados para
o declíneo de Portugal eram a ditadura, o fascismo.

Hoje, Portugal recebe todos os dias milhões de euros de ajudas da UE e
milhões de euros vindos dos emigrantes.

Portugal emagrece, os portugueses já não têm um sistema de saúde que
os proteja, emprego não há, as malas de cartão voltaram em força.

A emigração é a grande válvula de escape para o Governo afirmar que há
menos desemprego, quando afinal o que se passa é que os portugueses
que perderam o emprego nas fábricas emigram, os portugueses que embora
possuam uma licenciatura emigram, porque não têm meios de vida.

Onde e como foram aplicadas as ajudas da União Europeia?

Senhor Presidente, V. Exª não pode desconhecer que na União Europeia
Portugal caminha a passos largos para ser o último. E o último no que
diz respeito aos indices de crescimento, à criação de emprego, aos
padrões de nível de vida.

O Interior está cada vez mais desertificado. O Interior vai ficar sem
os mais velhos porque nem estes já têm estruturas de saúde para os
apoiar na velhice.

A classe política tem delapidado Portugal.

V. Exª não pode fechar os olhos a esta realidade.

Não temos Forças Armadas condignas. Andamos a enviar meia dúzia de
homens para a “cooperação” humanitária, sem meios e poder de fogo, o
que nos avilta, nos enfraquece.

V. Exª sabe que os portugueses estão desesperados. Famintos, sem norte.

Meia dúzia vive à tripa forra, manobram as riquezas nacionais. O resto
vive à rasca passando mal e sentindo que Portugal vai a caminho do
fim, sem influência no estrangeiro, sem rumo e sem norte.

A Lei de Gresham é também para ser aplicada aos membros do Partido
Socialista e não só a Santana Lopes.

Portugal não precisa de um monarca , porque é uma República. V. Exª
tem de tomar posição.

A resposta do Governo Português à noticia que a Estónia e a Eslováquia
vão ser mais ricos que Portugal, nada mais é que a materialização da
anedota que se conta da atitude e comportamento português cada vez que
um individuo cai de um prédio:

“Parte o braço direito, a perna esquerda e a perna direita, fractura o
crâneo e a bacia, e se diz”:Coitado, ainda teve sorte que não partiu o
braço esquerdo!”.

Quo Vadis Portugal?

Qual o Político Português que tem cara para junto dos órgãos da União
Europeia justificar esta miséria?

V. Exª deve ponderar qual a intervenção que deve ter. E intervenção
junto do Governo.O PR não pode calar. Ou então não tem razão de ser.

Não tarda que Cabo Verde , o Zimbabwe, o Burundi , o Mali, O Senegal,
o Equador, o Perú, tenham melhores níveis de vida que
Portugal.

V. Exª deve ponderar bem qual o papel do Presidente da República nesta
conjuntura. Algo tem der ser feito.

Esta miséria não tem justificação. Só a corrupção, o tráfico de
influências , o corporativismo, a incompetência dos políticos pode
justificar esta situação inqualificável, inadmissível.

Portugal está muito doente.

Os portugueses não compreendem o seu silêncio sobre esta realidade. Um
Presidente da República há-de servir para algo. E os portugueses não
sentem que sirva para os ajudar.

Cabe lembrar que em 1979 em artigo publicado , da minha autoria, no
jornal “Notícias de Évora” defendi que a Estónia , a Letónia e a
Lituânia, deveriam sair do jugo soviético.

Estes países hoje são mais desenvolvidods que Portugal!!!

Portugal caminha para graves convulsões sociais. Vamos sem rumo, sem
vergonha, dando um péssimo exemplo ao Mundo.

Nem com “toneladas” de euros que a União Europeia nos envia Portugal
cresce. Inqualificável!

Creia, Senhor Presidente da República, que tenho para mim que o PR
deveria ter tido outra posição quanto à questão da Universidade
Independente e a tudo o que a envolve, e não a posição que teve.

Digo-o, ao abrigo direito de livre opinião e expressão que a Convenção
Europeia dos Direitos do Homem me consagra.

Espero de V. Exª uma atitude, como esperam os portugueses, os jovens
da geração dos “500 euros” e os outros que já sentem vergonha deste
estado de coisas.

Com os meus respeitosos cumprimentos.

O cidadão Português
José Maria de Jesus Martins

A avaliação simplificada segundo o decreto regulamentar 11/2008 de 23 de Maio

Relativamente aos docentes que no ano escolar de 2007-2008 necessitam da atribuição da avaliação de desempenho para efeito de progressão na estrutura de carreira ou para o efeito da renovação ou celebração de novo contrato, o órgão de direcção executiva procede à aplicação de um procedimento de avaliação simplificado que inclui o seguinte:a) A ficha de auto -avaliação;b) A avaliação dos seguintes parâmetros pertencentes à avaliação efectuada pelo órgão de direcção executiva:i) Nível de assiduidade;ii) Cumprimento do serviço distribuído;iii) Acções de formação contínua.3 - Na ficha de auto-avaliação devem ser preenchidos todos os campos, ainda que alguns apenas parcialmente por não terem sido fixados objectivos individuais.4 - O parâmetro referido na subalínea iii) da alínea b) do n.º 2 só é considerado quando a obtenção de crédito de formação revestisse carácter obrigatório e existisse oferta financiada nos termos legais, aplicando-se ainda o disposto no n.º 5 do artigo 33.º do Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

INICIATIVA DO PROMOVA, PARA 7 DE JUNHO, EM VILA REAL

CONVITE

O Movimento PROmova não se conforma com o modo como a Plataforma Sindical hipotecou a indignação dos professores e desbaratou o capital de protesto que foi possível conglutinar, enveredando por manifestações folclóricas e esvaziadas de eficácia (penosamente, também esvaídas de participação), que veicularam uma mensagem falseada de pretensa concordância dos professores com o Memorando de Entendimento.

Como estamos convictos que os professores continuam a rejeitar o essencial da política educativa deste Governo, de que o novo modelo de avaliação, entre outros aspectos, é uma peça deplorável, o Movimento convida todos os educadores de infância e professores dos ensinos básico e secundário a participarem num ENCONTRO DE PROFESSORES a realizar no dia 7 de Junho de 2008, pelas 10.00 h, no auditório do Instituto Português da Juventude, em Vila Real (junto à Escola EB2,3 Diogo Cão), visando debater o estado actual de descontentamento da classe docente e definir as melhores estratégias de actuação, de acordo com a seguinte agenda:

1) Formas de organização e estratégias de intervenção futuras do Movimento PROmova.

1.1 Definição de um núcleo consensual de reivindicações e de ideias mobilizadoras.

1.2 Acções a concretizar no imediato e no próximo ano lectivo.

A força dos professores e a persistência da nossa luta contra a prepotência e a incompetência desta equipa ministerial depende da presença e da mobilização de todos nós.
Vamos dizer PRESENTE!

Aquele abraço solidário (com o carácter e a firmeza dos princípios),

PROmova

P.F. DIVULGAR O MAIS POSSÍVEL A INICIATIVA

Comme un pressentiment





La mer fascinera toujours ceux chez qui le dégoût de la vie et l'attrait du mystère ont devancé les premiers chagrins, comme un pressentiment de l'insuffisance de la réalité à les satisfaire.

Marcel Proust

"NOVAS OPORTUNIDADES" E "SUCESSO", CLARO!


Será que ainda há alguém que não entende que o GAVE deve ter, por certo, instruções para que o "sucesso" seja uma realidade e para que as "Novas Oportunidades" se transformem, de excepção, em regra? E chumbos? Não pode haver chumbos... ou já se esqueceram?

Quem passa os dias nos gabinetes navega no céu e voa pelos mares!

A notícia que segue é sintomática:


Educação: Soc. Matemática "repudia" críticas do director do Gabinete de Avaliação Educacional

Lisboa, 22 Mai (Lusa) - A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) considerou hoje "inexactas e infelizes" as declarações do director do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) sobre as críticas da SPM às provas de aferição, sublinhando que tem "competência" para as fazer.

Quarta-feira, em declarações à agência Lusa, o director do GAVE qualificou de "inadequadas" e "levianas" as críticas que a SPM tinha feito no dia anterior às provas de aferição da disciplina, questionando a capacidade técnica do grupo em matéria de avaliação educacional.

A Sociedade tinha criticado a existência de questões "demasiado elementares" nas provas de aferição de Matemática do 4º e 6º anos, afirmando que os resultados poderiam ser bem piores se os enunciados fossem "mais exigentes".

Hoje, em comunicado, a SPM "repudia em absoluto" as afirmações de Carlos Pinto Ferreira, afirmando que "tem a competência para criticar provas de matemática" e que tem igualmente "todo o direito de o fazer".

Reitera ainda que os enunciados contêm "um número exagerado de questões demasiado elementares", quer na prova do 4º ano, quer na do 6º ano, e que, "com provas tão fáceis", o Ministério da Educação está a "desautorizar o esforço dos professores que têm insistido com os seus alunos na necessidade de dominar bem o cálculo, o raciocinio e os conceitos matemáticos".

"Não há perguntas demasiado elementares mas sim com graus de dificuldade diferentes - mas é assim que as provas devem ser feitas. Só quem não percebe de técnicas de avaliação educacional é que pode fazer essa acusação", tinha afirmado Carlos Pinto Ferreira.

"O comentário do director do GAVE dá a entender que nunca, em circusntância alguma, poderia haver questões demasiado elementares, mas apenas questões de dificuldade variável. Discordamos, como é obvio", responde a SPM.

Em 2007, quatro em cada dez alunos do 6º ano tiveram nota negativa na prova de aferição de Matemática, enquanto no 4º ano quase 20 por cento dos alunos teve "Não Satisfaz".

Em relação a Língua Portuguesa, os resultados não evidenciaram discrepâncias significativas entre os dois anos de escolaridade: entre os alunos do 6º ano, 85 por cento obteve nota positiva, prestação alcançada por quase 90 por cento dos colegas do 4º ano.

Os resultados das provas de aferição das duas disciplinas serão divulgados a 18 de Junho.

In RTP1

ANTES E DEPOIS DE MAIAKOVSKI

Maiakovski (1893-1930) Poeta russo "suicidado" após a revolução de Lenin… escreveu, ainda no início do século XX:

            Na primeira noite, eles se aproximam
            e colhem uma flor de nosso jardim.
            E não dizemos nada.

            Na segunda noite, já não se escondem,
            pisam as flores, matam nosso cão.
            E não dizemos nada.

            Até que um dia, o mais frágil deles, entra
            sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
            e, conhecendo nosso medo,
            arranca-nos a voz da garganta.

            E porque não dissemos nada,
            já não podemos dizer nada.


Depois de Maiakovski…


Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

    Bertold Brecht (1898-1956)



Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...


    Martin Niemöller, 1933 - símbolo da resistência aos nazistas.



Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...

Até quando?...

Sócrates, logo no dia da posse, atacou os farmacêuticos...Eu não disse nada, porque não sou farmacêutico.A seguir atacou os magistrados; também nada disse, porque não sou magistrado.Depois foi aos médicos e enfermeiros. Também nada disso é comigo.A seguir congelou as carreiras dos funcionários públicos. Quero lá eu saber, nem sou manga de alpaca.Maltratou os polícias, os militares, os professores... os padres também não escaparam!Aumentou os impostos.Aumentou a idade da reforma, a insegurança nas ruas, nas escola e até nas nossas casas.Ah! Mas criou “as novas oportunidades”, “o divórcio”, a insegurança, o crime, a violência, os “canudos” de férias e domingos.Hoje bateu à minha porta com a Lei da Mobilidade e atirou-me para o desemprego.Já gritei e ninguém me ouve, até parece que a coisa só me afecta a mim.O que os outros disseram foi depois de ler Maiakovski.Incrível é como, após mais de cem anos, ainda nos encontremos tão desamparados, inertes e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes, que vampirizam o erário, aniquilam as instituições e deixam aos cidadãos os ossos roídos e o direito ao silêncio: porque a palavra há muito se tornou inútil…Até quando?...