quinta-feira, 3 de abril de 2008

Perante a intransigência do ME...

rante a crescente intransigência do ME, Plataforma Sindical dos Professores prepara a continuação da luta
A Plataforma Sindical dos Professores, em reunião realizada no dia 1 de Abril, em Lisboa, decidiu:1. Lamentar, registando muito negativamente, a atitude de uma Ministra que afirma que o processo de avaliação do desempenho dos professores manter-se-á 'sem retorno, abrandamento. Não há adiamento, suspensão ou experimentação', considerando, ainda, que a situação de conflito que actualmente existe se deve ao facto de ter sido 'posto em causa alguns interesses instalados praticamente há 30 anos no sistema educativo' (entre aspas, encontram-se extractos de intervenção da ministra, conforme consta da síntese da reunião plenária de 12 de Março, do Conselho das Escolas).2. Solicitar ao Governo uma reunião, com carácter de grande urgência, com o objectivo de 'salvar' o 3º período lectivo, período de grande sensibilidade para as escolas e, em particular, para os alunos. Este pedido de reunião foi dirigido ao Primeiro-Ministro, ficando claro que a Plataforma considera que a reunião deverá realizar-se com a presença do próprio chefe do Governo ou de um membro do Governo que integre o Conselho de Ministros e se encontre devidamente mandatado, política e negocialmente, para encontrar soluções face à situação que se vive;3. Aprovar o formato, locais e outros aspectos relacionados com a concretização dos protestos previstos para os dias 14 de Abril (capitais de distrito do Norte), 21 de Abril (Centro), 28 de Abril (Grande Lisboa), 5 de Maio (Sul) e 17 de Maio (Grandes Marchas Regionais de Professores que se realizarão no Porto, Coimbra, Lisboa, Évora, Faro, Funchal, Ponta Delgada e Angra do Heroísmo); 4. Aprovar a base de um Guião de Debate para as escolas organizarem a acção a desenvolver no Dia D de 'Debate Nacional, nas Escolas, sobre o Estado da Escola Pública';5. Aprovar a base de um documento para registo das conclusões dos debates, no Dia D, designadamente sobre as formas de luta a concretizar na segunda quinzena de Maio, em Junho e no início do ano lectivo 2008/2009, caso o ME e o Governo mantenham a intransigência na sua actuação;6. Promover uma Conferência de Imprensa no dia 7 de Abril, segunda-feira, pelas 11.00 horas, na sede da FENPROF, para divulgação de novas informações sobre os protestos já previstos e divulgar o conteúdo do Guião para o Dia D, em especial as formas de luta que serão colocadas em discussão, nas escolas, no dia 15 de Abril.A Plataforma Sindical dos Professores

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O exemplo vem de Coimbra

O exemplo vem de CoimbraOs telejornais das 13 horas acabam de noticiar que todas as escolas e agrupamentos de Coimbra decidiram suspender a avaliação de desempenho. As razões apresentadas já eram conhecidas: falta de tempo, complexidade exagerada dos instrumentos de registo e de medida, providências cautelares que suspendem os procedimentos e impossibilidade de realizar uma avaliação justa a três meses do final do ano lectivo. A Presidente do CE da Escola Secundária Infanta D. Maria foi o rosto da contestação. Sem medo de represálias, disse aquilo que a maior parte dos PCEs sabe mas tem medo de dizer: este processo de avaliação é demasiado burocrático e complexo e, por isso, não vai ser aplicado durante este ano lectivo na sua escola. Bravo! Ainda há PCEs sem medo e com firmeza de carácter!Ao invés, o Presidente do Conselho de Escolas continua a perorar frases sem sentido e que têm como finalidade desmobilizar os professores. Mais valia estar calado!O Correio da Manhã de hoje dedica um destaque às 22 escolas e agrupamentos de Coimbra que se recusam a fazer, neste ano lectivo, a avaliação de desempenho dos professores. Segundo o Correio da Manhã são 22 os agrupamentos e escolas secundárias da Região Centro que pedem a suspensão da avaliação até ao início do próximo ano lectivo. A maior parte são do concelho de Coimbra, mas também se contam escolas de Soure, Lousã , Penela, Góis, Vila Nova de Poiares e Montemor-o-Velho. Só os agrupamentos de Pedrulha e de Soure representam 63 escolas, de um total de 215 estabelecimentos de ensino, desde jardins-de-infância a escolas secundárias, que se uniram para tentar parar a avaliação. Nestes 215 estabelecimentos, de acordo com os dados disponibilizados no site da Direcção Regional de Educação do Centro, estudam 20 584 alunos. Respeitando os rácios professor/aluno, este conjunto de escolas deverá ter entre 1600 e dois mil professores, sendo que a avaliação ainda este ano lectivo deverá incidir sobre 300 a 400 contratados e professores do quadro à beira de subir de escalão.
Publicada por Ramiro Marques em 13:16
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domingo, 30 de março de 2008

O mal-estar docente...

O mal-estar docente exprime os problemas que os professores enfrentam na profissão e parece emergir cada vez mais nas nossas escolas..As rápidas mudanças sociais e tecnológicas caracterizam os dias de hoje. Um movimento constante, visando a produtividade e promoção da eficácia e eficiência dos recursos, parece constituir cada vez mais uma ameaça à identidade pessoal. Nos tempos que correm, cada vez se exige mais do indivíduo como pessoa e como profissional. Acompanhando as evoluções sociais e a modificação do ensino em Portugal, principalmente nas últimas décadas, muitas e profundas têm sido as alterações sofridas, a nível da profissão docente. Na escola e de todos os intervenientes no processo educativo, é o professor que assume um papel de relevo e de interveniente directo neste processo de mudança. Numa profissão em contínua evolução, com uma grande parte dos professores do sexo feminino, a definição de uma carreira docente, a valorização, a nível da formação inicial, a possibilidade de formação contínua e especializada, a possibilidade de empenho na vida e gestão da escola, bem como ,promover uma abertura desta à comunidade educativa, serão, entre muitos outros, alguns dos factores a ter impacto não só a nível da estrutura institucional escolar em si, mas também a influenciar a formação e desenvolvimento profissional dos professores. Nos dias que correm, ser professor é algo extremamente complexo. Nesta profissão, cada vez mais parece exigir-se do professor. O seu papel ultrapassa já muito aquilo que dele seria de esperar dentro de uma sala de aula. A já em si árdua tarefa de transmitir conhecimentos e controlar alunos dentro de uma sala fica, hoje em dia, muito aquém daquilo que é ser um professor. Ao professor compete não só a transmissão do "saber", mas o assumir de um papel responsável como profissional na vida na escola.Numa profissão com riscos e frustrações, a motivação terá por certo implicações no comportamento profissional do professor, ou seja, na sua satisfação e realização profissional e no seu descontentamento ou mal-estar docente.O mal-estar pode traduzir um processo de falta de meios por parte do sujeito para fazer face às exigências que lhe são colocadas na profissão. Muitas têm sido as transformações por que tem passado, principalmente, nos últimos tempos, a profissão docente. Ser professor é algo extremamente complexo requer extrema dedicação e empenho. Nas nossas escolas, hoje em dia, para além das aulas é vulgar o professor estar empenhado numa imensidão de tarefas: aulas para preparar, testes, trabalhos e relatórios para ver e corrigir, reuniões sem fim atrás de reuniões, alunos para serem atendidos, encarregados de educação para atender, projectos a desenvolver, direcção de turma, tarefas burocráticas, domínio da legislação quer relativa a alunos quer a professores sempre em mudança, acções de formação necessárias à progressão na carreira, tarefas atribuídas pelos órgãos de gestão da escola, domínio das técnicas informáticas e de comunicação bem como dos meios audiovisuais.
Serão todas estas tarefas causadoras da exaustão professores? Do tão falado, hoje em dia, mal-estar na profissão docente?
As resposta a estas questões serão importantes, se considerarmos a importância do papel do professor, cada vez, mais responsável numa sociedade em constante mudança e inovação.

O conceito de mal-estar docente exprime os problemas que os professores enfrentam na profissão. Esteve (1992) define mal-estar docente como um conceito que pretende traduzir os efeitos negativos que afectam a personalidade do professor como resultado das condições em que ele realiza o seu trabalho, podendo manifestar-se em diversos graus, desde a insatisfação profissional até estados depressivos.No sentido de uma articulação compreensiva dos diversos factores que contribuem para o mal-estar dos professores, vários autores (Esteve, 1989, 1991 e 1992; Gold & Roth, 1993; Jesus, 1998; Jesus & Costa, 1998) têm distinguido dois níveis de análise do problema, sendo um deles referente aos factores organizacionais, que afectam directamente o professor na sua prática de ensino, e o outro relativo a factores mais genéricos, de natureza social, que o afectam indirectamente pelos condicionalismos que criam no contexto do ensino. No primeiro tipo de factores, é de salientar a sobrecarga de trabalho a que o professor é sujeito, a qual é função da discrepância existente entre as múltiplas exigências que lhe são feitas no terreno, como por exemplo, controlar a disciplina dos alunos, atender aos pais ou fazer trabalho administrativo, e a falta de recursos, materiais, institucionais e de tempo de que dispõe. Quanto aos factores sociais, serão de salientar, as profundas alterações verificadas: no estatuto e imagem social do professor, claramente desvalorizados e desprestigiados, pela massificação do sistema de ensino, pelas alterações a nível dos valores sociais e pela "concorrência" de outras fontes de informação muitíssimo mais poderosas e atractivas como a TV e outros mass media; nos papeis atribuídos ao docente, nomeadamente em virtude da transferência de funções educativas da família para a escola; nos objectivos e competências pedagógicas que devem orientar o seu trabalho e que têm vindo a ser reconceptualizados numa perspectiva de dinamização da aprendizagem e de facilitação do desenvolvimento global dos alunos; e nas atitudes que a sociedade lhe reserva, apontando-o geralmente como "bode expiatório" para as deficiências do sistema educativo e negando-lhes a participação na tomada de decisões que condicionam as suas funções bem como as formas de treino e suporte adequadas.

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A saída só reside na cultura da revolta

Baptista Bastos. O ranço salazarista
Cada vez mais nos afastamos uns dos outros. Trespassamo-nos sem nos ver. Caminhamos nas ruas com a apática indiferença de sequer sabermos quem somos. Nem interessados estamos em o saber. Os dias deixaram de ser a aventura do imprevisto e a magia do improviso para se transformarem na amarga rotina do viver português e do existir em Portugal. Deixámos cair a cultura da revolta. Não falamos de nós. Enredamo-nos na futilidade das coisas inúteis, como se fossem o atordoamento ou o sedativo das nossas dores. E as nossas dores não são, apenas, d'alma: são, também, dores físicas. Lemos os jornais e não acreditamos. Lemos, é como quem diz – os que lêem. As televisões são a vergonha do pensamento. Os comentadores tocam pela mesma pauta e sopram a mesma música. Há longos anos que a análise dos nossos problemas está entregue a pessoas que não suscitam inquietação em quem os ouve. Uma anestesia geral parece ter sido adicionada ao corpo da nação. Um amigo meu, professor em Lille, envia-me um email. Há muitos anos, deixou Portugal. Esteve, agora, por aqui. Lança-me um apelo veemente e dorido: 'Que se passa com a nossa terra? Parece um país morto. A garra portuguesa foi aparada ou cortada por uma clique, espalhada por todos os sectores da vida nacional e que de tudo tomou conta. Indignem-se em massa, como dizia o Soares.' Nunca é de mais repetir o drama que se abateu sobre a maioria. Enquanto dois milhões de miúdos vivem na miséria, os bancos obtiveram lucros de 7,9 milhões por dia. Há qualquer coisa de podre e de inquietantemente injusto nestes números. Dir-se-á que não há relação de causa e efeito. Há, claro que há. Qualquer economista sério encontrará associações entre os abismos da pobreza e da fome e os cumes ostensivos das riquezas adquiridas muitas vezes não se sabe como. Prepara-se (preparam os 'socialistas modernos' de Sócrates) a privatização de quase tudo, especialmente da saúde, o mais rendível. E o primeiro-ministro, naquela despudorada 'entrevista' à SIC, declama que está a defender o SNS! O desemprego atinge picos elevadíssimos. Sócrates diz exactamente o contrário. A mentira constitui, hoje, um desporto particularmente requintado. É impossível ver qualquer membro deste Governo sem ser assaltado por uma repugnância visceral. O carácter desta gente é inexistente. Nenhum deles vai aos jornais, às Televisões e às Rádios falar verdade, contar a evidência. E a evidência é a fome, a miséria, a tristeza do nosso amargo viver; os nossos velhos a morrer nos jardins, com reformas de não chegam para comer quanto mais para adquirir remédios; os nossos jovens a tentar a sorte no estrangeiro, ou a desafiar a morte nas drogas; a iliteracia, a ignorância, o túnel negro sem fim. Diz-se que, nas próximas eleições, este agrupamento voltará a ganhar. Diz-se que a alternativa é pior. Diz-se que estamos desgraçados. Diz um general que recebe pressões constantes para encabeçar um movimento de indignação. Diz-se que, um dia destes, rebenta uma explosão social com imprevisíveis consequências. Diz a SEDES, com alguns anos de atraso, como, aliás, é seu timbre, que a crise é muito má. Diz-se, diz-se. Bem gostaríamos de saber o que dizem Mário Soares, António Arnaut, Manuel Alegre, Ana Gomes, Ferro Rodrigues (não sei quem mais, porque socialistas, socialistas, poucos há) acerca deste descalabro. Não é só dizer: é fazer, é agir. O facto, meramente circunstancial, de este PS ter conquistado a maioria absoluta não legitima as atrocidades governamentais, que sobem em escalada. O paliativo da substituição do sinistro Correia de Campos pela dr.ª Ana Jorge não passa de isso mesmo: paliativo. Apenas para toldar os olhos de quem ainda deseja ver, porque há outros que não vêem porque não querem. A aceitação acrítica das decisões governamentais está coligada com a cumplicidade. Quando Vieira da Silva expõe um ar compungido, perante os relatórios internacionais sobre a miséria portuguesa, alguém lhe devia dizer para ter vergonha. Não se resolve este magno problema com a distribuição de umas migalhas, que possuem sempre o aspecto da caridadezinha fascista. Um socialista a sério jamais procedia daquele modo. E há soluções adequadas. O acréscimo do desemprego está na base deste atroz retrocesso. Vivemos num país que já nada tem a ver com o País de Abril. Aliás, penso, seriamente, que pouco tem a ver com a democracia. O quero, posso e mando de José Sócrates, o estilo hirto e autoritário, moldado em Cavaco, significa que nem tudo foi extirpado do que de pior existe nos políticos portugueses. Há um ranço salazarista nesta gente. E, com a passagem dos dias, cada vez mais se me acentua a ideia de que a saída só reside na cultura da revolta.

sábado, 29 de março de 2008

Entrevista a José Manuel Silva

Fwd: FW: Entrevista a José Manuel Silva, anterior DREC‏
sábado, 29 de março de 2008 0:03:11
Para:
Sábado, 1 de Março de 2008<:AtomicElement id=ms__id53098>Entrevista Região de Leiria O jornalista Carlos Almeida, do semanário Região de Leiria,solicitou-me, na passada terça-feira, que lhe respondesse por escritoàs questões seguintes. A revolta dos professores é justificada?Mais do que justificada. Os professores têm sido enxovalhados edesacreditados no que têm de mais sagrado, a sua honorabilidadeprofissional. Há medo nas escolas?Quem o confessa é quem lá trabalha e têm-me chegado ecos dessesentimento através de professores e de gestores escolares. O que está errado em toda esta equação: a reforma, a ministra daEducação ou os professores?O que está errado é pretender-se fazer reformas, necessárias diga-se,sem contar com a colaboração dos professores e mesmo contra osprofessores. É uma ilusão pensar que isto é possível. O que estaequipa do ME, com o apoio expresso do Primeiro-Ministro, anda a fazeré a desestabilizar as escolas convencida de que vai conseguir mudar orumo da educação. Quando a situação se deteriorar completamente vão-seembora e o sistema fica pior do que estava. Maria de Lurdes Rodrigues tem condições para continuar no cargo?Objectivamente tem enquanto o Primeiro-Ministro assim o entender. Masdepois das declarações feitas hoje (terça-feira) pela nova Ministra daSaúde acerca da necessidade de conseguir a colaboração dosprofissionais da saúde para as reformas que quer fazer, pois contraeles não se pode fazer nada, não sei como podem coexistir no seio domesmo governo duas Ministra com pontos de vista antagónicos sobre aforma de gerir os recursos humanos de que dispõem. Identifique a principal virtude e o principal defeito da actualpolítica de educação?Virtude - a capacidade demonstrada no início do mandato para definiros principais problemas estruturais que afectavam/afectam o sistemaeducativo. Defeito - a incapacidade de mobilizar os profissionais daeducação para as reformas pretendidas e com isto desestabilizar asescolas e criar um clima completamente oposto ao que é desejável eminstituições educativas. Na reunião promovida pelo Movimento em Defesa da Escola Pública, emLeiria, alguns docentes denunciaram a existência de grelhas deavaliação que levavam em conta a posição dos professores em relação àpolítica educativa do governo. Como comenta?Trata-se de uma situação absurda e ilustra como se pode ser "maispapista do que o Papa". Infelizmente, Portugal tem uma larga tradiçãode espias e bufos, denunciantes e similares e, pelos vistos, há quemnão queira deixar morrer a tradição. Acredito que essas situaçõesserão corrigidas de imediato.José Manuel Silva,ex-Director Regional de Educação do Centro

O DIREITO À EDUCAÇÃO

O direito à educação e ao ensino é o direito de todos e de cada um ao conhecimento e à criatividade, ao pleno e harmonioso desenvolvimento das suas potencialidades, vocações e consciência cívica. Direito este que deve ser assegurado por uma política que assuma a educação, a ciência e a cultura como vectores estratégicos para o desenvolvimento integrado do nosso país; que atenda à multiplicidade dos processos educativos e formativos contemporâneos e às dimensões a que estes devem dar resposta, desde a competência profissional e a qualificação, à cultura humanista e científico-técnica, à inovação e à criação. Direito à educação que é assegurado por um sistema educativo que valorize o ensino público, democraticamente gerido e dotado de objectivos, estruturas e meios financeiros e humanos que permitam o direito ao ensino e à igualdade de oportunidades de acesso e sucesso educativo a todos os portugueses.
Igualdade de oportunidades que, num contexto nacional de profundas injustiças na distribuição da riqueza nacional, com a grande maioria dos trabalhadores a perder poder de compra, só pode ser garantida com uma correcta política de Acção Social, com um financiamento adequado por parte do Orçamento do Estado, condicionando desta forma ao mérito e não a constrangimentos sócio-económicos, a frequência do ensino. No ensino superior chega a ser dramática a carência em apoios sociais, especialmente para estudantes deslocados da sua residência habitual assim como para os trabalhadores estudantes que são obrigados a actividade profissional prematura para pagar os seus estudos.
As soluções passam, em primeiro lugar, por considerar um investimento na educação não como um investimento considerado na lógica capitalista, mas como um investimento na humanização da vida, um investimento considerado como uma prioridade estratégica no desenvolvimento do país e por isso a prioridade deverá ser investir na escola pública, gratuita e de qualidade para todos.
Não está em causa o direito da iniciativa privada se constituir como alternativa para os cidadãos que por ela, de livre vontade, queiram optar, não podendo, no entanto, ser potenciada pelo constrangimento da rede pública. Embora de acordo com o disposto na Constituição da República Portuguesa no que respeita ao carácter supletivo das respostas privadas em educação, estas deverão desenvolver a sua actividade de acordo com os quadros legais vigentes. O sistema educativo existe, para servir os portugueses, para construir a identidade nacional, pessoal e social, para educar cidadãos livres, solidários e responsáveis, para desenvolver valores e capacidades.
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