domingo, 11 de maio de 2008
Ferreira Leite critica "curso à Sócrates"
Manuela critica "curso à Sócrates"
"A ideia de que se tem um canudo estilo
engenheiro Sócrates, que dá para tudo, já não
serve e o desemprego de jovens licenciados está
ligado a esta questão: ou bem que o canudo tem
algum significado, ou não serve para nada neste
momento." A frase é de Manuela Ferreira Leite
proferida ontem em Lourosa, Santa Maria da Feira,
perante uma plateia de jovens sociais-democratas.
Num encontro que serviu para divulgar os
mandatários da juventude, entre eles Joaquim
Biancard Cruz, a antiga ministra das Finanças e
da Educação lembrou que hoje "precisamos de um sistema educativo sólido".
Em 2007, o percurso académico do primeiro-ministro gerou grande polémica.Ao proferir estas palavras, Ferreira Leite quis
transmitir que "acabaram os empregos para toda a
vida e hoje a formação não termina quando se
conclui um curso na universidade", num dia de
périplo pelo norte do País, tal como os seus
adversários Pedro Passos Coelho e Santana Lopes.E, se durante a tarde, Ferreira Leite fez
intervenções para dentro do PSD, defendendo que
"todos cabem" no partido, assegurando que se
vencer terá de "saber lidar com as críticas", no
final do dia falou sobre Educação. Na ocasião,
lembrou que os jovens devem ser empreendedores
sem depender do Estado. Antes, atacou o modelo de
desenvolvimento baseado nas Obras Públicas.Correio da Manhã
11 Maio 2008 - 10h48
Hino ao(à) professor(a)
Hino ao(à) professor(a)
CONDOR
Quando a ventania te fustiga
E a voz do trovão te abalroa;
Quando as vagas te batem na proa
E a tempestade não se mitiga,
Porque temes a fúria inimiga,
Porque te encolhes, professor,
Se possuis nas nervuras da mão
A força bruta de um tufão?
Quando vês a seara ameaçada
Pela pulha praga predadora,
E a tua lide geradora
Se agiganta multiplicada,
Porque choras na eira estragada
Porque te conformas, professor,
Se possuis nas nervuras da mão
A energia que brota do chão?
Quando o labor do teu longo dia
Se confunde com a noite escura,
E a cava voz da conjuntura
Te acusa de ócio e de abulia,
Porque atrofias a rebeldia,
Porque consentes, ó professor,
Se possuis nas nervuras da mão
A seiva da nova geração!
Tu, que trazes cavadas no peito
As fundas chagas da humilhação,
Porque aceitas essa condição?
Porque choras o trilho desfeito
E te anulas num nicho sem preito?
Porque te curvas, ó professor,
Se possuis nas nervuras da mão
O tal respeito que te não dão?
Porque receias, ó professor,
Ser livre e voar como um condor?
sábado, 10 de maio de 2008
Atribuição de Excelente e Muito Bom...
Serão raros os docentes que poderão tirar benefícios da atribuição de dois excelentes consecutivos
Tido como bandeira e usado como escudo de defesa pela senhora ministra que não se cansa de repetir que o ECD propõe uma avaliação de desempenho que valoriza a excelência, distingue e premeia quem apresenta melhor desempenho.
Pois é MENTIRA, como se pode constatar pela análise cuidada do artigo 48º ECD.
Artigo 48º
Efeitos da avaliação
1- A atribuição da menção qualitativa de Excelente durante dois períodos consecutivos de avaliação de desempenho determina a redução de quatro anos de serviço docente exigido para efeitos de acesso à categoria de professor titular.
(...)
Analisemos então:
Para a obtenção de 2 Excelentes consecutivos são precisos 4 anos.
Os professores podem aceder à categoria de professor titular com 18 anos de serviço.
Pelo que, só os professores com menos de 12 anos de serviço poderão beneficiar desta redução.
Como sabemos, são muito poucos os professores com menos de 12 anos de serviço em condições de sonharem com tal menção, sendo que, muitos nem do quadro serão.
Comissão paritária reuniu ontem...
Comissão paritária reuniu ontem pela primeira vez
Reuniu na tarde 9 de Maio, pela primeira vez, a Comissão Paritária criada na sequência do "Memorando de Entendimento" entre o ME e os Sindicatos, e que visa acompanhar o processo de implementação da avaliação e preparar as negociações, previstas para Junho e Julho de 2009, de onde decorrerá a sua alteração.
Foi uma reunião em que, sobretudo, se discutiu o método de organização e de trabalho, ficando claro que os Sindicatos, através desta comissão, terão acesso a todos os documentos provenientes das escolas e do CCAP, mas darão nota, também, de informações e dados que recolham directamente dos professores.
Para além da recolha que fará através dos delegados e dirigentes sindicais directamente nas escolas, a FENPROF criou já uma "linha verde de e-mail" especificamente para esse efeito. Os professores poderão enviar denúncias para a linha verde de e-mail, no caso de existirem, nas suas escolas, ilegalidades ou exorbitâncias no processo de avaliação de desempenho. Consideram-se ilegalidades, prepotências e exorbitâncias a aprovação de fichas de avaliação de desempenho que contrariem o decreto regulamentar da avaliação simplificada.
Entretanto, ficou já prevista nova reunião para dia 23 de Maio, onde, entre outros aspectos, voltará à mesa da discussão o despacho ministerial que contém as fichas e grelhas de avaliação.
À margem da Ordem de Trabalhos, a FENPROF solicitou o relatório do ME sobre os edifícios escolares que contêm amianto.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Poema de Bocage
Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!), porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?
Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh!, venha... Oh!, venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!
Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.
Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!
(Bocage)
Avaliação do desempenho atingiu o ridículo...
O método das 96 condutas ou como a avaliação de desempenho atingiu o ridículo
O célebre método das 96 condutas é uma peça que ajuda a compreender os malefícios do modelo de avaliação de desempenho imposto pelo decreto regulamentar 2/2008. O método está ser divulgado numa acção de formação para PCEs e coordenadores de departamento e custa 200 euros. A acção de formação "oferecida" pelo INA está a ter uma aceitação grande entre os PCEs e coordenadores de departamentos. Apesar de custar 200 euros, a procura foi tão grande que algumas ofertas esgotaram. De entre algumas pérolas, eu destacaria 6 condutas:"o professor cria ferramentas de controlo da sua actividade e dos outros"."O professor inova com ideias jamais testadas em alguam lado" (esta, além de perigosa é louca!-sublinhado meu)."O professor cria e implementa processos claros e reconhecidos pelos alunos para facilitar a sua disponibilidade e apoio aos mesmos"."O professor disponibiliza-se para actividades que ultrapassem as suas obrigações horárias e profissionais" (Esta é inacreditável! E por que não o professor disponibilizar-se para adoptar um aluno violento e levar para casa os alunos cujos pais trabalham de noite?)."O professor não gera mau ambiente no local de trabalho" (um professor que questiona e que reage aos atropelos e ilegalidades provoca mau ambiente?)."É receptivo à mudança" (mesmo que sejam mudanças tolas ou para pior?).É bem possível que esta lista de 96 condutas seja apropriada para fazer a avaliação de desempenho nas empresas que vendem bens materiais e serviços. O que eu sei é que é inadequada para fazer avaliação de desempenho de profissionais que trabalham em escolas, ou seja, em instituições que produzem bens espirituais (conhecimento). Estou certo de que o formador procura fazer o melhor que lhe é possível e é um profissional com credenciais em avaliação na área empresarial. O problema central não está nem no formador nem nesta acção de formação: está no decreto regulamentar 2/2008, que impõe um modelo de avaliação de professores que é próprio das organizações que vendem bens materiais e não das escolas. O cerne do problema está na política de educação seguida pelo Governo, uma política empresarial para as escolas, e na legislação aprovada, em particular o ECD, que desfigura a profissão docente e pretende fazer dos professores funcionários sem autonomia profissional e sujeitos a uma avaliação comportamentalista, segmentada e burocrática, de todo incompatível com as verdadeiras funções do professor.
Para saber mais sobre este assunto, visite o blog Terrear