quinta-feira, 10 de abril de 2008

Ex-professor da ministra faz a crítica da personagem

Hoje.Já posso confirmar. A ministra da educação foi professora primária, tirou a licenciatura em Sociologia, no ISCTE, como estudante trabalhadora, aos 28 anos de idade. No curriculum vitae oficial, incluído no portal do Governo, esse facto é omitido. Foi aluna de Raul Iturra. Fez tese de doutoramento com João Freire, o sociólogo a quem encomendou o estudo que esteve na base do novo ECD. O ex-professor de Maria Lurdes Rodrigues, no ISCTE, o prof. Raul Iturra, escreveu um texto muito crítico e irónico em relação à forma de agir da ministra para com os professores. Vale a pena ler e verificar como é que a mente humana é uma "coisa" complexa. Maria de Lurdes Rodrigues foi, na década de 80, uma estudante radical, fortemente influenciada pelo marxismo. Vinte anos depois mostra uma face completamente diferente: intolerante, autoritária e inflexível. Como é que se pode passar, em vinte anos, da extrema-esquerda para a defesa do liberalismo selvagem? Como é que é possível uma antiga professora primária mostrar tanto desamor e desconfiança pelos professores? Como é que uma antiga professora primária pode manifestar tanto desconhecimento sobre a complexidade do trabalho do professor? Leia aqui o texto de Raul Iturra.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

O despacho da simplificação que não chegou a sair

O secretário de estado Jorge Pedreira anunciou, na semana passada, numa das muitas reuniões que teve com os PCEs, que iria assinar um despacho com a versão simplificada da avaliação de desempenho. O despacho ainda não saiu e, estou em crer, não vai sair. E porquê? Porque esse despacho sairia ferido de ilegalidade. Um despacho não pode alterar um Decreto. Ora, tanto o ECD como o Dec Regul 2/2008 têm mais força jurídica do que um qualquer despacho de simplificação. Se esse despacho for publicado, qualquer professor que seja avaliado na versão simplificada poderá interpor uma queixa no tribunal administrativo, contestando a sua avaliação, e, como é óbvio, ganhará. Sem a publicação do despacho da simplificação, serão os PCEs e os presidentes dos CP a responderem pelas infracções. Já alguém meditou nisto? Ou bem que a avaliação vai ser a fingir e, nesse caso, todos os professores terão a classificação de Bom, ou bem que a avaliação vai ser suspensa. A ministra da educação sabe disso. E é essa a razão que explica o seu recuo. É por isso que a Plataforma Sindical vai, amanhã, em clara vantagem, para a reunião. A ministra sabe que a sua teimosia e insensatez pode conduzir à criação de longos processos judiciais contra os PCEs e os presidentes dos CP, movidos por professores descontentes com a classificação que lhes for atribuída. E, se a avaliação simplificada for para a frente, os tribunais administrativos vão dar razão aos contestários e uma grande embrulhada jurídica irá acompanhar o primeiro ciclo de avaliação de professores, manchando este modelo para sempre.

Jorge Pedreira desvenda mistério da aval. prof.

Jorge Pedreira admitiu hoje o óbvio: a Avaliação do Desempenho não tem por objectivo cimeiro aumentar a qualidade da oferta educativa das escolas e, muito menos, promover o desenvolvimento profissional dos docentes. Nas palavras do Secretário de Estado (que é Jorge mas que de educação nada percebe) apenas visa contribuir para a redução do défice público. Eureka! O enigma da má-fé ministerial fica finalmente revelado.No fórum da 'TSF' da manhã de hoje, Pedreira, justificou os motivos pelos quais o ME discorda da proposta de António Vitorino em adiar a avaliação e testar-se o modelo preconizado pelo M.E. em escolas piloto durante um ou dois anos.Pedreira (o Jorge, que até é secretário da ministra Lurdes), confessou o politicamente inconfessável: 'Terá de haver avaliação para que os professores possam progredir na carreira e assim possam vir beneficiar de acréscimos salariais' (sic).Ou seja, aquilo que hoje se discute no mundo ocidental (democrático e desenvolvido, como rotula mas desconhece a 'primeira ministra'), gira em torno da dicotomia de se saber se a avaliação do desempenho docente serve propósitos de requalificação educativa (se para isso directamente contribui) ou se visa simplesmente constituir-se em mais um instrumento de redução do défice público.Nesta matéria, Pedreira (o tal que é Jorge e ao mesmo tempo teima em ser secretário da ministra que também parece oriunda de uma pedreira), foi claro: Importa conter a despesa do Estado com a massa salarial dos docentes; o resto (a qualidade das escolas e do desempenho dos professores) é tanga(!!!).Percebe-se, assim, porque motivo este modelo de avaliação plagia aquele que singra na Roménia, no Chile ou na Colômbia. Países aos quais a OCDE, o FMI, o New Public Management americano, impôs: a desqualificação da escola pública em nome da contenção da despesa pública; Percebe-se, assim, porque razão a ministra Maria de Lurdes (que tem um secretário que, como ela, também é pedreira) invoque a Finlândia para revelar dados estatísticos de sucesso escolar e a ignore em matéria de avaliação do desempenho docente. Percebo a ministra pedreira: não se pode referenciar aquilo que não existe. A Finlândia, com efeito, não tem em vigor qualquer sistema ou modelo formal e oficial de avaliação do desempenho dos professores!Agradeço à pedreira intelectual que grassa no governo de Sócrates (que por acaso não é pedreiro até é engenheiro), finalmente nos ter brindado com tão eloquente esclarecimento. Cito-os:A avaliação dos Docentes é mais um adicional instrumento legislativo para combater o défice público(!).
Obrigado, Srs. Pedreiras, pela clarificação do óbvio.

P. S. Passem palavra e não queremos acordos!!!

JORNAIS DE HOJE DESTACAM MAIS RECUOS DA MINISTRA

Recuos parecem insuficientes
Os recuos da ministra começaram, mas é bom que os sindicatos exijam documento escrito e assinado. Agora, a ministra afirma-se disposta a conceder uma segunda oportunidade aos professores que tiverem uma avaliação regular ou insuficiente. Quem tiver uma classificação "regular" ou "insuficiente" na primeira avaliação de professores, livra-se das consequências negativas previstas para estas notas, que só terão efeitos se vierem a ser confirmadas posteriormente. Esta é a nova proposta do Ministério da Educação, apresentada, ontem, numa reunião com os sindicatos que contou com a quase inédita presença de Maria de Lurdes Rodrigues. Os sindicatos insistem na suspensão do processo e consideram não existirem ainda razões para desistirem das acções de luta programadas. Mas vão reunir esta tarde para elaborar uma contra-proposta, que será discutida amanhã com a ministra.Leia aqui a história toda.O JN de hoje insiste também no recuo da ministra. A tutela apresentou aos sindicatos uma proposta com oito itens, ou oito formas de "melhorar as condições de concretização" do regime. Além da "segunda oportunidade" também estão em cima da mesa a possibilidade de os sindicatos acompanharem o processo nas escolas, a definição de horas mínimas da componente não lectiva, a criação de um escalão adicional da categoria de professor titular, assim como regras especiais de acesso ao topo de carreira. Propostas que Mário Nogueira classificou de "generalistas" e "insuficientes" para "se levantar ou aliviar as formas de luta". A reunião demorou pouco mais de duas horas. A ministra apresentou as suas propostas. O secretário-geral da Fenprof, contrapôs. Após um curto intervalo para cafézinho e ponderação marcaram nova reunião para amanhã à tarde e a Plataforma envia hoje ao ministério uma contraproposta por escrito. Ontem, à saída da reunião, Mário Nogueira insistia que os sindicatos iriam incluir nesse texto o pedido de suspensão do processo de avaliação até final do ano lectivo assim como dos procedimentos referentes ao novo modelo de gestão das escolas. Não faz sentido nenhum insistir-se no processo a pouco mais de mês e meio do final do ano lectivo, insistia aos jornalistas.Leia aqui.Por sua vez, o Público de hoje destaca que os sindicatos consideraram insuficientes e generalistas as propostas do ME e que se mantêm as razões para continuar a luta. José Manuel Fernandes, director do Público, assina um editorial com o título: "A avaliação já acabou, vamos todos fingir que não!" Vale a pena ler. Julgo, contudo, que o jornalista está a anunciar uma morte que ainda não aconteceu. Se a luta afrouxar, receio mesmo que não aconteça.Leia aqui o resto da história.Leia aqui, também, o que o Correio da Manhã de hoje diz sobre a reunião da ministra com a Plataforma Sindical.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Dia 15 de Abril, todas as escolas vão parar



Dia 15 de Abril, todos as escolas vão parar

Não é ainda uma greve. É um plenário nacional descentralizado, a realizar em todas as sedes de agrupamento com o objectivo e discutir novas formas de luta. Os plenários de professores realizam-se ao abrigo da lei sindical. Participa! Nesse dia, a tua prioridade é a participação no plenário!O requerimento informa que as Direcções das Organizações Sindicais vêm informar o Presidente do Conselho Executivo, da realização de uma reunião sindical para todos os docentes do Agrupamento de Escolas/Escola, no próximo dia 15 de Abril de 2008, no âmbito do dia do DEBATE NACIONAL SOBRE A ESCOLA PÚBLICA, promovido pelas referidas organizações e ao abrigo do que se encontra disposto no Decreto – Lei 84/99.Os docentes usarão naquele dia o número de horas que entendam necessárias à participação na reunião. A discussão de reivindicações urgentes justifica que a reunião se realiza em tempo lectivo. Na reunião participarão dirigentes dos sindicatos subscritores. Lei o resto aqui.

Como deseducar uma criança...

10 conselhos para criar um delinquente
É um powerpoint muito interessante, subordinado ao tema: Como Não Educar o Seu Filho! No fundo, são dez conselhos para criar um delinquente. Ou estou muito enganado ou a maior parte dos pais dos nossos alunos anda a seguir à risca estes 10 conselhos. Veja aqui. E depois queixam-se!

Avaliação dos professores pelos pais e EE

Avaliação dos professores por parte dos pais e EE
Cacheiro, concelho de Nisa, ontemUma das inovações mais divertidas deste modelo de avaliação é a possibilidade de o professor ser avaliado pelos encarregados de educação dos seus alunos. Muito já se falou sobre esse assunto. Tenho para mim que o único objectivo dessa medida é promover a humilhação pública dos professores e criar uma ambiente ainda mais propício ao facilitismo, deixando os professores completamente condicionados pelos pais no processo de avaliação dos alunos. A ministra dirá, do alto da sua esperteza, que os professores não se deixam pressionar. Mas o que está a acontecer por todo o lado é que os pais entenderam esta e outras medidas do género como uma desautorização dos professores e uma licença para pressionar. E estão a fazê-lo como nunca dantes o fizeram. Que o digam os professores de Matemática do ensino secundário.Lei aqui a carta que uma mãe escreveu ao PCE a propósito da avaliação que faz do professor do filho. E ria!