terça-feira, 22 de abril de 2008
Trova do vento que passa...
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novos
e notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novos
e notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre
A maior aula do mundo...
A maior aula do mundo assinalada, amanhã, em Portugal
Cerca de 80 países vão dar amanhã a ‘maior aula do mundo’, o objectivo é apelar a uma educação para todos. Em Portugal, 100 estabelecimentos escolares aderiram à iniciativa com o lema «Mais Educação, menos Exclusão». Entre os países em vias de desenvolvimento, 88% das crianças já iam à escola em 2005, mas considerando só a África subsariana o valor não passa dos 70%, segundo o relatório da ONU de 2007, sobre o Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, que ainda mostra serem as raparigas que menos vão à escola (20%). E se entre classe alta apenas 12% não vão à escola, entre as classes mais baixas o valor sobe para 37%. Leia mais.
Luta é para continuar...
Mário Nogueira, ontem, em Coimbra, sossega os professores: luta é para continuar
FENPROF garante que professores vão lutar até o Governo deixar de 'destruir a escola pública'.O coordenador da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) garantiu hoje que a luta dos professores «não vai acabar enquanto este Governo continuar a destruir a escola pública», apesar do memorando de entendimento assinado com o Ministério da Educação. Saiba mais. Comentário meuHá mais de dois anos que o ME não negociava com os sindicatos. Tinha-os substituído por um órgão dócil: o Conselho de Escolas. E queria fazer o mesmo com a criação do CCAP. A marcha dos 100000 professores impediu que tal acontecesse. A criação da comissão paritária para acompanhamento da avaliação de desempenho foi uma vitória dos professores e uma clamorosa derrota para os dois orgãos que a ministra tinha criado: o Conselho de Escolas e o CCAP. Em democracia, o Governo negoceia com as associações sindicais. São estas que, melhor ou pior, representam os trabalhadores. Não são os órgãos criados pela tutela e na dependência hierárquica da tutela. Convém não esquecer que a ministra da educação preside às reuniões do CCAP sempre que quiser! A partir de agora, exige-se uma mensagem clara dos sindicatos: a par a negociação, pressão nas ruas e nas escolas contra o Governo. Os professores só poderão vencer esta luta se contribuirem para a justa e merecida derrota do PS nas próximas eleições. Para que sejam derrotados, basta que percam a maioria absoluta. Ficarão a saber que a perderam por causa das malfeirorias feitas aos professores. Não se trata desta forma um grupo profissional com a importância cultural e simbólica que os professores têm!
FENPROF garante que professores vão lutar até o Governo deixar de 'destruir a escola pública'.O coordenador da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) garantiu hoje que a luta dos professores «não vai acabar enquanto este Governo continuar a destruir a escola pública», apesar do memorando de entendimento assinado com o Ministério da Educação. Saiba mais. Comentário meuHá mais de dois anos que o ME não negociava com os sindicatos. Tinha-os substituído por um órgão dócil: o Conselho de Escolas. E queria fazer o mesmo com a criação do CCAP. A marcha dos 100000 professores impediu que tal acontecesse. A criação da comissão paritária para acompanhamento da avaliação de desempenho foi uma vitória dos professores e uma clamorosa derrota para os dois orgãos que a ministra tinha criado: o Conselho de Escolas e o CCAP. Em democracia, o Governo negoceia com as associações sindicais. São estas que, melhor ou pior, representam os trabalhadores. Não são os órgãos criados pela tutela e na dependência hierárquica da tutela. Convém não esquecer que a ministra da educação preside às reuniões do CCAP sempre que quiser! A partir de agora, exige-se uma mensagem clara dos sindicatos: a par a negociação, pressão nas ruas e nas escolas contra o Governo. Os professores só poderão vencer esta luta se contribuirem para a justa e merecida derrota do PS nas próximas eleições. Para que sejam derrotados, basta que percam a maioria absoluta. Ficarão a saber que a perderam por causa das malfeirorias feitas aos professores. Não se trata desta forma um grupo profissional com a importância cultural e simbólica que os professores têm!
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Os bodes expiatórios...
Os professores são os bodes expiatórios das asneiras que os políticos têm feito
Quando a ministra diz que Portugal tem a maior taxa de chumbos da Europa, esquece-se de falar dos factores sociais e económicos que, quer queiramos quer não, nos puxam mesmo para a cauda da Europa. Basta ler os estudos de Bruto da Costa e verificar quantas famílias se encontram abaixo do limiar da pobreza; uma em cada quatro crianças encontra-se em risco e os níveis de iliteracia das famílias são mínimos. Dá-se à Escola meios para combater esta situação? Existem equipas pluridisciplinares, no terreno, efectivamente ligadas à instituição? O que conheço são projectos, experiências, técnicos em estágio, cujo trabalho meritório, não tem condições para continuar.Haverá por acaso, na Finlândia, escolas com inúmeras etnias e mais de vinte nacionalidades, como nós temos? Por favor, não digam mais asneiras e não falem do que não sabem. Vamos ao terreno. Vamos ver as condições em que a maioria das nossas crianças vive, as horas que passam sem os pais, sujeitos a horários intermináveis(nós, professores, somos uns deles), vejam a falta de qualidade dos nossos prolongamentos do 1º ciclo; o número de associações a trabalhar nos bairros e a ginástica que fazem para sobreviver. Vejam quantos pedopsiquiatras existem. No meu distrito, o maior do país, temos uma para toda a população infanto-juvenil. Vejam e depois falem-me de insucesso e abandono como resultado do mau trabalho, de todos aqueles, que na sua escola, na sua comunidade, fazem milagres. O último que conheci, foi uma colega ser obrigada a dar apoio a um aluno surdo-mudo, sem ter a docente uma única noção da Língua Gestual.Há professores irresponsáveis? Há sim senhor. Como em todas as profissões. Mas nenhuma profissão aguentou um barco tão mal governado, como os professores aguentaram. E porquê? Porque o Poder sabe que a grande maioria dos professores aceita muitas malfeitorias, sempre em prol dos seus alunos, em prol de um sonho. E até isso eles nos querem tirar. Chega!Helena
Quando a ministra diz que Portugal tem a maior taxa de chumbos da Europa, esquece-se de falar dos factores sociais e económicos que, quer queiramos quer não, nos puxam mesmo para a cauda da Europa. Basta ler os estudos de Bruto da Costa e verificar quantas famílias se encontram abaixo do limiar da pobreza; uma em cada quatro crianças encontra-se em risco e os níveis de iliteracia das famílias são mínimos. Dá-se à Escola meios para combater esta situação? Existem equipas pluridisciplinares, no terreno, efectivamente ligadas à instituição? O que conheço são projectos, experiências, técnicos em estágio, cujo trabalho meritório, não tem condições para continuar.Haverá por acaso, na Finlândia, escolas com inúmeras etnias e mais de vinte nacionalidades, como nós temos? Por favor, não digam mais asneiras e não falem do que não sabem. Vamos ao terreno. Vamos ver as condições em que a maioria das nossas crianças vive, as horas que passam sem os pais, sujeitos a horários intermináveis(nós, professores, somos uns deles), vejam a falta de qualidade dos nossos prolongamentos do 1º ciclo; o número de associações a trabalhar nos bairros e a ginástica que fazem para sobreviver. Vejam quantos pedopsiquiatras existem. No meu distrito, o maior do país, temos uma para toda a população infanto-juvenil. Vejam e depois falem-me de insucesso e abandono como resultado do mau trabalho, de todos aqueles, que na sua escola, na sua comunidade, fazem milagres. O último que conheci, foi uma colega ser obrigada a dar apoio a um aluno surdo-mudo, sem ter a docente uma única noção da Língua Gestual.Há professores irresponsáveis? Há sim senhor. Como em todas as profissões. Mas nenhuma profissão aguentou um barco tão mal governado, como os professores aguentaram. E porquê? Porque o Poder sabe que a grande maioria dos professores aceita muitas malfeitorias, sempre em prol dos seus alunos, em prol de um sonho. E até isso eles nos querem tirar. Chega!Helena
FINLÂNDIA...
O país dos professores
Decidem o que ensinam, como ensinam, a quem e a que ritmo. Têm tanta liberdade como preparação. São os professores da Finlândia, venerados por toda a sociedade e uma peça chave para que o seu país lidere, desde finais dos anos noventa, a lista educativa da OCDE, mais conhecida como Relatório Pisa. "Fazemos a escola que queremos. Dependemos de nós mesmos. É maravilhoso." Conta Eine Liinanki, professora da escola primária no Arábia, uma das 200 escolas de Helsínquia.São nove da manhã e na sala de professores do Arábia toma-se café, lê-se a imprensa e conversa-se sobre os planos do dia. Os colegas de Liinanki não ficam atrás em elogios a um sistema educacional dominado pelas escolas públicas - mais de 90% - e que não se caracteriza por ter muitos alunos brilhantes, mas por ter um número muito baixo de fracassos escolares. Segundo dados de 2001, a Finlândia dedicou à educação 6,25% do PIB.O Conselho Nacional de Educação da Finlândia, um organismo dependente do ministério, é encarregado de elaborar os conteúdos mínimos que depois os professores, todos com formação universitária e a maioria com um master no seu currículo, desenvolverão segundo os seus critérios."Damos-lhes muita liberdade e isso é fundamental para a motivação do professorado. É verdade que os professores não estão muito bem pagos, mas gozam de um grande reconhecimento social", explica Reijo Laukkanen, do Conselho Nacional. Um professor da escola primária na Finlândia recebe cerca de 25% menos que um colega seu espanhol, segundo os dados da OCDE. Mas os professores estão conscientes do seu papel como motor fundamental da sociedade finlandesa. Por isso, há disputas para entrar na escola de Pedagogia e para obter um lugar como professor.Mas, que faz com que num país a educação se transforme no eixo sobre o qual gira a sociedade? Que leva um país a venerar os seus professores? "É uma questão de cultura, de reconhecimento histórico", indica Jari Jokinen, que representa o seu país na UE, "a Finlândia foi o segundo país do mundo, e o primeiro da Europa, a permitir o voto das mulheres. As mulheres sempre tiveram muito claro que os seus filhos teriam uma vida melhor se estudassem e elas próprias incentivaram a participação na vida pública para que o nível educativo seja alto na Finlândia". Outro dos argumentos que se ouve nos círculos educativos aponta o nacionalismo do século XX. Helsínquia, desejosa de desfazer-se do domínio sueco e russo, apostou na educação e na aprendizagem do finlandês como ferramenta para a emancipação cultural. Foi então que se criaram as escolas públicas.Toca a campainha no Arábia e os professores vão para as salas. Os alunos - todos descalços - perguntam sem complexos quem é aquela visita que ali está. A relação com os crescidos é muito fluente e os alunos fazem gala de uma saudável segurança em si mesmos. Um grupo de 15 e 16 alunos tem na primeira hora da manhã aula de sueco, língua oficial que é falada por 6% da população. Na aula, Justus Mollberg, vestido ao mais puro estilo da moda londrina, aborrece-se. Levanta-se no meio da lição e fala em inglês fluído. "Não gosto do sueco, porque é obrigatório". "Está muito bem e aprecio a tua sinceridade", responde-lhe a professora. A aula de Mollberg tem 16 alunos, o número máximo permitido.Quando termina o ano, Mollberg e os seus colegas sentam-se com os pais e professores, avaliando os objectivos que os próprios alunos fixaram no início do ano e irão decidir a sua nota. Pouco importa, porque na verdade o que conta é a avaliação contínua, isto é, a aprendizagem e a atitude do jovem durante todos os dias do ano. Para Matti Meri, um dos professores da Faculdade de Pedagogia de Helsínquia, é a única maneira sensata de funcionar. "O ser humano tem que ser capaz de fixar os seus próprios objectivos e, depois, ser capaz de avaliar-se. É preciso torná-los responsáveis pela sua própria vida desde o princípio, que aprendam a não delegar na sociedade a responsabilidade dos seus actos". Meri acha além disso que é fundamental estabelecer uma relação de igualdade entre professores e alunos. "O professor não tem que saber muito. Tem que saber escutar. Às vezes, é mais importante escutar o aluno e partilhar os seus conhecimentos. Na Finlândia, os professores e os alunos respeitam-se muito, mas não por uma questão de hierarquia, mas de igualdade". E essa palavra, igualdade, aparece uma e outra vez nos folhetos do Ministério da Educação finlandês. Ensino público para todos, comida grátis na escola, livros escolares fornecidos pelo Estado...Hoje todos os professores do Arábia, nome do bairro da classe média dos arredores de Helsínquia onde está situado, levam vestido uma peça vermelha de roupa. Os alunos decidiram que esta será a semana das cores e os professores acatam a vontade dos mais pequenos. Hoje é o vermelho. O recreio também tem uma ar avermelhado: colares, cachecóis e saias misturam-se com as cabeças loiras dos alunos. A classe que mais peças vermelhas reunir ganhará o concurso, uma iniciativa que também partiu dos alunos.No começo do ano, cada classe escolhe dois representantes entre os alunos, que se reúnem periodicamente com os pais e professores para lhes expor os seus problemas e projectos. Uma vez por ano, os delegados de todas as escolas de Helsínquia reúnem-se com o Presidente da Câmara para lhe apresentar uma petição comum. Os brilhantes sofás de um dos corredores do Arábia, nos quais se esticam os alunos durante os intervalos, foram a petição do ano passado.São 10 e 45, hora de almoçar. Kaisu Kärkäinen, a directora do Arábia almoça na sala de jantar com os professores e os alunos. "Nesta escola os professores mandam. Decidem onde devemos gastar o dinheiro, elaboram o seu próprio programa, fazem visitas de estudo quando querem e escolhem alguns dos livros escolares", explica. Uns pescam no gelo durante a aula de Ciências Naturais, outros vão ao museu na de História ou fazem uso da Internet na de Geografia. A falta de directrizes procedentes do ministério ou da escola obriga-os a ser criativos.Ninguém fica para trásNa Finlândia, os alunos com dificuldades de aprendizagem - chama-nos multiespeciais - e os que necessitam de subir nota, estudam um programa à medida. O objectivo é que nenhum deles fique para atrás. O professor Jorma Kuittinen explica o método: "Estudam as mesmas matérias, mas com um programa individualizado". Como o resto dos alunos, eles provam o sabor do mercado de trabalho durante duas semanas por ano, nas quais trabalham como merceeiros, mecânicos, padeiros. Kuittinen diz que os rapazes da multiespecial são muito bons em trabalhos manuais e normalmente optam por prolongar o tempo de trabalho no mundo exterior. Só 10% dos alunos abandonam a escola após terminar a educação primária, face à média europeia que ronda os 18%.Como integrar os alunos procedentes de outras culturas é, no entanto, algo que os professores finlandeses pouco têm trabalhado.Nas escolas há muito poucas crianças filhos de emigrantes, algum somalis, iraquianos... Mas cada vez são mais os que chegam para ficar a este país de cinco milhões de habitantes. "Saber integrar estes novos alunos será o desafio seguinte", assim acredita a embaixada da Finlândia em Bruxelas.
Tradução JURISLigação para o artigo original
Decidem o que ensinam, como ensinam, a quem e a que ritmo. Têm tanta liberdade como preparação. São os professores da Finlândia, venerados por toda a sociedade e uma peça chave para que o seu país lidere, desde finais dos anos noventa, a lista educativa da OCDE, mais conhecida como Relatório Pisa. "Fazemos a escola que queremos. Dependemos de nós mesmos. É maravilhoso." Conta Eine Liinanki, professora da escola primária no Arábia, uma das 200 escolas de Helsínquia.São nove da manhã e na sala de professores do Arábia toma-se café, lê-se a imprensa e conversa-se sobre os planos do dia. Os colegas de Liinanki não ficam atrás em elogios a um sistema educacional dominado pelas escolas públicas - mais de 90% - e que não se caracteriza por ter muitos alunos brilhantes, mas por ter um número muito baixo de fracassos escolares. Segundo dados de 2001, a Finlândia dedicou à educação 6,25% do PIB.O Conselho Nacional de Educação da Finlândia, um organismo dependente do ministério, é encarregado de elaborar os conteúdos mínimos que depois os professores, todos com formação universitária e a maioria com um master no seu currículo, desenvolverão segundo os seus critérios."Damos-lhes muita liberdade e isso é fundamental para a motivação do professorado. É verdade que os professores não estão muito bem pagos, mas gozam de um grande reconhecimento social", explica Reijo Laukkanen, do Conselho Nacional. Um professor da escola primária na Finlândia recebe cerca de 25% menos que um colega seu espanhol, segundo os dados da OCDE. Mas os professores estão conscientes do seu papel como motor fundamental da sociedade finlandesa. Por isso, há disputas para entrar na escola de Pedagogia e para obter um lugar como professor.Mas, que faz com que num país a educação se transforme no eixo sobre o qual gira a sociedade? Que leva um país a venerar os seus professores? "É uma questão de cultura, de reconhecimento histórico", indica Jari Jokinen, que representa o seu país na UE, "a Finlândia foi o segundo país do mundo, e o primeiro da Europa, a permitir o voto das mulheres. As mulheres sempre tiveram muito claro que os seus filhos teriam uma vida melhor se estudassem e elas próprias incentivaram a participação na vida pública para que o nível educativo seja alto na Finlândia". Outro dos argumentos que se ouve nos círculos educativos aponta o nacionalismo do século XX. Helsínquia, desejosa de desfazer-se do domínio sueco e russo, apostou na educação e na aprendizagem do finlandês como ferramenta para a emancipação cultural. Foi então que se criaram as escolas públicas.Toca a campainha no Arábia e os professores vão para as salas. Os alunos - todos descalços - perguntam sem complexos quem é aquela visita que ali está. A relação com os crescidos é muito fluente e os alunos fazem gala de uma saudável segurança em si mesmos. Um grupo de 15 e 16 alunos tem na primeira hora da manhã aula de sueco, língua oficial que é falada por 6% da população. Na aula, Justus Mollberg, vestido ao mais puro estilo da moda londrina, aborrece-se. Levanta-se no meio da lição e fala em inglês fluído. "Não gosto do sueco, porque é obrigatório". "Está muito bem e aprecio a tua sinceridade", responde-lhe a professora. A aula de Mollberg tem 16 alunos, o número máximo permitido.Quando termina o ano, Mollberg e os seus colegas sentam-se com os pais e professores, avaliando os objectivos que os próprios alunos fixaram no início do ano e irão decidir a sua nota. Pouco importa, porque na verdade o que conta é a avaliação contínua, isto é, a aprendizagem e a atitude do jovem durante todos os dias do ano. Para Matti Meri, um dos professores da Faculdade de Pedagogia de Helsínquia, é a única maneira sensata de funcionar. "O ser humano tem que ser capaz de fixar os seus próprios objectivos e, depois, ser capaz de avaliar-se. É preciso torná-los responsáveis pela sua própria vida desde o princípio, que aprendam a não delegar na sociedade a responsabilidade dos seus actos". Meri acha além disso que é fundamental estabelecer uma relação de igualdade entre professores e alunos. "O professor não tem que saber muito. Tem que saber escutar. Às vezes, é mais importante escutar o aluno e partilhar os seus conhecimentos. Na Finlândia, os professores e os alunos respeitam-se muito, mas não por uma questão de hierarquia, mas de igualdade". E essa palavra, igualdade, aparece uma e outra vez nos folhetos do Ministério da Educação finlandês. Ensino público para todos, comida grátis na escola, livros escolares fornecidos pelo Estado...Hoje todos os professores do Arábia, nome do bairro da classe média dos arredores de Helsínquia onde está situado, levam vestido uma peça vermelha de roupa. Os alunos decidiram que esta será a semana das cores e os professores acatam a vontade dos mais pequenos. Hoje é o vermelho. O recreio também tem uma ar avermelhado: colares, cachecóis e saias misturam-se com as cabeças loiras dos alunos. A classe que mais peças vermelhas reunir ganhará o concurso, uma iniciativa que também partiu dos alunos.No começo do ano, cada classe escolhe dois representantes entre os alunos, que se reúnem periodicamente com os pais e professores para lhes expor os seus problemas e projectos. Uma vez por ano, os delegados de todas as escolas de Helsínquia reúnem-se com o Presidente da Câmara para lhe apresentar uma petição comum. Os brilhantes sofás de um dos corredores do Arábia, nos quais se esticam os alunos durante os intervalos, foram a petição do ano passado.São 10 e 45, hora de almoçar. Kaisu Kärkäinen, a directora do Arábia almoça na sala de jantar com os professores e os alunos. "Nesta escola os professores mandam. Decidem onde devemos gastar o dinheiro, elaboram o seu próprio programa, fazem visitas de estudo quando querem e escolhem alguns dos livros escolares", explica. Uns pescam no gelo durante a aula de Ciências Naturais, outros vão ao museu na de História ou fazem uso da Internet na de Geografia. A falta de directrizes procedentes do ministério ou da escola obriga-os a ser criativos.Ninguém fica para trásNa Finlândia, os alunos com dificuldades de aprendizagem - chama-nos multiespeciais - e os que necessitam de subir nota, estudam um programa à medida. O objectivo é que nenhum deles fique para atrás. O professor Jorma Kuittinen explica o método: "Estudam as mesmas matérias, mas com um programa individualizado". Como o resto dos alunos, eles provam o sabor do mercado de trabalho durante duas semanas por ano, nas quais trabalham como merceeiros, mecânicos, padeiros. Kuittinen diz que os rapazes da multiespecial são muito bons em trabalhos manuais e normalmente optam por prolongar o tempo de trabalho no mundo exterior. Só 10% dos alunos abandonam a escola após terminar a educação primária, face à média europeia que ronda os 18%.Como integrar os alunos procedentes de outras culturas é, no entanto, algo que os professores finlandeses pouco têm trabalhado.Nas escolas há muito poucas crianças filhos de emigrantes, algum somalis, iraquianos... Mas cada vez são mais os que chegam para ficar a este país de cinco milhões de habitantes. "Saber integrar estes novos alunos será o desafio seguinte", assim acredita a embaixada da Finlândia em Bruxelas.
Tradução JURISLigação para o artigo original
Não votes PS!
A DERROTA DAS MAIORIASO governo governa com a maioria e não com as manifestações da Rua, diz o Sr. Primeiro Ministro. É verdade, se o PS não tivesse a maioria, o Governo nunca teria tido a coragem de insultar os professores, nem de aprovar o novo estatuto da carreira docente, que é um insulto a quem presta tão nobre serviço à Nação. Já foi votada no Parlamente por três vezes a suspensão do novo estatuto da carreira docente e das três o PS votou contra suspensão.As maiorias só favorecem os poderosos, as classes trabalhadoras que produzem riqueza saiem sempre a perder. Assustaram o Zé Povinho com o deficit, para que fossem os mais desfavorecidos a pagá-lo. Vimos os vencimentos dos funcionários públicos congelados vários anos, o que fez com que perdessem 10% do poder de compra, mas nunca vimos apelar para que deixassem, durante algum tempo, de fazer férias nas Caraíbas, no Brasil... É fácil para quem tem vencimentos chorudos vir à Televisão pedir para que apertemos o cinto.Colegas, chegou o momento de ajustar contas com o PS. Se este partido tivesse menos de 1% do votos expressos nas últimas eleições, não teria a maioria e nunca teria tido a coragem de promover esta enorme afronta aos professores. Somos 150.000 o equivalente a 3% dos votos nacionais expressos. Se nas próximas eleições, que são dentro de um ano, todos os professores votarem em massa em todos os partidos excepto no PS, este partido nunca mais volta a ter a maioria e será a oportunidade soberana de devolver ao Sr. Sócrates as amêndoas amargas que ofereceu aos professores.Colegas, quem foi capaz de ir do Minho, Trás-os-Montes, Algarve, Madeira e Açores a Lisboa, também consegue nas próximas legislativas dirigir-se à sua assembleia de voto, e votar a derrota do PS.Em Portugal há partidos para todos os gostos quer à direita quer à esquerda do PS, é só escolher, maiorias nunca mais.Os professores para além de terem a capacidade de retirarem a maioria ao PS têm a capacidade de o derrotar, basta para isso que os professores convençam metade dos maridos ou mulheres, metade dos seus filhos maiores, metade dos seus pais e um vizinho a não votar PS, e já são mais de 500.000, foram os votos que o PS teve a mais que a oposição.Os professores estão pela primeira vez unidos, esta união é para continuar, e têm uma ferramenta poderosa ao seu alcance, a Internet, que nos põe em contacto permanente uns com os outros.Senão vejamos, esta mensagem vai ser enviada a cinco colegas. Se cada um dos colegas enviar a mais cinco dá 25. Se estes enviarem a mais cinco dá 125. Se estes enviarem a mais cinco dá 625. Se estes enviarem a mais cinco dá 3.125. Se estes enviarem a mais cinco dá 15.625. Se estes enviarem a mais cinco dá 78.125. se este enviarem a mais cinco dá 390.625, isto é, o dobro dos professores que há em Portugal. À sétima vez que esta mensagem for reenviada todos os colegas ficarão a saber a informação que ela contém.Começou oficialmente a campanha eleitoral dos professores contra o PS, com o slogan:'VOTA À DIREITA OU À ESQUERDA! NÃO VOTES PS!'
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