Porquê tanto ódio, tanto desprezo, tanto ressentimento contra a figura do professor?!...»
«Um sector gritante de extracção de mais valias de biopoder é o da Educação. Pela natureza do trabalho do professor (material e imaterial), é sempre possível fazer crer em que «modernizar» é igual a «gerir bem» igual a «ensinar bem». O que permite retirar o máximo da "modernização" em mais valias materiais e imateriais.Por exemplo, a avaliação dos professores deve ser feita, mas os parâmetros impossíveis impostos pelo ministério, as aberrações nas exigências da assiduidade dos docentes, a quase impossibilidade de obter a nota máxima, as dificuldades extremas em subir na carreira, os estatuto dos avaliadores incompetentes na matéria avaliada, etc. - estão a empurrar os professores para o abandono da profissão e para a reforma antecipada. A Educação sofre um massacre que provoca a fuga dos professores: não é isto um dos objectivos da «contenção», a redução do número dos docentes e dos custos da educação? A racionalidade necessária da avaliação esconde a outra racionalidade imposta pelo défice.
Nisto tudo, uma questão me intriga: porquê tanto ódio, tanto desprezo, tanto ressentimento contra a figura do professor?»
José Gil
terça-feira, 25 de março de 2008
segunda-feira, 24 de março de 2008
Tribunal de Coimbra rejeita providência cautelar da Frenprof
Avaliação dos professores
Tribunal de Coimbra rejeita providência cautelar de sindicato da Fenprof
24.03.2008 - 19h02 Lusa
O Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Coimbra rejeitou uma providência cautelar intentada por um sindicato da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) para suspender o processo de avaliação de desempenho dos docentes, divulgou hoje o Ministério da Educação (ME). Contudo, a Fenprof não considera ter sofrido nenhuma derrota já que as providências estão a "cumprir os seus objectivos".Segundo o ME, esta providência, interposta pelo Sindicato dos Professores da Região Centro que integra a FENPROF, visava "a suspensão da eficácia de despachos proferidos pelo secretário de Estado adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, em 24 e 25 de Janeiro último, e pelo secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, em 25 de Janeiro, todos relativos ao regime de avaliação do desempenho de docentes da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário". O ME, que já foi notificado da decisão do TAF de Coimbra, adianta que este tribunal também julgou "improcedente o pedido de declaração de ineficácia" daqueles actos.Esta é a segunda decisão do género, depois de o Tribunal Administrativo de Lisboa ter rejeitado, a semana passada, uma providência cautelar interposta por outro sindicato da Fenprof para suspender o processo de avaliação de desempenho.Na origem desta providência estavam despachos emitidos pela tutela nos dias 24 e 25 de Janeiro relativos ao regime de avaliação dos docentes, nomeadamente sobre a aprovação das fichas de avaliação e auto-avaliação e sobre a delegação de competências do Conselho Científico para a Avaliação de Professores na sua presidente, pelo facto daquele órgão não estar constituído na altura.Confrontado com a decisão hoje divulgada, o secretário-geral da federação, Mário Nogueira, salientou que "ainda há três providências cautelares por decidir" - uma em Lisboa, uma no Porto e outra em Beja -, razão pela qual "nada se altera", já que os actos que decorriam dos despachos em causa "mantêm-se suspensos" enquanto houver uma providência cautelar por julgar.O dirigente considerou que as providências cautelares "estão a cumprir os objectivos", porque, caso não tivessem sido intentadas, o ME teria, até ao passado dia 10, obrigado as escolas a montar um "sistema de avaliação", que a federação sindical reputa de "ilegal". Neste aspecto, a "eficácia (das providências cautelares) está mais do que alcançada", disse. Mário Nogueira explicou ainda que, independentemente do desfecho das providências cautelares, a "causa de fundo" corre os seus trâmites normais num processo principal, que é mais moroso
Tribunal de Coimbra rejeita providência cautelar de sindicato da Fenprof
24.03.2008 - 19h02 Lusa
O Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Coimbra rejeitou uma providência cautelar intentada por um sindicato da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) para suspender o processo de avaliação de desempenho dos docentes, divulgou hoje o Ministério da Educação (ME). Contudo, a Fenprof não considera ter sofrido nenhuma derrota já que as providências estão a "cumprir os seus objectivos".Segundo o ME, esta providência, interposta pelo Sindicato dos Professores da Região Centro que integra a FENPROF, visava "a suspensão da eficácia de despachos proferidos pelo secretário de Estado adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, em 24 e 25 de Janeiro último, e pelo secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, em 25 de Janeiro, todos relativos ao regime de avaliação do desempenho de docentes da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário". O ME, que já foi notificado da decisão do TAF de Coimbra, adianta que este tribunal também julgou "improcedente o pedido de declaração de ineficácia" daqueles actos.Esta é a segunda decisão do género, depois de o Tribunal Administrativo de Lisboa ter rejeitado, a semana passada, uma providência cautelar interposta por outro sindicato da Fenprof para suspender o processo de avaliação de desempenho.Na origem desta providência estavam despachos emitidos pela tutela nos dias 24 e 25 de Janeiro relativos ao regime de avaliação dos docentes, nomeadamente sobre a aprovação das fichas de avaliação e auto-avaliação e sobre a delegação de competências do Conselho Científico para a Avaliação de Professores na sua presidente, pelo facto daquele órgão não estar constituído na altura.Confrontado com a decisão hoje divulgada, o secretário-geral da federação, Mário Nogueira, salientou que "ainda há três providências cautelares por decidir" - uma em Lisboa, uma no Porto e outra em Beja -, razão pela qual "nada se altera", já que os actos que decorriam dos despachos em causa "mantêm-se suspensos" enquanto houver uma providência cautelar por julgar.O dirigente considerou que as providências cautelares "estão a cumprir os objectivos", porque, caso não tivessem sido intentadas, o ME teria, até ao passado dia 10, obrigado as escolas a montar um "sistema de avaliação", que a federação sindical reputa de "ilegal". Neste aspecto, a "eficácia (das providências cautelares) está mais do que alcançada", disse. Mário Nogueira explicou ainda que, independentemente do desfecho das providências cautelares, a "causa de fundo" corre os seus trâmites normais num processo principal, que é mais moroso
"CAROLNA MICHAELIS" TEM ESTA SEMANA PARA CONCLUIR INQUÉRITO
“Carolina Michaelis” tem esta semana para concluir inquérito
Professora foi vítima de agressão por parte de uma aluna A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) espera que a Escola Secundária Carolina Michaelis (Porto) conclua, ainda esta semana, um inquérito ao caso da alegada agressão duma aluna a uma professora. Em declarações à Lusa, o director adjunto da DREN, António Leite, assegurou que a estrutura desconcentrada do Ministério da Educação vai aguardar, "sem comentários", a conclusão desse inquérito. "Entendemos que, neste caso, o silêncio deve ser levado quase ao limite", sublinhou o director adjunto, considerando que "a pressão é prejudicial" ao trabalho de apuramento dos factos. A Escola Secundária Carolina Michaelis tem cinco dias úteis, contados desde a última quinta-feira, para concluir o inquérito aos acontecimentos, mas, por razões devidamente justificadas, pode pedir a prorrogação do prazo. Apesar do período de férias pascal, e do elevado número de pessoas a ouvir, o director adjunto da DREN, António Leite, crê que os cinco dias úteis serão suficientes. No âmbito do inquérito serão ouvidos os principais protagonistas (professora alegadamente agredida, aluna agressora e aluno que filmou a cena), bem como restantes alunos da turma, que tem um total de 28 educandos. António Leite disse que o que ocorreu "não se resume a um minuto e quarenta segundos [tempo do vídeo sobre o incidente, que passou no Youtube], sendo inquestionável a necessidade de perceber muito bem o antes e o depois, com o testemunho de todos os intervenientes". Nas suas declarações à Lusa, o director adjunto da DREN confirmou que presidiu hoje a uma reunião com outros responsáveis da DREN e com o Conselho Executivo da Carolina Michaelis, e admitiu que o caso da professora alegadamente agredida foi assunto em agenda. "Mas não foi o único", assegurou, enquadrando esta reunião no quadro dos encontros regulares que a DREN mantém com os responsáveis de diversos estabelecimentos de ensino. "Sem desvalorizar a gravidade" do sucedido, António Leite garantiu que o caso da Escola Secundária Carolina Michaelis "não reflecte a realidade escolar na área da DREN", correspondente a 40 por cento do território português. A professora da "Carolina Michaelis" foi vítima de uma cena de violência física e verbal por parte de uma aluna, depois de lhe retirar um telemóvel, cujo uso é proibido durante as aulas. A cena foi gravada por um aluno da mesma turma e o vídeo foi colocado no site YouTube, mostrando a aluna em causa a gritar e a empurrar a professora quando a docente lhe procura tirar o telemóvel. Um professor que seja vítima de uma situação semelhante deve, segundo António Leite, participá-la ao conselho executivo da sua escola, entidade responsável por dar conhecimento da situação ao Gabinete de Segurança da DREN. "Esta participação à DREN faz-se on-line", disse à Lusa uma professora conhecedora dos trâmites legais de situações destas. A par desta participação feita pelo presidente do conselho executivo à DREN, a própria escola abre um inquérito para apurar o que, de facto, se passou e apurar responsabilidades. A mesma fonte adiantou que é sempre nomeado um instrutor que seja "alheio à situação" para coordenar o inquérito. Quando é sugerida a transferência do aluno para outra escola, que é o castigo máximo para uma situação considerada grave e que só pode ser aplicado a estudantes com mais de 10 anos, este é sempre decidido "com conhecimento e autorização" da DREN. Os pais podem sempre recorrer da decisão, após serem notificados pelo conselho executivo da mesma, tendo um prazo de dois dias para o fazer.http://jn.sapo.pt/2008/03/24/ultimas/_Carolina_Michaelis_tem_est.html
Professora foi vítima de agressão por parte de uma aluna A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) espera que a Escola Secundária Carolina Michaelis (Porto) conclua, ainda esta semana, um inquérito ao caso da alegada agressão duma aluna a uma professora. Em declarações à Lusa, o director adjunto da DREN, António Leite, assegurou que a estrutura desconcentrada do Ministério da Educação vai aguardar, "sem comentários", a conclusão desse inquérito. "Entendemos que, neste caso, o silêncio deve ser levado quase ao limite", sublinhou o director adjunto, considerando que "a pressão é prejudicial" ao trabalho de apuramento dos factos. A Escola Secundária Carolina Michaelis tem cinco dias úteis, contados desde a última quinta-feira, para concluir o inquérito aos acontecimentos, mas, por razões devidamente justificadas, pode pedir a prorrogação do prazo. Apesar do período de férias pascal, e do elevado número de pessoas a ouvir, o director adjunto da DREN, António Leite, crê que os cinco dias úteis serão suficientes. No âmbito do inquérito serão ouvidos os principais protagonistas (professora alegadamente agredida, aluna agressora e aluno que filmou a cena), bem como restantes alunos da turma, que tem um total de 28 educandos. António Leite disse que o que ocorreu "não se resume a um minuto e quarenta segundos [tempo do vídeo sobre o incidente, que passou no Youtube], sendo inquestionável a necessidade de perceber muito bem o antes e o depois, com o testemunho de todos os intervenientes". Nas suas declarações à Lusa, o director adjunto da DREN confirmou que presidiu hoje a uma reunião com outros responsáveis da DREN e com o Conselho Executivo da Carolina Michaelis, e admitiu que o caso da professora alegadamente agredida foi assunto em agenda. "Mas não foi o único", assegurou, enquadrando esta reunião no quadro dos encontros regulares que a DREN mantém com os responsáveis de diversos estabelecimentos de ensino. "Sem desvalorizar a gravidade" do sucedido, António Leite garantiu que o caso da Escola Secundária Carolina Michaelis "não reflecte a realidade escolar na área da DREN", correspondente a 40 por cento do território português. A professora da "Carolina Michaelis" foi vítima de uma cena de violência física e verbal por parte de uma aluna, depois de lhe retirar um telemóvel, cujo uso é proibido durante as aulas. A cena foi gravada por um aluno da mesma turma e o vídeo foi colocado no site YouTube, mostrando a aluna em causa a gritar e a empurrar a professora quando a docente lhe procura tirar o telemóvel. Um professor que seja vítima de uma situação semelhante deve, segundo António Leite, participá-la ao conselho executivo da sua escola, entidade responsável por dar conhecimento da situação ao Gabinete de Segurança da DREN. "Esta participação à DREN faz-se on-line", disse à Lusa uma professora conhecedora dos trâmites legais de situações destas. A par desta participação feita pelo presidente do conselho executivo à DREN, a própria escola abre um inquérito para apurar o que, de facto, se passou e apurar responsabilidades. A mesma fonte adiantou que é sempre nomeado um instrutor que seja "alheio à situação" para coordenar o inquérito. Quando é sugerida a transferência do aluno para outra escola, que é o castigo máximo para uma situação considerada grave e que só pode ser aplicado a estudantes com mais de 10 anos, este é sempre decidido "com conhecimento e autorização" da DREN. Os pais podem sempre recorrer da decisão, após serem notificados pelo conselho executivo da mesma, tendo um prazo de dois dias para o fazer.http://jn.sapo.pt/2008/03/24/ultimas/_Carolina_Michaelis_tem_est.html
TIRA OS ADJECTIVOS E FICA COM OS FACTOS...
Vi há semanas uma excelente encenação do Cândido de Voltaire, no Maria Matos, em Lisboa. Uma das personagens, o filósofo germânico dr. Pangloss, que encontrava sempre um aspecto redentor em praticamente tudo (já que este era o melhor dos mundos possível), ao desembarcar na frente ribeirinha de Lisboa no dia do terramoto de 1755, vê tudo destruído e no meio das ruínas a gentalha a pilhar num saque sanguinário. Questionado por Cândido sobre o que era aquilo, responde "... Isto é o fim do Mundo".PivotBoa noite, uma professora foi agredida na escola Carolina Michaëlis, no Porto. A cena foi registada em vídeo por um telemóvel e divulgada no YouTube.(Segue Vídeo 1' 10")Se o incurável optimista Pangloss tivesse visto o vídeo da aula de Francês no 9.º C, só podia ter comentado que era o fim do Mundo. E foi. O vídeo, a boçalidade dos comentários de quem filmou, os ataques selváticos de quem atacou, a birra criminosa da delinquente a quem tiraram o telemóvel, a indiferença da maioria da turma pelo horror do que se estava a passar mostram o malogro do sistema administrado pelo Ministério da Educação."Ha ha ha...ha...ha""DÁ-ME O TELEMÓVEL!"Há um caso exemplar no historial governativo socialista onde Maria de Lurdes Rodrigues podia ir buscar inspiração. Em Março de 2001, depois da queda da ponte de Entre-os-Rios, o ministro da tutela anunciou que se demitiria com efeitos imediatos. Foi a maneira consciente de mostrar responsabilidade."Sai da frente... sai da frente!"Por favor, façam-me a justiça de não considerar sequer que estou a fazer comparações. A enorme crise que atravessa o sistema educativo em Portugal e a queda de uma ponte cheia de pessoas em cima, com as consequentes fatalidades, são situações de gravidade específica que não toleram comparações. O que digo é que a decisão de Jorge Coelho de se retirar de funções porque a ponte de Entre-os-Rios era responsabilidade de vários departamentos do seu ministério, é o modelo de comportamento governativo."Ó Rui, ó Rui, ó Ruizinho!"Maria de Lurdes Rodrigues tem um tremendo desastre entre mãos e contribuiu directamente para ele com as suas políticas de desrespeito de toda a classe docente e com o incompreensível arrazoado de privilégios estatutários garantísticos aos discentes, que estão a condenar toda uma geração e a comprometer o futuro de todo um país."Ó gorda, ó p (...), sai daí!"Depois de todos termos, finalmente, visto aquilo que realmente se passa nas nossas escolas, nada pode ficar na mesma. A DREN, que já se devia ter ido embora no escândalo do professor Charrua, tem de sair porque aquela gente obviamente não sabe o que está a fazer. O Conselho Directivo da Carolina Michaëlis tem de ser imediatamente substituído por gente capaz de proibir telemóveis e de impor (não tenham medo da palavra), impor, um ambiente de estudo na escola pública. Reparem que durante o desacato e o linchamento da professora nenhum dos alunos abre a porta da sala de aulas e pede ajuda."Sai da frente... sai da frente!"Isso atesta que já não ocorre aos próprios alunos que haja na escola alguém capaz de impor disciplina e restabelecer a ordem."Olha a velha vai cair!"Por isto a Turma do 9.ºC tem de acabar! Por uma questão de exemplo, os alunos têm de ser dispersos por outras turmas e o 9.º C deve ficar com a sala fechada o resto do ano, numa admoestação clara de que este género de comportamento chegou ao fim. Maria de Lurdes Rodrigues não pode ficar à espera de receber outra vez o apoio do primeiro-ministro. Depois disto, é seu dever sair do cargo. E não é, como diz constantemente, a mais fácil das soluções. É a medida necessária para que haja soluções. A saída da ministra é, viu-se agora, uma questão de segurança nacional. É a mensagem necessária para a comunidade escolar, alunos e professores, entenderem que o relaxe, a desordem e o experimentalismo desenfreado chegaram ao fim. Que não há protecção política que os salve já da incompetência do Ministério, da DREN e de tudo o mais que nestes três anos nos trouxe à vergonhosa situação que o vídeo do YouTube mostrou ao país e ao Mundo. Uma questão mais os sindicatos viram as imagens de um crime a ser cometido em público contra uma professora. Façam o que devem. Façam as devidas queixas-crime contra a aluna agressora e contra quem filmou e usou abusiva e ilegalmente da imagem da professora a ser martirizada. O crime foi visto por todos. O Ministério Público tem competência para mover o adequado processo contra esses alunos. Cumpram o vosso dever sem tibiezas palavrosas. Já não se pode perder mais tempo com disparates.Mário Crespo escreve no JN
domingo, 23 de março de 2008
BATEMOS NO FUNDO
Batemos no fundo
Governantes, pais e professores saem muito mal do "filme" da sala de aula do Carolina Michaelis. Um a aluna aos gritos, batendo na professora e tratando-a a por tu, uma turma inteira satisfeita e gozando com a desordem e com a incapacidade da professora - "a velha" - , tudo isto é um retrato mau do estado a que deixamos chegar a situação.Os pais acomodam-se com o recibo da propina que pagam à escola, como se a sua responsabilidade acabasse aí. Os filhos são entregues à escola, onde entram e saem com ligeiras e rápidas passagens por casa, para comer e dormir. Casas onde não se discute problema nenhum e nada se questiona. Casas onde muitas vezes nem tempo há para se falar, conversar.Nas escolas, as regras são o que se sabe. Seriam assim tão maus os tempos em que os alunos se levantavam quando o professor entrava na sala? Seria assim tão penoso o silêncio que se fazia enquanto o professor falava? Seria assim tão pouco natural que um aluno fosse posto fora da aula se estivesse a perturbar os colegas e o professor? Seria assim tão fora do senso comum que um estudante que não tivesse aproveitamento fosse obrigado a repetir o ano?Porque mudaram as leis, porque deixámos as coisas cair neste "deixa andar"?O 25 de Abril, que nos trouxe a liberdade, levou, nos tempos revolucionários, regras que eram boas mas que voaram com o lixo fascista. Os tempos revolucionários passaram, vieram tempos democráticos, ministros de todos os partidos e o edifício escolar nunca se compôs, nunca foi capaz de responder aos desafios da democracia.O filme vergonhoso do Carolina, que infelizmente não é nem caso isolado nem o mais grave, deve encher-nos a todos de tristeza. Pura e simplesmente somos uma sociedade que não sabe educar os seus filhos, que não tem nem valores nem referências para lhes dar. Batemos no fundo. E enquanto não conseguirmos restaurar a autoridade na escola, não sairemos da cepa torta.À letra, José Leite, Pereira
Governantes, pais e professores saem muito mal do "filme" da sala de aula do Carolina Michaelis. Um a aluna aos gritos, batendo na professora e tratando-a a por tu, uma turma inteira satisfeita e gozando com a desordem e com a incapacidade da professora - "a velha" - , tudo isto é um retrato mau do estado a que deixamos chegar a situação.Os pais acomodam-se com o recibo da propina que pagam à escola, como se a sua responsabilidade acabasse aí. Os filhos são entregues à escola, onde entram e saem com ligeiras e rápidas passagens por casa, para comer e dormir. Casas onde não se discute problema nenhum e nada se questiona. Casas onde muitas vezes nem tempo há para se falar, conversar.Nas escolas, as regras são o que se sabe. Seriam assim tão maus os tempos em que os alunos se levantavam quando o professor entrava na sala? Seria assim tão penoso o silêncio que se fazia enquanto o professor falava? Seria assim tão pouco natural que um aluno fosse posto fora da aula se estivesse a perturbar os colegas e o professor? Seria assim tão fora do senso comum que um estudante que não tivesse aproveitamento fosse obrigado a repetir o ano?Porque mudaram as leis, porque deixámos as coisas cair neste "deixa andar"?O 25 de Abril, que nos trouxe a liberdade, levou, nos tempos revolucionários, regras que eram boas mas que voaram com o lixo fascista. Os tempos revolucionários passaram, vieram tempos democráticos, ministros de todos os partidos e o edifício escolar nunca se compôs, nunca foi capaz de responder aos desafios da democracia.O filme vergonhoso do Carolina, que infelizmente não é nem caso isolado nem o mais grave, deve encher-nos a todos de tristeza. Pura e simplesmente somos uma sociedade que não sabe educar os seus filhos, que não tem nem valores nem referências para lhes dar. Batemos no fundo. E enquanto não conseguirmos restaurar a autoridade na escola, não sairemos da cepa torta.À letra, José Leite, Pereira
A DEMOCRACIA DE SOCRATES
EM CONSEQUÊNCIA DA REVOLUÇÃO DE 1974 , criou raízes entre nós a ideiade que qualquer forma de autoridade era fascista. Nem mais, nem menos.Um professor na escola exigia silêncio e cumprimento dos deveres?Fascista! Um engenheiro dava instruções precisas aos trabalhadores noestaleiro? Fascista! Um médico determinava procedimentos específicosno bloco operatório? Fascista! Até os pais que exerciam as suasfunções educativas em casa eram tratados de fascistas.Pode parecer caricatura, mas essas tontices tiveram uma vida longa einspiraram decisões, legislação e comportamentos públicos. Duranteanos, sob a designação de diálogo democrático, a hesitação e oadiamento foram sendo cultivados, enquanto a autoridade ia sendo postaem causa. Na escola, muito especialmente, a autoridade do professorfoi quase totalmente destruída.EM TRAÇO GROSSO, esta moda tinha como princípio a liberdade. Osdenunciadores dos 'fascistas' faziam-no por causa da liberdade. Osdemolidores da autoridade agiam em nome da liberdade. Sabemos que issoera aparência: muitos condenavam a autoridade dos outros, nunca a suaprópria; ou defendiam a sua liberdade, jamais a dos outros. Mas enfim,a liberdade foi o santo e a senha da nova sociedade e das novasculturas. Como é costume com os excessos, toda a gente deixou deprestar atenção aos que, uma vez por outra, apareciam a defender aliberdade ou a denunciar formas abusivas de autoridade. A tal pontoque os candidatos a déspota começaram a sentir que era fácil atentar,aqui e ali, contra a liberdade: a capacidade de reacção da populaçãoestava no mais baixo.POR ISSO SINTO INCÓMODO em vir discutir, em 2008, a questão daliberdade. Mas a verdade é que os últimos tempos têm revelado factos etendências já mais do que simplesmente preocupantes. As causas destaevolução estão, umas, na vida internacional, outras na Europa, mas amaior parte residem no nosso país. Foram tomadas medidas e decisõesque limitam injustificadamente a liberdade dos indivíduos. A expressãode opiniões e de crenças está hoje mais limitada do que há dez anos. Avigilância do Estado sobre os cidadãos é colossal e reforça-se. Aacumulação, nas mãos do Estado, de informações sobre as pessoas e avida privada cresce e organiza-se. O registo e o exame dostelefonemas, da correspondência e da navegação na Internet são legaise ilimitados. Por causa do fisco, do controlo pessoal e das despesascom a saúde, condiciona-se a vida de toda a população e tornam-seobrigatórios padrões de comportamento individual.O CATÁLOGO É ENORME. De fora, chegam ameaças sem conta e que reduzem efectivamente as liberdades e os direitos dos indivíduos. A Al Qaeda, por exemplo, acaba de condicionar a vida de parte do continenteafricano, de uma organização europeia, de milhares de desportistas ede centenas de milhares de adeptos. Por causa das regulações dotráfego aéreo, as viagens de avião transformaram-se em rituais dehumilhação e desconforto atentatórios da dignidade humana. Da UniãoEuropeia chegam, todos os dias, centenas de páginas de novasregulações e directivas que, sob a capa das melhores intenções domundo, interferem com a vida privada e limitam as liberdades. Tambémda Europa nos veio esta extraordinária conspiração dos governos com ofim de evitar os referendos nacionais ao novo tratado da União.MAS NEM É PRECISO IR LÁ FORA. A vida portuguesa oferece exemplos todosos dias. A nova lei de controlo do tráfego telefónico permite escutare guardar os dados técnicos (origem e destino) de todos os telefonemasdurante pelo menos um ano. Os novos modelos de bilhete de identidade ede carta de condução, com acumulação de dados pessoais e registoshistóricos, são meios intrusivos. A vídeovigilância, sem limites desituações, de espaços e de tempo, é um claro abuso. A repressão e asrepresálias exercidas sobre funcionários são já publicamenteconhecidas e geralmente temidas A politização dos serviços deinformação e a sua dependência directa da Presidência do Conselho deMinistros revela as intenções e os apetites do Primeiro-ministro. Ainterdição de partidos com menos de 5.000 militantes inscritos e anecessidade de os partidos enviarem ao Estado a lista nominal dos seusmembros é um acto de prepotência. A pesada mão do governo agiu naCaixa Geral de Depósitos e no Banco Comercial Português com intuitosevidentes de submeter essas empresas e de, através delas, condicionaros capitalistas, obrigando-os a gestos amistosos. A retirada dos nomesdos santos de centenas de escolas (e quem sabe se também, depois, deinstituições, cidades e localidades) é um acto ridículo defundamentalismo intolerante. As interferências do governo nos serviçosde rádio e televisão, públicos ou privados, assim como na 'comunicaçãosocial' em geral, sucedem-se. A legislação sobre a segurança alimentare a actuação da ASAE ultrapassaram todos os limites imagináveis dadecência e do respeito pelas pessoas. A lei contra o tabaco estádestituída de qualquer equilíbrio e reduz a liberdade.NÃO SEI SE SÓCRATES É FASCISTA. Não me parece, mas, sinceramente, nãosei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suportaé a independência dos outros, das pessoas, das organizações, dasempresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admiteque se pense de modo diferente daquele que organizou com as suaspoderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seuideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da FunçãoPública, revisto e reforçado pelo seu governo. O Primeiro-ministroJosé Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contraautonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoalque Portugal conheceu nas últimas três décadasTEMOS DE RECONHECER: tão inquietante quanto esta tendência insaciávelpara o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção doscidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação?Acordo? Só se for medo...António Barreto in "Público"
sábado, 22 de março de 2008
Pequenos deuses caseiros...
Pequenos deuses caseiros
que brincais aos temporais,
passam-se os dias, semanas,
os meses e os anos e vós jogais,
jogaiso jogo dos tiranos.
Pequenos deuses caseiros
cantai cantigas macias
tomai vossa morfina,
perdulai vossos dinheiros
derramai a vossa raiva
gozai vossas tiranias,
pequenos deuses caseiros.
Erguei vossos castelose
legei vossos senhoreses
pancai vossos criados,
violai vossas criadas,
e bebei, o vinho dos traidores
servido em taças roubadas.
Dormi em colchões de penas,
dançai dias inteiros,
comprai os que se vendem,
alteai vossas janelas
e trancai as vossas portas,
pequenos deuses caseiros e reforçai,
reforçai as sentinelas.
Sidónio Muralha
que brincais aos temporais,
passam-se os dias, semanas,
os meses e os anos e vós jogais,
jogaiso jogo dos tiranos.
Pequenos deuses caseiros
cantai cantigas macias
tomai vossa morfina,
perdulai vossos dinheiros
derramai a vossa raiva
gozai vossas tiranias,
pequenos deuses caseiros.
Erguei vossos castelose
legei vossos senhoreses
pancai vossos criados,
violai vossas criadas,
e bebei, o vinho dos traidores
servido em taças roubadas.
Dormi em colchões de penas,
dançai dias inteiros,
comprai os que se vendem,
alteai vossas janelas
e trancai as vossas portas,
pequenos deuses caseiros e reforçai,
reforçai as sentinelas.
Sidónio Muralha
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